18 abril 2015

Peregrino é o peso da sua vida que vai dentro da mochila. Vai entregar para outro carregar?

   Está de saco cheio?Pois esvazie-o e continue a caminhada, por que o saco é seu. E para ser genuinamente seu, tem que carregar, sentir o peso, saber o que descartar. Escolher entre o peso e a leveza. Entre o que é necessário, vital, ou supérfluo. Abrir mão  e tornar o fardo mais suave.

 Pois essa história de saco, sacola, bolsa e mochila é muito boa. Uma vez escutei um lindo relato:: em algumas tribos indígenas, seus habitantes tem o  hábito de, ao visitar as moradias de seus amigos, deixar o saco com seus pertences pendurado do lado de fora. Assim não levam seus próprios problemas para dentro da casa de quem os recebe. E também não saem com nenhum peso extra na sacola. O que é de cada um, é de cada um.  Solidariedade é importante sim, mas se escorar simplesmente, é outra coisa.

 Então outro dia lendo uma grande conversa entre peregrinos e ex-peregrinos de Santiago de Compostela, me surpreendi ao perceber como aquilo virou uma indústria. Dá pena de quem vai. Por que já nem dá para saber por que é que vai. Está na moda?Vai a passeio? Vai a trabalho? Vai por que?
As tradições,  parece,  perderam a importância. Agora tem até empresa que leva a mochila de um abrigo ao outro. Tem travesseiro à venda em alguns deles. Tem encomenda de cajado antes mesmo de pegar o avião para a Espanha. Então as belas metáforas que lidamos no caminho, vão minguando.

 Nas épocas remotas, os peregrinos iam a pé ou a cavalo. Era um longo caminho, sobe e desce montanha. Para chegar de um canto a outro. Dizem que a rota é sagrada por que seu desenho repete o desenho da Via Lactea. O que está em cima está embaixo, sim. Boa forma de exercitar essa memória: 856 quilometros, de Roncesvalles até a porta da Catedral, que eu lembre.
                                             Siga os sinais com atenção e siga seu coração.

Outros dizem que a rota é sagrada, por que Santiago "mata mouros" ainda está por ali em espírito, e que seus ossos chegaram de navio por caminhos que só o destino explica. Hoje esses restos mortais jazem na catedral.

Há também quem diga que o sagrado do Caminho, é o taro- rota- tarô; Que significa Caminho Real, auto-conhecimento. Iniciação.

O fato é que que ali tem uma energia milenar, que chegou com a cultura Celta, e quem sabe outras ainda mais antigas. Tem um conhecimento entranhado que pode ser apreendido. A terra, o chão que você pisa, conta a história para quem passa. Dá para sentir a magia . A imensa alegria de fabricar muita endorfina caminhando. Conhecer muita gente, que as vezes esperou a vida toda por essa oportunidade..Fazer amigos, de momento, para toda a vida. Trocar,  receber o bom desse trajeto.
                                                   O jeito que você faz o Caminho é o jeito
                                                     que leva sua vida. Presta atenção. E muda
                                                      o curso do que for necessário, seguindo o
                                                                                caminho.
 
Aproveitar esse curso de vida que leva um mês, e ensina tanto. Portanto sugiro: permaneça na rota como meta. Não peça carona, não encurte. Mesmo que a principio pareça um sacrifício. Pare num abrigo se não conseguir continuar no mesmo dia. Tenha essa humildade com seu corpo. Depois você continua com mais força, no dia seguinte.E com a sensação maravilhosa de que não precisou se escorar em nada, foi por sua própria conta. Com sua mochila nas costas, a vida que você consegue levar. Com um cajado que você vai encontrar ao acaso., naquele lugar.   Levantando antes do sol raiar para cumprir o dia. E escolhendo com que humor você vai seguir em frente: alegria gente!!! Que oportunidade impar de encontrar com a alegria que existe dentro de cada um de nós.

Para ir com tanto conforto e ajuda, vá fazer turismo - assumido- que também é bom e não tem nenhum pecado nisso, em  outro lugar.
 
