06 julho 2014

ENTRE NÓS. Que filme bom de assistir.

Minha filha diz que quer ser cineasta  e outro dia me peguei dizendo a ela:é bacana. Mas aqui no Brasil é feito ser escritor. A pessoa quase que  paga para trabalhar. A menos que seja roteirista de televisão ou faça filmes publicitários. Dá para fazer.

Eu por exemplo, fiz muito roteiro publicitário, fiz peça, mas nunca nem ousei imaginar, ser cineasta. E ao ouvir  a minha filha,e não só isso, perceber sua vocação, nas coisas que cria com recursos de computador, pensava: pra onde essa mocinha vai , se quiser mesmo,  estudar cinema?

Gosto de alguns filmes brasileiros. Mas essa toada de favela, sertão ou gente na praia, tem que ser tremendamente criativo para a coisa não ser mais uma.  Tipo: Urubus e Aspirinas. Um super filme contemporâneo, cuja paisagem e parte do tema,  é o sertão. Enfim, devaneios de quem acompanha com interesse o desenvolvimento do  cinema... argentino.  E fica com um olho comprido, espiando. E esperando o dia em que teremos essa soltura. Essa possibilidade  de simplesmente falar de gente,  de um jeito atual ou atemporal,  mas numa universalidade de temas, para não falar – num tema universal e rimar mais uma palavra.

Mas é isso mesmo. Sinto falta do tema universal. Daquilo que se  aprende no colégio, em literatura: esse tema é local ou universal. Por que? E a gente começa a entender isso. O que qualquer pessoa poderia sentir em qualquer canto do  mundo ocidental. Querer mais ,é querer demais. Mas até é possível que alguns temas despertem um sentir comum  à espécie humana, além do medo da morte.  Mas até a morte é sentida de maneiras muito distintas em cada povo, tirando o pé do mundo ocidental e  burguês.

Voltando: o cinema argentino. Queria um pouco do que o filme argentino consegue, para o nosso cinema.  E hoje assisti um filme brasileiro que me deixou animada:
“Entre Nós”. Filme com atores amadurecidos na televisão e nem por isso menos atores. Gostei da atuação de todos eles.  Da iluminação. Do roteiro como um todo. Do argumento simples, talvez nem tanto original:  como em “A Idade da Razão” onde uma menina de 7 anos escreve cartas para ela mesma  ler aos 40,  “Entre Nós” conta a história de um grupo de amigos , num sítio, que resolve escrever uma carta cada um,  para ser lida em 10 anos.
                                                 poster de divulgação

Dez anos depois estão eles lá, mais maduros, mais amargos,  menos inocentes, mais eles mesmos com 10 anos a mais, de trajetória na vida. Muito bem.  Diferente de conhecer o enredo, me agrada o como. Como ele é contado, mostrado, representado?. Essa é a obra do diretor, que no caso,  é também o roteirista.  Transformar alguma coisa, dar vida a um roteiro, de forma singular. 
Já assisti filmes, com alguma semelhança: amigos que voltam a se encontrar anos depois e expõem seus dramas. Me lembro de um filme inglês excelente, em que os amigos se reúnem em função do enterro de um deles.

Que sejam referências ou não para o diretor Paulo Morelli, não importa. A gente vive de referências. Bacana é conseguir pegar todas elas e fazer alguma  coisa de bom. Ele fez.  Esse filme é emocionante. A câmera a maior parte do tempo, é bem focada no rosto dos atores e sua expressão.  E definitivamente aquela iluminação, traz um novo ar, para nossos  filmes tão naturalistas na fotografia, que parecem, as vezes,  que estamos vendo novela no telão.  Não, esse não  é novela. Nem nada na televisão. É cinema. Buscando uma linguagem, que não seja aquela, a de sempre.
                                  Elenco de Entre Nós. Imagem de divulgação
                                                                       encontrada no Google.
                              
Do mesmo diretor já tinha visto: Cidade dos Homens e Vips.  Gostei mais desse, muito mais.

É possível que daqui a uns 10 anos o Brasil tenha  uma bem estruturada escola de cinema, que ofereça uma opção de futuro brilhante. De  talento, técnica,  e incentivo  à criação de novas linguagens. E  tomara que existam verbas em abundancia, para patrocinar belas produções. Que nem precisam ser mega. Mas possam contar uma história, com distinção. Como faz o  "Entre Nós".
Valeu.  


4 comentários:

  1. eu quero muito ver esse filme. fiquei triste que saiu dos cinemas e só estavam eu um único bairro em são paulo infelizmente. nem li pra não saber detalhes. beijos, pedrita

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    1. Pena mesmo, filme brasileiro nao dura no cinema, tem pouco publico, pouco incentivo Pouca distribuiçao tb acho eu, As casas de cinema não investem,,,
      Podia ter uma sessão dupla ne? Assista um americano e um nacional pelo preço de um.... Tb quem vai querer fazer isso? Sei la, é uma ideia. Bjosss

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  2. Que legal!

    Qro assistir ^^

    É minha primeira visitinha aqui no Blog... E Vou voltar! Haha

    Já tô seguindo :))

    Se der me faça um visitinha, comente e siga

    http://francielebazan.blogspot.com.br/

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    1. Bacana Fran. Vou visitar o teu sim. Bjos e obrigada pela visita.
      Cam

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