22 janeiro 2011

Olhos Azuis de José Jofilly. Ele é O cara.



Assisti "Olhos Azuis", um filme brasileiro atípico, daqueles que conseguem mesclar o ator estrangeiro com o ator brasileiro, o cenário (pelo menos em tese, o que é ainda mais interesssante) estrangeiro com o sertão brasileiro e contar uma história bem contada. Que não tem cara de novela da Globo e também não tem cara de "Cinema Novo" reeditado à exaustão. O que eu quero dizer com isso? Não é jogar pedrada no que já foi feito, mas me admirar do que pode ser feito e do que já está sendo feito. Já faz um bom tempo que o cinema brasileiro precisava sair dessa neurose de só contar a história da miséria e o que é pior, sempre da mesma maneira, como se isso fosse ser "crítico" e "desalienado" da nossa realidade. Esse filme - Olhos Azuis- corta esse nó com tesoura, ao invés de ficar tentando desatar cansando os dedos. No sentido de que, vamos deixar disso: não é pecado falar Inglês, contratar um gringo para contracenar, expandir os temas. Ser ainda mais crítico, só que de forma inovadora, interessante e envolvente. Sem lançar mão de talentos consagrados como Tony Ramos e Gloria Pires como vimos recentemente na boa comédia "Se eu fosse você" 1 e 2. Onde a linguagem das novelas , seus atores e seu estilo se transportam para a telona e suspiramos: finalmente uma comédia nacional, que não é uma chanchada. É uma história leve e contemporânea para a gente gostar de ir ao cinema ver os brasileiros darem um show de bola.
"Olhos Azuis" não precisou botar globais em campo para marcar um lindo gol. É uma atriz desconhecida -Cristina Lago, um ator de quem nunca ouvi falar- Irandhir Santos e o ator americano David Rasche- que lembra de longe a fisionomia do grande ator Burt Lancaster- com quem jamais tinha visto nenhum filme, que dão um show de cinema. Numa história triste, cheia de preconceito e arbitrariedade, passada no serviço de imigraçao nos Estados Unidos ( com a perspicácia de não mostrar nem em um segundo a cara de Nova York e você conseguir acreditar , pela boa direçao e boa atuação que está diante do departamento de imigraçao do aeroporto JFK) e entremeada pelo cenário de natureza tão nua e seca como a do sertão nordestino.
O filme vai mostrando pelo olhar do diretor e roteirista José Jofilly, a fragilidade humana, seus enganos, sua segregação idiota.No meio da avalanche de morte que a vida traz, somos sempre, todos iguais, independente do sotaque, da educação, da origem ou da cor dos olhos.
Só tinha visto um filme assim antes: "Urubus e Aspirinas", que conseguiu misturar com tanta naturalidade, ingredientes tão misturáveis como o Brasil e um país estrangeiro. O que antes parecia um tabú intransponível. Gostei muito mesmo. E não foi surpresa descobrir que a direção e o roteiro de "Urubus e Aspirinas" também são de José Jofilly. Ele pegou a mão, pegou o jeito de fazer a coisa. Não sei o que a crítica especializada anda ou andou dizendo sobre esse filme, mas estou curiosa. No meu entender, com trabalhos assim o Brasil sái da sua inferioridade com relaçao ao cinema argentino que vem caminhando a passos largos no sentido de criar tramas com carater universal. Não só recomendo esse filme como digo: você tem que ver com seus próprios olhos, sejam eles azuis ou não.
(fotos de divulgaçao encontradas no Google)

5 comentários:

  1. quero muito ver. beijos, pedrita

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  2. Oi Camille, minha cinéfila predileta.
    Gosto dos comentários que você faz sobre os filmes que assiste. Quando se trata de uma obra que já assisti, não poucas vezes a tua perspicácia descobre uma nuance dramática que me passou despercebida. Mas geralmente, como agora, você traz à luz filmes que, suspeito, normalmente não despertariam à minha atenção. (Cinematograficamente, preciso ser guiado para não ser tragado de vez pelos blockbusters de Hollywood). Anotei a obra no meu caderninho, para conferir quando passar por aqui.
    Cinema é, sobretudo, entretenimento.

    Beijo.

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  3. Muito boa resenha e indicação Camille.
    Deve ser um filme muito bom mesmo, saindo da linha dos policiais heróis ou histórias da miséria brasileira.

    Bom domingo

    Bjs no coração!

    Nilce

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  4. Boa dica, anotada.

    Hoje tem bolo lá no O que elas estao lendo te espero por lá.

    Bjao

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  5. Ola Camille!
    Tambem adoro filmes, mas sou muito seletiva. Quando chegar no Brasil, quero ver olhos azuis, pois aspirinas e urubuis e um filmao!
    Olha, que pena que a sua amiga nao conseguiu vir a Auroville.Mas tudo tem seu momento. E tao lindo o mundo virtual, proporcionando reencontros, e assim que sinto em relacao a voces. Um dia nos encontraremos para um cafe!
    Namaste.

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