11 agosto 2013

O que a Polônia esta querendo dizer com a "proibição" do método Kosher para abate animais?

    Olha,  deixei de comer carne por muitos anos. Primeiro por entender que faz mal a saúde: um inocente bifinho leva bem mais de 24h para ser digerido. Depois, adorei saber que, é mesmo uma decisão acertada de uma forma mais ampla do que eu imaginava:  milhares de arvores são cortadas, em nome de fazer pastos para o gado. E quando as florestas  são devastadas com tamanha voracidade - isso acontece no mundo inteiro ( e no Brasil, ih, coisa pesada) , a capacidade do planeta de nos dar  oxigênio de qualidade, vai sendo consumida junto. Um dia vamos estar brigando não mais por um pedaço de terra, mas pelo  ar para respirar.

  Nesse caso, se a Polônia fosse uma país muito ecológico, poderia estar proibindo em seu território,  todos os poloneses de comer carne animal, numa tentativa de segurar os pulmões da Terra. Mas não é disso que se trata. De repente, e não sei quão de repente surgiu  essa lei tão capciosa,  a Polônia decidiu proibir o método Kosher de abate animal, o  chamado método "bíblico", que os judeus ortodoxos adotam para matar os boizinhos com menos sofrimento. O parlamento polonês alega que,  ao contrario, ao proibir o abate por esse método, estariam preservando o animal do sofrimento.  Hum.... Qual é a melhor maneira de matar uma vaca sem sofrimento? Quem entende desse assunto é a India. Lá a vaca é sagrada e provavelmente morre de velhice. O resto é abate. Sangue derramado.

E pensando históricamente, a Polônia poderia muito bem dormir sem essa "preocupação". Faria um enorme bem a sua população, se atendo a pensar no sofrimento humano, em primeiro lugar.

Deve dar uma certa cosquinha no povo polonês, saber que a Polônia ocupada, abrigou o maior campo de extermínio do nazismo: Auschwitz-Birkenau  que chacinou milhares de judeus, em enormes fábricas de matar gente, verdadeiros abatedouros, pelo "método" assassinato.    A  história pesa, ,feito uma guilhotina,  é inegável. Cada época, da humanidade gera uma  produção de música, de alimentação, de saúde, de cultura, de realidade. E a gente sabe que a realidade não nasce de "geração espontânea". Podemos imaginar que a coisa funciona assim: diversas realidades brigam entre si, em cada momento histórico . Uma vence.  Aquela que, em geral, fica registrada nos livros.  A história que aprendemos na escola costuma ser contada apenas  pela narrativa e a  capacidade de olhar e ver, de quem estava no poder quando tudo que acontece, aconteceu.  Mas a historia é mais  do que isso.  É  feita com a contribuição de cada silêncio, de cada resistência, de cada aceitação ou não do absurdo, de cada grito, de cada lança, de cada alvo, de  cada ser humano que esteve ali naquele momento. Seja a postura, a atitude, pelo motivo que for,  é" nois"  na fita: hoje quando temos o governo que temos, a Constituição que temos, a corrupção que temos, as desigualdades que temos, a violência que temos. É tudo "coisa nossa",

Da mesma forma, o que acontece na Polônia, tem a ver com o polonês.  Quem é o povo polonês? Seres humanos que vivem na Polônia: gente. Judeus e católicos em sua maioria.  E por que o povo  polonês  vai aceitar que seu parlamento determine qual é a forma de abate animal que vale? Por que de repente,  o método milenar de abate  kosher, se tornou alvo de discussão?  Dá para desconfiar  que é provocação. Não tem nada que ver com o sofrimento de bois, vacas, cabritos e carneiros. Por que ao contrário do abatedouro comum, o bicho morre mais rápido,  e sofre menos com o método kosher. Me corrijam se eu estiver errada: não sou da área de  zootecnia. Mas li a respeito antes de escrever aqui. Não é a minha opinião simplesmente. É a conclusão possível diante do que li.

