18 janeiro 2012

Era uma vez uma moça que jogava tarô.






Há muito tempo atrás, havia uma mocinha curiosíssima que tudo gostava de conhecer. Foi assim que um dia as cartas do tarô chegaram as suas mãos. Ela fazia teatro, mímica e dança. E um artista estrangeiro, vendo seu talento, convidou-a para ser seu par em um espetáculo em que a cada dia encenariam cinco cartas, sorteadas por alguém da platéia. Formando um jogo interessante e ao "acaso". A idéia era genial. Houve muito estudo com uma taróloga e consultora. Mas o projeto não foi para frente. Ainda assim, a mocinha ficou conhecendo aquele fascinante baralho.

Anos mais tarde, a moça que tudo queria saber, já tinha um percurso na Psicanálise onde o conhecimento se passa "na pele", ao mesmo tempo em que ganhava o pão em um lugar onde suas idéias valiam muito. Era redatora publicitária. E um belo dia, um grande "Mago" do Tarô procurou-a para que escrevesse como "ghost writter", um livro sobre suas lendas e segredos. Assim, nas horas vagas, ela escutava as histórias do "Mago". E lia todos os livros que já tivessem sido publicados no seu país, e que tratassem do Tarô. Egípcios, Italianos, Franceses. Arcanos Maiores, Arcanos Menores. Estudava Jung, riquíssimo por sinal, o material simbólico que esse grande psicólogo conseguiu traduzir do inconsciente humano. E que por sua vez, estão também nas cartas do Tarô.

A historia do "baralho" milenar já estava entendida e é muito linda: reza a lenda que o Tarô é um livro criado pelos egípcios e que guarda a sabedoria do mundo. Não é maravihoso? Dizem que ao longo dos séculos, grandes bibliotecas guardiãs de conhecimentos inestimáveis, foram queimadas. E assim, para proteger aquilo que teríamos de mais precioso: nossa sabedoria e nossa magia, os segredos da humanidade foram compilados em imagens "enigmáticas" e em pequenos símbolos e distribuidos em 22 cartas, os Arcanos Maiores. Para que mais tarde, quem tivesse a capacidade de ler, de interpretar, de decifrar aquele tesouro, voltaria a conhecer o homem sem o véu da ignorância. Enquanto isso, o livro estaria disfarçado como um "jogo de cartas". Talvez vindo da França... "sabe lá".

E o projeto do livro com a redatora ghost-writter também não seguiu adiante. Parece que ali houve mesmo um encontro de almas, para que o Mago transmitisse aqueles conhecimentos a sua aprendiz e escritora. O fato é que nessas alturas a moça já sabia muito sobre o Tarô e seus simbolos. Já havia experimentado e treinado muito a leitura das cartas e que, com seu background na Psicanálise tornava a aventura ainda mais interessante. Já sabia jogar, embora sempre com a compreensão de que o conhecimento era infinito e que portanto, nem uma vida inteira seria capaz de desvendar tudo aquilo.

O assunto entre os amigos correu feito fogo morro acima. Todo mundo queria uma "adivinhação" sobre trabalho ou viagem, uma explicação se o namorado tinha outra ou não. Poucas pessoas entenderam que aquele jogo, com as cartas viradas para baixo e sorteadas por cada "consulente" era uma espécie de espelho da alma. Mais proveitoso para conhecer a si mesmo, numa profunda reflexão conjunta, do que para saber superficialidades. Mas a moça ainda era bem novinha, e tudo era diversão e alegria. Até que com o tempo, fechou seu baralho e não mais jogou. O conhecimento tinha sido aprendido. E a moça seguiu outros campos.

Até hoje ela sabe que particularidades do TARO são mistérios guardados em muitos recantos do mundo, como a ROTA Jacobeica, e outros caminhos fascinantes a se trilhar pela vida. Respeita os Magos, adora Jung , mas ama Freud. Cada bruxinho com seu poder.

