02 maio 2010

Da mesma maneira que recebe um brinquedo, a criança absorve a nossa maneira de encarar a vida.


Outro dia eu fui na 25 de Março, rua das muambas e brique-a-braques de São Paulo, que eu adoro e trouxe um gatinho preto de borracha que é também um cofrinho, para minha filha. Foi um presentinho surpresa e adoro fazer essas supresas para Anna Luiza, por que ela aceita tudo de braços abertos, feliz, curtindo, grata ( como dificilmente vejo as crianças serem - por que a gente mesmo educa dando a elas a idéia de que podem nos tirar até a ultima gota de sangue, por que não passa de nossa obrigação) e ainda, tentando explorar todas as possibilidades: - "Esse gatinho é muito fofo, parece um cachorrinho! Vou dar um nome para ele, vai ser Lulu, não vai ser Mimi, vai ser... Você tem umas moedinhas para eu colocar aqui? Vou juntar todas as moedinhas que eu ganhar ... Vou colocar ele na sala, é tão bonito!" E por ai vai. Dali um tempo, aquilo já foi degustado e passa para segundo plano na vida da minha pequena. O momento de receber, da alegria da supresa, já aconteceu. E assim, aquilo que a gente diz e faz, também é recebido de braços abertos. Não sei avaliar os danos causados pelo divórcio na minha filhota. Sei que foram grandes , mas que fiz o melhor que eu pude para protegê-la de dores maiores. E ainda faço.
Mas o que essa história do gatinho me fez pensar foi no receber incondicional que as crianças tem, de tudo que damos para elas. Seja como ensinamentos, dinamica de vida, palavras, castigos, elogios, auto-confiança ou desconfiança. Nossos filhos pequenos acreditam no que dizemos, sem pestanejar, e recebem nossos exemplos e crenças como lei.
Quando ficam adolescentes, aí é que é a hora do "vamos ver". Os filhos começam um fase de afastamento para poder crescer, onde toda a crítica que nunca fizeram a nós, transparece. Onde nossas contradições são postas a prova. Onde também descobrem que não somos super heróis, donos da verdade ou perfeitos. É claro que o adolescente vive esse luto, da morte do herói que não somos, para começar a nos olhar como os seres imperfeitos que somos. -Assim como os pais vivem o luto da criança que vai, dando lugar a um adulto, que teremos que re-conhecer. Portanto papais e mamães, sejamos cuidadosos, cautelosos, criteriosos na criação de nossos rebentos para que eles continuem confiando em nós nesse outro momento tão delicado que é a adolescencia que surge num piscar de olhos. Quanto mais verdadeiros, conscientes e dialogadores com nossos filhos, melhor será essa passagem. Menos dolorosa para ambos os lados. Enfim, essa semana vivi uma nostalgia bem grande da primeira fase de vida dos meus filhos, recordei muitas coisas, e talvez por isso, esteja partilhando agora essas questões com vocês.
Desejo a todos uma ótima semana. E em especial para Aninha ( Meu Jeito de Ser) e Walter ( do blog PerplexoInside) um casal maravilhoso que está na Europa, realizando um grande sonho.
Beijos da Cam.
( foto encontrada em busca no Google)

11 comentários:

  1. Cam, excelente as suas observações neste texto. O que você disse é a pura realidade do que acontece neste processo de transformação do ser humano.
    A minha filhota, hoje com 29 anos, atravessou esta fase de mudança de maneira muito tranquila e sem menhum problema. Nós sempre fomos muito amigas e companheiras. Torço para que com a sua filhota este processo natural também seja de calmaria e paz. Bjs amiga!!

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  2. Flor querida,
    excelente sua forma de educar e encarar as mudanças das nossas crianças.
    Tenho quatro rapazes [grandes homens] e nunca tive problemas, sempre os coloquei a par da nossa realidade, conversamos muito, nos respeitamos e nos amamos incondicionalmente, digo e repito que unidos são imbatíveis e eles acreditam formando um elo de companheirismo e amizade.
    Linda forma de educar e estar feliz com seus filhotes.
    beijos carinhosos e feliz semana

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  3. Essas atitudes da Anna Luiza é fruto da educação que vocês deram para ela.
    Vejo crianças mal educadas em todo lugar. Ganham o presente e olham com aquele ar de desprezo, pois devem ser iguais aos seus pais.

