27 abril 2008

O caso Isabella Nardoni

Quando comecei a escrever meu primero blog Camélia de Pedra”, há mais ou menos uns 5 anos atrás, minha motivação foi um crime que aconteceu num condomínio, na Barra da Tijuca, quando foi assassinado um casal. O marido, um alto executivo da Shell. Nada na casa havia sido aparentemente roubado, por que encontraram o relógio do homem na cabeceira e dinheiro dentro de uma valise. Como se esse fosse o único interesse para um roubo na casa de um executivo de multinacional que provavelmente conhece segredos da empresa, estratégias de mercado contra a concorrência, etc. Me espantou na época, com que facilidade o então governador Antony Garotinho acusou os três filhos do casal: um de 13, um de 10 e um de 4 anos, do crime. E não deixou essas crianças partirem ao encontro de seus parentes nos Estados Unidos, antes do assassinato ser esclarecido. Me lembro que a menina pequena acordou a noite e com os pais já mortos, deitou ao lado deles, numa “lama marrom” Levantou de manhã a pequena banhada em sangue enquanto seus pais “continuavam dormindo”. E isso pareceu uma atitude muito suspeita para as “autoridades”. Na época eu dizia que a segurança púlbica sofria de “rigidez cadavérica” e que se chamasse o Gilberto Braga, no ar com uma novela e um assassinato de grande ibope, para desvendar o crime. Daí me ocorreu esse nome, Camélia, pela sensibilidade da flor que escurece a um simples toque. E de pedra, em contraposição a tanta sensibilidade, a dureza da vida.
Hoje olho para esse caso da menina Isabela, que aparentemente foi assassinada pelo pai e a madrasta e mesmo com tantas evidencias, não se consegue ainda desvendar o crime. Parece até que a própria cultura, a sociedade, a policia, precisam de um tempo para “repetir e elaborar”. Dá para entender. E não se pode condenar alguém sem ter toda a certeza. Quem sabe um E.T. baixou ali e maltratou aquela criança até a morte? Quem gritava pára papai, pára papai! Que os vizinhos escutaram e contaram nos primeiros depoimentos? Será que era a menina ainda viva, ou irmãozinho de 3 anos, idade em que a criança já compreende, ou pelo menos intui, quando a brutalidade acontece a sua frente?
Há 18 anos atrás, quando comecei na publicidade, minha primeira campanha, ainda durante o estágio numa mega importante agencia de São Paulo, foi sobre violência domestica contra crianças, li muito a respeito. De como as pessoas de classe AA também fazem parte desse grupo de pais que espancam e maltratam. E pedia a denuncia, sempre que se escutasse ou visse qualquer movimento suspeito. Pena que era só um estágio e aquilo era um exercício. Devia ter lutado por essa causa.
No ano passado,tive que fazer uma aula- para completar o currriculo de Psicologia- de Psicologia em Saúde, com os alunos de Fisioterapia e Enfermagem. O professor ensinava a reconhecer os casos de violência contra criança e como agir em consultório. Contou a história por exemplo de uma menininha de 5 anos, que não queria tirar a meia calça para ser examinada, de jeito nenhum e sua mãe nada fazia para ajudar. Ele então pega um copo de suco e joga nas pernas da menina, obrigando a mãe a tomar providencias. Ao tirar finalmente a meia calça molhada, ele viu as marcas fortes de ferro quente de passar roupa,”tatuados” nas duas perninhas. Todo mundo chorou.
É o caso de se levantar uma bandeira, pela não violência doméstica de jeito nenhum. Contra crianças, pior ainda. Eu sei o que é ser abusada. Descobri isso na minha vida adulta, meus pais jamais me bateram. E uma criança não tem como se defender, pedir ajuda, fazer B.O. , se precaver, sair de casa, denunciar. Vamos blogueiros, ao invés de uma blogagem coletiva que dure um dia apenas. Vamos fazer uma campanha de longo prazo? Aceito adesões e sugestões.
E que o espírito dessa menina Isabela, esteja em paz.
Boa semana,
Cam

8 comentários:

  1. Amiga esse tá sendo um caso realmente assustador.
    Pensar que o pp pai fez isso com a filha doi, é cruel demais...mas nós sabemso que os er humano é capaz sim de fazer isso e até mais.

    Um bjão!

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  2. Queridíssima, eu aceito fazer parte de uma campanha conta a violência doméstica sim...eu tb fico para lá de arrasada com coisas como essa que aconteceu com a Isabella. Quanto ao seu post aí de baixo é sempre bom ter cuidado porque infelizmente a inveja, energia negativa ou o que for vem justamente de quem a genet menos espera...eu mesma só aprendo isso depois de apanhar muito com pessoas que eu confiava cegamente! Um cheiro enorme, saudades de tu.

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  3. No meio de tantos fatos não esclarecidos tem uma menininha solitária e morta, sem direito de descansar em paz.
    Há de ser feita alguma coisa para amenizar dores e sacrifícios contra inocentes.
    bjs

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  4. Oi Camille!

    Realmente é um assunto sério e como tal deve ser tratado. A "espetacularização" desse caso já passou dos limites, mas ninguém parece notar.

    Gostei da idéia da blogagem.

    beijos moça e boa semana,

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  5. ela está em paz. Tenho certeza... quem ficou aqui é que nao está!!!

    Nao lembro desse caso do executivo da Shell!! Ai que dor... meu filho vim pra minha cama e eu está morta!!!

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  6. A idéia da campanha contra a violência infantil me agrada e muito! Conte comigo!

    Beijinhosssss

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  7. Camille,

    essa história é tão terrível que eu ainda custo a acreditar que o próprio paí teve coragem de cometer esse crime tão vil. Acho sua idéia excelente.

    Beijos.

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  8. Eu não sei fazer essesbotões para se colar no lay-out, mas vou encomendar um. Que tal nós o espalharmos pela blogosfera?

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