11 março 2014

As Pessoas de Portugal. Queridas Amigas e Amigos. Leitores. E quase Patrícios.

     Queridos Amigos Portugueses,

  E se algum de vocês ou diversas pessoas estiverem lendo esse post agora, há de lembrar, quanto tempo faz que conversamos. Sutilmente, devagarinho, sem que deixe de ter um enorme vigor a nossa comunicação.

  Lembro-me de uma moça, que vivia perto de Lisboa, estava preparando-se para casar. Era link no meu blog e trocávamos diversas idéias sobre o casamento. Até o dia em que postou suas fotos de noiva, tão bonito. Tão bonita.  Partilhando sua felicidade.

Havia também um pessoal da Maçonaria, não sei qual ramo, não entendo do assunto e isso era motivo de risadas até. Um blog só de homens, com homens opinando sobre as grandes questões do Arquiteto Universal e eu dando meus pitacos. Era mesmo de rir. Mas jamais fui empurrada para fora daquele blog.  No universo virtual tudo é possível. Até entrarmos em ambientes que estariam  vetados a nós. E que do lado de fora, veríamos talvez com grande preconceito. Embora pelo tal blog, não tenha lido nenhum segredo, minha curiosidade enorme me impelia a olhar aquilo. Gente que fala de assuntos que já ouvi em outro lugar. E que gosto de aprofundar. Mistérios.

E cada um que tenha o grupo que lhe apetecer, como dizem aí. Nós dizemos, o que quiser, o que preferir. Mas gosto do "apetecer" Do "ó pá." Desse jeitinho tão lindo de vocês.

O meu grupo, se possível , é o mundo inteiro, as pessoas de todos os recantos. Mesmo aquelas dos países considerados mais mal-ditos, são bem-ditas quando falam por si.

Também das pessoas que entram aqui hoje, como entravam antes, e deixavam seus recadinhos. Voltavam depois para ler. Tudo muito carinhoso, respeitoso e amigo. Quem não gosta. Eu gosto e quero mais. Podem vir, são sempre bem vindos.

Aqui e na página (fan page)  do livro "Mulheres Sem Prazo de Validade". Aliás nesse 8 de março último, fiquei tremendamente lisonjeada e feliz com a presença de vocês. Mulheres e homens. Mais de 500 pessoas de Portugal, 55 só de Coimbra, em um só dia. Um amigo me disse que vocês conheceram meu blog por causa dele. Rsrsrs. Será?  Acho que nossa amizade de blog, já é bem mais antiga. De qualquer forma, vale. Quem aparecer por la, que venha por favor,  aqui também. Uma alegria.

No mais,  quero dizer que os admiro. Nas palavras dos poetas que amo. Nas vozes lindas do MadreDeus, melodias que parecem  mesmo vindas dos céus. Na Revolução dos Cravos, que é  na História, um capítulo dos mais poderosos dessa terra de Luis de Camões.  Mas também é realidade. Luta. Vitória. Conquista de liberdade. "Uma papoula crescia, crescia, grito vermelho, num campo qualquer"....

Sabia esse hino todo, hoje sei alguns trechos. Mas que inteiro conta a história de um povo que sabe o que quer e faz as analogias mais lindas: com  flores, voos de gaivotas. Pão. Mesmo que a realidade hoje tenha mudado bastante, diante daquilo que se almejou, existe um coração que não esmorece: o  desejo. E a vontade.


  Governos de todas as cores são sempre assim. Em teoria, uma coisa, no discurso tudo cabe. A realidade exige mais. Tudo será melhor. Assim como espero que aqui seja melhor, em grandes proporções.
  De qualquer forma, na vida,  pessoalmente,  sempre esperamos aquilo que ainda não surgiu. Que vai nos tirar do limbo entre o medo de morrer e o medo de viver de verdade, acordados. Que nos sacudirá da opressão entre o estar e o de fato, ser. Entre o que olhamos no espelho e aquilo que nem dá para ver com os olhos, por que está dentro de nós, na alma.  É no encontro com esse dentro que vivo todos os dias, é a minha profissão.
Ao mesmo tempo em que aprecio as belas paisagens, as belas pessoas, os retratos de Portugal, Mesmo em suas cidades mais pequenininhas,  se  encontra todo o encantamento e a dignidade de uma cultura. Como em um holograma: as partes contém o todo.
     Me despeço por hoje agradecendo a atenção e as visitas, com muito carinho.
                E para vocês um beijinho,  um cheirinho de alecrim. E a certeza e a fé, de que dias melhores virão.
                                              Pauline Herbach

