25 agosto 2009

Vou mudar de canal

Com o final do reality show, suponho que a Record já esteja sem a audiência recem conquistada. Bom, já sentiram o gostinho e terão de caprichar, por que a concorrencia é grande. Haja visto, hare baba, o sucesso da novela das 9.00h da tv Globo, Caminho das Indias, comandada pela genuina sucessora de Janete Clair, a mirabolante autora Gloria Perez.

Me lembro dela há anos atrás, comprando roupas na Company ( loja do Rio que já não existe mais) com sua filha Daniela. Lá pensei: que menina bonita, já a vi em algum lugar. Era o começo da fama da atriz, suponho. A mãe já devia ser famosa, mas eu não sabia ainda quem era, ou não ligava o nome a pessoa. Mas guardei seu rosto, para reconhecê-la depois.

Comecei a ver essa novela hare baba, por causa da minha mãe. Por minha conta, mudava de canal cada vez que via Tony Ramos vestido com uma roupa colorida e comprida, falando com um sotaque estranho. Parecia teatro infantil na televisão. Mas ela, minha mãe, me convenceu que a trama era muito boa e que aquilo era mesmo uma novela para o povão. Por isso era engraçada, sem compromisso com a realidade, cheia de "licenças poéticas", como o idioma Português- Esperanto, a lingua que todos falam na India, no Brasil, na Inglaterra, e todo mundo se entende sem precisar de tradução.

Gloria Perez compõe suas histórias com um estilo próprio e forte, fácil de detectar: um lugar exótico, um tema polêmico e outro científico. Assim temos, para citar uma bem antiga: a dos transplantes de coração- Bruna Lombardi morria e seu coração era doado a Juma Marrua, (Cristiana Oliveira que ao meu ver só fez bem o papel de onça e com ele ficou conhecida) que com isso herdava também a memória afetiva da falecida e se apaixonava por Tarcicio Meira. Hum...O lugar exótico não me lembro qual era, mas tinha. Temos também, a do Marrocos, que o tema cientifico era clonagem humana e o tema polemico, crianças desaparecidas. Assim Gloria Perez chama atenção para questões importantes, talvez sua forma de contribuir para um país mehor. Na época dessa novela todos os dias eram vistos na televisão, em cadeia nacional e em horário nobre, fotografias de rostos de desaparecidos. Era apelação? Sim. claro, como não. Tv Globo,plim,plim. Mas devia ser útil.

Todas as novelas dessa autora, são também recheadas com muita dança, sempre a dança, paixão de sua filha Daniela. E hoje com certeza, homenagem a ela. Assim, já é a segunda de suas histórias, que percebo o foco em uma menininha boa dançarina. Na do Marrocos era uma lourinha e agora é a moreninha, filha de Suria, a "naja" do folhetim.

Por que estou falando nisso? Por que assisti a um capitulo agora a pouco e achei bonito e bem atuado o diálogo entre o já assimilado Tony Ramos com sotaque, seu filho e sua nora brasileira: ele dizia que a moça não devia mais fugir ao menor sinal de problema, por que o casamento na India é sagrado, uma construção feita com cuidado e paciência para ser sólida, e não um nó que se desfaz com qualquer brisa ou coisa assim, por a autora é cheia de metáforas. Nem tão brilhantes, mas capazes de comunicar sentimentos simples, com clareza. Mas por que, de verdade, estou falando na novela das firangues estrangeiras? Acho que é por que a realidade brasileira continua um lixo, e eu me propus a escrever sobre um tema que conheço muito bem, o das famílias que deixam suas crianças em abrigos, por não terem dinheiro para criá-las. E a gente ainda tem coragem de chamar essas instituições de "orfanatos". Vou falar disso outro dia. Vou falar disso sempre. E penso nisso de forma recorrente. Tik.

8 comentários:

  1. Gostei daqui. Gostei desse teu modo de postar.
    Maurizio

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  2. Oi Camille.
    De vez em quando é bom, ou melhor, necessário dar um tempo na nossa realidade deplorável - ninguém consegue viver em permanente estado de indignação. Dia destes me dei conta, para minha agradável supresa, que raramente assisto a TV Globo. Nas minhas fugas da realidade, recorro às séries de suspense ou policiais.
    ***
    Um registro: impressionante a força interior da Glória Perez que conseguiu seguir adiante depois do hediondo assassinato da filha. Tenho dúvidas se eu conseguiria.

    ***
    Um beijo.

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  3. Cam, me lembro bem quando aconteceu o assassinato da Daniela. Estava numa reuniao escolar com minhas colegas de trabalho logo cedo, quando uma chegou dando a notícia. Todas nós ficamos sem fôlego pensando no quanto tem gente louca por ai e em qualquer lugar.
    Acredito que escrever é o ponto de apoio da Glória que aliás tem um blog, nao sei se você sabe.

    Lindo o seu blog! Amei a imagem do layout.
    Uma mennininha linda de chapéu vermelho e cabelos claros. Ficou muito bonito.

    Uma linda semana prá você

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  4. Muito bom este texto Cam. Colocas a interpretação da psicóloga de uma forma bem jornalística (ou vice versa). No começo eu me indignei com o ridículo idioma de variados sotaques, mas lendo uma crônica do Veríssimo, onde ele comenta sobre diversos filmes (inclusive épicos) em que este recurso é muito utilizado para melhor entendimento, relevei o fato. Para alguns novela é só diversão, para o povão é a forma mais acessível de entretenimento e cultura. A globo não poupa recursos em suas montagens. Quanto a realidade brasileira, creio que cada dia mais abrimos os olhos para ela, um dia há de melhorar (assim espero).
    Abraço meu

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  5. Cam, eu simplesmente amo seus posts.
    Olha eu assisto sim a esta novela, na verdade a única que vejo atualmente e lembro que gostei muito do Clone. Eu gosto das novels escritas pela Glória Perez e pelo Silvio de Abreu.
    Detesto as de Manoel Carlos e suas choradeiras, overdose de Leblon, bossa nova e gente rica e sem humor. Acho que o Rio de Janeiro é muito mais que isso, amo ver a Lapa em Caminho das Índias.
    Vixe, vou parar que meu comentário tá virando um post.
    Beijos amiga.

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  6. rsrrsrs adorese comentario
    diga graças a deus q vc num viu a luz no fim do tunel
    bjos se cuida direitinho ok

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  7. Camille, minha flor:

    O Inter estava perdendo de 2 X 0 para o Santos.
    Agora, está por 3 X 3.
    Yeah! (Maldição - tudo igual na Vila.)

    Volto daqui a pouco, no final do jogo.

    Por enquanto, sem beijo.

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  8. Oi Camille:

    Cy, a rainha mãe do mato, Macunaima vacilou, e ao luar se fez poema mas ao filho enganado toda maldição legou:

    3 X 3!!!

    O Negrinho do Pastoreio está puto da cara - guri mal educado. Mandou um recado:
    A vingança será minha!!!

    ***
    De minha parte, um abraço carinhoso e um querer encantado - não tenho nada a ver com os rolos do moleque da mata.

    Um beijo amigo.

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