16 setembro 2016

NO FUNDO SOMOS TODOS UM POUCO AUTISTAS. E TALVEZ POR ISSO MESMO, POSSAMOS MUDAR O MUNDO.

  Quem nunca? Quem nunca olhou para o rosto do amigo,  do amor, da mãe, do filho, tentando decifrar aquela expressão tão difícil de entender? Quem nunca deu de cara com o  espelho e não reconheceu a figura gorda, magra, alta, baixa, bonita, feia, ali bem na frente? Quem nunca teve dificuldades em responder as questões mais complicadas que a vida nos impõe com tanta frequência? Quem nunca ficou sem palavras?

Ontem eu estava lendo sobre a incidência de autismo em mulheres. Um texto bem interessante, cheio de depoimentos. Como o "transtorno do espectro autista"( TEA) é muito mais comum em meninos do que em meninas, as mulheres custam a ser diagnosticadas. Os sintomas são mascarados pelas estatísticas. Está aí mais uma prova de que, pelo menos a Medicina, ainda tem um certo bloqueio em observar subjetividades. E singularidades. Ponto para as meninas que mesmo assim sobreviveram, driblando as dificuldades diárias de conviver, de ser , de expressar, de entender a lógica das outras pessoas.  O texto também fala de "alívio". Quando o mal-estar de existir do jeito que se é recebe um nome, pode ser de fato, apaziguador para a própria pessoa.

 Puxa, todo aquele meu sofrimento, meu estranhamento, minha dificuldade de lidar tinha uma razão forte e incompreendida. Eu sou eu. E assim sou. Que bom! Parece ser o sentimento das moças do texto, diagnosticadas, as vezes com mais de 40 anos...

 Bom, uma vez fiz um pequeno teste de TDAH proposto por um livro. Das 27 perguntas, eu "qualificava" em 23. Transtorno de  deficit de atenção com hiperatividade. Realmente, sou mesmo muito distraída. Para algumas coisas. Para outras, não.  E confesso que lendo essa matéria sobre mulheres autistas, pensei: quem sabe?

Por mais que se conviva, que se conheça, que alguém tenha um irmão, um primo, um paciente, um colega, ninguém sabe exatamente o que é o autismo. Por isso se fala em "autismos". Um é diferente do outro. Como todos os seres humanos o são. Mas o autismo, as vezes em silêncio, grita por essa verdade: cada um é um. Sente, enxerga, conclui, de maneira ímpar, única. Não estamos sozinhos por isso. Compomos a humanidade.

E quanto mais respeitarmos essa diferença- a nossa própria- maior capacidade teremos de questionar: que mundo é esse? Hein? Que-mundo-é-esse? Estar completamente adaptado, isso sim, é esquisito. Proponho escutar mais, o que quem parece tão pouco "normal" tem a dizer. Via oral, por escrito, na veia. Pode ser que encontremos novas trilhas e horizontes. E por outro lado, vamos la, coragem. Admita você também a sua estranheza, vai.
 
Respeitemos aquilo que temos dificuldade em comunicar, A nossa vontade de ficar quietinhos de vez em quando. As nossas bizarrices... Ah você não tem? Hum, sei. O nosso jeito de ser nós mesmos. Isso sim será uma revelação. E aproveitemos para pedir aos amigos, a família, ao conjuge, ao chefe: pera lá! Não me coloque nesse lugar tão engessado. Tenho direito ao movimento, ao giro. "...Uma pirueta, duas piruetas, bravo!"...
É isso. Só ser. Sem rotular. Nem receber etiquetagem. Difícil né? É o desafio que temos para hoje. E amanhã também. Beijos!

(imagem encontrada no Google. Se for sua, coloco os créditos, ou retiro a foto, como quiser. Por enquanto, agradeço)



8 comentários:

  1. Anônimo22:29

    Lindo texto,

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  2. Que bom que você gostou. Obrigada. Da proxima vez deixa seu nome. Mesmo que o comentario esteja como anomimo, por que é dificil mesmo comentar por essa via. Voce pode escrever seu nome. Boa semana!

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  3. Como disse o poeta, Caetano Veloso,: De perto, ninguém é normal.

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    1. Verdade. E isso é muito bom por um lado. Não ser todo mundo na mesma forminha. O que nao significa negar as enfermidades mentais, que nem eu e nem voce negamos. A ideia aqui é so afastar o preconceito e reconhecer nossa propria estranhesa de ser humano. Legal que voce esta tentando escrever de novo. E que coisa, empresa querer censurar criatividade. Burrice ne? Volte ao blog mesmo, seus posts são muito bons Paulo.

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  4. Camille,
    A minha irmã tem 2 filhas, quando crianças uma foi diagnostica com Defit de Atenção e a outra (até eu diagnostiquei rsss.) hiperativa. Um amigo descobriu com quase 50 anos que tinha problemas de concentração e ao começar a tomar Ritalina a vida mudou.
    Estou lendo um romance que passa no inicio do outro século quando a medicina em geral não era avançada. O primogenito sofria de TDAH, a mãe entendia as dificuldades dele para aprendizagem, mas o pai o via como um preguiçoso e o colocou num internato para que tivesse mais disciplina. O que aconteceu? ele se matou com uns 17 anos. Já pensou como antigamente estes transtornos foram mal interpretados e desgraçaram a vida de tantas pessoas?!
    Ainda hoje temos muito o que aprender, entender e lidar.
    Bjs

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  5. Concordo Sissym, sempre acho que o futuro vai ser melhor. Detestaria ter que voltar ao passado, como algumas pessoas sonham com tempos romanticos, mas que deviam mesmo, é ser terriveis. Ja leu "O Físico"? O livro é muito bonito. Tentei assistir o filme,mas não se compara com o livro. Os primordios do que veio a ser a Medicina. Adolescente é sempre meio um casulo que vai virar borboleta, cheio de coisas desmanchando, refazendo, crescendo. Isso traz sofrimento. As familias em geral são a maior dificuldade que qualquer pessoa enfrenta. Quando ha intolerancia, cegueira para a realidade, ignorancia. E como tem. E as vezes parece que esta tudo bem e não está. Viver não é facil. Agora de tudo isso, sou radicalmente contra a tal da Ritalina. Entre a industria farmaceutica e a cura de uma criança ha mais absurdos do que supoe a nossa vã filosofia. Isso é uma conversa de amigas, nao é pra blog. Te falo mais sobre o que penso do assunto em outro contexto. Amiga de 50 anos va bene. Criança que é crime, os pais escolhem um futuro para elas, dando remedio que vicia. Bjoss querida. Boa semana.

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    1. Interessante. Vamos falar em momento oportuno. Bjs

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  6. Claro que sim. Quando voce quiser. Bjos

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