29 maio 2013

Reclamar por seus direitos, ça marche. Em Paris, aqui ou em qualquer lugar, você merece o melhor.

   
Sexta-feira passada voltei de uma viagem ao exterior das mais nobres: fui assistir ao casamento da minha irmã mais nova. Isso  me deixa muito feliz: ela está há cinco anos em Paris, trabalhando em uma empresa de grande porte, em cargo de extrema responsabilidade e perícia, viajando pelo mundo. Conheceu o amor de sua vida, também de outra nacionalidade. Comprou apt com dinheiro próprio, enfim, tudo de bom. BenzaDeus. Boa sorte e grande futuro,  minha querida. Que o presente está lindo-maravilhoso, como você merece.

Ao voltar me deparo com o de sempre: transito de tirar do sério,  de Guarulhos a Moema...mesmo saindo as 7.00h do aeroporto. Tudo bem, são muitos os trabalhadores indo ganhar o pão de cada dia. Que bom.

No final de semana, fiquei em casa. Com a exceção de um almoço de domingo com uma amiga. Em cinco minutos rebocaram o carro dela, que sem perceber, parou em local impróprio,  próximo ao bairro Cidade Jardim. Quanta eficiência. Igual eficiência,  vejo na capacidade de multarem a nós todos, motoristas, por qualquer coisa que seja. E até em lugares que nem fomos. Radares sensíveis.... e as vezes equivocados. Isso é forma a de melhorar ou capacitar o trânsito? Pelo visto, não. ( Ressalva a" lei seca". Dirigir alcoolizado é crime:  o carro se torna uma arma)

De ontem para hoje assisti a mais um pós- acidente na Av. Paulista. As 18.30h uma mulher estava caída no chão, havia também um motoqueiro agachado. E uma espécie de jipe do Corpo de Bombeiros para socorro. Não dá para saber sem perguntar, e nada vi no noticiário de hoje na internet. Talvez já seja corriqueiro demais? Pode ser.

Hoje passando pela Al Sarutaiá, no cruzamento com a Joaquim Eugênio de Lima, onde não há sinalização  para pedestres ou motoristas, assisti a uma batida forte:  um mulher vinha pela Joaquim, possivelmente perdeu o freio no dia chuvoso, um homem cruzou a Sarutaiá, provavelmente sem muita atenção- eu estava logo atrás dele, só que parada. Dali o transito parecia calmo. Mas quem ia adivinhar que um carro e em seguida, dezenas deles se aproximavam ? Deveria ter ao menos um espelhinho, não sei. Mas como está, a coisa não funciona. Ela acertou em cheio a lateral do outro motorista. Pensei que tivesse morrido. Mas ainda bem, foi só a perda daquela lataria. O moço saiu ileso pelo outro lado. Enquanto isso, a moça, alta,  gola de oncinha e rabo de cavalo enorme, esperava de mãos na cintura. Quem será que estava certo? Não tenho a mínima ideia. Mas os dois levaram um grande prejuízo. Além do conserto do carro, tem o estresse sem fim. Mais um pouco.

 Falar nisso, algumas horas depois, estou numa saída de estacionamento, e em uma outra, uma mulher freia, para tomar impulso na ladeira, ou acidentalmente o carro parou, tudo pode ser. Mas o fulano que está atrás nem quer saber: o que me fez dar conta da parada repentina,  foi uma buzina ensurdecedora e contínua. O sujeito se atrasou por alguns milésimos de segundos por que o carro de uma estranha ousou brecar na frente do seu. Ela sái do carro e berra para ele:"está loooooouuuucooooo???!!!!" Na esquina ainda se ouve a gritaria dos dois. Já vi mais de uma vez motoristas se pegarem no tapa por aqui..

Uma vez escrevi que o povo mais símpatico do Brasil é o paulistano. Quem aguenta a tortura do cotidiano? A falta de noção da coisa pública, a definir nossa qualidade de vida, paguemos impostos,  ou não.

