04 julho 2013

Elisabeth Savalla é a melhor parte da novela "Amor a Vida".

  Dor de cabeça, sinusite e muito trabalho. O que fazer? Dar um relax. Relaxo escrevendo. Infelizmente ainda não posso chamar 1 hora de esteira de "meu relax". Deveria. E ao escrever,  o que me vem a cabeça? A novela. Adoro televisão. Não a ponto de assistir tudo que passa, mas em geral, as novelas das 21h são de melhor qualidade em termos de dramaturgia, escolha de atores, a equipe toda.  Não vou dizer: tenho certeza, por que faz muito tempo que não assisto uma trama dos horários vespertinos. Cheguei a ver uns capitulos de uma novela de época das 18h com Camila Pitanga e outros excelentes atores, que parecia muito boa, mas em geral que eu saiba, é mais raro que isso aconteça.
  Sou condescendente quando escrevo sobre novelas,  quem lê fica com raiva e diz que o que estou chamando de bom é uma porcaria. Vide o estranhamento que causou quando falei bem da última novela de Glória Perez. Tudo bem, sou boazinha mesmo.  Por que reconheço que, embora movimente uns bilhões de dinheiros fazer uma novela, reconheço tb o trabalho de cada um, comparo com a vida, penso em termos macro. No desenvolvimento longitudinal de uma carreira, de ator, de diretor, de escritor e por ai vai.
 Outro dia vi uma espécie de enquete perguntando qual foi a melhor novela de todos os tempos. Tenho algumas preferidas. Mas considero que Vale Tudo por um lado, e Pantanal, por outro, foram grandes marcos, grandes mudanças na dramaturgia da tv.
                                                       Glória Pires, a fera de "Vale Tudo".
   Vale Tudo trouxe pela primeira vez o mau-caratismo sem disfarces. E Glória Pires como sempre, encarnou bem aquilo que lhe coube: a vilã ávida por ascensão social e por pura vilania. Era uma cobra a moça. Odette Roitman aquela que morreu e virou mistério, era sua aprendiz, ao invés de professora. Isso abriu uma porta, para deixar o açucareiro de lado, e mostrar que as pessoas tem lá suas ambiguidades. Todas elas, inclusive os personagens centrais de novelas da Globo.
  Já Pantanal foi uma grande e maravilhosa ousadia que deu certo. E só poderia ousar desse jeito, quem não estivesse na campeã de audiência. Poderia ser um fiasco. Uma novela passada no Pantanal.
                                                  Cláudio Marzo, o maravilhoso Velho do Rio
                                                                 de Pantanal.
Com o belíssimo Velho do Rio que Cláudio Marzo interpretou tao maravilhosamente bem. Acho que foi o melhor papel em televisão de sua carreira. Uma grande oportunidade de mostrar que não era apenas um "galã" por toda a sua vida. Ele era a alma de tudo aquilo, como personagem. Mas ali surgiram a suave e forte  Juma Marruá, Cristiane Oliveira, que virava onça. Cassia Kiss esplendorosa, com toda aquela força da natureza. Marcos Winter. Jamais esquecerei aqueles diálogos entre a onça Marruá que chamava seu marido de passarinho Tuiuiu e se perguntava: como uma onça pode ter alguma coisa com um tuiuiu? Ela se recusava a ter sexo com o rapaz e o achava muito frágil para ela. Ali tinha tanta gente boa reunida que falar de um e não desfiar um rosário inteiro é cometer uma enorme injustiça. Genial a trilha sonora. A direção de Jayme Monjardim em sua plenitude de pessoa arrojada e começando na televisão, com tudo, com a força. A presença do ator/compositor/ cantor sertanejo Almir Satter. Quem ha de esquecer "Ando devagar por que ja tive pressa"... Musica que ficou consagrada ali. Melhor que aquela novela acho que não vai ter. Mas quem sabe. Sempre surge alguém genial, uma bela hora, para desatar o nó górdio de forma mais criativa.
                                        Quem há de esquecer na novela da "Onça", o grande
                                         Antonio Petrin detonando sua mulher, a maravilhosa
                                                  Angela Leal? Ali tinha tudibom reunido.