No caminho de Santiago eu sugiro: SEJA PEREGRINO E PEREGRINA. É simples. Todos os dias tudo de novo. E tudo novo. Sem cortes, sem edições. Mas com inifinitas possibilidades de se tornar um roteiro inesquecível em sua vida.

                                          Peregrino peguei sua foto emprestada para mostrar
                                          que o caminho é simples. E prazeroso.


Fotos encontradas no Google. Caso alguma seja sua, me diga, coloco a autoria ou retiro a imagem. Mas veja, o blog é sem fins lucrativos. E ai ideia desse texto é ajudar peregrinos a pensarem o Caminho. Muito grata.

05 abril 2015

Páscoa. E nós, pontinhos no Universo.

      Faz alguns anos, comecei a refletir sobre o que seria a Páscoa para as religiões cristãs e para o judaísmo e escrevi sobre isso aqui. Hoje voltei a pensar no assunto. E a pensar mais fundo. Estou imensamente feliz de me dar a chance de  escrever nesse espaço outra vez. E que seja sobre isso então.
     Há anos atras, entendi as semelhanças entre a ressurreição de Cristo no catolicismo, e a fuga do Egito para o judaísmo. Ambas as religiões estão falando de uma ultrapassagem para um outro patamar. Uma superação. Essa é a lição. É possível, se quisermos.
    Continuo não abraçando nenhuma religião especifica, apesar da cultura e dos laços familiares. . Mas quero entender o mundo em que habito. Assim sempre me vi como o tal do mero pontinho na imensidão. E as vezes mais e as vezes menos, sabendo que  isso não diminuiu em nada a minha humanidade. Somos todos,  pontinhos. Iluminados ou mais sombreados, nesse grande e vasto espaço. No uni-verso infinito e sempre em crescimento, descubro Deus. Essa dinâmica perfeita e em expansão. Com a qual podemos nos conectar. Ou não. Se persistirmos, se acreditarmos que somos UM. Se Deus está em tudo, está em cada um de nós. Se tudo é aleatório, ainda assim é Deus e precisamos aceitar. Enxergar. E nos direcionar para que não seja seja uma deriva. Para que nosso caminho tenha sim, a nossa força de vontade, nosso escolher e querer. A mão de Deus a nos guiar, em nós. É fácil isso? Não é não.
   Precisamos de disciplina. Orar e vigiar. Conversar com Deus. Meditar. Parar para pensar. Refletir. Cada um encontra seu jeito. Melhor assim.
   Boa Páscoa. Religiosamente no sentido do re-ligare. Bons sentimentos para continuar a produzir, a viver e  a ser feliz, o ano todo. Beijos para vocês.
 

09 março 2015

Saudades de existir aqui.

  Parei de escrever no blog.  Talvez alguém tenha notado. Talvez tenha feito diferença só para mim.  Se abri esse espaço por uma necessidade de ter voz em algum lugar, deixa-lo depois de mais de dez anos de constância é como quebrar as asas de um passarinho  e dizer  que agora ele é só um pintinho, só vai ciscar. E quem sabe quando crescer e virar galinha ou galo, poderá dar uns saltinhos, uns pequenos vôos. Ou nem isso.
 Aqui eu falava da vida. De minhas impressões sobre o mundo. Deixava minhas digitais.  Mas de repente cansei. Cansei de tudo. Da vida que ando levando. Do mundo do jeito que é. Cansei, cansei. Mas acho que já descansei. E quem sabe possa voltar a voar? Voltar aqui para dizer que vou ocupar o meu posto de diretora de mim mesma. Da redação dos meus dias. Do que está em pauta.
Aguardem a reabertura desse meu espaço, que levei tanto tempo para tornar visível. Não vou deixar pra lá, como tanta coisa que já se foi pelo ralo. Quem sabe é hora de re-vitalizar.


Trabalho de Anna Paola Protasio "Compromisso com o Infinito"