08 julho 2013

"Pensar não é só o silêncio de você com você mesma. É poder debater." Assistir o filme "Hannah Arendt" é um convite ao debate e a reflexão. Convide alguém inteligente e informado, e vá ao cinema.



Se você gosta de um bom filme, daqueles que além de prender a atenção, faz você sair do cinema com muitas reflexões, muito assunto para conversar e questionar, assista "Hannah Arendt". De Margarethe von Trotta. Sobre a autora de "As Origens do Totalitarismo", Hannah Arendt, grande pensadora do seculo XX. Capaz de olhar e ver com o mínimo julgamento moral, os dramas da nossa existência.

Nessa passagem, que o filme conta, ela já está vivendo em Nova York e leciona na New School. E lá faz uma análise do julgamento do tenebroso nazista  Adolf Eichmann , responsável pela organização da morte em inúmeros campos de extermínio. Esse mesmo criminoso, após o final da Segunda Guerra, vive uns bons e confortáveis anos na Argentina. Segundo li hoje, com um nome falso. Mas o fato é que, quando estive no Museu do Holocausto de Buenos Aires com minha filha, há uns anos atrás, ali tinha um poster de gosto bastante duvidoso e mensagem, mais ainda, de Peron abraçando-o.

Voltando ao filme:  Hannah Arendt, embora concorde com a morte por enforcamento do réu, questiona o julgamento de quem, como ele,    nega-se  a  assumir-se como pessoa, despersonalizando-se, como se  fosse um -"nós"- uma causa, e não alguém que age através de sua própria consciência. Apenas um burocrata cumprindo ordens, "sem nada saber" sobre as consequências de seus atos. Essa reflexão se transforma em cinco artigos na revista New Yorker e a repercussão é péssima. Como se Hannah estivesse defendendo o carrasco. Mas é exatamente o oposto, ela esta fazendo um exercício de reflexão sobre a conduta moral do homem que supostamente abdica de ser , para cumprir ordens. Abstendo-se de pensar.  

Um tema que abrange muito mais do que aquele momento histórico, contexto, ou pessoa específica. Mas diz respeito a toda a humanidade, com suas ações tão facilmente sectárias e pouco reflexivas. 
Enfim, para quem gosta do tema, não precisa muito explicação. Assista que o filme é bom.
Gosto de ler Hannah Arendt e seu livro "As Origens do Totalitarismo" li e reli algumas vezes em diferentes épocas da vida.  Recomendo o filme e toda a obra da autora.

14 comentários:

  1. eu fiquei com muita vontade de ver esse filme quando li que estreou nos jornais. infelizmente ainda não li nenhuma obra dessa autora embora ela já esteja na minha lista faz tempo. eu já li realmente análises que falam que a pessoa fez porque mandaram, há uns filmes sobre esse tema, se não me engano um homem bom com o viggo mortesen. até concordo que algumas pessoas faziam porque não queriam ter o mesmo destino dos outros do campo de concentração, mas muitos eram os decisores e realmente acreditavam na limpeza étnica. eu continuo achando que a maioria era um monstro. mesmo que ele tivesse feito porque mandaram, eu não o abraçaria, muito menos tiraria foto com ele. continuo querendo ler a obra de hannah arendt e ver o filme. excelente post. beijos, pedrita

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  2. Esse fenomeno de "massaa" cria monstros em massa, que nada mais são que vaquinhas de presepio fazendo coisaa insanas. Fazer por que alguem mandou nao justifica nada. Não havia convocação da populaçao inteira para trabalhar com Hitler, ele tinha exercito. No entanto, montes de alemaes se voluntarizaram. Tem um livro incrivel, que nao me lembro o autor e nem cheguei a ler todo "Os Carrascos Voluntarios de Hitler".
    Ja esse do post, não era voluntario, mas o mentor estrategico, o cara da "logistica" dos trens da morte. E se fazendo de tolinho. Mas a discussão do filme é muito interessante mesmo. Vale a pena assistir. Obrigada pelo comment e por ter compartilhado o post. Bjos

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    1. o individualismo explica bem essa teoria de não é comigo, de que não sabia. infelizmente é uma praga do mundo atual. eu vi o filme e adorei. mencionei o sei post quando escrevi no blog.

