23 julho 2016

Lendo o que ficou para trás, no blog, vejo que ainda está na frente, valendo. Amigos queridos de anos de leitura,bem vindos. Sempre.

  Queridos Blogueiros,

Essa é mais uma convocação.  De vez em quando resolvo ler o que vem nessa coluna da direita: o que as pessoas que vem de passagem estão lendo. E ai vou verificar o que escrevi há 10 anos, 6 anos, 6 meses. É muito bom.

Percebo que escrevia mais e melhor. Que concatenava as ideias com rapidez e facilidade. O hábito de escrever diariamente é delicioso e um grande professor da utilização da linguagem.

Lembro que já tivemos uma comunidade forte no UOL, Onde recebi uma poesia de um amigo querido, João Pedro( João Paulo?) Desculpe, sempre fiz essa confusão. Onde fizemos até votação para que cor deveria ser a parede do meu quarto.

Eram pessoas que nunca tinha visto, mas que participavam da minha vida, de uma forma inteira. Cada um de nós trocando idéias, carinho, atenção. Então o blog também é um excelente caminho de aprendizagem, uma ponte para quem tem ou está com alguma dificuldade de sociabilização.

Chamo vocês de volta:venham! Vamos voltar a escrever direito. Pela minha experiência e tentativas atuais, percebo que dependemos uns dos outros para manter isso aqui. Como escrevi uma vez, no começandinho do blog:se não quiséssemos ser lidos, escreveriamos um diário e não um texto público.

Mas também não queremos ser vigiados. Que se utilizem dos nossos blogs para saber da gente. O que existe para ser sabido ou fofocado da vida de alguém que escreve num blog? Nada. Isso aqui ô ô, é só alegria. O mínimo de informação pessoal. E se nem esse mínimo puder entrar, sob pena de uso indevido, é pressão indevida. É esmorecer o ânimo de alguém que busca saúde na comunicação. Não doença ou tristeza.

Então aqui está mais uma convoção, onde me incluo. O Alê já recomeçou seu blog e ainda não me tornei assídua na leitura. Vou lá. Venham cá.  Nosso veículo não está ultrapassado e nem o FB com oi e tchau pode nos vencer. Aqui não está apenas a sociabilização, mas a criatividade.  A troca isenta de caras e bocas.  Aqui onde nossas fotos particulares não aparecem, é que somos nós genuinamente. O que está dentro pode ir para fora. E nossa alma ser mostrada com alegria.

Abraços queridos blogueiros. E boas vindas!

(imagem guardada no meu arquivo sem referencia-encontrada algum dia no Google-Alice no País das Maravilhas-mas não sei de quem é a propriedade da imagem. Pego emprestada com admiração. Grata pelo empréstimo)

02 julho 2016

PARA CRIAR UMA CRIANÇA É PRECISO UMA VILA. Quer fazer uma coisa boa? Assista "O Começo da Vida".

  Acabei de assistir no NetFlix. No cinema deve ser muito melhor. O documentário "O Começo da Vida" percorre os quatro cantos do planeta, para encorajar as pessoas a darem mais valor a primeira infancia( periodo que vai de 0 a 6 anos.) Mostrando o quanto é importante também, os primeiros três anos, onde a criança tem a maior capacidade de aprender de toda a sua vida. A plasticidade neuronal é imensa. Caiu na rede é peixinho. Possível de assimilar com facilidade e alegria,  um sorriso, um gesto, uma palavra nova, um mundo novo, tudo que será marca, para sempre.
          Essa ideia de que "para criar uma criança é preciso uma vila" procura resgatar a noção de comunidade. Uma mãe e / ou um pai sozinhos nesse vasto mundo, já não dão conta de criar um filho sem apoio.  No amplo sentido,  de que uma criança pertence a uma comunidade, a humanidade, é de todos.  E quando existe uma falha, não foi apenas aquela mãe, aquele pai,  que falharam, mas todo um entorno ambiental que não deu suporte. " Toda criança tem uma avó, uma tia, uma vizinha, uma professora".... uma amiga de não sei quem. É isso. Está super na hora de dar as mãos as nossas crianças. Não por que são pobres, ou ricas, ou fracas, ou fortes, mas por que são crianças. Pessoas em formação.
     Dá um sorriso, um aceno, uma palavra,  para o menininho que passa na rua, para a filha da vizinha que mora no prédio ao lado, para a criança que passa no colo, ofereçamos a nós mesmos para algum carinho, cuidado, aconchego, solidariedade, sentido de comunidade. Adorei. Ah muito bom.
     A gente assiste tanta porcaria de filme, pois faça um favor a você, assista "O Começo da Vida", uma alegria, um prazer a ser compartilhado. Um convite a uma mudança de postura com relação a forma de viver nesse mundo. De estar no mundo, De agir e ser no mundo. É para você também.

03 junho 2016

À BEIRA MAR. De Angelina Jolie com Brad Pitt. Tem gente que quando não tem mais o que fazer, faz um filme. Será que é bom?

