01 março 2014

ALBUM DE FIGURINHAS, CADA UM QUE TENHA O SEU. MAS EMPRESTO PARA VOCÊ DAR UMA OLHADA.

   Quando olho uma folha em branco, em geral mergulho. É a minha piscina. De letrinhas que ainda boiarão. Se não houvesse esse espaço-nave, acho que ficava meio no excesso, na quase explosão. Mas sei que tenho essa companheira, da vida inteira. E as vezes me tonteio quando vejo outras pessoas que tem também um amor por tirar desse lugar que só parece virgem, os sentidos que ninguém tinha visto. E com frequencia, mesmo com todas as coordenadas expostas, os possíveis demais olhos atentos(?) ,  continuam
na miopia, na falta de vontade de colocar o cérebro para interagir com o que se pode ter a mais. 
                                                         Cadu Lacerda
Deito feito cachorro na terra, diante do trabalho do Cadu. Por que exatamente, não sei explicar para você e nem quero. E será que precisa?  Um dia escrevo sobre isso. Hoje só adianto que reconheço ali alguma coisa a mais. Um amor enternecido por estar aqui nesse mundo onde se pode experimentar. A neurose geral,  não deixa. E os seres ficam duros. 
Se Deus fosse assim, rígido, não havia mundo. Sujeito criativo, se lambuzou de tudo quanto foi material e a obra está em exposição permanente. Não paga nada,  é so entrar. E a coisa é  interativa. Veja que artista. Espaços coloridos, vastos espaços aparentemente em branco. Nada de em branco, deliberadamente branco, para que você perca de vista o de sempre e alongue sua imaginação construindo novas formas de olhar e ver.
 Tá, o Cadú chegou aqui e viu que dava para interagir com a criação. E esta sempre experimentando. Gosto disso. Não experimento com seus materiais, mas adoro olhar.  Uma vontade de sentar no chão e as vezes brincar tb. Mas não da tempo,  tb para essa vivência, então eu aprecio. Sem moderação. Mas menos do que gostaria. Está bem, sou apaixonada por aquele trabalho sim. E se você me perguntar por quem mais, provavelmente não vai gostar da resposta. 

Por que minhas preferencias  podem não combinar, fazer um conjunto que agrade você. Que seja igualmente "cool, in, low profile?" e todas essas palavras extremamente bobas que incluimos no nosso vocabulário, para torná-lo , hum, medíocre? Pois é.
  
Vou dar uns exemplos aqui. Gosto de patinhos de plástico para colocar na banheira.
Gosto da banheira. Não gosto do teste que inclui banheira para as crianças de Heliópolis. Se nunca tomaram banho de banheira como adivinhar numa foto que,  o que falta é a tampa? Ah vá com essa sutileza ao diabo. Menino diz: falta água, está pra la de certo. E marcam como errado. Só há uma resposta.  Que mundo é esse tão besta e sem imaginação.  Água é comigo. Então também gosto das piscinas de David Hockney. Sempre tive uma atração por aquilo. Ninguém me ensinou se era bonito ou feio gostar dele. Eu simplesmente gostei desde que vi Será que ele é de estética facinha? Pode ser. Mas eu não sou. E que diferença faz. Ah faz. por que em geral não sabem bem do que estou falando. Que conexões são essas,  sua doida?

Vou continuar então. Sabe a única vez que fiquei muda diante de alguém? Não foi por medo, não era ladrão, não foi intimidação de nenhuma espécie. Tipo encontrar a Isabelle Fontani e pensar, poxa, ela tem uns 20 centimetros a mais que eu. Como é bonita. É mais mulher que eu? Não, não é. Passo essa. Fiquei muda a primeira e única vez que vi Adélia Prado. 
.                                                                 Adélia Prado
Ah eu vinha lendo seus livros, suas poesias para fazer um trabalho com Caique Botkay que tb gostava muito dela. A peça não rolou. Teve um povo muito estranho que se juntou naquela época, até uma moça que fazia analise Reichiana e que surtou simplesmente, no meio de um ensaio.  E pensei cá comigo: muito trabalho corporal, sentimentos primitivos e pouca elaboração na fala..Naquela época, aos vinte e poucos anos, no auge da minha análise e dos estudos no Colégio, no Leblon, sim o Freudiano. Tinha que encontrar minha versão daqueles fatos, da moça que caiu dura pra frente. E teve que ser levada as pressas para a casa do seu "guru". 

