03 novembro 2012

E se vivessemos todos juntos? Seria a solução?

   Passei a prazerosa tarde as voltas com a Cultura.  A livraria mesmo. E a cultura também.  Ali virou um canto bom, eu que reclamei tanto quando fizeram  a  loja grande em detrimento das lojinhas espalhadas- que ainda sobrevivem algumas- agora gosto. Comprar livros importantes para meu conhecimento, fazer um lanchinho na lanchonete la dentro  e ainda poder ir ao cinema de lá,  é  gostoso.
 
Detalhe crítico: o cinema está caído,  por que?  A sala de espera com sofas encardidos,  tapete peludo-de quem foi essa idéia infeliz?- cheirando a mofo. E a sala também com cheiro ruim entre o mofo ou o esgoto,  não sei.  Preferi pensar que era mofo.  Mas os banheiros, por exemplo, estão bonitinhos e limpos.
 Então vocês aí da Livraria Cultura,  tratem de arrumar a casa.  Que feio. E quem reclama é porque quer bem. Que não está  nem aí, simplesmente não volta.
                                    Jeanne  e seu marido que perde a memória
 
O que assisti é o melhor da festa:  "E se vivessemos todos juntos?"  Fiquei na duvida entre assistir ou não, por que de ouvi falar em Jane Fonda,  pensei que fosse um filme  americano e se assim fosse,  seria outro o tratamento dado a tudo.  O francês é mais profundo, embora seja mais sutil e avesso as piadinhas bestas que os americanos tanto gostam de fazer para amenizar a dor.  Como se a representação e a interpretação daquilo que é dor tomasse um prozac. Outra cultura, a  francesa , outro olhar. O que torna a proposta natural  e viavel. E o filme, é francês.
  
Dois casais de idosos  e mais um amigo, sentem o peso da velhice, por diversas circunstancias: uma  está doente, o outro ficou sem memória, com  alguma enfermidade que comprometa essa função tão importante.  Como amigos unidos e queridos, vão vendo uns nos outros a idade e suas mazelas  fisiologicas e emocionais:  a solidão que pode causar , principalmente sobre aquele que não tem  par.
                          O estudante de etnonologia que se torna amigo e confidente
  
Para  resumir,  decidem viver todos juntos,  no momento em que vão  visitar num asilo  o tal amigo sozinho, que acabara de sofrer um enfarte. Assim,  numa linda clinica- castelo, provavelmente daqueles do Vale do Loire,  veem as feiuras da  velhice sem autonomia, cuidadores num trabalho mecanico,  tristeza e  monotonia. 

 Vão para  a casa da personagem de Geraldine Chaplin e seu marido. Como Geraldine esta velhinha...  Mulher francesa não usa  botox. Para quem teve a oportunidade de ver antigos filmes de Carlos Saura,  de quem na epoca Geraldine era musa e esposa,  se espanta ao ve-la agora com rosto bem marcado, dentes escurecidos,
mas fora a  imagem corporal parece  a mesma Geraldine de sempre, talvez melhor  atriz,  mais a vontade do que  nunca.
                                 A  nova  formação de familia. Linda, adorei.

O mesmo posso dizer de Jane Fonda,  com um Francês  excelente ( foi casada com Roger Vadin,  a apreensão do idioma deve vir dali, suponho)  e uma interpretação enxuta e convincente.  Quem  a viu em histrionico papel ,  no  americanézimo " A Sogra",  vai se surpreender com a capacidade de Jane Fonda de continuar sendo boa  atriz, tranquila, serena, ainda  sexy dentro de um conceito mais amplo, do que uma "siliconizada"  de 30,40 anos. Mas humana,  inteligente, comovente,  contidamente engraçada. Ela está  ótima. Não me surpreenderá  se um Oscar vier por aí,  junto com premios europeus.

 É um  filme que veio para ficar.  E dá prazer de ver Jane Fonda  finalmente assumindo, nem que seja numa intepretação, que não tem mais idade de ser filha dela mesma,  e nem obrigação de se parecer uma "Barbarella" recauchutada  para ser feliz, ser alguém, ser reconhecida. Ao contrário,  é abrindo mão dessas máscaras que ela se  mostra mais bonita e  mais talentosa.  Palmas. E junto com Geraldine não são a unica atração.

Todos estão excelentes, os atores  que representam os idosos  e o ator  que faz o jovem doutorando em Etnologia, que  depois  de ser contratado para passear o cachorro, passa a morar na casa para  fazer pesquisa etnologica/ etnografica,  da vida de idosos na modernidade,  no espaço urbano.

Sob esse pretexto temas-tabus vem  a tona,  como a sexualidade na maturidade, suas fantasias ,  seus sonhos, sua vida plena, enfim. Sem aqueles pudores de -ai olha ali, respeita os velhinhos.  Isso sim é desrespeito-segregar, encostar,  pela idade ou qualquer outro motivo. 

