06 junho 2013

Doméstica, tu vai ser minha doméstica...

Brincadeiras à parte com a letra de Eduardo Dusek, compositor que tenho a maior admiração, pela maneira sharp com que fala de tudo. Onde as pessoas tem pudores, ele mete o dedo. Assim tem também o rock do cachorro e por ai vai. Tem o Apocalipce: naquela manhã... acordei tarde de porre.... E tem as lindas músicas da Lâmpada Flutuante, quando tive o prazer imenso de te-lo como parceiro musical.

Bom voltando ao - "tu vai ser minha doméstica",, frase profética de uma letra muito boa: hoje acordei as 7.00h. Fiz o café da minha filha. E enquanto ela esteve na aula de Inglês, fiz todo o almoço. Sim almoço caprichado, nada de bife e arroz e feijão de ontem. E limpei toda a cozinha até ficar brilhando, em 1 hora.
Fácil. eficiente, limpinho e extremamente gostoso.  Não sei se conseguirei repetir a performance todos os dias. Tenho testado qual a melhor hora de fazer os serviços domésticos.
                                                  Chefes de família e nos seus empregos podem
                                                          aprender a ser "Chefs "em casa.

Continuo tendo uma diarista, que vem duas vezes por semana. Neste momento, os serviços dela custam mais do que uma empregada full time, e ela não dorme e nem cozinha. Mas lava e passa sem estragar a roupa. E limpa, de verdade. Sem que depois a gente olhe e diga -puxa-essa casa está imunda. Como era antes.
Mas é preciso mandar fazer também. A casa é nossa, a gente é que cuide. Segunda-feira de manhã estava eu pedindo para tirar a gordura do caninho que liga o gás do prédio ao fogão. Estava tão cheio de gordura, antiiiiga, que não dava para virar o botão que abre e fecha a passagem do gás. Agora está luzindo.
                                                       Conhece esses utensílios que ficam
                                                         no armário da área de serviço?

Li  que  essas novas leis iriam mudar os hábitos dos brasileiros. Acho muito salutar. A escravidão acabou faz tempo, mas percebo que em diversos Estados, é como se ainda estivéssemos em um período feudal. Não tenho ideia se a nova lei fará grandes mudanças nesses Estados, onde manda quem pode e obedece quem não tem outro recurso. Espero que sim..

Aqui em SP como essa mentalidade já não existia há muito tempo, onde as pessoas que vem trabalhar em nossas casas tem uma relação muito mais próxima do trabalhador de fábrica, do que das antigas "mucamas". A mudança não foi muita. Por que direitos e excelentes salários já eram exigidos. Sem muita coisa em troca. Percebo que aqui, será necessário mesmo, diante dessa relação patrão X empregado, que as pessoas se profissionalizem cada vez mais. E quem contratar,  terá uma profissional excelente, e portanto com o salário e as condições excelentes que ela está pedindo. Muito justo.

Por enquanto, a coisa está desigual em diversos aspectos. Como em todo começo. As empregadas domésticas que já tinham seus direitos garantidos pela lei da oferta e da procura, tem muito mais ainda. Em contrapartida terão que apresentar produtividade. Como em qualquer emprego.  Enfim, é isso. Cada um com sua luta ou sua lida.

Como falei antes, estou optando por esse sistema mais "europeu e americano", menos latino. Diarista profissional duas vezes por semana. E no mais,  a gente se vira.

Quando estiver bem apertada para entregar meus trabalhos de conclusão das duas especializações que resolvi fazer ao mesmo tempo, quero ver se terei essa disposição para tudo. Espero que sim. Muito gostoso poder fazer, por mim mesma alguns serviços da casa. A cozinha pelo menos, é o meu forte.

Quem sabe um dia estaremos fazendo alguma espécie de escambo: você troca fazer meus almoços da semana por limpezas de janelas e banheiros? Sim ou não. É uma ideia....hummm, será?
                                                    Escambo de serviços. Será que chegaremos
                                                                  a essa criatividade?