  Dizem que o francês é antipático. Talvez seja. Mas ao falar-o  francês- estamos nos referindo a quem?
Provavelmente ao parisiense que vive também seus estresses dia e noite, na cidade mais visitada do mundo. Cidade européia onde tudo mais ou menos parece funcionar, o respeito humano já está num patamar que desconhecemos, seja por  educação, ou respeito a Lei que procura não deixar impunes os atos mal-feitos. Mas uma coisa é certa, eles também sabem reclamar. Doeu no bolso? Se achou injustiçado? Reclama. Coisa que também se aprende. Respeitar e ser repeitado. O que vem primeiro? Aqui se reclamamos de alguma coisa somos mal-humorados, sem espírito esportivo. Rabugentos. Quem sabe, deprimidos até. Será que isso é herança da ditadura militar? Ou saga de país colonizado? Temos essa menos-valia que transparece em cada "deixa pra lá". No silêncio angustiado de cada esquina.

  E a violência cresce. A invasão de estrangeiros ilegais, idem. Uma espécie de " precariado" toma o lugar e baixa os salários à força de muita mão de obra quase grátis se oferecendo. E... vem aí a democracia:  empregadas domésticas com seus futuros fundos de garantia. Muito justo, de verdade. Mas e  a capacitação profissional,  o governo vai fornecer? Vai haver formação de pessoal?  Ou vai continuar a guerra civil  e a luta de classes dentro de casa? Os queridos governantes fazendo cortesia com o chapéu alheio, dessa forma?
                                       
   Por isso, estou optando por uma faxineira duas vezes por semana. Uma prestação de serviço que hoje já é  mais profissional. É também o que se tornou viável. Aqui os salários são altos. Aponte alguma empregada no cenário da classe média paulistana, que ganhe apenas o salário mínimo. Por outro lado, você sabe quanto ganha um professor? Um psicólogo? Enfim, alguém que tenha tido- em se tratando de Brasil-  o privilégio- de estudar, e muito,  para fazer o que faz? Sejamos justos,  de forma ampla, geral e irrestritamente. Quem vai pagar pela mínima qualificação da empregada doméstica? É preciso pensar nisso também. Por que em contrapartida, daqui a pouco será exigida.

Não é dizer que cheguei de Paris metida a besta com nosso país. E que  lá tudo é lindo e nada de ruim acontece. Estou até para fazer uma reclamação:

Ao viajar investigue bem e coloque em contrato prévio, qualquer coisa com o Hotel Aida Marais. Minha experiência ali não foi boa: não fica no Marais de modo algum, e sim próximo da Republique. Próximo, não que dizer pertinho.

O Marais, propaganda-enganosa-no-nome-do-hotel,  é um bairro cheio de atrações, além de dar fácil acesso para muitos outros,  interessantes ao turista. Esse canto onde fica o Hotel Aida "Marais" , faz com que você pegue um metro, um táxi, ou quem sabe até um skate, para chegar mais rápido, por que qualquer coisa é longe dali. Não é só: os quartos não são necessariamente como o da fotografia. Fiquei em um de péssimo gosto, azulejado,  "ainda não reformado",( não existe esta explicação no site. E nem ao telefone me informaram que a disponibilidade existente se referia aos quartos-feios) sem calefação ou cofre funcionando.
       EVITE O ESTRESSE DESNECESSÁRIO:  INVESTIGUE ANTES, O HOTEL QUE VAI FICAR.

E o  recepcionista-único-empregado-da-noite- já- imaginou- uma- emergência(? )sem boa vontade de mandar consertar, ou simplesmente como no caso do "chaufage", pedir a alguém,  logo na manhã seguinte,  para ligar corretamente. Passamos frio de verdade. Dor de cabeça, dor de garganta. Por causa de gente sem respeito e sem noção do que seja minimamente, bom atendimento. O sujeito respondeu após a minha constatação de não saber como ligar o aquecimento : "para nós não está mais frio". Nós quem,  cara-pálida? Nós brasileiros, temos outro termostato. E está mesmo um frio de rachar no termômetro. Além do mais,  somos hóspedes e por sinal, bem pagantes. E quanto ao cofre? "Você é a primeira pessoa que reclama do cofre". And so what? Rien, de tout. Nada foi feito até a hora de ir embora.