A presença do rapaz pesquisador aponta mesmo para o fato completamente indiscultivel de que,  apesar das dificuldades que vão surgindo,  somos todos  farinha do mesmo saco:gente.  Que pensa, sente,  deseja,  na idade que for. 
                                    Quanto mais desfolhada uma rosa,  mais aparente o
                                          seu miolo. Ou seja, é no fim que
                                                  a essencia se  destaca

Um filme cheio de esperança para quem quer  estar vivo até a velhice chegar. 
Numa época em que se discute novos conceitos de familia,  super interessante pensar em uma  forma  de  convivência,  que nao só aplaca  a solidão, mas promove ajuda mútua, o apoio de quem vive as mesmas questões, e tem  as mesmas referencias  culturais, o que apazigua a angústia e a sensação  de fim.   E aponta para uma alternativa muito saúdável  ao  asilo, que sempre promove uma "higienização social": tranquemos os  velhos,  os loucos,  os criminosos. Todos na mesma categoria? Loucura é crime?  É crime envelhecer?  Absurdo.

Em  determinado  momento o personagem  de Jane Fonda- Jeanne,  diz: "temos  seguro de casa, de carro, de vida.  Mas não paramos para pensar o que seria  a nossa velhice  e o tempo passou rápido demais".


Pois tratemos de pensar já ,  um dia a velhice  chega  e quanto mais preparados estivermos,  melhor. Cuidemo-nos. E pensemos.  O futuro distante, um dia estará bem próximo. Que até la, já estejamos mais sábios. E menos enlutados com aquilo que é tão natural.  Assista o filme,  e a  uma possibilidade que diz respeito a todos nós.

Fotos de  divulgaçao do filme. Foto da rosa  encontrada no Google, ja tem oscreditos impressos.

9 comentários:

  1. li em um blog q uma pessoa queria ver esse filme. eu compro mais livros pela internet ou sebo. em livrarias muito raramente. até porque os preços pela internet são mais convidativos. às vezes até na livraria cultura. pesquiso antes onde está com promoção. beijos, pedrita

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  2. Oi querida, obrigada pela sugestão. Eu tb compro praticamente so em internet, por falta de tempo de fazer essa delicia que é rodar uma livraria. Ontem havia um livro do Kafka que continnha um conto que não estava on-line como possibilidade de busca e nem no google dava a entender em que livro poderia achar. Assim, fui pessoalmente. De qualquer forma, foi uma delicia. Os sebos de internet que conheço vendem muitos livros novos e o frete as vezes é bem grande, por ser pessoa a pessoa. Repara só, se voce nao ganha no livro e dança no frete.
    Bjao

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  3. Olá, querida
    Hoje mesmo comentei que tem uns 2 anos que não vou ao cinema...
    Ler, nunca parto...
    Obrigada por compartilhar algumas sugestões...
    Bjs de paz e bem

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    1. Obrigada querida,
      Va ao cinema sim, as vezes tem um filme imperdivel como esse. E é tao bom sair de casa nao é?
      Beijos

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  4. Fiquei interessada em ver o filme Camille, mas estou numa fase tão dentro, com prazos gritando junto aos meus calcanhares. Quase impossível pra mim pensar em outra coisa que não seja escrever e ler...
    Enfim, tentarei no próximo mês, dezembro é sempre pra fora mesmo. rs

    bacio

    Ps. Você me fez lembrar do filme "mensagem para você" com o seu comentário acerca da Livraria Cultura.

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  5. Novo livro? Bom assim, produzindo. Esse filme vale a pena. Muito bom. Me lembro do Mensagem para Voce. Livraria pequena x uma FNAC da vida. Bem interessante. Havia no Rio uma livraria para crianças tao linda, com contadores de historias todo dia as 17.h.
    Nao existe mais, virou uma loja qualquer no lugar, se nao me engano, de joias. O que vale uma jóia diante da formação de uma criança nao é? Mundo cao.
    Bjos

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  6. Cam, eu acho que deve ser um filme que fala ao coracao.

    Bjos

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  7. E como a vida passa depressa demais! Tudo parece que foi ontem.
    Mas, acho que o importante é estar de bem com a vida. Feliz com alguém ao seu lado. E é exatamente assim, depois de anos, passamos a ser cuidadores, antes de amantes. Sentimos até nos respirar do outro, quando algo está diferente, portanto, precisando de observação. Sem contar o medo de ficarmos sózinhos, de um momento para o outro. Mas é, sentir, e perceber que é normal, que é o ciclo da vida. Cara esticada, nessa altura da vida, é o que menos tem valor.
    beijos

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    1. Anônimo16:47

      Concordo com voce Aninha. Observar essas sutilezas no sentir do seu par, é muito bacana. Vocês são um lindo casal. Nao sei de quando e este comentario, mas hoje é dia 19 de junho de 2016. Antigamente o blog não tinha espaço para comentários. E eu custei a ter a ideia de responder a todos, quando passou a ter. Bjosss querida. ( Que engraçado, nao estou logada no blog. Vou responder como anonimo mesmo....

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