04 Novembro 2009

Para Celebrar a Vida.

Os 9 anos da minha filha querida.

Outro dia foi a festa dela. Decidimos nós duas, que iriamos comemorar não mais em buffetzinhos e nem seria no nosso lindo e maravilhoso apartamento, aquele que foi planejado a cada milimetro com o máximo de cuidado e carinho, para Anna Luiza morar como a princesa que ela é, até se casar, se mudar se emancipar. E poder voltar sempre, para sua casa, seu lar, todas as vezes que precisasse e quisesse.

Enfim, a vida nos deu uma rasteira, que era de se esperar, mas não esperavamos.

Vivemos ainda acampadas aqui. Coisas improvisadas. E com os móveis velhos que ficaram para trás antes de nos mudarmos para o outro lá. Voltamos atrás, varremos a casa, tiramos a poeira e recomeçamos. Pois bem, Anna escolheu esse cenário para seu aniversário. Construí uma barraca enorme no meio da sala, para lembrar um acampamento de fato. Onde a turma, que só tem dez meninas, mesmo num colégio misto ( calhou), pudesse dormir, na famosa "festa do pijama" que agora está na maior moda.

Quando três dias antes da festa, a barraca chegou e foi instalada( uma cortina de "vual" )que ocupou a parede da janela e mais um espaço fazendo um grande círculo, roxo, verde limão e pink, estava mais para Halloween do que para a grande barraca de camping imaginada pela criativa aqui. Entrei em pânico. As meninas da escola são quase hostis entre elas, de tão mimadas, milionárias e fúteis. Não me olhem assim, não fui exatamente eu quem escolheu esta escola. São Paulo não oferece as opções maravilhosas que o Rio de Janeiro tem. Eu tambem confesso que não conheço direito esse universo. Enfim, equivocos a parte, eu queria que minha filha fosse amada nesse ambiente em que está no momento, cursando a terceira série. E não queria de jeito nenhum que achassem nossa casa estranha, feia, pequena, sem empregada, com cara de dia das bruxas ou o que quer que fosse de ruim. A barraca fez com que eu tivesse que juntar os moveis, tornando a sala minuscula. Socorro. Comecei a olhar para todos os lados com o olhar crítico dos outros. Vamos fazer a festa no outro apartamento filha? Afinal de contas ele também é nosso. Vamos? Ali tem mais espaço para fazer guerra de travesseiros, desfile, suas amigas vão ficar mais contentes. Mas ela estava maravilhada com a "barraca" e já tinha anunciado na escola onde a festa seria, fizemos convites com fotos de ursinhos, a "lembrancinha" que vocês veem aí, e ela não queria mudar o combinado, ainda mais na última hora. Fiz sua vontade, temerosa.

E foi a festa mais linda que minha filha já teve. Na verdade, foi a festa mais linda que eu já participei na minha vida. Chamei uma recreadora maravilhosa, Tia Malú. E antes dela chegar, imaginei eu mesma uma série de atividades. Como a "cerimonia do urso", onde cada menina antes de dormir iria pegar um desses ursinhos, escolher uma amiga e oferecer um deles. Assim haveria uma troca de presentes absolutamente iguais. Para que quando fossem dormir daqui para frente, se lembrassem desse dia, soubessem que tem 10 amigas que as amam e estão ai para apoia-las quando papais e mamães brigarem, quando estiverem chateadas ou com medo de alguma coisa, etc.(esse foi o meu discurso, num momento muito MÃE e muito "tia", espetacular) As crianças disseram lindas declarações umas para as outras. Teve todo o tempo, muita risada, muita palhaçada, muita brincadeira , muita amizade, muita felicidade, por que criança sabe o que é isso. O que a gente chama de "momentos", para elas é plenitude, mesmo que isso seja uma ilusão de criança. E assim, descobri que apesar das bizarrices no recreio, as coleguinhas tem jeito.

