23 outubro 2006

O crime, o acusado e a lei. A vítima, que vítima?

Vou tentar escrever direto, sem passar pelo word como estava fazendo ultimamente, por que o blogspot andou apagando minhas postagens na ultima hora. Vamos ver se tenho sorte.
Eu estava vendo hoje cedo na televisão o assunto do réu confesso do assassinato de 30 meninos( ele nega a morte de outros 12 no Pará). A televisão anunciava que, se ficar provado que ele matou de fato- tem gente que confessa o que não fez não é?- o assassino poderá pegar até 28 ou 30 anos de prisão, não lembro agora. E a primeira coisa que me passou pela cabeça foi : só isso? E com grande indignação.
Ao mesmo tempo se pensarmos nas condições de carceragem no Brasil, de que adianta deixar um delinquente dessa natureza preso por trinta anos, ele vai se regenerar? Vão dar a ele condições de se regenerar? Ele é regenerável ou deveria estar num manicômio? Isso não sei. Não consigo ter o mínimo de simpatia, no sentido de pensar no lado desse réu. Ao mesmo tempo em que considero animalesca a maneira com que os presos comuns são tratados. Vide a incomum Susane, tratada feito uima princesa para os padrões. Vide também esse tal de Guilherme de Pádua, preso por ter assassinado brutalmente a Daniela Peres e solto depois de alguns anos por ter "cometido bobagens na vida", nas palavras dele à Folha de São Paulo.
Morei num prédio no Rio , onde aconteceu um crime bastante previsivel. Um rapaz que batia costumeiramente na mãe condescendente, no pai alcoólatra e na irmã inconformada, matou uma menina de 13 anos, numa orgia sexual em plena luz do dia, junto com um outro rapaz -modelo cheio de networking- e muita cocaína. Vi a menina morta, sendo levada por um rabecão. Esse tal rapaz assassino, que morava no prédio, foi preso e dizem que o mataram na cadeia como aliás é destino de estuprador. Mas o outro, o modelo, era amante de um"figurão" da política e também do dono de uma boutique muito famosa na época. Um michesão né? Colecionava costas quentes, no sentido literal inclusive. Esse nunca foi preso: o caso rolou pra cá e pra lá, o sujeito sumiu, mas deve estar por ai com algum bacana, gozando a vida nas Bahamas ou sei lá o que.
Portanto, a desgraça é muita quando se trata de justiça. Por que a vida não é justa. Que dirá a justiça dos homens. Preciso aprender mais de Direito. Quero entender como funcionam essas leis. Mas principalmente quero entender como a vida se banaliza de uma tal forma, em todos os sentidos. Desde os clones, até as "bobabens" de Pádua, somos meros bonequinhos ao sabor da sorte. E eu, tenho aspirações de continuar sendo sujeito da minha própria história. Portanto, sei que tenho que estar de olhos bem atentos para cada nuance da vida. Para cada coisa que se apresenta. Você também. Observe, compreenda, ninguém fará isso por nós. Só nós. Detalhe, estou aqui escrevendo e o debate da Record com os "presidenciáves" está rolando. Cansei de vê-los, já sei o que dirão e quanto a isso me sinto impotente. Alguma coisa há de acontecer na politica para que o Brasil volte a ter esperanças. Ponto.

4 comentários:

  1. Olha... um tema e tanto esse (principalmente porque essa é minha primeira vez aqui - vi vc falando algo para a Ingrid sobre ser consolada aqui, no "trocando figurinhas"). Mas então... na TV disseram que o sujeito pode pegar de 12 a 30 anos (pena mínima e máxima) por assassinato - já que ele está sendo julgado, confessamente, por UMA morte. E, ainda que fossem 10 ou 100, o período máximo de permanência seriam 30 anos (seria condenado por 300 anos, digamos; isso serve para a contagem relativa à "progressão de regime" (aquela coisa de ficar 1/6 da pena preso e ter regime semi-aberto, vc já deve ter ouvido). Você tem razão em citar as condições mais que degradantes que os presos sobrevivem. Dirão (e diremos) "bem feito, tinha que ser até pior". MAS - salvo doenças e assassinatos, coisa que ao final de contas acontece com poucos "lá dentro" - não podemos esquecer que TODOS ALI naquele inferno sairão para a rua, para o nosso convívio em alguma hora. E virão, é claro, mais revoltados, como bichos, monstros. E não há pena de morte ou perpétua porque do direito penal do Brasil segue uma escola que vê a pena como castigo mas também, preponderantemente, como ressocializadora (coisa que sabemos que, na prática, é ficção). E dessa ficção, cara Camille, somos TODOS vítimas (respondendo à sua indagação no título).

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  2. sobre o recado no post anterior: escreva www.luzdeluma.blogspot.com e vc consegue entrar lá. :-)

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  3. Não aguento mais tanta violência.... infelizmente parece que não para onde correr.

    abs

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  4. Oi Camille!

    Concordo com você: Nosso Judiciário faz distinção nas leis: tem a legislação e/ou penas para ricos e tem a dos pobres.

    Quanto a política, que desgosto!

    Muito bom seu texto.

    beijos querida,

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