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  3. Camille querida!
    Este filme, creio eu, ainda não passa aqui no Rio, ou talvez em Niterói. Mas, gostaria imensamente de assisti-lo depois de seu post, pois muito interessa saber dessas histórias e análises políticas sobre o nazismo e a vergonha de ter ainda em nosso continente, alguns nojentos desses escondidos sob a capa de velho bonzinho.
    Lá mesmo em Petrópolis, esconderam-se alguns e pasme, minha rua tem o nome de um que era pai de um alemão vizinho que ainda mora lá. Veja você, as pessoas fazem horrores na vida e ainda ganham uma rua com nome para a eternidade, mas nosso país é assim, né? Endeusam os gringos e nunca vão suspeitar como foi o passado deles, vai que .... hehe
    beijoquinhas cariocas


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    1. Ah e acrescento mais uma coisinha sobre este 'tal fenômeno de massas', o que vemos aqui dentro hoje é justamente isso, um partido criado por imbecis e que uma massa mais imbecil ainda segue, xiitas por completo, não suportam o diálogo e falam as maiores asneiras do mundo. Falo isso porque tenho um na família assim, completamente abduzido pelo tal partido e hoje, isolado, não dá pra conversar com ele. O que aconteceu na era Hittler era mais ou menos assim, até os jovens acusavam pai, mãe, irmãos, família, tudo por conta do maldito partido. Temos que ficar de olho nesta era moderna e com ranços do passado.
      bjs cariocas


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    2. Amiga querida,
      Este filme esta passando no Rj, no cinema "Estação" perto do "Bar Vinte", no Leblon, ou Ipanema, acho que na "divisa" dos bairros. Vale a pena ver. Ha muito tempo em que não via um filme tão completamente voltado ao debate, sem ser chato. É genial, maravilhoso, pensar nas grandes questoes que movem a humanidade atraves de um filme. No final a plateia bate palmas. Merece.
      Desde a época de Platão o debate era a grande forma de refletir. A pessoa ia em prça publica, lançava em tema e quem quisesse e pudesse opinavas sobre o assunto e assim as ideias se destrinchavam, o pensamento e a compreensao ou a apreensão de algum tema, se expandiam. Perdemos essa incrivel tradição, e talvez nossa praça publica sejam hoje os nossos blogs, onde falamos textos maiores do que o que se comeu no almoço, como é o FB. Que aissm mesmo as veze ainda da para uma conversa mais elaborada. Essa coisa dos nazistas, sei sim que tem uma porçao em Itatiaia( acho que ali é a maior concentração.) Petropolis tem toda pinta, onde a colonia alemã da aquele disfarce legal ao alemão torto. Na Argentina tem muitos mesmo, teve muita implicação com o Nazismo, e como contei ai, ate Peron abraçando o criminoso. Diante de tanto terror, ouvir Hannah Arendt é um prazer. Ela diz coisas: por que devo gostar dos judeus? Eu gosto dos meus amigos. Ela é judia, e toda hora estava em Israel, mostra o filme. Mas ela quer debater simplesmente. Somos gente ou somos bando? Ser nazista "representa fulano? Representar- palavra que esta sendo usada ao léu, tem sua força e grande ate. E ser judia representa Hannah Arendt? Essa origem é maior do que sua propria identidade de pessoa? É isso que ela diz que não. E assim, acho que o tal nazista deve ser condenado por ser um criminnoso, mesmo que aquele crime nao estivesse inscrito na constituiçao daquela epoca. ELE fez, e não da para imputar a propria responsabilidade a um partido, a uma causa. Esse era o ponto do debate. Mas tudo isso é uma visão em paralaxe, por que outros pontos foram debatidos ali. Muito, muito interessantes. Beijos e muito grata por seus comentarios tão reflexivos.

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  4. Ainda não tive a oportunidade de assistir, mas fiquei curiosa após a sua resenha.
    Big Beijos
    Lulu
    http://luluonthesky.blogspot.com.br

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    1. Assiste que voce vai gostar, Lulu. O filme é muito bom. Bjos querida, e obrigada pelo comentario.

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  5. Nao a conheco, mas achei interessante.

    Bjos

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    1. Oi Georgia,
      Tudo bom querida? Estou querendo ir ler seu post da semana, curiosa com o titulo. Esse filme é muito bom. Asssista quando puder. A diretora é Alemã, ja deve estar passando ai, claro. Ou ja ate passou.
      Bjos e obrigada pelo comentario.

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  6. Adorei a dica, bateu uma vontade de assistir.
    Super bjks
    Blog Carioca Básica

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    1. Legal Erika.
      Obrigada pela visita.
      Bjos

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  7. Todos os dias Deus nos dá um momento em que
    é possível mudar tudo que nos deixa infeliz
    e tristes.
    Para isso precismos ter esperança e acima de
    tudo muita fé .
    Com esperança e fé tudo pode mudar dentro de nos
    as coisas boas começa acontecer mudando toda nossa existência.
    Esse é um instante mágico quando passamos a ter fé porque Deus
    vem habitar dentro do nosso coração.
    Estou deixando essas palavras por ter muito
    carinho por você.
    Desejo uma semana abençoada.
    Beijos no coração,Evanir.

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  8. Fiquei agora com muita curiosidade de assistir e muito mais de ler o livro dela. Que deve ser mesmo o máximo. O que ela questiona tem que ser mesmo muito debatido na sociedade. Muitos colocam o corpo de fora com essa mesmo desculpa de ter sido mandado!
    Beijos
    Adriana

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