Não estão ainda tão amedrontadas, adulteradas, plastificadas, engessadas por nossa civilização, como seus pais. Ainda são seres primitivos como os das tribos estudadas por Levi Strauss. Ou seja, ainda preservam um pouco da nossa originalidade. E olhando para aquela turminha aconchegada na nossa casa improvisada, meu coração se encheu de esperança pelo futuro da humanidade sim. Nem que tenha sido tb uma ilusão de uma noite do pijama. Claro, o melhor de tudo isso é que minha filha amada, ficou muito feliz. Nem ela nem as meninas repararam em qualquer outra coisa que não fosse a alegria de se divertir. Se os pais torceram o nariz na hora de buscar? Problema deles. Devem ter aberto um sorriso quando ouviram o que as filhas tinham para contar. E ótimo se pararam de pensar em suas caraminholas para ouvir essas crianças um pouco que seja. Foi tudo um sucesso. Vou fazer para minha filha outras festas assim. Se continuar nessa escola( dizem que devo manter o mais possível uma "estabilidade" no momento). Estabilidade num lugar hostil, não faz o menor sentido. Mas agora parece menos hostil, então se continuar nessa escola as festas artezanais terão um carater meio educativo para aquela tribuzinha. Se mudar para uma escola com uma população menos Disney ou Aspen nos finais de semana e com pais mais intelecftuais, como me disseram que tem na Vila Madalena e na Vila Mariana, serão só festas animadas. E no mais, e isso é tudo, agradeço a Deus pela existencia da minha filha. Peço proteção para ela em todos os momentos de sua vida. Desejo que cresça saudável e com essa força de carater que ela já demonstra hoje. E desejo a todos, simplesmente todos os seres humanos, em dobro, tudo aquilo que desejarem para nós. A vida ensina. E nós queremos aprender sorrindo.

Nos próximos dias estarei ausente desse blog. Agradeço a todas as pessoas que vem sempre aqui. Nem preciso citar nomes, elas sabem quem são elas mesmas( espero, hehehehe). Embora seja um espaço virtual, vocês são matéria prima no meu coração. Muitos beijos e muito obrigada pela força, sempre, nesse nosso "acampamento virtual".

03 Novembro 2009

Morre Claude Levi Strauss, o Antropologo do Estruturalismo.

Levi Strauss foi um dos primeiros nomes que tomei contato como estudante de Sociologia. E passei a reverencia-lo. As matérias de Antropologia eram sem dÚvida muito mais interessantes para mim do que as de Ciências Políticas, mesmo que essas fossem dadas por grandes nomes do Marxismo, em geral recém-chegados do exterior, na PUC-RJ, um curso que aliás não existe mais., infelizmente.

Mas alguns poucos professores, dedicados a pesquisa qualitativa e de campo, uns abençoados, quase voluntários, ensinavam para a gente os fundamentos das teorias de Levi Strauss, que inclusive passou uma temporada no Brasil estudando os índios brasileiros. Ele estudava tribos primitivas em todas as partes do mundo, sabe por que? Para entender o que é da estrutura do ser humano e o que é fabricado, adulterado, plastificado pela cultura de cada lugar. Claro que a cultura foi criada por nada mais nada menos, que nós mesmos. Mas sabe aquela história de quem conta um conto aumenta um ponto? Também isso acontece na vida, a toda hora, no que se pensa, escreve, faz. Então Levi Strauss se perguntava o que era original no ser humano e no que tinha sido fabricado, induzido, ensinado.

Assim, de um tribo primitiva a outra, por observação, comparação, e muito estudo, era possível se ter alguma idéia do que era nosso, de nossa estrutura original. Esse assunto é muito importante, fundamental, para qualquer área. Para a Psicanálise, a Psicologia, para Filosofia, Direito, até para Marketing. para tudo. Saber o que foi você e o que se tornou você é bem interessante não é? Saber que por tras de uma capa, de uma máscara cultural: roupa, maquiagem, comportamento, jeito de falar, de casar, de se relacionar com qualquer pessoa, de entender a vida, e até de pensar, existe uma estrutura, que é igual a todos, que pertence a espécie humana. Alguma coisa que nos iguala, na nossa originalidade. Bonito? Muito.

Lamento a morte de Levi Strauss. Mesmo. Primeiro por que não sabia que ainda estava vivo. Depois por que se estava vivo, sua produção intelectual espetacular nunca deve ter cessado. E portanto agora, cessou. Na matéria do UOL onde li sobre a sua morte tinha um trechinho de sua fala assim, a respeito do 170 Premio Internacional da Catalunha, que recebeu aos 97 anos:

"Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".

