08 fevereiro 2007

A essência de O Perfume- o filme

Tinha uma lista de 4 filmes. Um deles era “O Perfume”. Lembrei logo do livro que larguei nas primeiras páginas por achar pesadíssimo. Disse: tou fora. Dali a uma hora, com os cinemas todos lotados, estava eu sentada assistindo...o próprio.
Fui alertando o meu marido que o filme devia ser meio pesado. Mas também pensando: o único cineasta que conseguia superar em imagens, os livros e nossa imaginação, era o Kubrick. Engano meu. Saí tonta do cinema. É daqueles filmes que durante a trama você pensa se sua casa esta sendo assaltada, se seus filhos estarão dormindo direitinho, se o mundo está para acabar, se lhe resta alguns meses de vida. Enfim, o tipo de coisa que é preferível não ver, por que não acrescenta nada além de você achar que a vida é mesmo uma m. e que o ser humano é um acaso, problemático e sem solução.
Eu freqüentei uma religião Espírita que dizia que a determinadas coisas a gente não deve se expor por que “arranha a memória”. Acredito nisso. Até agora estou incomodada com o filme.
Mas vamos lá, é muito bem feito. A cenografia é maravilhosa. Toda a concepção da ambientação. O ator principal, que eu não conhecia, é muito bom e passa ao personagem, uma credibilidade de arrepiar. O outro papel de destaque, fica para o ator que sempre faz o professor do Harry Potter, aquele de cabelo preto escorrido, que também é excelente. E a participação especial de Dustin Hoffman acrescenta super talento ao filme.
A história mesmo não vou contar. Estragar a graça de quem quer ver o filme ou quem sabe ler ou reler o best-seller de Patrick Susskind. Mas posso dizer que o filme tem um ponto X que é de fato a essência da historia: num determinado momento, o narrador nos conta que o personagem central- Grenouille, descobre que ele próprio - depois de uma vida cheia de odores- que começa literalmente numa feira de peixes , se cria num orfanato sórdido e continua num curtume imundo- “não tem cheiro” e portanto tem “medo de não deixar sua marca no mundo”. Ou seja, ele, psicopata da silva, percebe que não tem essência, como se não tivesse alma. Vazio. Sem marca, apesar dos pesares, e sem saber como deixar a sua impressão. E toda essa coisa de essência, perfume e vida interna do pobre diabo se misturam, numa composição muito bonita e horripilante. Dando espaço também para a reflexão sobre algum tipo de moralidade intrinseca a espécie humana, ou se tudo em nós é fruto do meio em que vivemos.
Se você tiver nervos de aço, assista, por que é um filme que te põe a pensar. Se não for cabeça fresca, não vá. Senão ficará como eu, meio de ressaca. Vou tentar os outros da lista. Aliás, depois vi Babel, que já escrevi sobre num post abaixo.
Li que em dezembro Niemeyer fará100 anos. Ele é um dos mais belos exemplares de talento espetacular e genial do nosso país. Penso que desde já devemos pensar numa hiper blogagem coletiva sobre o assunto.

Para você esta tela está normal ou as palavras estão desconfiguradas, tudo que tem acento, aparece escrito esquisito?

Um comentário:

  1. Oi menina, a página parece normal para mim: tudo nos seus lugares.

    Você continua sendo a minha melhor "personal movie assistant" e eu adoro isso !(rs) Obrigada pelas dicas.

    PS: Ando sumida pelo excesso de trabalho...

    beijos querida,

    ResponderExcluir


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