E que as pessoas que trabalham como empregadas domésticas sejam cada vez mais capacitadas para serem exigentes como quiserem. Boa sorte moças. Boa sorte a todos nós. É mudando que se cresce, em muitos sentidos.

E aí vai a letra irreverente de Eduardo Dusek. Onde se vê não só a submissão da mulher ao emprego doméstico, como às "taras do barão". E à cultura" gringa."Violência doméstica. Preconceito racial implícito. Nenhuma novidade na realidade brasileira. Mas há anos atrás só mesmo Dusek  teria coragem de apontar. Hoje, viva a Lei Maria da Penha. E viva a Lei das empregadas domesticas, para tirar a maior parte dos Estados brasileiros da quase escravidão. Vamos torcer para que, além de todos os direitos trabalhistas assegurados,  tenham boa moradia, fartura na mesa e Educação para seus filhos. Ah, e empregos, claro.

.

Doméstica

Eduardo Dusek

Foi trabalhar
Recomendada prá dois gringos
Logo assim
Que chegou do interior
Era um casal
Tipo metido a granfino
Mas o salário
Era tipo, um horror...
A tal da madame, tinha mania
Esquisitona de bater
E baixava a porrada
Quando a coisa tava errada
Não queria nem saber...
Doméstica!
Ela era
Doméstica!
Sem carteira assinada
Só caía em cilada
Era empregada
Doméstica!...
Nunca notou
A quantidade de giletes
Não reparou
A mesa espelhada no salão
Não perguntou
O quê que era um papelote
Baixou "os home"
Ela entrou no camburão...
Na delegacia
Sua patroa americana ameaçou:
"Lembra que eu sou
Uma milionária,
Eu fungava, de gripada
Não seja otária, por favor"...
Doméstica!
Traficante disfarçada
De doméstica
Era manchete nos jornais
O casal lhe deu prá trás
Sujando brabo prá doméstica...
No presídio aprendeu
Com as companheiras
A ser dar bem
A descolar, como ninguém
Ficou famosa
No ambiente carcerário
Com a mulata
Que nasceu prá ser alguém...
Pois não é que a
Doméstica!
Conseguiu uma prisão, doméstica
Saiu por bom comportamento
Mas jurou nesse momento
Vingar a raça das domésticas...
Então alguém
Lhe aconselhou logo de cara
"Dá um passeio
Vê se arranja um barão"
Porque melhor
Que o interior ou que uma cela
É ter turista e faturar
No calçadão...
Até que um dia
Um Mercedinho prateado buzinou
Era um louro alemão
Que lhe abriu a porta do carro
E lhe tacou um bofetão...
Doméstica!
Virou uma baronesa
Doméstica!
Mesmo com as taras do barão
Segurou a situação
Levando uma vida doméstica....
Realizada em sua mansão
Em Stutgard
Ouvindo Mozart de Beethoven de montão
Com um pivete
Mulatinho pela casa
Que era herdeiro
De olho azul como o barão...
Precisou de uma babá
Botou um anúncio
Bilíngüe no jornal
Seu mordomo abriu a porta
Uma loira meio brega
Uma yankee de quintal...
Doméstica!
Era a americana, de doméstica
A nêga deu uma gargalhada
Disse:
"Agora tô vingada
Tu vai ser minha
Doméstica"! ...(2x)

Todas as imagens de Can Stock Photo, encontradas no Google.