Por isso e muito mais, que vou poupar de dizer, seria um contra-senso no momento,  deixar de alertar os leitores dessa situação acontecida logo em um país onde as pessoas tem a maturidade do desenvolvimento, e portanto, sabem reclamar.  Conheço alguns hotéis na França. Os que tentei., estavam todos lotados. Desconfiei da disponibilidade de vagas desse único hotel "três estrelas", e também do preço,  inferior a um outro, que não se faz de estrela-mas é muito do bom, no Marais de verdade, onde fiquei no ano passado, quando viajei para visitar uma clínica..

Um hotel 3 estrelas em Paris, em geral,  tem a maior dignidade. Já dizia meu cunhado, grande e chiquérrimo viajante: não precisa de mais.  A menos que... você esteja num desses, que usa o fato de não ser cinco estrelas, para fazer o turista desavisado se sentir nada bem vindo na cidade-luz. Como é possível?
                                        A cidade continua linda. E o povo sabe exigir seus direitos.

Treinamento vai bem., Em todo lugar onde as coisas não andam como deviam. Aqui, ali e acolá. Me ofereceram um café da manhã de graça ( mais isso- não está incluído na diária, veja lá)  em função de "todos os aborrecimentos que passei". Estou falando de criança com dor de garganta e enxaqueca na adulta aqui, por dormir com um mísero edredon, por quatro noites. E não só. Mas paro por aqui mesmo. Cansei de reclamar.  Não quero ser taxada de chata, mau-humorada ou quem sabe, deprimida e rabujenta. Torço para que tudo melhore muito. U-la-lá. Comme ça ne marche pas. Como está  não funciona, mesmo.


11 comentários:

  1. Há muito para refletir aqui, Cam. Realmente é muita falta de pensamento crítico taxar quem reclama de "chato". Reclamar, como ato, mais que isso, como atitude mesmo (que uma antiga professora psicóloga dizia que atitude não se toma, atitude se tem), tem perfeita funcionalidade. Deixar pra lá sem dúvida é que é uma chatice e não resolve nada, só mostra até que nível um povo consegue resignar-se à mediocridade dos serviços.

    Vivo em Lisboa e por aqui posso falar da minha experiência, que não vou vincular à nacionalidade pelo mesmo motivo que você expôs ("estamos falando de quem?"), aprendi com o povo daqui que quando é preciso tem de reclamar MESMO. É o mínimo exigir a qualidade do serviço que merecemos, porque exercemos cidadania. É só organizar os argumentos e a oralidade num bom português e abrir a boca a falar. Ora essa...

    Delirei com o post, gosto de quem fala e faz acontecer. E com a audiência que você tem, é o melhor.

    Bjs e tá anotado o nome do hotel frio e enganoso! Qdo fui, fiquei num ap, mas o atendimento foi 5 estrelas, olha que não precisava. Cara super atencioso e bem disposto a falar inglês. E o secador de cabelo foi uma experiência incrível, hahaha. Pleno inverno e véspera de Natal.