Adorava aquilo, o que aprendia no Colégio. A convivência na verdade, não muito, apesar de que meu querido analista tb estava lá. Era gente mais velha que eu, mais rica que eu, que podia ir jantar fora toda vez que saia de lá,., aquele programa abonado,  de restaurantes do Leblon. Eu tinha sono, no dia seguinte, trabalho. Eles eram boêmios, engraçados e receptivos, nada contra. 

 E ai a tal surtou no ensaio.  Nem por isso o grupo acabou. Parou depois , mas ai Adélia ja fazia totalmente parte da minha vida.

Então um dia fui la na praça XV. Meu irmão, pediu para que eu falasse com não sei quem para pegar uma peça naquela feira de antiguidades que tinha ali, Ainda tem? No idea. E vi a Adélia, sentada num banco com uma amiga.  Ela de cabelos grisalhos compridos. Figura linda. Conversando alegremente. Fui me aproximando. E  fiquei olhando. Como se fosse ela,  a poesia. Queria ler, mas não encontrava ainda o jeito. Ela me disse: ficou muda? Senta aqui. Sacou que era a presença dela que me deixou tão intrigada. Sentei.. Ela e a amiga falaram qualquer coisa comigo que já não lembro. Eu também disse alguma coisa, pra responder. E fiquei sentada, admirando mais de perto a fazedora daquelas poesias. Ali? Deslocou-se de Minas? E eu que achava que Adélia ficava dentro de uma casinhha colorida escrevendo sem parar. É .
                                             David Hockeney e as "minhas" piscinas
Então no meu album de figurinhas ja tem Cadu, Hokney, Adélia. Tá entendendo? Não tem nenhum jogador de futebol, o que em geral é assunto de álbum de figurinhas. Não isso não conta. Quer ver, uma vez me encantei com um video de samba, era a primeira Globeleza ensinando a sambar. Comprei aquilo, coloquei um sapatinho alto como ela sugeria. E saiu alguma coisa dali? Que nada, não acertei. Mas hoje estou melhor nessa possibilidade de dar uns passos copiados. É tudo uma questão de elaboração ne? Mas Globeleza vale uma figurinha. A Maja Desnuda. A Sagrada Família. Os trabalhos da artista plástica Patricia Norman...Meu critério é meio assim: meu.

Todo ano eu vou ao Pompidou. Tá achando muito pomposo que eu diga isso? Me lixei.. Depois daquela corrupção toda que a gente assiste, sou elitista de pagar com meu próprio dinheiro uma viagem a Paris e algumas entradas no Pompidou ? Ah,  entro la quantas vezes eu bem entender e você não tem nada com isso. Ninguém tem. Ah tem, meus filhos gostam de la. Então tem sempre uma figurinha dali que pego pra mim. Uma nova, uma que sempre esteve, uma paisagem da vidraça, uma gente subindo escada rolante, alguma coisa de especial nas exposições la dentro. 
                                               Richter. Amante do cinza. Tambem gosto
                                              da ilusao de optica que dá.  Recursos
Nem tudo, nem a grande maioria. Tem muita porcaria, vamos falar a verdade. Pega um punhado de qualquer coisa e chama de arte? Pra mim nem sempre bate. E as vezes a curadoria é fraca. Da notoriedade a uns que podem fazer umas peças que ocupam a sala inteira, instalações um tanto histriônicas na sua vontade de aparecer e pouco a dizer. Alias, gosto de umas e abominooooo outras. Gosto quando tem uma pequena coisa que originou aquilo. E consigo identificar. Me aproprio e aí a arte em questão,  me nutre bem.

Então vou pegar umas paisagens de Visconde de Mauá para colocar aqui num canto. Ali tem um rio que conta a minha história, sempre em frente. Da mesma forma que as aguas de um rio não voltam atras,  só terão  movimentos sinuosos, retrógrados,  se a Terra rodar ao contrário. Vai dar?
Coloco Zizek, meu Pavarotti que não canta,  sentadinho como um bebè grande, gesticulante, que fala sem preocupação de censura tudo que lhe vem, e como tem muito estudo por trás, não é a mesma coisa do que vem a mente do bêbado do botequim. É articulado, fresco, leve e solto. Como toalhas ao vento? Talvez possa dizer isso. 

