25 janeiro 2013

UMA GARRAFA NO MAR DE GAZA- Filme.



Quando é preciso partir por que 
não é possível sonhar no lugar em que se está.

Para colocar em pouquíssimas palavras, a Faixa de Gaza, é um território de 365 km, disputado  historicamente entre israelenses e palestinos.  É uma faixa de terra que se localiza na costa oriental do Mar Mediterrâneo e faz fronteira com o Egito.  Dizer alguma coisa a mais é mexer em casa de marimbondo. Melhor não levantar poeira  daquele conflito ali especificamente, e abrir –se a pensar no ser humano e suas ambiguidades, seus temores ,  sua busca de verdades, seu s amores, seus desejos, seus sonhos , sua vontade de viver. Sua busca, de verdade.

Pois é disso que se trata no filme “Uma Garrafa no Mar de Gaza”, de Thierry Binisti.  A história começa um pouco antes de 2008 quando os conflitos  políticos tem um acirramento.  Este é o cenário. Mas certamente,  naquele enredo,  os personagens são muito mais importantes  do que o cenário.
                                                Tal de Jerusalém: por que tudo é desse jeito?

Um jovem  muito linda,  Tal,  recém chegada de Paris com sua família, instala-se em Jerusalém. E assim ganhamos um olhar de alguém que veio de fora, e que a tudo pode enxergar  com surpresa, questionamento e busca de sentido.

Ela acaba de presenciar a explosão de um café, num atentado kamikase , onde, além de um palestino cheio de dinamite,  morrem uma moça  que se casaria no dia seguinte, e seu pai, israelenses. E  Tal se pergunta: “como as pessoas agüentam viver assim?    Tem gente que diz que atentado é como acidente. Se você estava ali na hora, foi um acidente”.

É com muita simplicidade, de quem olha e vê, que escreve uma carta aos palestinos, perguntando se não se sentem mal  em cometer tais atos .  Acrescenta seu endereço de e-mail e arruma um jeito da  garrafa chegar ao  mar, torcendo para que  alguém de  Gaza leia seu recado.

Pois é assim que o filme começa: rapazes encontrando a tal  garrafa e a carta. Um deles, Naim,  começa a se corresponder com a mocinha pela internet. Primeiro com muita desconfiança e ironia. E com o tempo,  cedendo ao diálogo dessa garota tão franca e sem ranço algum. Ela apenas quer entender seu novo mundo cheio de ódio e violência e seus por quês. Sem julgamentos  de um  lado ou outro.

                                                     Naim de Gaza: quer ir além.
Aos poucos esse lindo e sensível garoto  de  Gaza, o “Gazaman”  e essa linda mocinha de Jerusalém se tornam amigos  de internet. As confidencias vão se aprofundando. Ela conta que é francesa e que chegou ha pouco tempo. Essa revelação: "Paris", traz a Naim,  horizontes que nunca teve, sonhos. Porta de saída salvadora para quem se sente prisioneiro de uma realidade aparentemente sem perspectivas e sem solução.   Assim, ele  começa  a se aprofundar  no idioma Francês,  e ir a França se torna sua g  grande motivação.  Em um ano está pronto para partir, com uma bolsa de estudos, para se tornar professor de  Francês. E vai.
                                                          cartaz  de divulgação do filme

Na estrada eles se cruzam brevemente, pois o carro de “Gazaman” não tem permissão de parar  em território israelense.  E como se os dois estivessem numa grande sintonia, frases são ditas pelas duas vozes:
“Nada é simples entre nós, o que não significa que seja impossível”  . “ Podemos tomar um café em Paris e ficar em paz”. Paz mesmo, o ser humano nunca alcança, sempre disposto a lutar consigo mesmo. Mas diante daquele estado permanente de tensão  Jerusalém/Gaza, dá para entender perfeitamente o que estão dizendo:

Viver, simplesmente, tomar um café e ficar de papo pro ar, sem preocupações com os destinos da humanidade, por alguns momentos.  Esses momentos que nós aqui,  privilegiados temos de sobra, mas gastamos  com nossos conflitos  internos. E tudo bem, faz parte. Enquanto pudermos sonhar, ter possibilidades de realização, nos sentirmos livres, está  ok.

“Ate breve” é o que dizem. Como  adolescentes comuns que estão começando a descobrir a vida. E ao mesmo tempo,  já sabendo que o mundo é um lugar meio doido e destituído de um sentido que dê conta de uma guerra permanente, onde se morre num bar por acidente de bomba. E por outro lado, vive-se numa escassez de recursos  tão grande, que as vezes é preciso partir, dizer adeus aos seus, pois já não é possível sonhar do lugar em que se está.

Que Tal e Naim  possam se encontrar para um café e discutir as grandes filosofias do mundo, bem como  a moda das ruas, a chuva que caiu agora mesmo,  as primeiras flores da primavera ,  a última exposição do Pompidou,  seus sentimentos sobre tudo e cada coisinha que seja..  Pois torço por todas as meninas  Tal e todos os meninos Naim   desse planeta, sejam eles da Faixa de  Gaza ,  ou de qualquer outro lugar.

Um mundo novo há de vir por ai. Cuidemos dos nossos meninos.

(fotos e cartaz de divulgação do filme encontrados no Google. )

4 comentários:

  1. fiquei com vontade de ver. não li em detalhes pra não perder a surpresa. leio depois. beijos, pedrita

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  2. Ah voce vai gostar Pedrita, tem teu tipo esse, politica, cultura, historia, e enredo bonitinho. Bjos!

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  3. Amiga, respondendo seu comentário, no blog tem a opção de vc comentar via facebook e via blogger. Do lado direito da opção facebook, tem via blogger. Qualquer dúvida me fala.
    Big Beijos

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  4. Oi Camille!

    Gostei do enredo, deve ser mesmo interessante. Vou procurar para assistir. Você continua sendo a minha "Personal Film Indicator" certo ? rs rs

    beijo grande e bom feriado!

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