25 outubro 2012

O povo Guarani-Kaiowá precisa de ajuda para viver.

Repasso a  matéria desse jornal, parece bem clara. Leia, se informe.  A realidade é feita da luta de diversas realidades possíveis, uma vence.

No Mato Grosso do Sul, decisão da Justiça Federal leva indígenas a optarem pelo extermínio e extinção total

23/10/2012 18:25, Por Adital
Na carta, enviada ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), 170 indígenas destacam uma decisão definitiva: não vão sair de suas terras nem vivos, nem mortos. Cientes de que não vão ter acesso legal às suas terras, já se consideram dizimados, prontos para estarem nos cemitérios onde estão seus ancestrais. Pedem, ainda, tratores para cavar um buraco onde seus corpos possam ser enterrados.
O motivo? A Justiça Federal, representada pelas instâncias competentes, despachou uma ordem de despejo em claro sinal de atendimento aos fazendeiros que ocupam ilegalmente a área onde os indígenas estão acampados, à margem do Hovy, perto de suas terras originárias.
Mesmo com a repercussão, o coordenador regional do Conselho Indigenista Missionário – Mato Grosso do Sul, Flávio Machado, informou que nada formalmente foi feito para impedir a ação de despejo. A situação, portanto, continua a mesma.
“Em termos de encaminhamento não houve absolutamente nada. Nada foi feito. O que houve é que a carta ganhou repercussão. Mas quando se fala em morte coletiva, isto se dá em duas frentes: o de resistir no território, já que eles não vão sair de lá, e na descrença no Poder Judiciário”, falou à ADITAL, Flávio Machado.
O suicídio, de fato, explica Machado, é praticado há anos entre o povo Guarani-Kaiowá. A situação lá é muito séria. “Esta aldeia já foi atacada três vezes e nenhuma das vezes o assunto foi considerado como genocídio. O que é uma injustiça”, completou.
A Carta
O documento é assinado pela comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay. Nela, 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças falam de sua situação histórica e de uma decisão definitiva diante da postura da Justiça Federal.
“Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira”, afirma um trecho da carta.
De acordo com o posicionamento dos povos indígenas, o suicídio é o único caminho. Um suicídio coletivo induzido pela falta de atenção, pelo desrespeito aos mais básicos dos direitos humanos, o direito à vida.
“A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui”, continua a carta.
Por fim, os Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay – que atualmente estão em 45 mil pessoas – pedem à Justiça Federal sua extinção e dizimação. “Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS”.

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4 comentários:

  1. É mesmo um absurdo. Tantos brasileiros estudiosos da mitologia grega e a nossa mitologia, necas. Em geral, uma nação que despreza parte de sua origem não segue bom caminho.

    Bjs, já compartilhei.

    Michelle

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  2. É isso mesmo. Me sinto envergonhada, por que so soube dessa historia tão recentemente.Deveria estar ligada na população indigena que habita esse país, em todas as populaçoes que vão sendo desprezadas, humilhadas, aviltadas. O futuro se faz hoje mesmo. E estamos colhendo os olhos fechados do passado. Quem não conhece a propria história, tende a repeti-la, já profetizaram as grandes cabeças.Verdade, a nossa história acaba sendo uma mera repetição, sem elaboração, sem amadurecimento. Mudemos isso,todos nos.
    Bjos

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  3. Camille,
    Estou há dois dias militando por eles lá no Facebook, pois é um absurdo, uma injustiça, uma desumanidade.
    E ainda vemos uma mídia ausente, sem nenhuma participação social, jogando pro povo somente sobre novelas e futebol, que nojo!
    Mas, hoje já começa a fazer efeito o que muitos militaram pelas redes sociais e o MPF recorre contra decisão que obriga retirada de índios Guarani-Kaiowá de fazenda no Mato Grosso do Sul. Mas esta medida deve ser suspensa até fim de estudo que pode comprovar que terras são tradicionalmente indígenas. Pelo menos eles vão dar um basta nos suicídios entre eles.
    Também estou falando sobre isso hoje em meu blog porque precisamos utilizar todas estas ferramentas de mídia para a luta dos mais fracos.
    um beijão carioca


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  4. A situação dos Guaranis está muito ruim mesmo. É muito triste. Vamos torcer para que o nosso movimento nas redes sociais os ajude e pressione o governo local e federal em favor dos Guaranis.

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