Depois disso, só mesmo um minuto de silêncio, quem sabe a gente, o mundo, consegue refletir sobre o assunto?

02 Novembro 2009

A alegria de fazer 90 anos

FELIZ ANIVERSÁRIO TIA SILVIA

Hoje Silvia Prista Braga faz 90 anos. Ela é irmã de Anita, de Maria José ( mãe da querida Leninha), de Isilda, de Laurita, de Juju. E também é irmã de Chico, marido da Ilva, que está aí, como ela, cheio de saúde. É uma família grande, vinda de Portugal, com todas as tradições na bagagem. As filhas, essas meninas citadas acima, foram moças muito prendadas e lindas, capazes inclusive de fazer todos aqueles doces de ovos maravilhosos, as tortas de Natal de "comer rezando", de "comer e chorar por mais", expressões que iam introduzindo no vocabulário de toda a família.

Sempre que eu, guria, olhava para o jeito delas, pensava: foram criadas de um jeito especial, tão diferente do nosso. Eram sempre cheias de delicadeza, de educação refinadíssima, devem ter sido princesas e agora são rainhas- do lar sim- mas antes de tudo, da vida delas.

Tia Silvia fez com o marido, Jarbas, uma grande e alegre família: Jarbinhas, Nando, Lucila, Heloisa e Silvinha. Todos casados, e montes de netos lindíssimos. ( Tem cada gato e gata nessa família que vocês nem fazem idéia). Jarbinhas casou com Marzinha, e só ela dava muitos posts, ele um dos caras mais engraçados que eu já conheci. Ela, além de um humor parecido com o dele, é uma mulher empreendedora, de personalidade tão forte e inteligente, que soube dar certeza ao Jarbinhas de que quem manda na casa é ele, embora ela seja a estrela-guia. Os dois tiveram Flavinha, que não vejo faz tempo, mas que amo de paixão. Flavinha casou.... São geracões e gerações de brasileiros, que mostram pelo seu modo de ser e de viver, o resultado bacana da fusão que a cultura brasileira e portuguesa conseguiram fazer.

Tia Silvia, que você viva 120 anos, e seja muito feliz. Continue sabendo se reinventar a cada dia, se renovar, levantar e dar a volta por cima. E viver soberana nesse reino que construiu com tanto amor, onde seus súditos filhos, noras, netos, bisnetos, sobrinhos e agregados, como eu no momento, te aplaudem de pé. Espero que a festa tenha sido linda e emocionante. Saúde sempre! Feliz-idade de 90 anos. A vitória é toda sua.

Beijos da Camille, do Zuza, e de toda a sua família por parte da vó Anita
(Silvia é tia-avó do meu filho, por parte de pai. Mesmo assim, obrigada pelos votos.)

01 Novembro 2009

Você sabe o que significa a expressão DREADLOCKS? E outras perguntas.

- Eu e minha filha vamos encontrar minha irmã e seu namorado que usa um cabelo tipo Rastafari, os dreadlocks. Para usar um cabelo assim, ninguém precisa estar contando a história do penteado. Mas fiquei curiosa, até por que a minha supervisora até outro dia usava também e claro, fui procurar na Internet. Encontrei o seguinte: apesar de fazer parte da cultura rastafari, os cabelos dreadlocks remetem a civilizações bem antigas. Começou na África. Foram encontradas inclusive múmia egipcias com esse cabelo, São tranças emboladas e gastas. Os astecas usaram, os vikings, os gregos, a divindade Shiva, indú, também. Entendi por um site ou blog, "How to wear dreadlocks", que significa "cabelos como serpentes".

Mas se pegarmos dread+ locks, ficaria algo como uma coisa assustadora , temerosa, dentro de um cofre? Trancada, segura? Não faz sentido.

Procurei Locks num dicionario mais moderninho e aí fala o que já sabemos- um tufo de cabelo, um novelo de lã. ... Você sabe como traduzir Dreadlocks, a expressão em Inglês?

-Você foi recentemente a Paris? Tem alguma dica da cidade para dar? O que mais fascinou você na cidade?

- Sabe o que é polissonografia? Já fez esse exame? Por que?

