22 agosto 2010

Filme: a vida da pintora Georgia O'Keeffe



Há uns vinte anos, quando fui a primeira vez sozinha a Nova York, não era a primeira, mas uma vez muito especial: sozinha, podendo andar por todas aquelas ruas numeradas, entrar em todos os museus ou não entrar, olhar fotografias, ver os brechós. Descobrir a mim mesma e minha vontade de fazer coisas na vida.
De repente me vi horas e horas no subsolo do Metropolitan Museum, que naquela época abrigava uma loja discreta de posters e sei lá por que, pouca gente visitava. Depois de ver tudo que podia no museu, me meti por lá e olhando poster a poster, em um museu que não se sobressái exatamente por seus quadros, me chamou a atenção um poster de Georgia O'Keeffe de quem eu nunca tinha ouvido falar. Puramente ter achado bonito. Flores e um fundo azul, comprei.
Hoje a noite, finalmente comecei a assistir filmes que encontrei, bem antes de sair de férias com minha filha. E passei a mão em um com a vida da pintora. Comecei a ver sem fé, apesar dos atores Joan Allen, de versatilidade ímpar e Jeremy Irons de dramaticidade idem, estarem nos papéis principais. É que tenho visto muita porcaria de filme. Mas esse é bom.
Bom por que conta a vida de Georgia O'Keeffe. Uma mulher que se casa com o fotógrafo famoso e talentoso, Alfred Stieglitz. E fica conhecida primeiramente por ser a esposa fotografada nua e exibida em uma exposiçao de arte. Esse é o start da carreira de Georgia. Que segue em frente com seu desejo de se expressar, de ser amada e de ser mãe. Coisa que o marido, já separado de uma outra família lhe nega e ela aceita, por que ? Não sei. Talvez por que naquela epoca como aliás agora, as mulheres não tenham ainda alcançado total autonomia como almejariam, por sua incessante necessidade de serem amadas e aprovadas por seus companheiros. E eu , claro, conheço bem isso.
Seu marido fotógrafo,aparentemente indiferente ao seu amor e as suas necessidades, passa a se relacionar com outra mulher, uma ricaça sem mais o que fazer e que poderia lhe dar a sensaçao de poder total que alguns homens precisam para se sentirem seguros, mas não necessariamente felizes. Georgia então vai se consolar na casa de uma amiga no Novo México e acaba se apaixonando por esse lugar que se torna a sua moradia para sempre.( Também me apaixonei só de ver o filme)
A trama é focada nesses dois personagens. Mas o interessante é ver o caminho trilhado por Georgia O'Keeffe em busca de sua identidade como ser humano e como pintora. Alguma coisa ali que me lembrou Frida Kahlo. Keeffe é mais abstrata e Frida mais visceral. Mas existe um ponto de encontro entre as duas, muitos pontos: cores, sofrimento agudo por amor, busca de si mesma, frustrações com relação a maternidade. E um enorme talento.
Espero um dia ver uma retrospectiva de Georgia O´Keeffe. O filme termina definindo-a como "a maior pintora da história". Não sei se é, e pouco importa esse ranking. O que interessa é o ser humano tridimencional que está para além das telas e ao mesmo tempo, dentro delas. Valeu.

9 comentários:

  1. de qual colorido vc fala? olha, se for aquelas bolinhas coloridas no background, nao é photoshop, nao. Aquilo é criado quando se capta a imagem em camera lenta, com a lente transparente e o flash, de dia.
    Antigamente, quando eu via fotos daquele tipo, eu achava que era PHOTOSHOP, mas nao é, nao.

    Aquilo é luz, Cam. Mas, em 20 fotos, nem todas tem aquele background e colorido daquelaforma. Para que fique daquela forma, mutias vezes, a luz tem que ser excessiva (exagerada). Eu nao fotografo em JPG, nao...É em modo bem cru, justamente para captar a imagem como ela é , realmente. Ou seja,

    se na hroa de clicar a luz< aumentar, do sol mesmo, as bolinhas ficam maiores, mais coloridas.

    É impressionante, o mundo da fotografia.

    sao técnicas que me levram a ficar horas tentando aprender...bjs e dias felzies


    MAS, SE NAO FOR NADA DO QUE EU FALEI, ME ENVIE UM EMAIL QUE TE MANDO MAIS INFORMACOES.E os tutoriais de como vc fará apra captar imagens iguais...

