02 janeiro 2007

Travessuras da menina má

Adoro escrever sobre filmes, mas dessa vez vou abrir uma exceção- Travessuras da Menina Má de Mario Vargas Llosa, pela Alfaguara, me deixou intrigada. Ouvi falar desse livro no ano passado. Uma conhecida, estava lendo em Espanhol e por causa de suas peripécias amorosas um tanto ?ilícitas?estava se achando a própria menina-título. Ela me contou sua leitura do enredo.

Neste feriado, quem leu fui eu. São dois livros diferentes, o meu e o dela. Os dois escritos por Llosa. Será? Ainda bem que não sou critica literária e tenho o direito de dizer o que quiser de um livro sem ser execrada. Quem tem coragem de dizer que Llosa, o rei da prosa, nesse caso pode estar nu? Ainda mais agora que seu nome esta cogitado para um Nobel de Literatura?!

Se minha quase amiga estiver certa na sua versão de uma romântica e extravagante historia, esse livro mais se parece com aqueles que se compra em banca de jornal. Mas uma série de indícios, que não são comentados em nenhuma resenha que eu tenha visto até agora( sim, dessa vez procurei no histórico de críticas) fizerem sentido para o escritor, trata-se de um livro bem interessante e instigante ate.

A parte histórica/politica, retrato de diferentes épocas, é muito bem contada. Mas em linhas gerais do romance, um moço peruano cujo maior sonho e ambição na vida era morar em Paris, conhece e se apaixona aos 15 anos por uma menina bonita e pobre em sua terra natal. O tempo passa de uma página a outra, ele já está em Paris como tradutor e ela aparece por la, por conta de um amigo em comum que encaminha estudantes para treinamento em Cuba via Paris. Essa moça, que era conhecida no Peru como chilena esta nessa leva. Nosso protagonista tradutor de carater fragil e ainda apaixonado por ela, a encontra, mas a deixa escapar em detrimento dos planos de seu amigo guerrilheiro. A pretensa chilenita vai para Cuba, e ali transa com montes de autoridades. Volta casada com um importante figurão francês. Vai para a cama duas vezes com o protagonista fragilzinho tradutor que continua a te-la como fixação e agora pensa nela como uma amante. A musa do livro larga o marido e vai para os braços de um velho rico inglês, justamente numa época que o tradutorzinho esta na Inglaterra.

E assim sucessivamente, de um jeito surreal. Aonde ele está , por coincidência ela aparece. Se um amigo vai trabalhar no Japão, automaticamente essa moça tão ágil quanto The Flash ja esta escravisada por alguém lá e com nome japonês. Em todos esses cenários há um tanto de homossexualismo masculino, voyerismo, perversões variadas, típicas de alguém incapaz de fazer vínculos e apenas viver fantasias sórdidas ou não. Quer dizer, na minha cachola pouco afeita a romances e adoradora de roteiros de cinema, esse personagem ?menina má?, que em contrapartida o chama de ?menino bom?, só existe na cabecinha pervertida do tímido tradutor.

E ai a trama vira algo de interessante como literatura: as pessoas que conheceram a moça ou morrem todas, por coincidência, ou vão embora morar longe. Assim não há testemunhos de longo prazo quanto a veracidade da historia toda, da existência da menina má. Só do ponto de vista do narrador. Parece Bentinho na duvida sobre a traição de Capitu, como apontou um leitor, critico, sei la? Parece, mas é mais que isso. Capitu pelo menos existia. A menina má parece ser o próprio personagem do tradutor, em dificuldades ?de qualquer maneira- de viver plenamente sua sexualidade e sua vida emocional. Quase não tem amigos, nunca teve namorada. Fala de umas orgias.


Enfim, leia você e pense no caso. Livro bom dá o que pensar. E Vargas Llosa depois de suas vastíssima obra não cairia na tentação de escrever apenas um romancezinho besta de coincidências pueris para levantar uma grana boa para o leite das crianças, que só os best-sellers de botequim dão. Então, leia e me conte o que você achou de cada coisa. Preste muita atenção aos detalhes. Está cheio de ?pegadinhas? sutis e interessantes. Aguardo seu palpite. E, feliz começo de ano.

7 comentários:

  1. Quando se escreve com paixão sempre se escreve bem! Você é uma ótima crítica literária e de cinema também, parece-me que são duas de suas paixões, não?
    Um grande abraço! e Feliz 2007!

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  2. É, livro bom dá o que pensar, mas esse ai já deu um nó na minha cabeça. E por favor, não subjulguem minha inteligencia... chilena peruana indo via Paris para ser guerrilheira em Cuba??? Se não soubesse diria que o autor é mexicano!

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  3. Voltei renascida de férias!
    Agradeço-te as palavras carinhosas que deixaste no meu último post de 2006!

    Feliz 2007, querida!

    Beijinhosssssssss

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  4. Querida, que 2007 seja pleno de alegrias e realizações, coberto de paz, amor e fé na renovação.
    Livros recheiem estantes de todos e povoem imaginação.
    Lindos dias, flor
    beijosssssssssss

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  5. Feliz ano novo para você e sua família!!!

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  6. hahaha Cissinha!!
    Camille, como boa cinéfila, você é uma ótima crítica literária! Aguçou a minha curiosidade!

    Feliz ano novo! Beijus

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  7. Eu nao li ainda... bjs

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