12 março 2010

Dry Martini is very wet for me.


Nossa, que banho. Estou assistindo mas uma vez o filme Julie e Julia, uma delícia. Júlia lê o livro de gastronomia de Julie Child e busca fazer as receitas exatamente como estão descritas. Uma viagem ao sabor da comida francesa, ao mesmo tempo em que é um despertar para os multiplos sabores que a vida nos traz, se vamos atrás de nossos desejos e persistimos em nossas realizações. Ela consegue realizar as receitas, escreve um blog contando sua trajetória, fica famosa.

Enfim, hoje estou mais para meias palavras. Não quero contar tudo de minha vida por aqui. Mas me limito a dizer que há pouco tempo assisti uma aula sobre bebidas. Onde, um barman e uma barwoman -deve ter esse termo, claro- ensinaram a fazer caipirinha, mojitos, cosmopolitan e dry martini. "Drinks"- acho tão brega essa palavra, mas deveria dizer o que ? Beberagem? Soa meio xamânico não é? Bebidas? Também não. Talvez, receita de bebidas. Famosas e clássicas.

Aprendi a diferença entre os fermentados e os destilados. Entre aquelas que vem das plantas, das que vem de outras regiões e por ai vai. Você sabia que embora no exterior cachaça e rum tenham a mesma denominação, cachaça, cachaça mesmo, só pode ser fabricada no Brasil? Ou melhor, mesmo que haja uma produção escondida sei lá em que canto do universo, a unica que poderá ser considerada cachaça é a nossa? Belo royalty, melhor que nada. O que ? Você preferia que um brasileiro tivesse criado a MicroSoft? Cada um é cada um.

Por isso mesmo, me encantei pelo universo das bebidas, embora eu seja péssima bebedora. E aqueles sabores do alcool sejam um tanto fortes para quem tem um paladar tão refinado e discriminador de substancias quanto eu.

Mas é genial saber que o cinema em 1830 tinha uma relação estreita com a bebida e as pessoas apareciam nas cenas com copos na mão, sempre saboreando alguma coisa. Que em 1930 veio a lei seca e que a Máfia tratou de dar continuidade a produção nos porões e a comercialização dos prazeres alcoolicos. Tudo tem sua história e pessoas dedicadas a fazer seus sonhos terem continuidade. Gostei do entusiasmo dos mestres dessa arte. O mesmo que eu tenho em outras artes. Mas valeu a aula.

Gostei de fazer com minhas próprias mãos o tal Cosmopolitan, bebida apreciada pelas personagens de Sexy in the City. Fica rosinha escuro, visual, bonito. E achei a maior graça do tal do Dry Martini, o "rei das bebidas". "a essencia" ser apenas gim quase puro. Com três- sim, três pequenas gotas de vermute-olha só que fetiche, muito gelo e copo estupidamente gelado, umas gotículas extraídas de um pedaço de casca de limão( será que faz alguma diferença?) e uma azeitona espetada num palito. Mais fetiche. Talvez eu aguentasse alegremente uma taça daquelas- eta copinho mais lindo! Mais fetiche...- numa piscina, num feriado de sol, sem prestar muita atenção ( aliás ao final de alguns goles, sem prestar atenção nenhuma). Mas assim, a seco, no final de um dia de trabalho e preocupações, em frente a uma mesa de trabalhos culinários, só um golinho bastou para lembrar que gim foi aquela tal bebida que junto com champagne "choca" esquecida por meus pais na geladeira antes de uma viagem- que aos 13 anos se tornaram o meu primeiro porre. Até hoje lembro de minha avó subindo e descendo escadas comigo para "gastar" e ver se a coisa passava. Recordações engraçadas. Dessa vez agora, o gim não desceu. Mas o dry martini mesmo assim, vai fazer parte da minha história de pessoa curiosa. Warning: não experimente a receita em casa.( foto encontrada em busca no google)

9 comentários:

  1. Eu gosto dos Martinis mais ou menos como o James Bond, com vodka, mas com sombra da garrafa do vermute e chacoalhado. Gosto que derreta um pouco o gelo na vodka congelada.

    Champagne também só as produzidas nessa região da França, nos outros lugares você chama de espumante.