Aqui a bela música que Chico Buarque fez para vocês:

Tanto Mar

Chico Buarque


Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim



E aqui, aquela velha e sempre renovada  letra de Chico Buarque, quando sonhava com a nossa possível reviravolta, durante o militarismo. E que nos une a todos, Portugueses e Brasileiros, como em uma pororoca:

Fado Tropical

Chico Buarque

Oh, musa do meu fado,


Oh, minha mãe gentil,
Te deixo consternado
No primeiro abril,
Mas não sê tão ingrata!
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!
"Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo ( além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, o meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
Com avencas na caatinga,
Alecrins no canavial,
Licores na moringa:
Um vinho tropical.
E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!
"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto,
De tal maneira que, depois de feito,
Desencontrado, eu mesmo me contesto.
Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito,
Me assombra a súbita impressão de incesto.
Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa,
Mas meu peito se desabotoa.
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa,
Pois que senão o coração perdoa".
Guitarras e sanfonas,
Jasmins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo...
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal:
Ainda vai tornar-se um império colonial!

2 comentários:

  1. Camille, que beleza de homenagem aos nossos queridos amigos lusitanos!
    Eu amo Portugal de todo coração, é como se fosse minha segunda pátria. Ainda este ano, pretendo voltar a rever esta terrinha e meus amigos do outro lado do oceano.
    A letra do Chico poderá também ser dirigida a nós mesmos, quando ele diz: "Ai, esta terra (o Brasil) ainda vai cumprir seu ideal:
    Ainda vai tornar-se um imenso Portugal!"
    Pois é isto que gostaríamos de ver hoje em nosso país, a garra daquele povo, as lutas, a fé, a amizade, a resiliência e o amor à família e ao país.
    Linda postagem!
    um beijinho carioca


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  2. Oi Beth querida,
    Nao sabia desse teu amor por Portugal. Só fui la uma vez, quando tinha 12 anos. Depois nao mais voltei. Por que? Nao sei. Ja tive na Espanha tantas vezes, tao pertinho. Mas Portugal necas. E olha que as oportunidades foram inumeras, minha primeira sogra era de la, a familia é enorme. Ja visitaram meu blog inclusive algumas vezes. Gente blogueira tb. O fato é que eu mesma fico contente por que o pessoal de Portugal gosta do meu blog. Quanto as musicas as duas foram feitas durante a ditadura militar, as duas do ponto de vista do Brasil para Portugal. Essa do "consternado" ele se refere ao fato da revoluçao portuguesa. E na segunda idem. Tem o mesmo foco. So que a segunda referere-se ao dia revolução, que é em abril, nao me lembro a data. "Foi bonita a festa pá"...guarde um cravo para mim..,,,, muito lindas todas duas ne? Hoje Portugal esta numa situaçao dificil ne? É preciso ter muito respeito, por que nos ja tivemos em tantas situaçoes. Mas o Brasil nunca passou pela pobreza, miseria , como eles podem passar. Estou falando da burguesia. Eta papo triste que estou falando aqui. Como se os pobres fosse natural serem pobres. Nao é isso. É a decadencia de la. Contra a nossa exuberancia em recursos naturais aqui. Nos somos pobres mas nos somos ricos. Eles estao empobrecendo e nao me parece que ha algum jeito de levantar. Bjossssss e me conta quando voce for. Estou querendo aproveitar que vou ter um tempo de uma seman disponivel, para ir a um outro pais. Quem sabe um dia, Portugal.,,,,

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