09 janeiro 2014

"O Mordomo da Casa Branca" e "Fruitvale Station".Basta uma sessão de cinema ou duas, para perceber que o racismo continua inabalável.

Politicamente corretos, quem? Talvez os filmes, a mídia impressa.As novelas agora colocam mais brancos para o papel de "serviçais". e  tiram a única chance dos artistas negros, aparecerem,  de uma maneira geral...Droga, o racismo continua o mesmo. E se você como eu,  for de aparência branca, não sabe nada sobre o que é passar na pele, por discriminação. Deve ser muito ruim e completamente sem sentido, virarem a cara para você ou eu, ou ele  por causa de cor. Quem poderá dizer qual é a cor mais bonita? Isso faz algum sentido?
O sentido da ainda estranheza com a cor, é o histórico de pobreza que a acompanha.
Estavam lá os negros em seu continente, a África, vivendo sua cultura, religião e vida, quando brancos de nacionalidades diversas,  sem noção de humanidade, tomaram de assalto toda aquela realidade, escravizando populações que foram trazidas para o Brasil, levadas para os Estados Unidos. Massacradas e animalizadas  na Africa do Sul....
Foi assim que você aprendeu na escola? Ou foi naquela base: "quando os escravos chegaram da África nos navios negreiros"...Muita calma nessa hora senhores professores e alunos. Os negros não eram escravos, foram escravizados. Destituídos de sua liberdade de ser, animalizados. Como em um grande holocausto. Com a diferença de que não havia RG para serem computadas quantas mortes. E não era guerra. Simplesmente o puro terror, consentido por toda uma cultura... branca.
Passamos por abolição da escravatura.Quanta insolência. Liberdade a quem sempre deveria te-la ,e nenhuma pena a quem a roubou? Não, foram todos bonzinhos e bem pressionados,  mas felizes para sempre,como heróís,  em  nossos livros didáticos. Coisa Áurea..
                                                             cartaz do filme

Pois estava assistindo  "Fruitvale Station",  melhor filme no Festival de Sundance, de 2013,  e ali acontece a mesma repetição: no final das contas a polícia mata sem nenhum por que,  um homem negro. História real do rapaz de 22 anos, Oscar Grant III. .
Michael B Jordam em excelente atuação.
 E se não fosse real, também não deixaria de ser.. Quantas vezes, o branco recebeu mais condescendência que o negro? Quantas vezes por dia, quantas vezes por hora? A vergonha da omissão é branca.E não é pequena. É um elefante branco para uma cultura que se diz  tão moderna.
Esse filme é atual, um drama recente que mostra bem como as coisas ainda são nessa cultura: um grupo de brancos reunidos,  é brincadeira, festa. Um grupo de negros, é tumulto. Pelamordedeus.
                                                Luvas brancas para servir aos brancos.
Mudando de filme, mas não de tema: em "O Mordomo da Casa Branca", (Forest  Whitaker há de ganhar mais um Oscar- que não é  nem preto, nem branco é dourado, ainda bem) Ele é praticamente o filme, em sua interpretação que toma a tela. Mas tem muito mais. Seu olhar reacionário diante do obvio poderio branco sobre o mundo burguês ocidental. "Um negro de casa", como se referiam ao menino que foi aprendendo a servir e atender tão bem a cada vontade de um branco, que se tornou mordomo da Casa Branca. Discreto, passando por diversos presidentes e políticas. Dedicado ao extremo ao trabalho, a ponto de sua mulher-  Oprah numa excelente interpretação,  mostra que não perdeu a forma de atriz de "A Cor Púrpura" de Spielberg. E está divina do começo ao fim- pois bem, como a mulher do mordomo ela se ressente, por nunca ver seu marido em casa, preferindo a outra, a Branca.
                                                  Whitaker dando um show de interpretação.
 O filho mais novo se alista, na guerra do  Vietnã e ali morre, sem ter sabido ao certo, pelo que estava lutando. Alguém sabia? O filho mais velho, ao contrário,sái de casa, e luta contra a questão racial. Por um tempo como "pantera negra", e mais maduro, como político importante.
  Não dá para contar tudo, mas são dois filmes importantes e surpreendem pela simultaneidade de suas estréias, pelo menos no exterior. Quem puder assistir um perto do outro, terá um bom motivo para refletir sobre a cor do próprio assujeitamento como ser cultural, a tanta besteira, ao longo da vida.  Que possamos viver como se não houvesse amanhã :livres. Assim caso haja amanhã, estaremos melhor posicionados.
Assistam os filmes, que deveriam até ser vendidos em dupla. Kit realidade. Só faz bem.  Feliz 2014, de novo.
                                            No olhar da filha, espelha a estupidez do mundo.
                                                                     Confira.

Fotos de divulgaçao dos dois filmes.

3 comentários:

  1. concordo. a tv record chegou a inovar há uns anos atrás. todas as raças tinham os seus personagens. o ator era escolhido pelo personagem. advogado negro, médico negro. até a tv record agora parou com a mistura. e os negros tinham família, não eram somente suporte para os outros atores. na novela joia rara há a mistura. um negro é artista e está sendo correspondido no amor por uma rica mulher mais velha e sensível. não pelo dinheiro. e ele a ajuda, a protege. outra negra tem um relacionamento com um branco e ela q foi a líder que uniu as mulheres em uma passeata contra a prisão por adultério da mulher. em joia rara tudo é misturado. há outros negros na trama. anotados esses filmes. não entendo pq nas escolas não incluíram em história a história da áfrica sendo que boa parte do brasil é de descendência africana. beijos, pedrita

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    1. Pois é Pedrita. Essa novela Joia Rara, pena que é rara,nao é?Veja na novela das 9h,a proeminencia da burguesia. Tem algum ator negro? Se tem.não me lembro. Por que nao dao a historia da Africa? Por que só interessa a historia dos vencedores de guerras. Nossa historia( em termos de mundo) é a historia do imperialismo, das conquistas. Quem estava ali na boa, tinha que ser incomodado. E essa historia incomoda, por que mostra que o mundo poderia ser completamente diferente do que é. Enfim, hapouco tempo uma amiga queridíssima ,professora de historia da Africa na USP, deu uma aula sobre Paraty para os alunos da turma da minha filha.Assim mesmo por que insisti muito.... Colégio é negócio,mesmo os mais "progressistas". Quem sabe um dia tudo isso muda. Ja podemos mudar um pouco com aquilo que escrevemos, fazemos, passamos adiante. Bjao querida.

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  2. OBS-Insiti muito na escola, Por que a minha amiga estava super disposta a contar o que sabia da história de Paraty. Bjosss

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