14 junho 2021

Gilberto Gil e Juliette. Também fiquei emocionada.

 Ok que é uma estratégia de marketing da Globoplay para ganhar mais assinantes. Palmas para a Globoplay então. Se todas as estratégias de marketing fossem dessa singeleza....

 Não sei você, mas Gilberto Gil , como eu, é canceriano, de 26 de junho, logo depois de São João. Eu sou de 29, dia de São Pedro. Festas juninas falam ao meu coração, e bem alto e bem lindo. Quando eu era pequena minhas festas de aniversário eram no terreno de casa, os amigos vestidos de caipira. Tinha fogueira, pescaria e as vezes até um balãozinho. Tinha cantoria e alegria também.. Morávamos em Niterói que não era tão grande, meus pais caprichavam no arraiá. E eu gostava muito disso tudo. Ainda gosto até hoje do cheiro de foguinhos simples, como "estrelinhas". Lembranças.

Ai em plena pandemia, vem a Juliette, para quem eu torci muito desde a segunda semana do BBB21, quando comecei a assistir com minha filha. . O ultimo que eu tinha visto, foi aquele da Grazi Massafera e  Jean Willians. Depois cansei do formato e dos u-huuus  barulhentos, de uma juventude sem cultura e esvaziada que fazia parecer sempre a mesma coisa.  

Mas esse despertou meu  interesse: enquanto estamos quarentenados, com medo,  tantas pessoas em volta morrendo, o BBB21, de confinamento voluntário e cheio de compensações,  me pareceu uma espécie de Shangri-la, em um outro plano de existéncia, sem covid e sem notícias tristes. Ali uma moça bonita de sotaque nordestino era tratada com sarcasmo, por seu  jeito de falar  e sua origem. Como ousas, paraibana! E a Juliette, inteligente, competitiva, determinada, com o dom da escuta, da mediação, da alegria e da sensibilidade, contornava e seguia em frente. 

Até finalmente ganhar a torcida de todas aquelas milhões de pessoas  que além de terem aprendido a gostar dela, viam em sua vitória uma espécie de redenção ao sofrimento que abate esse Brasil. O país esta em ruinas, mas nasce uma estrela: Juliette. Acima do sarcasmo dos sarcásticos e do bullying dos espíritos fracos.  Afinada.  Na voz e nos novos tempos. Sabe todas as letras, todas as danças, todas as infâmias sociais, as quais ela também acusa conforme vai ganhando força. Estava ali para ganhar o premio e tratar do coração de sua  "mainha". E por que não aproveitar todos os momentos para muito mais: mostrou que sabe cantar, maquiar, defender causas, dar a volta por cima, e viver a alegria de cada dia, cada minuto.  Sem aquela coisa neurótica de : finge que isso não é um jogo. É um jogo. E ela jogou com elegância, estratégia e determinação: preciso ganhar.  Linda, sorridente e festeira. 

Ai acontece esse bom encontro: Gilberto Gil maravilhoso, já de cabeça  branca e lindo , cheio de sensibilidade como sempre,  autor de Drão, Se eu quiser falar com Deus, Refavela, Flora, e uma vastidão de  preciosidades que eu amo... recebe Juliette em sua estréia, muito bem escolhida. Um live cheia de vida mesmo. Ele merece, ela merece,  todos nós merecemos chorar e de alegria. 

BenzaDeus.



05 junho 2021

Quem conversa na fila?

    Ela estava ali falando, próxima ao  caixa do super-mercadinho de bairro, quando eu entrei. Comprei o que precisava e fui para a fila.  Não tinha. Era só eu. E ela, falando com o moço do caixa. Reparo que não está em frente, mas de lado. Dou um passo. O rapaz diz: pode vir nessa aqui. E vou. 

   Ele fala para a senhora: fique a vontade. Enquanto eu pago,  vejo que ela retira objetos da bolsa, está procurando alguma coisa. E começa, ou continua: "eu estava com isso aqui dentro, fui lá tomar um Johrei.".... Olho e me dou conta de que é uma mulher de origem asiática e muito idosa. Dessas que vão ficando magrinhas conforme o tempo passa. Como que murchando.  E dá mais um recado: "eu não queria ser dessas velhinhas que ficam conversando na fila, atrapalhando quem quer pagar. Antigamente pensava mesmo nisso. Velhinhos gostam de conversar...." O moço diz solidário: que isso, a senhora somos nós amanhã. A frase parece meio tosca, mas é tão verdadeira, que não ofende. 

 Enquanto atravesso a rua penso: a senhora não é velhinha, é humana. Somos sozinhos, todos nós. Querendo conversar na fila. Ver gente.  A pandemia apressou as coisas. 

Repara.