19 novembro 2014

Quando meu balão subir.

  Recentemente reencontrei um primo que não via desde que eramos crianças. Os pais sempre viajaram a trabalho, levando os filhos junto. E as famílias nunca se deram muito bem, como acontece, que pena, com frequência, nos agrupamentos humanos

Rever meu primo foi muito bom.  E foi via uma rede social.
 Ano passado, no lançamento de "Mulheres Sem Prazo de Validade" no Rio de Janeiro, combinamos, primos e tios de nos encontrar. Mas esse primo, especificamente, não poderia estar. Mora no Canadá. E participou do encontro por skype.

Depois disso, quebramos o gelo e passamos a nos falar com mais frequência. Ele então, que tem três filhos adultos e uma mulher maravilhosa, me enviou um texto,  sobre sua decisão de primeiro morar na Inglaterra, e depois no Canadá, deixando sua família de origem e  seguindo com a que construiu.

 Não dá para reproduzir esse texto aqui, é privado e a mim foi confiado.
  Mas posso me admirar da beleza dos sentimentos expostos, assim como as palavras escolhidas, para contar o que acontece quando a gente deseja simplesmente voar.

Meu primo utilizou um balão como a representação dessa vontade. E conta o que sente quando o seu balão começa a subir e a seguir seu caminho.

Um sentimento único. Talvez semelhante ao dos grandes navegadores, maravilhados por conhecer o novo, por experimentar o jamais aprendido,  na necessidade de ver de longe todas as coisas. Ou mesmo, para manter um afastamento saudável daquilo que não está excelente.
                                                   imagem 1

Esse gosto de partir e de chegar, em outro lugar, conheço bem. Já vivi em outras cidades, e em outros países. Sei como é, as vezes difícil uma transição. Nem sempre estamos preparados, nem sempre vamos por nossa própria vontade, Principalmente quando somos crianças.

Se já tive que me mudar alguma vez por outra causa que não tenha sido a minha vontade, hoje é bem diferente. Minhas raízes estão estabelecidas. E talvez tenham uma plasticidade tão grande que eu também possa pegar o meu balão e subir até as alturas procurando o melhor lugar para desce-lo. Sem a sensação de ter partido um pedaço de mim. Ou feito escolhas definitivas.

Justamente quando as coisas vão ficando com mais cara de "definitivas",por que estamos mais velhos, é que nada mais parece definitivo. Nem a vida. E portanto, é hora de finalmente, se não aconteceu antes, soltar as amarras, permitir-se maiores vôos.  Suavemente. Sem previsão de quedas. Sem afoitezas.

Se um dia eu pegar o meu balão, darei um tchau la de cima para vocês. E aí saberão que fui, mas ainda estou aqui. Nessa viagem mais recente,percebi,- o que tanto custei a descobrir: em todas as mudanças que passei,  além de curtir, também  sofri por não ter entendido ainda, que o mundo é a nossa casa. Ou, nossa casa é o mundo.
Seja lá como for e onde for, já dou a vocês, boas vindas!

imagem 1- encontrada no "Blog do Professor Neco",via busca no google. Se preferir a retirada da imagem é so avisar. Grata.

11 comentários:

  1. Anônimo12:59

    No balão podemos apreciar com serenidade o lugar que deixamos, nos damos o tempo de traduzir a travessia e pousamos prontos pra mais uma aventura.

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  2. É isso mesmo, que lindo. Pena que você não deixou seu nome. Mas valeu, comentario tão sensível. Bjs

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  3. Não li este texto aqui, mas vim aqui na tentativa de encontrá-lo. Estava intuindo... Achei bastante delicado, uma metáfora muito adequada e que dispensa justificativas. Por que, sempre que decidimos partir, temos de argumentar a causa? A lógica de partir é a mesma de ficar, é a própria causa.

    Bjs,

    Michelle

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    1. Tem toda razão Michelle, inteligente e afiada como sempre. Ser humano é movimento constante. Sinal de saúde, de capacidade, mesmo que a causa seja fuga. Ou aventura. É vida. Vale. E que nossos balões possam subir e descer quantas vezes quisermos e pudermos. Seja lá por que motivo for.. Por causa- da vida. Bjos querida. Bom domingo. ( você escreveu isso hoje? Eu continuo sem a data...Hehehehe)

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    2. Não, Cam. Escrevi um dias depois de ter lido o texto noutro lugar que vc publicou. Realmente, não aparece a data... Bjs!

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  4. Olá, estrela Camille!
    Não tive ainda a oportunidade de conhecer outros países e viajei pouco, mas acredito que quem faz o lugar somos nós. Todo começo é difícil até o momento de você se adaptar.
    Ótimo dia pra você.
    Big beijos

    Lulu on the Sky

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  5. Oi Lulu, você ainda viajará por todo o mundo. Para comentar de perto o mundo das celebridades como você faz com tanto entusiasmo e talento. Aliás essa é uma boa ideia,colocar sua coluna escrita em Portugues e Ingles. Aposto que começará a ser lida por outros países. Vale a pena ler mesmo. Bem feito , perfeito, e sempre constante. Bjoss e parabens!!!

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  6. Oi, Camille

    Eu gostaria de sair voando por aí, mas como me acho muito medrosa e fincada no meu canto, viajo nas palavras. Aí vou pra onde quiser...
    Quem sabe um dia eu voe alto de verdade, e leve gente comigo, ou não... não sei... rsrsrs

    Beijos, uma ótima semana.

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  7. Clara querida, você já pode voar alto hoje mesmo, com as palavras, como você bem disse. Somente com a distancia conseguimos distinguir o que realmente conta e o que não contamos mais. Um bom exercício.
    Bjos e muito carinho,
    Cam

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  8. Passando para desejar um 2015 maravilhoso cheio de coisas boas para boa, beijos.

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  9. .

    Gostei muito do seu blog por
    isso vou segui-lo. Siga o meu
    também, vai!

    Beijos,




    .

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