  Voltando a "Amor a Vida" ( minha filha falando: "toda novela das 9h tem nome de vida é? Não. Teve Avenida Brasil"...): quando a vilania descarada surgiu na tela, chamava-se "Vale Tudo". Agora, com um vilão com garras mais potentes e psicopatas do que "Maria de Fátima" ou "Carminha", sem o passado redentor da pobreza ou da miséria do lixão de Avenida Brasil, a novela chama-se simplesmente "Amor a Vida". Ou seja, o vale tudo e muito mais ainda, já está incorporado ao viver das pessoas,  sem tanta surpresa. É,  o ser humano não presta nem um pouquinho.  Consenso geral, parece. Mas o fato é que começa a haver um certo exagero na ambiguidade de Felix. Não da para "salgar a Santa Ceia", desmunhecar, beijar homem e mulher, e finalmente,mandar matar seus inimigos, ou seus amigos e parentes que imaginariamente atravessam seu sofrimento desesperado de suceder o pai no hospital- interessante- ele já ocupa esse lugar de sucessor , mas teme ser desmascarado em sua homossexualidade abafada pelo  adorado pai  e  assim  perder seu posto de dono de império e de filho aceito- sem ficar um tanto o quanto over. Aí a gente não sabe mais o que sente pelo Felix. Deixa de ser simpatia e começa a virar horror. O personagem está precisando de uma melhor delineada. A vida real aceita seja o que for. Mas no papel, a coisa tem que ser melhor bordada, mesmo que o intérprete seja o máximo, e é. Senão perde a graça.
                                                     Savalla no tempo em que só sua beleza era
                                                     destacada e agora como a "chacrete do hot dog"
                                                      e mãe de "Valdirene."
   Assim sobra para a nossa alegria de espectador, o núcleo "hot-dog". Com a  "Delícia", a atriz excelente, Tatá Werneck,   consegue ao mesmo tempo em que faz a "periguete" dar a ela nuances tão diversas como a tristeza, a empatia com a ambição desiludida da mãe, seu amor por ela,  e também seu amor proibido pelo "Palhaço", já que tem que dar um "golpe da barriga" em algum ricão.
E quem é a mãe?  A espetacular  Elisabeth Savalla,  divina no personagem de ex-chacrete que não se deu bem e se vira, vendendo  e comendo cachorro quente para sobreviver.  Ao mesmo tempo em que engendra possíveis golpes sensacionais para a filha "liiiinnnnda" que tem,  ela acolhe e se apaixona pelo desmemoriado da rua. Se mostra sensual, apesar de banhudinha e jamais tão bela quanto sempre foi. Está roubando a cena sim. E ela merece. Enquanto era muito jovem, sempre fez o papel de lindinha. Mais madura, ganhou personagens de menor importância ou brilho. Como ela mesma diz:" chegou minha hora de mostrar que sou boa atriz", li outro dia em uma revista de cabelereiro. Chegou mesmo. Uma oportunidade de ouro, super bem aproveitada por esse talento extraordínário, emprestando exuberância ao seu personagem.  Dessas pessoas que mesmo sem conhecer , nos transparece uma personalidade interessante. Já ganhou. Por mim ela fica com o final feliz da trama.
Bom, ja descansei. Valeu. Fui.

