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11 outubro 2011

Meus armários novos trouxeram antigas e lindas recordações.

Ao Jorge Luiz do São Vicente.


Outro dia minha prima Marcella postou uma foto de nossa avó, a irmã dela e mais uma velhinha "agregada", a Gelice, que morava em outro andar, mas fazia todas as refeições na casa da vovó. Emocionda a prima dizia: nossa, em mudança a gente acha tudo!!!! E escreveu na foto: familia.
Hoje finalmente os armários do meu quarto ficaram prontos. Ia dizer, meu quarto de solteira. Mas não é bem essa a minha condição. Até hoje eu durmo em um lado da cama, não ocupei a cama inteira não. Mas hei de ocupar. É só uma questão de tempo, para me espalhar. Além do mais, ser solteira é bem diferente de ser divorciada, ou viúva, com filhos para criar e dar conta. Enfim é outra situação, ainda bem. Gosto da minha, e me sentiria um tanto vazia sem ela. Estou numa idade boa para ter uma família muito especial, como eu tenho.

O que eu ia contar aqui de mais interessante é que para trocar os armários, a gente tem que tirar umas quinquilharias do baú mesmo. E eu tinha caixas aqui em casa, que não eram abertas desde a minha mudança, por que não havia lugar para guardar. Agora abrimos e achamos coisas que tinhamos dado como perdidas, nós as duas peregrinas, eu e Anna.

E nisso também achei uma foto muito emocionante, do Jorge Luiz, coordenador do colégio em que eu estudei, o São Vicente de Paula. Ele era tão especial que me falta inspiração hoje para falar dessa pessoa. Mas é uma foto que eu olho e penso como minha prima- familia, é da família. Ele além de ser o coordenador do 2 grau, era vizinho do meu padrasto numa ruinha linda no Jardim Botânico. A casa do meu padrasto inclusive, tinha pertencido ao Manoel Bandeira. Não é gente bacana demais? Eta vizinhança bonita. E que escola linda que eu estudei. Linda por dentro, linda de caráter, linda em Educação. Em Ensino com letra maiúscula.

Mas não coloquei meu filho mais velho para estudar lá. O Jorge Luiz, aquela grande alma da escola, ja tinha morrido e tudo já não era mais a mesma coisa. Será que se tudo não era mais a mesma coisa, nós também não somos mais os mesmos? Não posso acreditar. Alguma semente ficou. E quando eu olho um simples e-mail que tem o nome dos meus colegas, me emociono. Somos nós, aquela fraternidade do Jorge Luiz, o melhor educador de quem eu já ouvi falar. O melhor educador que eu pude conviver. Conheci Paulo Freire. Ouvir suas histórias em Genebra, sobre seu trabalho na África e suas saudades de Recife, foram momentos bem emocionantes de uma tenra idade e já engajada. Mas não convivi com ele.

O Jorge Luiz foi diferente. Foi ele quem me mostrou que eu tirava zero em Física por que ficava nervosa. Fiz uma prova na sala dos professores e tirei 8,5, numa coisa que eu dizia que "jamais" conseguiria aprender. Não precisava. Já sabia, só precisava de ajuda para colocar para fora. Foi ele também quem nos ensinou "Viola Enluarada", sua música preferida e "hino" da "nossa" escola.

E é assim que eu quero que continuem sendo essas lembranças: a escola melhor do mundo, com os colegas-irmãos, os melhores do mundo. Meus queridos, meus amigos, as pessoas mais confiáveis que se pode pensar em estar perto. A quem eu só quero bem.

Foi com o Jorge Luiz que nós aprendemos que não há diferenças, somos todos humanos. Podemos olhar a realidade e simplesmente ver. O mundo é isso, a política, a ciência, o idioma. Olhar e ver. Sem imaginário doido. Olhar e ver. É isso. Obrigada Jorge Luis, por me abrir o caminho de olhar e ver. Que todos nós possamos mesmo olhar e ver, quem somos, no que nos tornamos, e no que ainda temos de nossa essencia primordial. Cheia de amor, de idealismo, de correção, de ética, de respeito. Olhar e ver . Essa é a sua imagem. Bonita. É olhar e ver.

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...