    Hoje é difícil resistir as grifes, status que a sociedade impõe. Papai era executivo de uma grande empresa e tive amigos onde seus pais eram os donos dessas empresas. Mas papai nos ensinou. Estamos no médio, sabemos como é lá embaixo, como o topo do mundo, mas não vão se frustar com isso. Nunca tive complexos ou inveja deles e era feliz.

    Boa semana para vocês

    bj

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  4. Oi Camille.
    Sem medo de ser piegas: a mente de uma criança é um canteiro pronto para ser cultivado. Os frutos que daí surgirão depende do que for semeado. Você, pelo que posso perceber, é uma jardineira sensível e justa. Que bom para a Anna Luiza.

    Beijo.

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  5. Sou a favor de diálogo nas famílias, qto maior o diálogo melhor a evolução. Big Beijos

    obs: aquela tag do Senna é válida só no Twitter, pq a cada postagem vale 2 reais.

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  6. Hoje venho rapidinho, só para divulgar o novo blog.
    Link: http://jardinsdeumaalmaeterna.blogspot.com/
    Te espero lá.
    Beijos 

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  7. Oi Camille!

    Os filhos são "espelhos" nossos: todo cuidado é pouco em nossas atitudes / ações. Você está no caminho certo, tenho certeza.

    Estou feliz por Aninha e Valter e na torcida, naturalmente.

    beijo grande minha querida e boa semana,

    PS: Estou voltando em breve, aí conversaremos mais e melhor. bjs

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  8. cAMILLE, OS FILHOS SE ESPELHAM EM NÓS?NEM SEMPRE!
    Cada pessoa tem um mundo dentro dela.
    Sintoq eu sua filha está bem e nao sofreu tanto as sequelas do divorcio.sempre machuca, mas, passa, nao é mesmo?
    bjs e dias felzies

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  9. Cam, excelente post e ótims as suas observacoes.
    Meus filhos já estao crescendo sabendo que eu nao sei de tudo, ali´s postei sobre isso semana passada. Eles crescem sabendo das minhas dificuldades com a língua alema, mesmo que eu dê o meu melhor e nisso inclui da parte deles uma confianca tremenda qdo vamos ao médico ou em outros lugares onde eu resolvo toda a parada e sozinha. Eles ficam claro orgulhosos de mim qdo estou à frente na escola deles fazendo parte da programacao juntos com aqueles que têm pais alemaes. Ai sou igual e nao há diferenca, mas mesmo assim nao escondo deles meus limites, minhas tristezas, saudades do Brasil, eles já crescem sabendo que sou de carne e osso e isso é muito bom, me acredite. Nao queo ser heroina em nada, só quero que eles continuem confiando na mae que eles têm.

    Um beijao e parabéns pelo texto e parabéns a mamae da Ana Luiza pela mae que é. E que nossos amigos Ana e Walter possa curtir de montao a viagem para etses lados.

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  10. Acho que as crianças hoje em dia são criadas com aquela ideologia da compensação. Não posso estar com você, então dou o que você quer e o mundo segue. Amanhã o bichinho cresce e o mundo que aguente. Aff
    Minha mamma também fazia surpresas pra mim, chegava com uma pedra que havia encontrado na rua e por alguma razão tinha feito pensar em mim. Uma flor ou uma folha.
    Aprendi a colecionar folhas e acho que por isso mesmo adoro o outono.
    Aprendi a pegar as pedras pelo caminho ao invés de chutá-la e mais, aprendi a pensar nas pessoas que são caras para mim o tempo todo. As vezes saio e lá estou em algum lugar e pronto: vou levar para o Marco, o Patrick (cão) ou para quem quer que seja. Sem obrigações de datas no calendário. Adoro isso. rs
    Beijos carissima e parabéns por fazer a diferença.

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  11. Ah Cam, que exagero! Sophie Calle é uma artista talentosa, descolada, linda... Tiro as fotos com celular, uso 2. Aquele foi de um N95 8gb, que ainda está na garantia, mas ganhei um iPhone de minha esposa, que tem câmera ruim. Uso e adoro os 2 heheh.

    Fui ver o blog da Ciça e já adicionei no meu delicious. No início do blog, fazia aulas de pintura e postava as aulas do celular a fazia posts de artes plásticas, mas depois desanimei. Meu prof. era o art. plástico, restaurador catalogado Renato Pinto. Mas nas aquarelas perdi o pique. Deposi com 3G e celular passei a fotografar tudo e postar direto do celular, acho que por falta de assunto.

    Você é muito gentil Camille, obrigado

    bj

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