( todas as imagens encontradas no Google)

15 comentários:

  1. eu adoro novela das 18h. atualmente não me entreti com a atual das 18h, acompanho mais a da 19h, sangue bom. e tenho amado saramdaia, o duro é driblar o sono. eu me assusto com o preconceito as novelas. as pessoas são bem mais condescendentes com seriados americanos. eu confesso que não sei daonde vem esse preconceito a produção nacional, seja cinema, novela, música, etc. muitos ainda acham que o que vem da europa é melhor e o seriado que vem dos eua melhor. preferir e gostar, ok. mas querer denegrir a produção nacional acho inaceitável. eu não segui pantanal, vi um pouco. e que novela linda. pantanal mudou o jeito de fazer novela. eu não gosto do dramalhão da novela das 21h. nem a personagem da elizabeth savalla é a minha preferida. o bom da variedade é que há novelas para todos os gostos. beijos, pedrita

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    1. É verdade Pedrita, a produçao nacional tem coisas belissimas. Os estrangeiros pelo menos dao valor ao que é feito aqui- se a gente nao der- ja faz muito tempo que nossas novelas e series sao vendidas no exterior. Lucelia Santos chegou a ser a mulher mais popular da China, ha 30 anos atras por causa de Escrava Isaura. O lance tb é ter tempo para assistir em certos horarios. Para mim o das 21h é o que da e nem sempre.
      Bjos eobrigada pelo comment.

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    2. comigo às 18h é o melhor horário, mais tarde tenho eventos então perco muito. só vejo qd gosto demais. a favorita eu perdi todos os capítulos que eram importantes, qual das duas era a vilã, o reencontro com o filho, enfim, toda vez q um segredo era revelado tinha um evento. frustrante.

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  2. Concordo com vc. A Elizabeth Savala é ótima e faz qualquer personagem. Seja rica como em Chocolate com Pimenta ou pobre como essa novela. Sem contar que a dupla que ela faz com a Tatá tá perfeita.
    Ótima quinta-feira!
    Big Beijos
    Lulu
    http://luluonthesky.blogspot.com.br

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    1. Pois é , a duplinha esta bombando!!!
      Otimo final de semana Lulu!!!
      Beijos e obrigada pelo comment.

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  3. Camille vim aqui agradecer sua visita lá em casa, com atraso eu sei, risos e encontro esse maravilhoso post, muito obrigado!
    Obrigado por reconhecer o trabalho das centenas de profissionais envolvidos na feitura de uma novela, mesmo quando a novela não seja lá essas coisas, acontece. Passei 22 anos da minha vida fazendo novela, não é fácil não!
    abs
    Jussara

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    1. Jussara que legal. O que voce fazia em novelas? São tantas areas espetaculares, que eu adoraria fazer todas, nem que fosse por um dia. De figurino a coninuidade esta valendo. Me conte, estou curiosa,
      Um grande beijo e grata por retribuir a visita,
      Cam

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  4. Camille, sobre produção de arte é muito longa a conversa, risos. No meu blog na tag Pessoal tem um post chamado "Meu ano será um filme" que está bem explicado o que faço e na tag "filme" eu compartilhei vários aspectos.
    bjs
    Jussara

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    1. Ah entao é produção de arte. Que legal. Vou ler. Bjos

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  5. ahahah... verdade!

    A parte que mais gosto é quando a mãe inventa e a filha olha para ela com cara de inocente, concorda e tenta. Sabe com que se parece?!?!?!

    Bipbip! Coiote e Papaleguas e as terríveis tentativas de golpes com a fantastica ACME... e tudo dá errado porque Coiote é pé frio! kkkkkkkk

    Beijos,
    Bipbip..... fuiiiiiiii

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    1. Heheheehehehehehe, Sissym você é uma graça!!! Bjos

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    2. De agora em diante, quando vc assistir as mirabolatens idéias entre mãe e filha vai se lembrar do Coiote e Papa-Léguas.

      Bipbip!

      Beijos

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  6. Eu não vi ainda nenhum cap. desse novela, mas a Elisabeth Savalla sempre arrasa em papeis cômicos e Pantanal está entre os marcos das telenovelas, essa eu vi e gostei muito. Adorei te receber lá. Boa semana.

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    1. Ola Ruby,
      Concordamos mesmo. Boa semana para você também!!!

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