25 setembro 2013

SE A AUSTRIA FICA NA CHINA, ONDE É QUE EU ESTOU MESMO?


Tudo bem que o mundo esteja tão globalizado,  tão blogalizado... que  é natural um país decidir clonar a cidade X do outro país, descontextualizando -a completamente   de sua  história, criada por seus moradores, os viventes que ali  constituíram familia e descendência,  carreira,negócios,comércio, e deram aquele  lugar  uma “cara” , sua marca registrada.

Ah,  a marca. Que nesse espaço público chamado mundo, deixa  de ser a impressão, aquilo que distingue  X de Y e singulariza  alguma coisa ou alguém. Para torna-se um bem – ou mal- ou nem bem nem mal, tanto faz- comercializável, adquirível , expressão do espírito do agora - muito  mais do que simplesmente, no caso da cidade austríaca,  o  espírito de um lugar.

Por que a época, o tempo,diz  muito mais do que o lugar-espaço, nesse  preciso momento? Por que  “time “ é  ”money” ?   Também. A  pitoresca cidadezinha austríaca custou caro. E com seus milhares  de visitantes,  está  fazendo  montões de dinheiros -  um  negócio da China.  Mas o tempo ainda é soberano para essa compreensão da coisa toda,  pelo  nada  simples fato de que  : por que não  antes? Walt Disney já pensava nessas clonagens  com seu criativo e visionário “Small World” há  50 anos atrás. O que vem a ser o multicultural replicante Epcot Center e para além?

Entre quatro paredes tudo é possível? Exatamente.  Walt Disney criava parques  temáticos. Realidades entre aspas,  mundos de  fantasia.  Agora -e não antes,  a proposta é semelhante,  mas se ampliou tremendamente: eu compro uma franquia da sua marca,  e planto-a,  onde eu bem entender.Se eu quiser  colocar no quintal da minha casa,  tudo bem.  E se quiser enfia-la na Conchinchina também.  Estou pagando por ela. É minha .  Só não posso denegrir ,como em todo sistema de franchising que se preze,  o seu nome.  

A exemplo do Zhang Lafitte, réplica do  famoso Chateau de Maisons-Lafitte do século XVII, que hoje  em Beijing século XXI,   abriga um hotel de luxo, um espaço  de convenções  e um  museu de  vinhos. Ula-la-la.   Tudo tem que funcionar direitinho, de forma inclusive a enaltecer o  original parisiense,  a marca.  De preferência até  “com alguns  melhoramentos”, como diz Mr Zhang o idealizador que nomeia o projeto:
“eu quis mostrar como Beijing está correndo  para  alcançar o mundo”.

 Pode  ser. Um jeito bem  peculiar de entender o fenômeno- como um  similar de progresso.  Aceitável como bom, em  um tempo- o nosso agora- em que o virtual salta da tela do computador, para tornar-se real, num vice-versa infinito.  Real  mesmo,   ou artificial? Chamemos então de realidade. Aquela coisa lotada de imaginário, que a gente acredita tanto. E ainda chama de louco que está fora dela.  Mesmo assim, não é progresso,  é  só  similar. Quem se importa?

Isso me  faz lembrar uma longínqua cena,   de um dia em que cheguei na faculdade,com uma autentica “Burberry” a tiracolo-por sinal, comprada  não em Londres, mas no “El Corte Ingles”, numa dessas rebajas-  e uma colega  perguntou:” é de verdade?” De verdade é: pega nela , respondi. Como também seria  de verdade, se eu a tivesse comprado na 25 deMarço, nossa Canal Street, nossa China Town ...Mas acho que você está querendo saber se é original, autentica, da marca Burberry, é isso? Sim, é autentica,afirmei .  “Uau!!!  Adoro uma bolsa  de griffe de verdade. “ disse a guria.
Ok, você venceu: propriedade de marca = verdade. Eita mundo surreal.
Então recaptulando:  construir  uma cidade austríaca, ou replicar o Chateau Lafitte  na China é progresso,como quer seu criador? E usar uma  Louis Vuitton da 25 de março,  vai tornar  você mais  requintada  ou  mais rica? Não vai.  Ainda assim, aos olhos de outros, você poderá parecer e até se passar  por mais abonada do que é.  E  o castelo igual ao francês,  dará aos  chineses mais "savoir faire" ou quem sabe,  “liberdade, igualidade, fraternidade? “. Também não.
Você pode comprar a marca registrada ou a marca fake . O que  não compra é a história original de  um povo, cujo o  conjunto de valores  num determinado tempo,   fez surgir uma dada ... realidade.  Aquela,  lotada de imaginário, de um  momento  histórico e não de outro. Mas.... quem sabe o  “chateau”, além de atrair  muito dinheiro pela curiosidade, poderá dar a Beijing  alguma coisa a mais:uma conexão  maior   com a   cultura francesa, uma vontade de  conhecer  aquele também  velho, mas  diferente  mundo?
Lá  é melhor? Não sei.  Mas pelo  menos está  mais perto  do “igual a todo mundo”.  Igual a todo mundo, com um diferencial especial: além da Torre Eiffel,  da Chanel, do ideário daquela  revolução em que a realeza perdeu a cabeça, os castelos estão lá para mostrar que um pouco de noblesse embeleza a paisagem.   Marca registrada de uma história que,  essa sim, não é possível adquirir.   Mas  parecer que a ela pertence.   Ao estar Linked in à  França, à  Austria, ao  que bem entender, sentir-se  com mais  potencia, e menos por fora  desse  tempo. Qual tempo?