6 comentários:

  1. eu acho arroz feijão uma refeição caprichada. tudo bem, gosto de unir verduras e uma carne, mas feijão e arroz é muito caprichado e pouco calórico. não está fácil ter uma empregada direto pelos custos, mas já estavam elevados antes da lei. concordo com vc q em lugares longínquos deve ser mais complicado, mas tb não há como fiscalizar. e as novelas devem ajudar nesse processo. canso de ver novelas o personagem chegando quase 22h e a empregada de uniforme perguntando se quer alguma coisa. desconheço domésticos q ficam até tarde. em geral vão embora às 15 ou 16h. só qd tem criança q esperam algum adulto chegar. mas não ficam tanto assim não. pra dormir então é o q mais falta e é onde a relação fica mais complicada para os dois lados. beijos, pedrita

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    1. É mesmo, as novelas dão exemplos absurdos. Minha experiencia tb é de pessoas que saem as 16h ou antes. Quanto ao arroz e feijao, adoro. Mas me referia a uma refeiçao feita ontem( e vou te contar, a empregada que estava aqui tinha mania de congelar feijao, coisa que nao gosto, por que nao sabemos direito os processos de conservaçao. Mas sempre visando nao dar trabalho. Passava o dia inteiro descendo para fumar e falando ao telefone. Essa ultima foi braba e entrou e a lei chegou em seguida. Parecia uma loba furiosa aqui dentro de casa. O que acho pior em ter uma empregada fixa, é o desperdicio total em comida, produtos de limpeza e outros itens. Tudo desaparece ou é gasto em vão. Meu cartão de credito com contas de super mercado do mes passado foi definitivo na minha decisao. A faxineira duas vezes por semana é mais "cara" do que uma pessoa fixa , em compensaçao a casa fica mais limpa e diminui muitissimo os gastos. Socorro. Estava assustadora a coisa. Por isso que penso que tem que profissionalizar. Bjos Pedrita!

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  2. O começo é mesmo difícil, mas torço para que esta classe de profissionais torne-se cada dia mais profissional, que é para fazer jus ao preço do serviço. Talvez se fossem profissionais agenciados, treinados e tivessem uma fiscalização de desempenho, funcionasse melhor... Não sei. Sei que profissional bom e bem capacitado tem de ganhar bem, em qualquer área, serviço mal feito que custa caro é que não dá.

    Também gosto de cozinhar, limpar é a parte chata. Aqui pagamos ajuda de fora e ainda assim as tarefas são bem dividas com meu marido, afinal não há outra opção e como somos adultos inteligentes, ninguém precisou fazer "discurso" pra ninguém para perceber que cada qual tem de fazer a sua parte. Estamos educando as crianças pra isso também. Aprenderão, além disso, pelo exemplo.

    O mais interessante foi sua proposta de troca de serviços. Limpo seu banheiro a hora que precisar se vc fizer um prato bem goumert pra mim!
    Essa ideia é genial e já existe aplicação, por acaso está se espalhando e compartilhei um link a respeito disso hoje:
    Estudante lança na internet rede colaborativa de troca de tempo

    Aqui o vídeo: Bliive

    Bjs, Cam! Vai pensando no prato gourmet, hein? hahaha Tem de ser surpresa!

    Michelle

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  3. Que legal, voce deixou aqui o link do video? Acho essa ideia muito boa, para aprender linguas, para baby sitter, aulas de sei la o que, ajuda em trabalhos intelectuais, coaching de sei la tb, podemos criar uma grande agencia de trocas nesse sentido. Acho que estamos bem na epoca de fazer isso mesmo Trocar competencias, nos ajudar com aquilo que sabemos. Vamos pensar nos pratos gourmets...Ui!! Não estou com essa bola toda nao. De cabeça invento. Para fazer algo chiquerrimo para voce tenho que catar receita tanto quanto voce cataria.... Bjao querida.

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  4. Nem lembrava dessa música Camille.
    Hoje em dia com esse PEc das domésticas, manter diaristas e empregadas pesam no bolso.
    Big Beijos
    Lulu On The Sky

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  5. É essa música é do fundo do baú... mas é muito ironica, como tudo que o Dusek faz, onde aponta preconceitos de todas as formas na nossa cultura. Bjos Lulu. Tenho acompanhado teu blog. Está bombando!!! Parabens!!!

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