Então fica aqui a minha solidariedade aos judeus poloneses ou não, que se sentirem discriminados com essa proibição. E minha surpresa diante do povo  polonês  - como um todo- se aceitar a imposição como "vaquinha de presépio". A história deixa marcas sim, tem que deixar: a terra  que abrigou o maior campo de extermínio - de judeus, em sua maioria -  da história da humanidade, não pode  vir com essa "novidade". É preciso uma  boa dose de dignidade e crítica diante dos erros do passado, para não cometer outros.  Eu pelo menos, me envergonho de ser humano quando penso que nós- gente- fomos e somos capazes de produzir realidades tão insanas. Isso falando assim, num final de tarde, sem paixão, sem coração batendo forte ou qualquer chilique. Mera questão:  Será que gente vale a pena?



                                          Hamburguer, churrasquinho, strogonoff, tanto faz.
                                         É animal morto do mesmo jeito. Quer ter compaixão de
                                         verdade? Prefira a soja. Mas se a vaca vai ocupar o espaço
                                          que ocupa sem ter serventia ao humano, vai ser abatida,.
                                       .         Qual a melhor forma? Cada um que tenha
                                         a sua, dentro do bom senso. E a liberdade de ser como preferir.
                              E isso vale para católicos, judeus, palestinos, pagãos: gente, ser humano, pessoas...


foto:ultradownloads.com.br
                                       


6 comentários:

  1. Sim, é verdade. É fácil concordar que há segundos interesses por trás dessa decisão. É como os tais "incentivos" ("Política de incentivo à natalidade não emplaca") do governo alemão para que as mulheres fiquem em casa e cuidem dos filhos, o interesse está longe de ser na mulher.

    Sobre o holocausto, coincidentemente li uma notícia sobre a publicação de um livro que dava conta de um genocídio num hospício brasileiro: "Holocausto Brasileiro"

    Bjs,

    Michelle

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    1. Tenho esse livro. So nao comecei a ler. Ganhei do meu padrastro. Manicômios ja nao deveriam existir. Toda essa coisa contra o louco, a "higenização" da sociedade, lembta muito tudo isso. O Brasil ja teve outros holocaustos se pensarmos bem: a matança dos indios, quando os portugueses chegaram, persiste ate hoje. Isso sim, tem tudo a ver com a nossa omissão de cada dia. A Luta antimanicomial tb esta só começando ainda aqui. Existem grandes avanços como os CAPS ( centros de atenção psicosocial) , mesmo assim, eles existem em quantidade inferior a demanda da população. Sao como grandes hospitais dia, com no maximo 6 leitos. Ontem tem barbarie? Em todo lugar tem. O homem esta sempre arrumando um jeito de dizer que o outro diferente dele é p ruim e por isso deve des- existir. Ate na família a gente ve estas coisas: fulano é o legal, fulano me cutuca, fala as verdades. Vamos internar? Esse é louco, incomoda. E tudo isso é nois na fita. Se ninguem fizer nada ou falar nada, claro que vamos ser como aquela poesia.... Hoje o mundo ja esta ao nosso alcance. O que acontece com a Polonia é logo ali, podemos observar e nos preocupar,tentar solucionar, não sei se podemos. Mas temos um blog. E se aqui não da para falar de toda a dor que nos aflige, podemos pelo menos falar da dos outros. Bjos Michelle. Obrigada por comentario tao relevante.

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  2. Quis dizer- ONDE no lugar de ontem.

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  3. OBS- o fato de ter so 6 leitos é o bom da coisa. Pois assim ninguem fica ali internado. É so emergencial. O que não tem é comida para todos que necessitam e vao la em busca. Nao tem atenção para todos que necessitam. Nao tem vagas. Por isso ficam lotados , muitas vezes prejudicando o atendimento dedicado a cada um, como deveria ser.

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  4. Oi Camille!

    Post polêmico, prefiro não comentar.

    Saudade de você moça.

    beijo grande.

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    1. Oi querida,
      Pode comentar, a polemica é importante. É o pensar junto. Faz parte.
      Saudades de voce tb. Vamos chamar os blogueiros sumidos para voltar aos seus maravilhosos postos e posts ? Bjao!!! Bom final de semana, obrigada pela visita.

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