  Se pensarmos bem, o tal Mr Zhang está certo em sua construção: com cópias e fabulosos implantes, a China   está correndo para alcançar o mundo, não o velho mundo europeu. Sua civilização é muito mais antiga e sua  História é também rica e  fascinante. O que se quer é o  admirável  mundo novo, circular,  onde  tudo parece possível pela mão do homem e seus instrumentos mágicos.  Esse parecer tão  poderoso -e “fake”- quem somos nós além de meros porqueirinhas?-  é a marca registrada do nosso tempo.

Fonte de informação e consulta: o  super poderoso Google.

12 comentários:

  1. Eita mundão! Globalizado demais para o meu gosto. Está tirando as caracteristicas gostosas da nossa terra e criando mundos paralelos e iguais! Assusta! Adorei o post!
    Beijos
    Adriana

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    1. Pois é Adriana, essas criações todas vão tirando o pé do chão e fica dificil imagnar o daqui para frente quando tudo pode ser mexido. Era mais bonito quando tudo não passava de "reinações de Narizinho" ou os projetos da Emilia. Era tudo mais gostoso mesmo. Beijos e obrigada pelo comentario.

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  2. Oi, Cam!
    Por mais rica e milenar que a China possa ser, essa história fez lembrar uma senhora que voltou toda empolgada pela primeira vez que foi à Paris e quis colocar a réplica da Torre Eiffel no centro do seu jardim. Ela me perguntou o que eu achava e respondi: Que tal o Cristo Redentor?
    Ela caiu em si que estava sendo ridícula e até hoje damos boas gargalhadas com essa história. Mas não sei a intenção. Talvez queira agradar os compatriotas. Alguma coisa do tipo: "Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé"
    Beijus,

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    1. Nossa, entao existe uma pessoa que queira colocar uma replica no seu jardim!!! Hehehehehe. Realmente.... Você tem razão quanto a quererem agradar a populaçao sem condições de dar um ´pulinho logo ali. Mas que tb pouco tem para comer.... Talvez atenda a graça dos grandes milionarios que existem por la, apesar da revoluçao..... Bjos e boa semana!! ( preciso falar com voce)

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  3. Anônimo13:49

    É, a China está dominando o nosso país, também!! 80% dos meus clientes, no momento, é de origem chinesa. Isso me assusta!! Parabéns pelo texto, sempre muito bom!!

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    1. Imagino mesmo. É um mundão de gente. Cheios de expectativas com relaçaõ ao restante do planeta que agora podem abraçar. Vamos tratar de tomar conta do que é nosso no sentido de aproveitar, antes que os aventureiros lancem mão. Mas também são bem vindos!!! O mundo virou um tudo de todos mesmo. Bjoss Herminia. ( acho que é seu o comentario)

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  4. Excelente texto Pauline. Com a globalização o mundo virou quase um no todo informatizado. Por um descuido do real nos encontramos no irreal da vida dentro da
    caixinha. Ainda podemos brincar de faz conta fora dela.

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    1. Muito grata Marilene. Vindo de voce o elogio fica mais enobrecido. Ilustre escritora/ jornalista ( meu avô falava assim "ilustre causidico, brincando ou sério). Tb estou brincando e falando serio quando se trata do ilustre com relação a você. Estar no mundo é absolutamente espetacular nesse momento em que podemos visibilizar nossas ideias. O Brasil esta realmente demosntrando de modo bem real, o despreparo ainda do buraco negro que foi a ditadura. E por outro lado, que o ser humano para valer alguma coisa precisa de um certo polimento, senao estamos ali no meio da selvageria da grana solta. Venha ter um blog Marilene. Ja tivemos uma comunidade bacana por aqui. Tem um lugar esperando por voce.Vamos reerguer esse espaço. Bjoss e obrigada por vir ler.

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  5. uma pena q o facebook trouxe uma parada nos blogs, ne. q texto excelente! volte a escrever, viu. adorei reler esse post

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  6. Amigo, o teu blog sempre foi o mais lindo,o mais profissional, informativo, engraçado, divertido.Alias voce é divertido em todos os batcanais. Multimidia mesmo. É que o blog é um espação,uma comunidade que criamos. Nos afastamos dela, mas podemos voltar. Cada um de nos inspirava o outro.Voce ficou muito mexido com a morte das suas amigas. Mas é a vida. Bjoss e obrigada pelo comentario.

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  7. Acredito que eles (enorme China) simplifiquem a todos o que poucos podem possuir.

    Quanto ao nosso mundo dos blogs, eu cansei, mas os proprios amigos me incentivaram a desistir.

    Bjs

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    1. Acredito, por que os blogueiros foram sumindo. E escrever para nao ser lido,a gente faz um diario nao é? Sinto muita vontade de reabilitar os blogs, todos, comunidade. Quem sabe? Bjoss querida. Bom final de semana! Des- canse.

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