    Michelle

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  2. Pois é Michelle, ja pensou se fosse epoca do Natal? Ai matava mesmo. Mas sua professora pegou no ponto: atitude. O que não contei no texto foi que no ultimo dia que dormiriamos la, na quinta noite, enviei um email para as reservas do hotel.O email que eu tinha do Brasil, relatando o fato, as várias tentativas com o funcionario desdenhoso, expliquei que era minha ultima noite ali, que tinha vindo para uma festa de casamento e que aquilo tudo me atrapalhou demais e que tomassem providencias imediatas para que eu tivesse pelo menos uma noite boa ali, no fim da viagem. Ai imediatamente mandaram o tal nigeriano. A unica pessoa bacana do hotel, que me contou nao so da falta de funcionarios, como tambem do fato dele estar ali todos os dias disponivel para consertos e que nada naqueles 4 dias havia sido dito a ele.Ou seja, não era falta de recursos do hotel. É falta de recursos humanos mesmo, treinamento, consideração. E isso vem dos donos e naõ dos funcionarios. Entao foi enviando um email bem explicito, em que a coisa fica registrada, é que tomaram providencia. E a coisa do reclamar, realmente. Uma regra basica do marketing: se uma pessoa ficou contente com um serviço ou produto ela conta para cinco, se ela ficou descontente espalha para doze pessoas. O que esse hotel esta fazendo? Destruindo-se. Falar deles aqui é um beneficio. Devia cobrar pela propaganda e pela consultoria.Quem detesta uma coisa, em geral passa a ignorar, não dá nenhuma dica e não volta nunca mais. Ponto. Ter atitude com relaçao as coisas, é ter comunicação, é fazer a coisa fluir. E ter com isso, respeito proprio, claro. Senão vem um trator e passa por cima, mesmo. Bjao querida. Obrigada pelo comentario tao bacana.

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  3. Felicidades para a sua irmã. beijos, pedrita

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  4. (sabe que curiosamente o que mais me chamou atenção no texto foram as brigas no trânsito, até voltei para ler de novo... Vc reuniu um punhado num texto só, imagine se fosse reunir tudo que já viu... Fiquei perplexa. As coisas vão de mau a pior...)

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    1. Pois é amiga,
      Fiquei chocadérrima. A badita no cruzamento foi um estresse presenciar aquilo, um pancadão A dupla berrenta na ladeira do estacionamento idem. O pos-acidente na Paulista realmente está se juntando a paisagem dia a dia. É um desaforo da prefeitura deixar esse nivel de perigo acontecer todos os dias e perder tempo com excesso de multas....É de ficar perplexa mesmo. Bjos ( aqui é feriado hoje, oba)

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  5. eu vi a tua lista de blogs, parece q está configurado diferente do meu. eu peço pra aparecer como imagem. não sei se tem como aparecer o último post. parece q minha outra configuração é por ordem de postagem e não por ordem alfabética. vai ver q é por isso q fica diferente.

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    1. Ah legal, vou tentar mudar. Tem que mudar cada pessoa que esta linkada nao é? Bjos

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    2. não, creio que a forma de visualização é selecionada e vai para todos automaticamente.

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  6. Não conheço Paris, mas sempre ouvi falar que os franceses não gostam de fornecer informações para estrangeiros em outra língua que não seja o francês. Qto a cultura é diferente. Aqui reclamamos demais, porém não sabemos respeitar o próximo. Basta você ver quantos motoristas desrespeitam a faixa de pedestres, passam no farol amarelo e vermelho, estacionam em local proibido. Fica difícil.
    Ótimo dia pra vc.
    Big Beijos
    Lulu
    http://www.luluonthesky.blogspot.com.br

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  7. Isso é fato Lulu. Não gostam de serem parados na rua. São estressados como nós- os parisienses-e não a França inteira. E muitas vezes não sabem outras linguas. A gente fica pensando que eles são poliglotas. A maior parte da população do mundo inteiro so fala a propria lingua. Vai ver o amaricano fala outra coisa que nao a "lingua universal", que daqui a pouco ha de ser o Chines, ou o Espanhol e quem sabe o Portugues.Mas por enquanto a gente tem que se virar mesmo. Quanto a nossa falta de educação para o minimo, tb concordo. Custa ser um pouco mais civilizado? Parece que custa ne? No meu caso custa mesmo: estou com cinco multas e so uma reconheço- andei um dia com o carro na hora do rodizio. Foi uma emergencia e dancei. As outras não vou me alongar nisso, mas são absurdas mesmo. Bjos querida. Bom final de semana!

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