Carioca eu sou. E adoro isso. Faz tempo que saí da cidade que amo, e hoje apareço de turista. Mas ganhei um presentão: a possibilidade de passar duas semanas como uma verdadeira moradora. Com casa, carro e atividades cotidianas-deliciosas- como rever amigos queridos. Mas com isso, transitar pela cidade como antigamente, como qualquer morador.
Transitar como antigamente é um pouco modo de dizer: as obras do metrô no período de Natal e Ano Novo, considerei um tanto sem sentido. Complicado para os comerciantes, e conheço alguns, E bastante enjoado para "novas" moradoras como eu. Para quem já não lembra direito de todas as ruas, é estranho ver a Ataulfo de Paiva toda recortada. E a cada trecho arrumar uma saída de escape, com alguns dos guardas de trânsito, respondendo sobre onde fica a rua tal: "não sei não, sou novo aqui, pergunta para o fulano ali na frente". Fulano ali na frente também é novo," não sabe não, começou ontem.."..
Cadê o treinamento até na forma de falar com quem pergunta? Cadê o mapinha na mão ou a mínima noção do que se está fazendo? Se não se sabe nada, obviamente, foram colocados ali, com uniformes reluzentes para dar uma satisfação visual a quem passa. Mas não para efetivamente resolver um problema.
Justiça seja feita: no dia antes de ir embora, para chegar a Afrânio de Melo Franco, perguntei a dois, três desses rapazes, e já sabiam informar corretamente.
foto encontrada em busca de imagens google, site "Portal do Leblon"
Outra coisa que me chamou a atenção de um jeito bemmm constrangedor: fui almoçar com minha filha e uma amiga, em um restaurante em Ipanema. Minha pequena come bem, e tem horas que decreta: estou com fome!!!! Uma graça, praia- e que praia boa- dá fome sim. Mas então: não há vagas para estacionar o tal carro que o filhão emprestou. Portanto, vamos de "valet." Reparo que me dão um ticket que não passou por nenhuma máquina registradora de entrada do veículo. Tudo manual. E se roubarem o carro que não é meu? Fico preocupada. Na volta do almoço e da sobremesa numa sorveteria ao lado, questiono: por que meu carro está demorando tando? Ah por que colocaram láaaaa longe, "difícil arrumar vaga por aqui". Ou seja, como em muitos lugares dessa vida, estacionam na rua, como se fosse um" flanelinha" qualquer. Mas cobram RS 15,00 por um serviço sem seguro. ( Deveria haver um seguro para avarias ou mesmo roubo do carro, não é verdade?) Não tem. Somente uma anotaçãozinha da entrada. A funcionária me diz que estou certa, Que eles agem errado mesmo. Imagino se aquele bloco com aquele numerário, sem nenhuma garantia, pode ser simplesmente um caixa dois do dono do "negócio". Ela confirma a possibilidade. E diz:" já me demiti três vezes e meu patrão não me dá a demissão". Com a demora do carro, já estamos ali conversando sobre a "vida toda." Até por que carioca é comunicativo e gosta de conversar. Digo que diante da situação o patrão não deve estar dando a demissão dela, por que não está pagando as obrigações da carteira de trabalho...ela me interrompe : "não tenho carteira assinada!". É isso, é essa segurança que se tem ao entregar seu carro a um serviço de "valet". Os restaurantes então que não sejam omissos e coloquem seus próprios serviços, como alguns tem. É o mínimo que se pode fazer numa cidade ... maravilhosa, onde o consumo nessa época do ano é de sorrir de orelha a orelha..
E por que conto isso aqui? Por que sou a primeira a elogiar tudo. E uma das cronicas mais lidas nesse blog, foi a respeito do quanto o Rio é maravilhoso, com tudo impecável. Não é bem assim.
Quanto a segurança: não vi com meus próprios olhos, nada acontecer. Mas estava de carro, carro alto, daqueles que impõem respeito. Daqueles que ( costumava brincar) maridos que amam suas mulheres e seus filhos costumam comprar para as esposas. São muito mais seguros... Dor de cotovelo de quem jamais ganhou um carro de ninguém...Mas já doou o próprio para uma causa particular. Já emprestou ...e as multas.....Não ligue para esse desabafo. Em todo caso, essa dor ( de cotovelo) tem raízes no Rio de Janeiro. (Assunto meio machista, mas mesmo quem pode comprar o seu, adora receber o carinho e o cuidado de um companheiro.)
busca Google: encontrada no site Djdnik.com
No mais foi tudo de bom. Muito cinema, pipoca e praia. Amigos meus, amigas de minha filha que estavam em férias. Muita alegria, acolhimento, carinho. Por que o carioca continua o mesmo, pelo menos o carioca que eu conheço: receptivo, amigo para sempre, e o "passa lá em casa" é hospitalidade mesmo, não é um eufemismo para: "não passa não". Vamos acabar com esse mito também. Os cariocas são sólidos em suas amizades.
E mesmo com o transito maluco e a insegurança dos valets, saímos da cidade com uma boa imagem. Uma linda imagem, por que nossa, que cidade linda. Prefeito, o taxista que me levou ao aeroporto disse que são 600 milhões por mês para resolver problemas de trânsito. É isso mesmo? Então fiscaliza. E capricha. A cidade e seus moradores merecem. Os turistas também.
( sei perfeitamente que o Rio de Janeiro tem problemas crônicos, graves, e resultado em grande parte das desigualdades sociais do país, mas estou aqui falando apenas sobre minhas impressões superficiais de "moradora" -de zona sul- por duas semanas)
Rio, terra de Tom Jobim, nosso Maestro brasileiro.
Olha a responsabilidade aí , autoridades.
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