25 novembro 2007

Com sombras e dívidas

Casaram-se. Ela já tinha um filho adolescente e idealizava mais um bebê. Ele, duas filhas adultas, 3 netos, também queria ser feliz. Combinavam. É... Um dia ela escuta a mãe dele dizendo que ele não tivesse mais filhos para não contrariar as filhas que já tinha. Ele pensa:deixar a mulher engravidar a fará feliz. E delira... "ela merece pelo menos um mês de alegria e esperança". Depois inventa uma historia, um motivo inadiável para o aborto. Não podia contrariar as filhas, tadinhas!...A mulher um desgosto só. Ele, arrasado, resolve propor nova tentativa. Depois de ano e meio ela engravida outra vez. Alegria, sonhos, menino ou menina? Ultrassom: surpresa! São gemeos. Infelicidade dupla. Ele não consegue contrariar as "meninas". Ultra-não: arruma uma desculpa ainda mais forte e dá mais uma sentença de morte. Ela sobrevive. 10 anos se passam e seu útero agora está cheio: de dores, de hemorragia, miomas que não param de crescer. Mas ela não vai retirar mais nada. Um exame acusa um tumor maligno. Ninguém mexe em seu útero que já foi tão aviltado. A barriga incha. Ela se esvai, ela se vai. Ele a olha morta, cheio de culpa. Mas se desculpa: "vendo de lado, parece grávida!" Agora tudo volta normal. Ele, as filhas, os netos e os novos netinhos. É a vida. Sem contrariedades.

10 comentários:

  1. Paulo07:41

    Chocante e triste seu mini-conto...
    e isto acontece neste nosso mundo cruel. Mulheres que se sujeitam à vontade de seus maridos.

    Um abraço

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  2. Laura09:57

    Menina, vc é boa nisto, continue. É de doer. E tão próximo da realidade.
    Cruel.
    Mulheres...
    ou homens...
    bjs Laura

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  3. Uauuuuuuuuuuu
    Eu bem sei o que é parecer grávida sem estar. Que o desfecho foi bem diferente comigo.

    Triste, mas fantástico teu mini-conto!

    Beijinhossss

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  4. PPRangel11:11

    Triste, muito triste. E, a propósito de um post anterior, ainda valem muito as palavtra do velho Pe. Antonio Vieira num de seus sermões, o da Quarta-feira de Cinza:
    "Assim é: morremos, como mortais que somos, e vivemos como se fôramos imortais.
    bjs!

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  5. Oi Camille!

    Triste e real seu conto: muito mais presente do que você pode imaginar. E falando em imaginação, a sua está ótima, continue assim. Escreva mais, combinado?

    beijos querida e boa semana,

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  6. Caramba! Deu até mal estar.

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  7. Ai amiga que vc escreve bem eu sei...mas fiquei arrasada :(. beijo enorme no seu coração.

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  8. Triste demais... E mais para mim, que estou no ínicio das minhas tentativas de ser mãe. Quase inacreditável que isso realmente aconteça...

    Beijos

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  9. to adorando os mini-contos... =]

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  10. Se tu nao postares algo imediatamente vou achar ser um auto-conto

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