02 setembro 2014

A Sua Voz, Sua Vez: INTERNET

     Outro dia,  lendo uma entrevista de Murilo Benício, (vizinho de porta dos meus tios e primos durante a infância e adolescência em Niterói), vi uma observação interessante sobre sua namorada Débora Falabella, atriz que gosto muito. Era algo assim: " a Débora é tão tímida, tão tímida, que ela devia criar um personagem para sair, dar entrevistas, fazer as coisas práticas da vida"....enfim, não me lembro direito, mas a essência era essa. Identifiquei completamente nessa necessidade,  minhas dificuldades de criança.

 
Fui uma menina tímida. Nem sei se só tímida, ou com falta de espaço para me expressar. Pulei um ano na escola, logo no maternalzinho, e as meninas da nova turma, mais velhas que eu, me massacraram de vez. Até que eu pudesse crescer e com muita terapia e reflexão própria,  conseguir ser mais eu mesma. Nessa época, nem o Teatro da escola  me garantia. Ao contrário, deixava minha mãe de cabelos em pé, quando ela desejava que eu fosse a princesa e eu escolhia ser a narradora, aquela que lê sim, mas com um papel na frente para tapar bem o rosto. Ou quando ela  desejava que eu fosse um dos bichinhos do circo, e eu preferia ser parte da paisagem, uma flor de crepom que mal se mexia. Eu aprendia as falas e chegava na hora, a coisa não saia. Nesse caso precisaria de um personagem anterior, que fosse despachada o suficiente, para pegar sem medo um personagem da peça e mandar ver.

Comecei a  lembrar disso, por que vi parte de um programa no SBT onde pessoas vão para imitar, com a maior precisão possível, artistas famosos. Assisti uma moça, cantando e dançando "O Show das Poderosas" da Anita, com tanta desenvoltura, que,  pensei: por que ela não cria um show próprio. Com tanta capacidade de imitar, ritmo, afinação, por que não pode ser ela mesma, uma poderosa cantora, tão interessante quanto a Anita? O que é que falta as pessoas, para encararem a si e a sua própria originalidade?

Sei que pode ser um bocado de coisas. Um tanto de repressão, com menos valia, com incapacidade de se auto-gerir, apreciar, ver. Mas não se pode mais dizer que é por falta de espaço. Há anos atrás, quando não havia internet, eu trabalhava com uma das contas do governo estadual do Paraná,  e criamos ali um programa de rádio, onde o estudante poderia se manifestar. Chamava algo como "Radio Aluno -A Sua Voz Sua Vez". Lembro de ter criado um jingle, era uma coisa toda caprichada, que teve inauguração com a presença do governador.  Então estava aberto o espaço numa rádio para que o estudante se manifestasse.

Hoje com web, o youtube, as inúmeras pessoas que conseguem mostrar seu enorme talento via internet, não faz mais nenhum sentido a rádio do estudante, e nem abrir esse espaço de manifestação.Tudo está aí aberto com centenas de ferramentas e visibilidade para todo mundo ter voz e  vez.  Quem pode, aproveita. É altamente democrático, desde que a pessoa não esteja excluída dessa tecnologia. Mas cada vez menos existe esta exclusão. Então todo mundo pode ser um pouco artista, humorista, piadista, cantor, politico, o que quiser. O que não é suficiente, enquanto,  poder não for querer.

Algumas pessoas, talvez a maioria, não consegue transpor essa barreira que restringe, que cerceia,  todo o seu potencial que poderia estar sendo visto e aplaudido. E claro que estou me referindo àquelas que almejam  esse holofote, mas não conseguem conquistá-lo. Por que, é evidente,   existem outras tantas pessoas que não estão nem ligando para isso e vivem suas vidas, sem nem cogitar da possibilidade de estar mostrando seus dotes artistiscos na internet ou seja la onde for.

O fato é que ficou bem mais fácil ser um artista, uma celebridade,por conta própria,basta ter audiência. Ao mesmo tempo em que a dificuldade interna, a timidez de alguns, continua a mesma. Vide o caso da Débora Falabella, uma atriz consagrada  e cheia de timidez.  Mas ela avança, ultrapassa e brilha. Faz o que deseja: ser atriz. E vive muitas vidas, dessa forma. Que com sua própria identidade,  ficaria mais difícil.  Talvez por isso também  a mocinha imite a Anita, por que ser ela mesma, torna tudo mais complicado. E ao ser Anita, está tambem representando um personagem e portanto, pode rebolar à vontade enquanto é  ou se sente, a tal da poderosa. Pegando carona no desejo da outra.


