29 março 2012

O QUE VOCÊ FARIA COM 20 SEGUNDOS DE CORAGEM?



Ele paralizou literalmente, no meio da rua, ao avistar através da vidraça, a mulher mais linda desse mundo. Corta. Vemos uma moça comum, como qualquer uma de nós. Bonita ou talvez"bonitinha". Logo no lugar onde todo mundo é lindo e louro ou lindo e black: na terra de Will Smith. E aí, o moço, no arroubo dos seus 20 segundos de coragem, entra no restaurante e pergunta : por que uma mulher surpreendente como você falaria com um homem feito eu? Ela diz: e por que não?

Nisso eu já estou chorando aos borbotões por que o filme está chegando ao final. É o viúvo Matt Damon contando aos seus filhos como conheceu a mãe deles. No momento em que o luto já foi elaborado e pode-se falar alegremente sobre o assunto, por que tudo deu certo. Até aquilo que era completamente duvidoso. É hollywood.

"Compramos um Zoológico" é um filme que assisto com prazer. Além do mais, a história é verídica. Talvez não tão bonita e atraente quanto a de um pequeno e charmoso zoológico, fechado pela saúde pública por falta de quem cuidasse e investisse no negócio, desde que o último dono havia debandado. Mas, por incrível que pareça, permaneceu a equipe: capitaneada pela belíssima zeladora - Scarlett Johansson, no papel de boa moça e mulher de muita personalidade que, vai trombar e acolher o viúvo que banca a empreitada por puro desespero em começar uma vida totalmente nova - para o filho adolescente que roubou na escola. E para a filha tão pequena que ainda nem entendeu a vida, que dirá a morte da mãe e mulher amada que ele não consegue nem pensar em esquecer.

E aí, paro de prestar a atenção para me admirar do quanto a morte é redentora e a separação, cruel. Embora ambos permaneçam vivos, no caso, as lembranças são amargas e nada românticas em cada um.

Mas quem disse que, nesse filme tão fofo, eu ficava no lugar da que se foi? Eu não. Eu era a Scarlet que ousou seus 20 segundos de coragem para beijar o homem que já não está tão triste e até conseguiu reerguer o zoológico com suas feras, e muitos visitantes. E que aceita, com seus 20 segundos de coragem, aquele beijo louro e rosado, redescobrindo alguma coisa que pareça vida e a possibilidade de novos de sorrisos. Ali naquela história, eu também era a menina de 13 anos, linda sobrinha da zeladora e agora mais alegre do que nunca, por que o garoto de 14, filho transgressor do herói do enredo e orfão de mãe, por quem a guria apaixona-se - corresponde. E utiliza seus 20 segundos de coragem, para declarar-se a ela.


Eu era... por que não? A menininha de 6,7 anos que encanta-se com os faizõezinhos quebrando a casca dos seus ovos e nascendo para o mundo. Por que tudo tem que continuar. E assim, eu pergunto : que amarração tem na sua cadeira que impede você de aproveitar seus 20 segundos de coragem, para fazer aquilo que tem de ser feito, de modo que sua vida não seja mera sobrevivência, e se transforme num real gosto de viver? Olha no relógio: um, dois, três e...

Um comentário:

  1. 20 segundos de coragem... Muito pouco tempo,minha cara! Quando estivesse a levantar-me da cadeira,o tempo já havia acabado e voltaria eu a minha dura e cruel sobrevivência diária (intercalada pela doçura de minha linda Isabela)... Aumenta o tempo aí que eu vou, prometo que vôo! Abraço, sumida!

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