    Bom fim de semana

    bj

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  2. Obrigada pelos elogios, Camille =D

    Tbm já me encantei pelo universo das bebidas, mas ao contrário de vc, fui uma ótima bebedora...Até ter uma festa que fiquei bem altinha a ponto de achar que lembrava de 10% da festa e concluir por relatos de amigos que tava mais pra 4,98%.
    Bom...Fico nuns copinhos de chopp e poucas latinhas de cerveja agora que é mais seguro xP

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  3. Oi Camille.
    (Antes de mais nada, o teclado esta sem acento, portanto faca uma forcinha pra entender).
    ***
    A cachaca e nossa e o uisque e escoces (e paraguaio, hihihi..)
    ***
    Nos anos 20, ao ver o escritor Edmundo Wilson adentrar no bar do hotel Algonquin (em Nova York) - ao final de uma jornada estafante de trabalho - o barmen enfileirava seis(!) copos de martini, que Wilson ia entornando enquanto filosofava sem parar. Brrr, haja figado.
    ***
    Nunca se bebeu tanto nos EUA como no periodo da Lei Seca (o que e proibido e mais gostoso). Um bando de intelectuais ianques, liderados pela bela e talentosa Dorothy Parker, costumava se reunir nos finais de tarde para tormar cha no bar do Algonguin. So que nas chavenas, no lugar de cha havia o bom e velho malte escoces, contrabandeado por gente como Alphonse Capone e Joseph Kennedy (pai do menino John, que viria a ser presidente do imperio)
    ***
    Quando os aliados retomaram Paris, na Segunda Guerra, o escritor Ernest Hemingway comandou um pelotao para libertar o bar do hotel Ritz, onde, segundo ele, se bebia o melhor martini do planeta.
    ***
    Tchau, o coronel Jack Daniels reclama minha presenca.
    Beijos levemente embriagados (hic, hic, hic...)

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  4. Zany22:31

    Cam, bebida para mim só mesmo uma deliciosa água geladérrima, suco dos mais variados e uma coca-cola com gelo e lim ão que eu não sou de plástico. Bjs!!

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  5. Nunca gostei de bebidas adocicadas, preferindo os destilados, mas já corre longe os dias em que apreciava um 'drink' no final do dia. Não acho a palavra brega e também vou discordar do tom irônico que usou para falar da nossa cachaça (rs*) - Nunca bebi cachaça, só conheço o cheiro e acho horrível! Pra mim a pior bebida - mas em se tratando de história, cultura, a nossa cachaça não fica à dever para nenhuma outra cultura. Outros produtos brasileiros entraram no rol de produtos exclusivos, como o queijo minas. Sim, a exclusividade porque para se fabricar esses produtos, a matéria prima tem que sair de nosso solo, assim, pode-se levar um alambique brasileiro para outro país, cortar a cana e levar para lá, mas... o preço final seria exorbitante!
    Olha que video legal, publicaram no New York Times falando sobre a cachaça brasileira - http://video.nytimes.com/video/2008/04/08/dining/1194817092228/cachaca-straight-up.html
    Quero assistir "Julie e Julia" - por Merryl, pela história e pelo humor (alegria).
    O paladar influencia nosso dia (humor) ou é o dia que influencia o nosso paladar?
    Boa semana! Beijus,

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  6. Nao sabia essa da cachaca pertencer ao Brasil.
    Eu acho o cheiro da cachaca delicioso assim como o do wisky, mas nao bebo nada disso. Bebo até uma caipirinha, mas a cachaca pura, nossa, nem pensar.

    Boa semana

    Um beijao

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  7. Oi Camille!

    A cachaça é nacional mas não gosto. Prefiro um chopinho na Happy Hour ou uma caipirinha de vodka para variar - nunca de cachaça. (argh!)

    Saudade daqui querida, mas o tempo anda curto com esses lindinhos aqui me absorvendo... rs

    Obrigada pelas deliciosas dicas de filmes, sempre excelentes.

    beijo grande minha linda, se cuida.

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  8. Interessante.
    Bebida só no inverno, chegando do trabalho. Uma pequena dose.
    O seu curso deve ter sido interessante e o modo como coloca, dá vontade de ir pesquisando tais coisas.
    Mas o primeiro porre é inesquecível e ainda bem que tinha lá a vó.

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  9. tenho o livro, mas ainda nao o li.VOu esperar apra fazer numa viagem de trem que levará 16 horas..kkkk

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