20 agosto 2014

"Pequenas Misses." Que concurso mais triste.

  Ontem assisti uma parte do programa de televisão "Pequenas Misses". São meninas e alguns meninos- bebês de um ou dois anos, até sete anos ( o que eu vi) , em  concurso de beleza, onde são julgados por aparência, vestimenta, interação com o júri, capacidade de dançar, representar, se exibir de alguma forma.

 Interessante observar a falta de cuidado próprio das mães e de alguns pais presentes. A maior parte,  pessoas com questões sérias de obesidade- que é um mal que acomete os americanos, mega adeptos do fast food- mas dá o que pensar. Parecem pessoas que já desistiram de ser, e passaram a investir em uma imagem ideal para seus filhos, e numa  realização através desse investimento..
                                                                 Shirley Temple
   A estética da coisa, muitos cachos na cabeça e vestidos cheios de babados, remete a um tempo "Shirley Temple", a menina precoce que deu certo no cinema. Bem segunda grande guerra. Quer dizer, toda aquela miscelânea de patriotismo, com glória. Quem vê esse programa sente gosto de coisa passada, e de melancolia,   por trás daquelas movimentos estereotipados das coitadas das crianças que estão ali dando tudo de si para agradar aos seus pais.
                                                        " Pequena Miss"
  O desespero e torcida daquelas mães como se aquilo fosse um tudo ou nada. As caras das juradas- sorrindo de satisfação diante das dancinhas bizarras, coreografias que  mães  fazem junto,  da platéia,  para, a criança se espelhar,  no caso de  esquecer um daqueles movimentos.  Algumas, com toda razão,  se intimidam com tal certame. E assim recebem o olhar severo e desaprovador das juradas e a frustração evidente das mães.
                                                                Dá para acreditar?
  O prêmio principal é de 500 dólares, que a criança recebe como se fosse um leque de notas e assim segura. Aquele totem, o " money,money, money".Suponho que seja uma camada menos favorecida da população, que possa estar ali sem outras opções, na luta pelo  pão de cada dia. Ao mesmo tempo, dinheiro é gasto, e talvez muito, em penteados, diferentes vestimentas especiais para o concurso, maquiagens.

Não entendi com que periodicidade aquilo acontece. Mas percebi que os concorrentes já se conheciam de vezes anteriores. Parece mais uma indústria. Um rolo compressor ao qual essas famílias estão  submetidas de bom grado, sem  muita noção do que estão fazendo. Sem consciência de si ou do mundo. Apenas o produto de uma sociedade calcada nas aparências, no poderio bélico, na força do dinheiro, no exibicionismo. Aquilo não é show que se preze. No final das contas tem mais cara de uma guerra bruta e cheia de ansiedade. Violência contra a infância,  me parece. Filhas e filhos de mães e pais infantilizados,  inchados e ardidos por  feridas narcísicas a serem curadas por seus pequenos tesouros. Não recomendo  de jeito nenhum. Mude correndo de canal. Pena que as pequenas misses não tenham como fazer a mesma coisa. .
   Criança  merece ter infância, riso solto, espontaneidade, alegria de viver, liberdade de ser,  amor incondicional, segurança, pais amadurecidos e suficientemente bons... Concorda?

Imagens encontradas no Google. Blog sem fins lucrativos. Caso uma delas pertença a você, coloco aqui o crédito ou retiro a imagem, como preferir. Grata.

19 agosto 2014

O "amor" é lindo, na fila do super mercado de luxo. E o amor é lindo na fila da exposição dos Mayas, na Oca.

 Ando com os olhos voltados para as coisas do amor, das paqueras, das "ralações" e das "relações". Talvez por isso mesmo, esteja prestando muito mais atenção às cenas públicas que testemunhamos no cotidiano. Melhor observar e simplesmente registrar,  ou não. Julgar nem dá. Quem há de saber.

Outro dia estava no caixa de um desses supermercados chiques da cidade. Fui comprar umas coisas sem lactose, que só vendem lá. Aliás,  não sei por que esses supermercados de rede, caríssimos igualmente, tem um repertório tão curto em termos de produtos para quem tem determinadas alergias como leite e glúten? Será que é um acordo com a concorrência?  Quem há de saber...

Pois eu lá no caixa pagando e assistindo: um casal está pagando suas compras. Ele um homem bonitão, mas passadão, e ela uma senhora gorduchinha e tal, daquelas pessoas não muito ligadas em aparências. Pelo menos, aparentemente.  De longe,  uma outra mulher entre 40 ou 50,  toda bonitona, observava a cena, como eu. Mas por um  outro angulo. Ela havia acabado de empacotar suas compras. Recebeu um carrinho e antes de virar de costas, fez um biquinho com os lábios para o tal bonitão,  próximo ao caixa. Ele  olhou para ela.  Ela virou de costas, estava com uma calça comprida ( tipo "roupa para malhar" larga , mas de tecido tão fino, que pareceu  "roupa-de-paquerar-no-supermercado") A calcinha minúscula para dentro da bunda, arrebitada para o tal senhor. Que continuou olhando. E quando ela  ia descendo a rampa,  desistiu. Ficou ali como se estivesse esperando... Será que ela era a mulher do sujeito e eu estou  aqui entendendo tudo equivocadamente? Quem há de saber... O fato é que o homem pegou dois pacotes de não sei  o que, e   estava na dúvida se levava uma caixa ou outra. Perguntou alguma coisa a um  vendedor. A moça da calça de ginástica veio rapidamente... fez o maior charme... disse alguma coisa apontando o produto. E esse senhor fingiu que ela não existia. Não esboçou reação, não agradeceu. Ficou mudo. A tal mulher da calcinha... desceu a rampa finalmente. E esse homem-principalmente pelos dois tipo de reação-  estava sim acompanhado da tal senhora. Que continuou passando as compras como se nada tivesse acontecido. Realmente, ela estava certa, nada aconteceu. Eu é que sou uma admiradora do comportamento humano, só isso.