Estou muito perguntadeira não é? Mas quem pergunta quer saber. Bom feriado para todos nós e agradeço a quem me responder. Beijos.
(foto retirada do site Dreadlocks, how to wear)

30 Outubro 2009

Cinquentinha: fenômeno interessante.

Agora que Pedro Paulo Rangel, grande ator de Teatro e televisão e ainda por cima blogueiro( dos que escrevem bem) no Blog Soppa de Letras, disse que eu poderia ser crítica de televisão-tem razão Tina, você viu primeiro e sempre falou sim, que eu era sua "personal" de cinema. Diante disso, como diz a Jan, minha personal para livros, "estou me achando". E aproveitando a deixa vou só fazer um comentário sobre uma minissérie da Tv Globo, que vai entrar no ar. Não, não é nenhuma fonte de informação privilegiada que passei a ter desde o comentário do PP. Acabei de ver no UOL mesmo: é uma minissérie sobre quatro mulheres de 50 anos. Só que, três delas, Betty Lago deve estar próxima ou já passou dos sessenta. Marília Gabriela já passou beem dos sessenta e Susana Vieira tem quase setenta. O fato é que elas parecem ótimas, mais jovens do que as mulheres que tinham 40 há algumas décadas atras.

Há uns dois anos saiu na capa da Veja, metade o rosto da Cristiane Torloni que tem confessos um pouco mais de cinquenta, e metade o rosto de sua mãe quando tinha cinquenta. A mãe de Cristiane aos cinquenta parecia avó de Cristiane aos cinquenta, que aparenta menos de quarenta. Esse ano ainda, saiu novamente a mesma capa, dividida ao meio, só que dessa vez eram os rostos da modelo Daniela Sarahiba, que deve ter uns vinte e tantos e o de sua mãe que deve ter uns quarenta e lá vai, a menos que tenha tido a filha com 15, pode ser também. O fato é que o leitor não distingue bem a idade de uma e de outra, mas certamente não diz tratar-se de mãe e filha.

Quer dizer, ao que parece, e parece mesmo, as mulheres estão rejuvenescendo. Benza Deus. E por isso mesmo, o fenômeno agora ocorre ao contrário. Para dar veracidade ao personagem, para empatar com a imagem que o público faz de uma mulher de cinquenta, colocam uma de quase setenta para interpretá-lo. Isso vislumbra um excelente algúrio. Principalmente para nós meninas. Claro que o responsável por esse fenômeno nao deve ser o poder benéfico do ar poluído de São Paulo e nem do sol tórrido do também poluido Rio de Janeiro, habitats de estrelas de televisão. Mas, aos cuidados e aos tratamentos disponíveis hoje no Brasil e há muito tempo nas clinicas estéticas dos EUA. Assim como, a disposição das mulheres de correrem atrás de uma beleza externa equilibrada( socorro Donatella Versace não é? Aquela que aumentou a boca e chegou a ficar bizarro o resultado) e de uma saúde de ferro, para manter a jovialidade. E certamente, a um estado de espírito, uma moral elevada, uma descrença nos preconceitos que ainda vestem uma mulher de sessenta de vovozinha, como se esse fosse o único espaço a ser ocupado.

Está la também na mesma página do UOL de hoje, a lindézima Demi Moore, de quase cinquenta, com seu rosto perfeito, seu corpinho de 30 e seu marido de 25, para nos inspirar. Ela deve passar fome? Provavel. Mas isso a Carolina Diekerman já confessou que também passa e só agora fez trinta. Enfim, com fome ou sem fome, com plástica ou não, cada uma escolhe seu futuro e isso é muito bom . Antigamente não tinha escolha e desde que nasci, a imagem de minha avó na minha cabeça, sempre foi a de uma velhiiiinha e ela não era, só estava no posto: cinquentinha, sessentinha e minha vovozinha. E no atual momento, botox+ academia+ dieta+ ausencia de preconceito contra a própria idade + ( sei lá mais o que, mas vou descobrir no tempo certo)= mulher de cinquenta com cara de trinta e mulher de sessenta com cara de quarenta. Gostei da conta. E olha que não sou boa em matemática. ( foto: Demi Mooore, busca no Google)

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