Se está tudo ok assim, continue assim quem quiser ser clone, semelhante, ou capaz de imitar.alguém no gestual, na ginga, e até no talento. Se não está, existem terapias,  ou até maneiras mais simples: busque na própria web conhecimento das pessoas que são tímidas demais e o que elas fizeram para deixar de ser e enfrentar a vida e até a vida artística, sendo elas mesmas. Deve ter um monte de infiormação a esse respeito. O recurso está aí, a disposição. Ja podemos aprender a fazer até drenagem linfática facial, danças, receitas de bolo, deve haver alguém que ensine ferrramentas, aponte qualidades a serem desenvolvidas para vencer a timidez Mãos a obra.  Não pode haver timidez é  na pesquisa. Vá fundo. Faz tempo que chegou a sua vez.

Can Stock Photos encontradas no Google.

30 agosto 2014

É HOJE O LANÇAMENTO DE "MULHERES TAMBÉM GOSTAM DE CONTAR" NA 23 BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO.


       LANÇAMENTO HOJE  NO STAND DA EDITORA SCORTECCI, CORREDOR J,
                                                           NUMERO 370.
                                                        DAS 17 H AS 19H


                                           Esperamos por você, na maior alegria. Venha.

24 agosto 2014

A vida é uma dança onde todos estão incluídos.

     Faz tempo que tenho conhecimento,  de longe, das danças circulares. Tem no Clube Hebraica. E na Universidade São Marcos também oferecia como créditos opcionais. Além de um grupo de moças e rapazes, que ensaia com frequencia, danças judaicas nesse clube.  Hoje tive a oportunidade de assistir. E me impressionei com o profissionalismo do trabalho.

 Não havia lido o programa, mas entendi pelos textos ditos em cena, que se tratava de um trabalho sobre o tempo.Não o tempo abstratamente. Mas o tempo que temos na Terra, de vida. E por que não sabemos quanto, devemos  viver  cada dia.

As danças tinham um grande simbolismo. Especialmente uma delas, em que o super criativo figurino, vai se transformando: primeiro aqueles casais do passado, da tradição, mulheres de véu, homens de chapéu. Depois rapidamente a roupa,  puxando um pano aqui outro ali, vira algo como "roupa de odalisca". E essa mesma roupa, em roupa russa. E aí as diferentes versões da vestimenta  acompanham a mudança das  danças ou vice-versa. Lindo aquilo. Me remeteu a algo como: na dança estamos todos juntos, a dança da vida.  E podemos seguir nesse tempo circular que  é nossa passagem pela Terra. Os bailarinos desse número especialmente. também eram muito bons.

Há uma outra dança,  emocionante pelo o que quer simbolizar: todo o grupo, umas 50 pessoas, vestidas de uniforme caqui, representando soldados, guerra. Aos poucos todos tiram a camisa de cima-a caqui. E ficam de camiseta branca, a da paz. E aí se sentam no chão, de braços cruzados, dizendo corporalmente: não queremos fazer parte disso, não queremos guerra..

Conclusão: a trégua  virá com os adolescentes, com essa  gente jovem,  que vai para o mundo de peito aberto, questionando antigos valores, perguntando por que a vida é assim e não diferente.  Linda lição: a vida é uma dança onde todos estão incluídos.

Parabéns por tudo. Pela escolha das músicas, pela capacidade de juntar bailarinos com pessoas que estão aprendendo a dançar, grupo da terceira idade. E pela demonstração de que os povos que precisam ser um só:: o povo da Terra. Nossos irmãos de tempo. Colegas da mesma viagem: hoje, 24 de agosto de 2014. Somos todos um grupo de humanos. Mortais. Que sentem. Se expressam. E querem ser. Só ser. Beijos!!!


Encontrei essa foto no Google. Que mostra dança, mas não representa como um todo o que foi mostrado hoje.  Muito bonito. Principalmente a presença adolescente:meninas e meninos entusiasmados.