21 julho 2006

Suzane e aquele assunto dificil de se tomar conhecimento

Eu estava lendo agora a pouco o que a promotoria escreveu como discurso contra Suzane não sei o que e os irmãos Cravinhos. Até aí, a coisa light. Acho , mas não tenho certeza que, jurados são escolhidos aleatoriamente e o nível cultural deve variar bastante. ( Lembro de quando trabalhava em um hospital psiquiátrico nos EUA e de vez em quando tinha que escrever uma cartinha para o governo alegando que um paciente ou outro não podia fazer parte do juri por razões óbvias- e como isso era comum...) Imagino então que, diante de um corpo de jurados variado, o promotor deva se esforçar para explicar o caso tim-tim por tim-tim e se fazer entender. Pareceu simples e até simplório aquele texto de acusação. A realidade, a mim pelo menos, parece bem mais dura.
Lendo o tal texto, lembrei de um livro do psicanalista Contardo Calligaris "Cartas a um jovem terapeuta" como "Cartas a um jovem poeta" de Rilke, quando ele fala de seus limites éticos. Alguém numa palestra perguntava o que ou quem ele teria aversão a ter como analisando. Por exemplo, um travesti? Ele responde que um travesti seria interessante de analisar. Uma pessoa com um grande conhecimento e questionamento sobre a sexualidade e que isso em nada feria a sua ética. Mas que se recusaria a aceitar um paciente que tivesse cometido algum crime, algum ato grave, em nome de alguma coisa ou instituição. Imagino que nazistas, facistas, fanáticos religiosos e pessoas assim. Que cometem atrocidades em nome de uma crença louca varrida. Concordo.
Mas voltando a Suzane não sei o que e os irmãos Cravinhos. Eles não fazem parte deste grupo. A única crença louca por tras do ato é a de que poderiam ficar com a herança ou o seguro de quem mataram. Muiiiiiito louco. E assustador, se pensarmos na "sagrada" relação entre pais e filhos.
Quem nunca pensou, pelo menos da primeira infancia à adolescencia em dar um matadinha no pai , na mãe ou em ambos, que atire o primeiro édipo. Mas do pensar ao fato, tem uma gigantesca distância.
Será que Contardo aceitaria Suzane como analisanda? Se é que ela gostaria de um analista. Aparentemente ela só quer e só pensa em ganhar dinheiro caido do céu. E mais nada. Mas será que Contardo aceitaria a moça, a criminosa, a assassina, a louca varrida, a menina assustada, a psicótica, a borderline ou sabe-se lá de que forma seria melhor chamá-la? Como não conheço o Calligaris e não quero ficar somente imaginando, vou procurar um grande analista para me responder a essa questão. Vou bater na porta do Rubens Molina. Se ele me reponder, eu colocarei aqui sua opinião. E como esse espaço ainda é pouco visitado, os happy few saberão.
Aí está a resposta do Mestre Rubens Molina. Que ao meu ver não podia ser outra partindo dele. Eu só queria checar. Leia. E confira no blog dele, post de domingo agora. O cara é tão bom de bola, que um dia desses um outro analista muito conhecido na praça me deu os parabéns por ter feito 12 anos de análise com ele, como se isso fosse uma formação. E é.
Beijos Molina e obrigada por tudo.

É claro que aceitaria. Quais são as condições necessárias para esta aceitação? 1a-Que ela queira. 2a-Que me exlique por que quer. 3a-Que eu me deixe levar pelo pedido dela, ou seja, que me seduza muito bem para que eu queira também, em suma: Me dê uma boa cantada. Isto feito tocaremos o barco.
Só argumentos de ORDEM MORAL ME IMPEDIRIAM DE ACEITA-LA. Como posso eu aceitar uma analisanda acusada de participar de um duplo homicídio? De ser chamada de interesseira e torpe etc e etc. A Psicanálise deve estar afastada destes julgamentos morais, não é sua tarefa. Um Psicanalista deveria estar indiferenciado em relação à estas questões pois o que importa não é isto, isto já há demais no Mundo. Que se escute, é a regra para um Psicanalista, todos aqueles que desta escuta estão necessitados e por isto pedem. Se não necessitam não pedem. NEGUINHO PRECISA ESTAR SOFRENDO PARA PEDIR PENICO.
Em uma estrevista em Roma no ano de 1974 perguntaram a Lacan( O Triunfo da Religião, pág 64 ) se ir ao analista não é o mesmo que se confessar. Ele respondeu que esta história de confissão é conversa mole para boi dormir e que em uma análise começa-se por explicar às pessoas que elas não estão alí para se confessar. É o começo da ARTE. Elas estão alí para DIZER-DIZER QUALQUER COISA.
E digo mais D. Camélia: O Analista não está aí para julgar quem quer que seja, para isto existe a Justiça. O Analista não está aí para culpabilisar ninguém, para condenar e/ou absolver pois para isto existem as religiões. O analista não está aí para rotular ninguém como fazem muitos profissionais, que não considero colegas. Até o Jabor chamou a moça de psicopata, para você ver a desenvoltura de como se movimentam aqueles que chutam cachorro morto. Tô fora.
Atenderia sim, satisfeitas as condições, via webcam em minha análise on line, se ela assim o desejasse e se o sistema prisional permitisse. Não só à ela mas a todos aqueles que por aqui passam e se deixam seduzir pelo "papo brabo" deste modesto artesão da escuta da palavra.

4 comentários:

  1. Claudia Blue15:43

    Bom ver vc de volta.. estive em férias mas voltei a ativa.. o Bolsa mudou de endereço vou colocar meus links
    http://bluevelvet.zip.net
    http://nabolsadamulher.blogspot.com/
    http://newsblog.com.br/
    Qto ao caso richthofen eu achei uma frieza enorme dessa menina... acho que ela é a mais culpada.. e não demonstrou arrependimento em nenhum momento... triste demais isso.. tinha tudo pra ser diferente.. mas a mocidade de hj mão tem limites.. beijão

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  2. Gostaria muito que vc pudesse fazer chegar este texto à grande midia. O que aqui é exposto é radicalmente diferente do que se lê lá, pois é Psicanálise e não é discurso moralisante da maioria. Bjs e Obrigado

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  3. É, acho que o Rubens Molina falou tudo: a psicanálise não está aí para cobrar moralidade de ninguém, acho isso a coisa mais importante para diferenciar de confissão... muita gente faz essa comparação.
    Não sou psicanalista, mas acho que o analista pode recusar um analisando se não puder deixar sua moral de lado enquanto estiver escutando, né? Claro que nem sempre é possível fazer isso, porque ele também é humano e acho que em algum momoento, por mais que ele esteja "treinado" nisso, a moral bate à porta e eu entendo quem recusa um analisando nessas condições. É melhor do que aceitá-lo e ser desonesto... Nossa, isso é muito difícil de discutir... beijos, querida

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  4. Complicado, complicadissimo, nem tenho que dizer sobre isso... beijos!

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