20 setembro 2014

O Doador de Memórias.(Filme) .Uma utopia, longe de uma Shangri-la, perto de Admirável Mundo Novo. Mas só no cinema, ainda bem.

      Quem conhece a ideia de Shangri-la sabe o que é uma utopia. Uma proposta de lugar ideal, com caractísticas X que tornam a vida, o mundo , a convivência melhores. No caso de Shangri-la não havia fome, miséria, envelhecimento, morte( pelo menos não se fala nisso), todas as pessoas são lindas, felizes, alegres. No caso do comunismo, todas as pessoas tem direitos iguais (menos os governantes, esses tem direitos totais) o que significa, liberdade quase zero. Como também no  enredo de  "O Doador de Memórias". Um filme que vale a pena assistir.

     Num lugar demarcado, vive uma comunidade que acredita ser o quase total do mundo. "Alhures" é explicado como um lugar quase deserto e muito distante. Para acreditar numa coisa dessas já é preciso tolher a liberdade de ir e vir.
 
Lembro de uma discussão com um professor de Ciências Políticas, antes da "Perestroika.", e eu dizendo: o que eu acho terrível desses países que tentam chegar ao comunismo (jamais alcançado)_é a falta de liberdade de ir e vir. E ele me respondeu " o povo brasileiro não tem o direito de ir e vir, não tem dinheiro para comprar a passagem".Nossa , pensei nessa observação do professor a vida inteira. E cheguei a conclusão  de que seja la como for, a liberdade de ir e vir e fundamental para todos.  O Estado não pode ser uma grande cadeia sem grades. Assim como não aceito os manicômios que aprisionam e por ai vai. Só um à  parte.

Mas um à  parte importante para entender esse filme que é bem mais do que mais um filme para adolescentes. É uma metáfora do  que  somos.  E uma demonstração complexa de como a felicidade são momentos a alcançar. E não uma plenitude contínua que muitas pessoas teimam em perseguir.

Para haver uma convivência "pacífica" permanente, todo o poder, a verdade, a memória, as decisões estão nas mãos dos "anciãos", o Estado, podemos chamar assim. . E este define arbitrariamente, o destino de cada pessoa.

Um nível de satisfação é mantido num lugar bonito.  A um preço estarrecedor. Não existe DESEJO tudo é determinado pelo poder e aceito pela comunidade.   Para nao haver  guerras,  as emoções são controladas com uma injeção diária  que retira a capacidade de sentir. Olha o drama.  E assim as mais loucas leis são toleradas. Tipo: nascem gêmeos. O mais pesadinho vive. O menos, toma uma injeção na cabeça e vai para "alhures".Morre. É a lei do mais forte, só que determinada ao nascer. Lembra o nazismo? Completamente: uma raça de humanos mais capazes. É assim que todos são "iguais".Eliminando a diferença.
                                                        Kate Holmes nem aparece no cartaz.....

Não existe matança entre os homens, existe o envio à "alhures" de fulano que ousou mesmo tomando injeção, ter algum questionamento.

Interessante ter  a  Kate  Holmes no elenco. A presença dela numa sociedade como essa, nos remete diretamente aquela seita, da qual ela foi tão contra e quis sair correndo com sua filha Suri. Diziam os  jornais na época, que queriam retirar a filha dela, para que fosse criada com um grupo de crianças, que desde cedo receberiam os ensinamentos da Cientologia.  Não sei do que  trata, não gosto da ideia e aparentemente Kate Holmes fez muito bem ao preferir "alhures".

Assista esse filme, para pensar na vida, durante e depois. É bem interessante. Ainda por que estamos em véspera de eleiçoes. Escolher um candidato a presidente é decidir o nosso destino  Sinto que os que estão no poder,  já ficaram muito tempo no Governo. E prefiro que eles deem lugar as novas ideias.
                                         Amor? Não existe essa coisa burguesa, companheiro.
                                       É tudo muito superficial, tudo pela "causa", Lembra alguma coisa?
                                     
Não estou mudando de assunto, só enfatizando como é interessante ver um filme como esse, onde se entende pelo menos metaforicamente o que é o poder de um estado totalitário. Pra onde se não cuidarmos,   iremos, diante do cenário que se apresenta. Então, espero que as urnas não estejam viciadas como nos cassinos.Por que a vida da gente não pode ser um jogatina.
E que tenhamos consciência para votar bem. É a falta de consciência que leva às utopias extremas, malucas. inviáveis, sem que seja feita uma lavagem cerebral em cada cabeça pensante para que o inaceitável seja aceito.

                                           conciência  X alienação de um estado castrador.


Assista o filme depois venha me contar. Vale o ingresso, de verdade. Assista.

Um filme de Phillip Noyce com Brenton Thwaites, Jeff Bridges, Merrylll Str.  e Kate  Holmes.
Fotos de divulgação encontradas no Google.

2 comentários:

  1. Camille, querida, estou em falta com os blogs e vejo por aqui tão boas dicas, você sempre antenada!
    Vou ver sim, adoro filmes com temática para pensar durante e depois.
    E tem Meryl Streep? Deve ser bom demais!
    beijos cariocas


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    Respostas
    1. A aparencia desse flime é a de ser coisa para adolescente. Mas pode se ver desse jeito, e pode se prestar atenção no enredo e ver que uma terrível metáfora, de um tanto de "utopias " que ja foram postas em prática e que horror que foi aquilo. Ideal não existe. Quando começa com esse tipo de fascinação pelo controle para tudo ser ideal, chega-se sempre numa ditadura onde os meios justificam os fins.Vale assistir. Mesmo sem pipoca. Bjosss

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