09 março 2015

Saudades de existir aqui.

  Parei de escrever no blog.  Talvez alguém tenha notado. Talvez tenha feito diferença só para mim.  Se abri esse espaço por uma necessidade de ter voz em algum lugar, deixa-lo depois de mais de dez anos de constância é como quebrar as asas de um passarinho  e dizer  que agora ele é só um pintinho, só vai ciscar. E quem sabe quando crescer e virar galinha ou galo, poderá dar uns saltinhos, uns pequenos vôos. Ou nem isso.
 Aqui eu falava da vida. De minhas impressões sobre o mundo. Deixava minhas digitais.  Mas de repente cansei. Cansei de tudo. Da vida que ando levando. Do mundo do jeito que é. Cansei, cansei. Mas acho que já descansei. E quem sabe possa voltar a voar? Voltar aqui para dizer que vou ocupar o meu posto de diretora de mim mesma. Da redação dos meus dias. Do que está em pauta.
Aguardem a reabertura desse meu espaço, que levei tanto tempo para tornar visível. Não vou deixar pra lá, como tanta coisa que já se foi pelo ralo. Quem sabe é hora de re-vitalizar.


Trabalho de Anna Paola Protasio "Compromisso com o Infinito"

19 novembro 2014

Quando meu balão subir.

  Recentemente reencontrei um primo que não via desde que eramos crianças. Os pais sempre viajaram a trabalho, levando os filhos junto. E as famílias nunca se deram muito bem, como acontece, que pena, com frequência, nos agrupamentos humanos

Rever meu primo foi muito bom.  E foi via uma rede social.
 Ano passado, no lançamento de "Mulheres Sem Prazo de Validade" no Rio de Janeiro, combinamos, primos e tios de nos encontrar. Mas esse primo, especificamente, não poderia estar. Mora no Canadá. E participou do encontro por skype.

Depois disso, quebramos o gelo e passamos a nos falar com mais frequência. Ele então, que tem três filhos adultos e uma mulher maravilhosa, me enviou um texto,  sobre sua decisão de primeiro morar na Inglaterra, e depois no Canadá, deixando sua família de origem e  seguindo com a que construiu.

 Não dá para reproduzir esse texto aqui, é privado e a mim foi confiado.
  Mas posso me admirar da beleza dos sentimentos expostos, assim como as palavras escolhidas, para contar o que acontece quando a gente deseja simplesmente voar.

Meu primo utilizou um balão como a representação dessa vontade. E conta o que sente quando o seu balão começa a subir e a seguir seu caminho.

Um sentimento único. Talvez semelhante ao dos grandes navegadores, maravilhados por conhecer o novo, por experimentar o jamais aprendido,  na necessidade de ver de longe todas as coisas. Ou mesmo, para manter um afastamento saudável daquilo que não está excelente.
                                                   imagem 1

Esse gosto de partir e de chegar, em outro lugar, conheço bem. Já vivi em outras cidades, e em outros países. Sei como é, as vezes difícil uma transição. Nem sempre estamos preparados, nem sempre vamos por nossa própria vontade, Principalmente quando somos crianças.

Se já tive que me mudar alguma vez por outra causa que não tenha sido a minha vontade, hoje é bem diferente. Minhas raízes estão estabelecidas. E talvez tenham uma plasticidade tão grande que eu também possa pegar o meu balão e subir até as alturas procurando o melhor lugar para desce-lo. Sem a sensação de ter partido um pedaço de mim. Ou feito escolhas definitivas.

Justamente quando as coisas vão ficando com mais cara de "definitivas",por que estamos mais velhos, é que nada mais parece definitivo. Nem a vida. E portanto, é hora de finalmente, se não aconteceu antes, soltar as amarras, permitir-se maiores vôos.  Suavemente. Sem previsão de quedas. Sem afoitezas.

Se um dia eu pegar o meu balão, darei um tchau la de cima para vocês. E aí saberão que fui, mas ainda estou aqui. Nessa viagem mais recente,percebi,- o que tanto custei a descobrir: em todas as mudanças que passei,  além de curtir, também  sofri por não ter entendido ainda, que o mundo é a nossa casa. Ou, nossa casa é o mundo.
Seja lá como for e onde for, já dou a vocês, boas vindas!

imagem 1- encontrada no "Blog do Professor Neco",via busca no google. Se preferir a retirada da imagem é so avisar. Grata.

15 novembro 2014

A vida é fatal.

John Giorno. Daqueles que falam que o rei está nú. Mesmo se estiver vestido. De fato, por trás da roupa, tem o nú. De toda forma, embora as frases sejam verdadeiras- quando se almeja um ideal, tudo é tão decepcionante.  E a vida é assassina? A vida é a vida. No final todo mundo morre. Mas podemos durante a nossa, fazer dela uma obra de arte. É o caso de ir tentando, todos os dias.
Os franceses costumam brincar, como disse meu cunhado, "  a vida é fatal e transmissível sexualmente". Gosto mais dessa versão brincalhona de como a vida é.
Um pouquinho de paz, mesmo com tanta guerra interior, um pouquinho de amor, mesmo com tanto ódio em volta. Um pouquinho de auto conhecimento, mesmo com tanta alienação. E se der sorte, tudo isso em abundância. É o que desejo a todos. Um brinde a vida.