E o que mais coloco aqui? Uma daquelas bonecas que a gente vai tirando, vai tirando e tem sempre outra dentro. Tenho uma que guardo pra sempre. Ganhei da minha mãe quando era pequena., ganhei outra bem pequena outro dia de um dos amores da minha vida. 

Tem a Frida Kahlo, banalizaram tanto, que encheu, mas não a mim. Gostava mais daquela época que ninguém por aqui falava nela, mas minha filha brincava com suas a roupinhas de recortar compradas na Cidade do México. Quer dizer, eu recortava para ela, que ainda não sabia pegar na tesoura sem um certo estraçalhamento. Aliás nunca entendi, naquela casa tb na Cidade do México, que tem uns faisões e uns pavões no quintal, imitando a casa azul- por que a proprietária pediu ao Diego Rivera para retrata-la com as roupas da Frida? Achei aquilo de um gosto tão duvidoso. Não sabe ser ela mesma, vai tomar emprestado o estilo da outra? Bom, é o que mais tem por ai. E eu nem sei, ja morreram todos. E suas bobagens ficaram. Ganhou quem não deixou rastro de pobreza de espírito. Like a Frida, ir aquela casa azul é coisa do meu album de figurinhas sim. Ali não questiono nada, só admiro muito. Qualquer hora vou por la, e faço uma viagem estilo Castaneda. Não falta quem ofereça. Eta lugar que eu gosto muito.


                                        Algumas muambinhas afeitvas na maior bagunça

Quer saber mais? Gosto das fotos que minha tia Laninha(Eliana Sales Affonso) , gerontóloga,  posta no FB: os diferentes pratinhos, e qual deles os demenciados são capazes de preferir. Taí. Não está na estética, mas na capacidade de glutição. Gostei da forma de apresentação do assunto dela, cada vez mais solta e mais criativa. É bom de ver isso nos nossos semelhantes: grandeza, crescimento, trabalho sólido e cheio de alma.  E talvez seja essa minha preferencia no meu álbum.. Pode ser esse aqui, pequena mostra. Embora grandiosa das minhas queridices. 

Outros havera de haver? Sei la. Hoje está chovendo bastante.  Gostoso. Amanha tenho que concluir um trabalho para poder viajar no domingo e ver o carnaval. Será que vou gostar? Ao vivo nunca assisti. Se o calor não me incomodar, o sono, aquela confusão cheia de gente... Vai ter muita coisa que me incomoda. mas se o espetáculo for lindo,. abstraio. 

Acho que Cadu faria dali um belo trecho de luzes geométricas. Frida vestiria a fantasia, se houvessem brincos enormes. Eliana faria os muito idosos exercitarem a memória, as diferenças entre cada ala. Meus filhos estariam felizes se eu estivesse. Não são de sambódromos. Nem eu. Mas ando num momento de coisas inéditas, experimentado, sabores que nunca passaram por minha língua. . E nem vou terminar meu álbum. Tem tanta coisa para colocar aqui. Hoje vi uma foto do carnaval na periferia de uma cidadezinha de Portugal. Lindo. Tais a ver que minha salada é bem variada. O que dá a ela um sabor muito especial. Meu temperinho é gourmet.  Meu álbum de figurinhas, eu deixo você dar uma olhada, uma olhadinha. Cuidado com as páginas, por favor. Enjoy it se quiser. ( depois arrumo direito as figurinhas, agora estou com sono. Falta um monte, voce vai gostar)
1-3-2014

                                          ME, PAULINE/ CAMILLE.  BEIJOS!

2 comentários:

  1. Eu gostei da idéia. Nunca fiz álbum de figurinha, por ser "coisa de menino" só havia de jogador de futebol. Mas podemos fazer um album de figurinha de qualquer tema.

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  2. Com toda certeza dona Raquel Ramos, a leitora que todo mundo pediu a Deus: atenta, reflexiva, e interativa. Essa é minha, ninguem tasca eu vi primeiro. A Raquel. Então te respondo minha linda, que a vida é um album de figurinhas que a gente coleciona ou descarta, as vezes sem reparar que ficou aquele numero ali faltando. Nao faz mal. No nosso, que não é de jornaleiro. substituimos por outra melhor ainda..... Bjao e fique a vontade para fazer o seu. Pauline Herbach

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