20 abril 2011

O livro, ainda.

Estou em uma parte em que o autor do livro "A India Secreta" encontra um guru para ele mesmo e passa por diversos transes. Nesse pedaço comecei a querer correr com o livro. Já é menos interessante. Parece um deja vu e nada diz de diferente do de sempre. É o inconsciente de cada um. Deveria ser muito criativo. E é. Mas talvez o relato do que se passa ali na "lata de lixo", no universo inteiro dentro de algum lugar no cérebro, no corpo, enfim, lá, passe por uma censura, por uma moldagem. Então já existe uma forma de contar X quando se trata da relação discipulo/guru. E os livros parecem todos iguais. O homem comum se rende ao desconhecido com "respeito", para não dizer medo ou quem sabe, admiração por aquele que conhece a coisa. Aquele a quem passa a chamar de Mestre.
Mesmo com a tal censura, percebe-se uma mudança no jeito da narrativa. No começo é o jornalista, depois é o jornalista tentando olhar de fora o que se passa dentro do homem que é o jornalista. Continua bem distante do livro de Iogananda, em que ele é o Mestre. Já começa no agudo e lá fica até a última frase, sem se tornar monótono. Além de ser leve e bem escrito todo o tempo. "A India Secreta" tem altos e baixos, como tenho registrado aqui. Mas continua a ser um livro que merece ser lido, ainda mais se pensarmos pelo ponto de vista histórico: foi lançado em 1935. Muito antes do "Diário de um Mago" de Paulo Coelho e outros do gênero. Tiro Cataneda dessa reta por que ele é , ao meu ver, mais interessante e talentoso e "A Erva do Diabo", sua dissertação de mestrado, foi publicada em 1968 e inaugurou o boom editorial do relato místico.
A "India Secreta" tem sua importancia e grande valor para quem quer conhecer a Índia e a maneira do povo olhar a vida ( como é uma distinçao importante, apesar de quase corriqueira, ser um "Santo" ali)pelos sentidos de um ocidental. Depois eu conto como termina.

4 comentários:

  1. Fiquei interessada no livro. parece ser muito bom.
    tem um blog bem legal sobre a índia: http://indiagestao.blogspot.com/
    é o mais completo que conheço.
    Beijos

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  2. Camille, acho que você se desinteressou porque já fez esse ritual, do homem comum se render ao desconhecido. Hoje sabemos, por definição até mesmo aqueles que não estiveram em treinamento budista, mais ou menos como deve ser todo aquele ritual - o ritual ou rotina que nos dá segurança, treina o nosso cérebro o automático, deixar relaxar outras partes deste cérebro para dar lugar para novas energias fluirem - mas daí, se esse livro foi escrito a tanto tempo, ainda não tínhamos a abertura que temos hoje, portanto, quem leu aquela época deve ter lido com muita surpresa!
    Boa páscoa! Beijus,

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  3. Tem toda razão. Naquela epoca era tudo novidade. Por isso tenho certeza de que o livro tem um super valor historico. De alguma forma todo esse contexto foi banalizado tb no Ocidente. E a gente ja lida com a coisa assim: ah la vem ele com seu nirvana particular...
    Enfim amiga, voce émuito clever!

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  4. Jeanne, esse é um livro que realmente vale a pena. E tem conceitos que voce conhece bem, ele nao tem nada que contradiz o Espiritismo. Mas tem toda aquele entorno de coisas da India, onde essa coisa espiritual é como se fosse um Status, um poder. Muito interessante.
    Bjos querida,
    Cam

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