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  2. Faz tempo que não me divirto, assistindo a um bom filme. O DVD esta encostado e acho que seguirei suas sugestões, que só de ler sua sinopse, nos faz viajar

    Fui de taxi na rua do Gasômetro e descobri esse museu, mas não entrei, fui direto ao Mercadão almoçar com a esposa

    Esse é o site http://www.cataventocultural.org.br/home.asp?

    Bom domingo a vocês divirtam-se

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  3. Deve ser bom filme, mm.
    Tb um dia quero ser budista- ainda não consegui chegar lá- um dia chego.
    Qto a foto do trilho- será um só? acho q não- tb não sei.
    E realmente é uma delícia ter filhos q comportilham c a gente- ainda mais qd já são 'adultos'- este tem 20 anos.
    Bjs p vcs duas-mãe e filha.
    Laura

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  4. Oi CAm! Gostei da descrição do filme - mais do que descrevê-lo, você deu cor a uma história que poderia ser sua, minha, ou de outra mulher nos tempos atuais - pouca coisa, de fato, mudou. Eu lhe enviei um email, sobre aquela curiosidade que fiquei com o seu último comentário, mas estou achando que você não o recebeu. você me avisa? Um beijo, Deia.

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  5. Olá, só agora tive tempo realmente de responder. Obrigada pelos elogios, são palavras como as suas que me estimulam a escrever, e compartilhar isso com outros que também possam se interessar e trocar uma ideia legal...

    Gostei do tema dessa exposição, como uma boa nerd, confesso que me atraio por essas coisas que conotam uma vida em outro planeta (não é a vida inteligente de outros mundos que atribuem os tais circulos misteriosos? rs) vou dar uma olhada nesse blog que você me indicou sobre isso, obrigada.


    www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

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  6. Boa noite carissima, engraçado que conforme eu fui lendo seu post fui pensando em Frida Khalo, mnas assim como vc eu ainda não tinha ouvido falar nessa "personagem". Vou atrás do filme. Boa noite pra vc e boa semana...

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  7. Cam, sobre ter filhos e satisfazer gostos dos maridos, bem... Não sei nada da biografia da pintora, somente um pouco de sua obra, mas o pouco que sei posso compreender que em 1924 aos 37 anos, uma mulher era considerada "velha" para ter filhos. Minha mãe teve o primeiro filho com 43 anos, mas já ia para o ano de 1964. Antigamente era tudo muito difícil e quem sabe o marido só olhou por este ângulo? Pois pelo que vi no filme, ele a traiu a amando. Como pode? E naquela época ela já teria transgredido bastante, se pensar que posou nua naquele tempo - lógico, Paris fervilhava com o Belle Epoque, mas na América? Sempre foi preconceituosa e as artistas que seguiram a irreverência européia foram massacradas e somente tiveram alguma "honra" depois que morreram. Mas tudo é questão também de postura, Georgia O'Keeffe era ativista e participava do movimento feminista.
    Quando você citou Novo México, logo evoquei Frida. As cores do México sempre influenciaram os artistas com suas paisagens selvagens, bem diferentes das paisagens de Nova Iorque, tão civilizada e moderna.
    Procure pelo filme "Mother O'Keeffe: The Other Georgia O'Keeffe"- que fala das controvérsias e o mistério que envolve uma parte da vida de Georgia, é analisada a teoria de que o "Canyon Suite", a famosa série de aquarelas da artista, não foi trabalho dela e sim de seu filho adotivo que no momento da pintura "a criação, seria o responsável por essas obras. O Filme é recente também (2007), a atriz Marsha Mason foi indicada ao oscar por ele.
    Ela sofreu não com a dor de amor, mas da traição. A natureza e a cultura se conjugam de modo muito confuso para juntar na mesma casa e na mesma cama seres tão distintos e que pensam tão diferente sobre o amor. Como diz Dorival Caymmi, não tem solução.
    Boa semana! Beijus,

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  8. Um filme maravilhoso! Aliás, estou escrevendo uma resenha sobre ele. No texto final, não se diz que ela é a "melhor pintora", mas, que é a melhor entre as artistas norte-americanas. Bom conhecer seu blog.

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    1. Ola Fernando, todos os comentarios acima são da época em que escrevi esse texto. Um momento do blog que ainda nao dava para responder comentarios. Hoje vi o seu e entao vim aqui responder. Bacana, quero ler a resenha. Eu sempre escrevi aqui no blog sobre filmes que assisto, sem pesquisar muito. Mas veja o comentario acima do seu,tem diversas ideias que eu nem imaginava. Boas dicas. Ser uma das melhores entre as americanas suaviza bastante. Ai ja da para concordar.Sucesso para sua resenha!!!

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