( Mas me lembrou uma cena de "Fanny e Alexander", quando um marido está  visivelmente  assediando  a "criada"( sic) e uma amiga pergunta à esposa,  que tudo assiste: "você não fica chateada?" Ela diz:"não, eu acho até bonito". Mais tarde dá um tapa na cara da mocinha e em seguida,  lhe oferece um presente de Natal. As ambiguidades humanas. Bergman não poupa ninguém...)

                                                            Até no supermercado?
Outra fila, essa de uma hora e meia para assistir a exposição gratuita da civilização maia ( "Mayas .Revelação de um Tempo Sem Fim")   na Oca, no Ibirapuera. Um casal de seus 20 e pouquinhos  anos conversa atrás de mim: a menina ( para mim, menina,  sim) fala sobre Tristão e Isolda e aquela relação tão especial. Explica que a noção de amor  é cultural, mas fala com doçura, não parece estar dando aula ao rapaz, mas apresentando suas qualidades, simplesmente. Depois ela passeia por diversos conceitos de antropologia, fala sobre os índios,  sobre tribos na Austrália, e a forma do homem ocidental considerar civilizado X e não Y grupos. Parece agradar e muito. O rapaz responde  e mostra que está entendendo.O diálogo flui e ele fala sobre alguns conceitos de Biologia. Os dois parecem ter uma formação universitária já concluída, por que além do vasto repertório, ela fala de seus "alunos", e das ideias que procura transmitir a eles.

O sol está escaldante em pleno inverno paulista e vamos ao primeiro sorvete  na  fila, logo em seguida mais um e uma garrafinha de água. Logo, a conversa do casalzinho fica entrecortada.

Mais tarde estão em outras conversas, já trocaram beijos. O rapaz está falando sobre jogos eletrônicos. Uma lista imensa deles, e isso não entendo bem. A moça escuta, apoia , pergunta. Eles se abraçam e -aos meus olhos e ouvidos- o rapaz está  visivelmente encantado . Ela também.  Ele diz: brincando:' se um dia você for lá em casa, se tiver coragem de ser apresentada a minha família,   vou te mostrar esses jogos"....
                 

                                                  É bonito ver um encontro acontecer.

Me deu vontade de virar para eles e dizer: "vocês são tão bacanas. Invistam nesse namoro que já está dando certo. Essa menina é tão culta, vocês dois, tão inteligentes".
Vai dizer que o mundo não vibra com a sensação de esperança, de alegria, de anos pela frente de um encontro bacana, que pode virar amor? Claro que sim.
Eu não sou diferente. Por mais que procure olhar com distanciamento, já que  estou observando a vida dos outros, a alegria alheia me deixa mais feliz. E assim seguimos cantando, como diria Mercedes Sosa.

 E se você gosta de histórias de amor, "contos de fada" verdadeiros, sensuais e muito bem contados, leia o livro "Mulheres Também Gostam de Contar".  que será lançado ,pela Editora Scortecci, dia 30 de agosto,  na Bienal de São Paulo.

Beijos,
E até mais.



Fotos:bocas sensual ( Sobralphotos) ,   e  mãos dadas:  (olhar43.net) referencias encontradas no Google.

17 agosto 2014

"Mulheres Também Gostam de Contar na News Letter de Glorinha Cohen..

TRÊS LIVROS NOVOS: DE PAULINE HERBACH, FLÁVIO GIKOVATE E FLÁVIA SCHILLING

Pauline Herbach lança dia 30 de agosto, na 23ª Bienal Internacional do Livro de SP, o livro “Mulheres Também Gostam de Contar – Confissões de Amores à Toda Prova”. Flavio Gikovate analisa no livro “Mudar – Caminhos para a transformação verdadeira” os obstáculos que enfrentamos quando nos propomos a mudar um comportamento e aponta caminhos para vencer os entraves. No livro “A sociedade da insegurança e a violência na escola’ a professora Flávia Schilling discute a violência presente nas redes de ensino em todas as suas dimensões.



“MULHERES TAMBÉM GOSTAM DE CONTAR – CONFISSÕES DE AMORES À TODA PROVA”, DE PAULINE HERBACH
PAULINE PB
Pauline Herbach lança dia 30 de agosto, das 17 às 19h, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no stand da Editora Scortecci, o livro “Mulheres Também Gostam de Contar – Confissões de Amores à Toda Prova”. Com capa da designer Sandra Birman, traz quinze relatos verídicos de mulheres muito reais (podiam ser nossas amigas) falando de amores, sexo, rejeição, paixão, luto, fantasias, conquistas, enfim, tudo que envolve relacionamentos.
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É um livro especificamente sobre esse tema – relações afetivas, amorosas. Sem censura nesse contar, uma vez que as mulheres (todas com curso superior, viajadas, cenários lindos) são anônimas. Os nomes foram trocados e as vezes até a cidade. Para que verdades pudessem emergir sem receios. E ainda, tem textos divertidos, selecionados do blog Camélia de Pedra, também sobre relacionamentos e, algumas vezes, reflexões sobre um filme, um associar de ideias. Enfim, uma obra feita para toda pessoa que se interessa pelo universo feminino. Mulheres e homens. Talvez os homens gostem mais ainda…. E as mulheres se identificarão, com certeza.

Grata pelo espaço Glorinha.querida.
Beijos,
Pauline Herbach