      Ah, fazer um filme nas horas vagas, deve ser muito bom. Eu adoraria dispor de toda a parafernália para por em dia minha criatividade e expressar minhas neuroses sem medo de ser infeliz. Mas deve dar um trabalho... Mais fácil deitar num divã. E em seguida partir para melhores enredos.
 
   Vamos la: comprei o filme logo ali sem levar muita fé. Brad Pitt e Angelina Jolie,juntos. Mrs e Mr Smith outra vez? Socorro. Será que é de carros e armas? Não parece. Será que vão se matar? Pode ser. Dessa vez à beira mar.
                                              imagem de divulgação de A Beira Mar

As fotos são esquisitas. Capricha aí para vender melhor essa coisa toda... E fui assistir a tal película. Quem fez essa droga de roteiro arrastado, me pergunto logo de cara. Arrastado no começo? É,difícil de encarar. E vou assistindo: um escritor, Pitt ( franzindo a testa como Hemingway) e uma dona de casa,  ex-dançarina, Jolie, são o casal que vai passar temporada a beira da riviera francesa. Bonito cenário. E a música de entrada: Jane B. ,cantada por Jane Birkin com sua vozinha pequena e sensual. Ela que com Serge Gainsbourg, formava um casal sensação nos anos 60/70,  ( e são os pais de Charlotte Gainsbourg, uma atriz que eu adoro) mais ou menos a época em que se passa o filme , escrito e dirigido por Angelina.
 
   No inicio não dá muito para entender do que se trata: eles parecem um casal mais velho. Pitt envelheceu , de fato. E Jolie não está assim tão belle, magra daquele jeito. Braços e pernas muito finos, mostram que ali a vida não está fácil. Ela parece definhar ao sabor de suas  angústias. A personagem também é cheia de questões. Só pelo rosto meio cadavérico, que faz aquele bocão natural parecer um excesso de botox, me faz pensar em um casal de uns 60 anos, querendo parecer menos e se dando mal nessa intenção. Colocam um enchimento na cintura da atriz, para justamente dar a ideia de um corpo com mais idade. Fica realmente estranho e confuso o physique du rôle. Ok. Continuando: Pitt fala Francês no início da trama e tem um sotaque até que bem razoável, considerando que os americanos em geral, enrolam a língua em qualquer idioma. Com honrosas exceções.Você já ouviu Jodie Foster falando Francês? Simplesmente espetacular. É uma francesa. Mas Pitt vai indo.
                                           imagem de divulgação de A Beira Mar

   O resumo é o seguinte:ele, um escritor em crise,um homem em crise, um marido em crise, um ser humano em crise, está ali numa tentativa de aguentar aquele outro ser humano em crise, sua esposa. Ela encontra no quarto do hotel, um buraquinho  até que bem grande,  na parede( puxa que forçação é essa?) , e passa a "voyeurizar" e se excitar com  um casal em lua de mel no quarto ao lado.  Por incrível que pareça nessa hora o filme parece que vai ficar bom.  O ritmo começa a melhorar. E o casal ao lado é de excelentes atores:Melanie Laurent( quem não amou "O Concerto"?) e Melvil Poupaud( esse é ator, diretor e músico na vida...).  Brad num momento de solidão,  encontra o tal buraquinho/bucarão...Que coincidência...uh-la-la. E também começa a observar . O casal em crise passa a se alimentar do erotismo do casal sem crise. E num determinado momento a coisa vai se confundindo, se torturando um pouco mais....

   Entendemos na sequencia,  que o personagem de Angelina é estéril, e tentou engravidar algumas vezes... há três anos atrás. Ah,  eles não tem 60 anos então, são apenas dos anos 60 mesmo. Sem todos aqueles recursos e inseminações da atualidade. Ela sofre em seu tempo. Como se dar a luz fosse o único grande drama de uma mulher. Naqueles anos, certamente, mais. De toda forma é interessante a escolha do enredo, logo ela que foi  lindamente iluminada em compor uma família tão plural:crianças adotadas em países diferentes, e crianças da própria biologia nascidas em países diversos também. Parece fetiche não é? Vamos povoar o nosso mundo, com o mundo inteiro? Não deixa de ser uma boa proposta.

Pois é.  É isso. No final eles vão embora da praia, ao som de Jane Birkin,outra vez. Brad personagem  concluiu um livro sobre a vida deles. E um filme aparece na tela com o casal celebridade que já não é mais tão sensação assim:"A Beira Mar, "  dando uma pincelada diferente do enredo de suas vidas.  Já que a arte não precisa imitar a vida. Mas talvez se assemelhe em angústia, tédio, dificuldade de assujeitamento à própria humanidade, como aliás, a maioria de nós.  Tá com pena? Leva pra casa. Como diria,  quem? Chico Anísio? Prefiro comédia, concluo.

fotos encontradas no Google.