E tem o que se chama de intuição, que nada mais é do que o inconsciente fazendo emergir conteúdos. É por isso que as vezes ela vê, mesmo sem as cartas. Percebe o que está acontecendo, mesmo sem um "jogo". E ainda se encanta pelas pessoas, mesmo que elas teimem em nao tirar o tal do véu durante o dia. Mas na hora de dormir, em sonhos, cada um que tenha as suas asas e voe para onde quiser e puder. Como diria a filosofa Baby Consuelo, "a vida é bela para quem achar que é: basta querer, querer para poder. Poder fazer o que na cabeça der.. "
De vez em quando eu lembro uma história dessa Sherazade. Boas mil e uma noites para vocês. ( cartas do Tarô de Marseille encontradas no Google)

18 comentários:

  1. cartas de tarô sempre me lembram o livro o castelo do destino cruzado do italo calvino. se vc ainda não leu, vai gostar. cada carta é um personagem de um reino. não é um livro místico. beijos, pedrita

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  2. Só consultei tarô online e mesmo assim, nem sempre dava certo.
    Big beijos

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  3. Camile:
    Uma história linda...
    Adoro Jung e tarô.

    Bjs.
    Anny

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  4. Oi Cam! Há tempos que não navego pela internet, e foi muito bom ler seu texto hoje. Tinha um pouco de "eu" aqui no "seu" - e por isso a leitura ganhou jeito de roupa quentinha, que veste a gente e faz um grande bem. Meu tarô eu também já aposentei há muitos anos, mas minha intuição, ah, essa eu venho resgatando todo o dia! Beijocas! Deia.

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  5. Cam, só conhecia o Tarô. Que historia linda!

    Bom fim de semana


    Bjao

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  6. Adivinhe se eu não fiquei feliz em ler seu conto?
    Tá cheia de idéias lindas heim?
    Parabéns pelo conto, pela sensibilidade, pela intuição.
    Beijos

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  7. Camille meu bem, o comentário acima é meu. estava no perfil do Bem.
    beijos

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  8. Descobri quem era a personagem principal, assim que comecei a ler.
    è transparente e linda.

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    1. :-) Só você mesma... Bjos

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  9. Cam,

    Qdo eu era uma jovenzinha, ainda com a cabaça iludida de uma vida feliz, eu sempre ia jogar o tarô.
    Algumas coisas batiam e outras eram absurdas. Aí acho que amadureci e parei com isso.
    Acho que de certa forma, a gente sabendo o "futuro" antecipadamente, sem querer nossas ações são pra que isso aconteça, como dizem as cartas.
    Então parei. Achei melhor.
    Mas que é muito interessante, ah, isso é!

    Ótimo fim de semana pra vc!
    Beijossss

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  10. antes de tudo, que texto! Bom demais!

    eu tb tenho o maior respeito por estas artes divinatorias. Pelo bom uso que pode se fazer delas, como ferramenta de auto-conhecimento, reflexão, aprendizagem. Artes que tem mistérios, que o mundo não explica, seja inconsciente, esotério, akáshico, não sei o que é. Mas puxa boa coisa da gente mesmo, puxa as coisas que seria bom de repensar, enfim...

    Pena que as pessoas desvirtuam tanto o uso, usando só pra ouvir o que querem ouvir né, "sim, ele te ama" hahaha.

    excelente, Camille!
    bom fim de semana!

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    1. Obrigada amigo, que comentário mais bacana sobre os mistérios da vida. Agora tem esse mecanismo de resposta, entao posso te agradecer. Mil beijos.

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  11. Eu já tentei ler muitos, mas acabei desistindo no começo de todos...admiro muito quem leva a sério e sabe lidar com isso...parabéns...bjokas.

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    1. Eu tb, acho bacana. Obrigada pela visita. Vou conhecer seu blog. ( Hoje é 22/2/2013)

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  12. Oi Camille,
    vim conhecer seu blog por intermédio do Ale, e que texto lindo, falando de toda a magia que existe no interior de cada um, e que na magia dos séculos vai sendo guardada e transmitida a quem realmente deve saber, para que não fique perdida nas asas do tempo.

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    1. Obrigada. Somente hoje vi seu comentario. Vou conhecer seu blog ( hoje é 22/2013)... Bjos

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  13. Teu texto fluiu tal como uma história das mil e uma noites, de verdade, com você sendo reiteradamente visitada pelos tais "magos" e "sábios" para lhe mostrar os segredos do universo por meio das cartas do Tarô... Conheço um pouco dos mistérios que o envolvem (uma ex-namorada me falava sobre estas e outras cartas, sobre uma adaga "energizada" etc.) e achei belo o teu texto: curiosamente, deste um "até logo" para a magia e seguiste o teu caminho - assim é a vida! Abração e apareça!

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    1. Que bonito seu comentario Dilberto. Só hoje vi. Não tenho um mecanismo para ver comentarios publicados depois do post, e quando escrevi esse texto, nao tinha tb um mecanismo de resposta. Estou evoluindo. Bjos

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