17 setembro 2014

Baderna na escola privada.

   Minha filha está descontente com sua escola. Aquela mesma, que um dia contei, sobre a primeira reunião de pais, com o texto do Eduardo Galeano  em que um filho  diz: "´pai me ajuda a olhar" diante da  imensidão do mar que via pela primeira vez.

  As queixas se concentram no comportamento dos meninos, e na falta de saber lidar com isso, da parte da coordenação e diretoria. Diz que é impossível assistir as aulas. É mesmo. Hoje me mostrou um vídeo da aula de Inglês: a professora passiva, provavelmente assustada, diante de cinco meninos, enfileirados em uma carteira atrás da outra:ele levantavam a mesa, e batiam com ela no chão num ritmo frenético, sem parar, sem continência.

Minha filha tem clareza quanto a uma questão: a culpa é dos professores, eles tem que mandar parar. Eu concordo. Mandar parar, dar suspensão, reprovar. Complicado deixar quem tanto transgride sem lei.. É o princípio para muita coisa ruim.

Diante do tal vídeo que um colega  fez com o celular( e passou para todos via sei la qual rede,  e minha filha não liberou para ser mostrado), tive a certeza de que, uma reunião de pais precisa ser marcada, para que todos juntos possamos buscar uma solução. A melhor saída me parece a porta da frente, uma outra escola para o ano que vem. Já foram muitos os problemas, quase sempre no mesmo ponto. Mas enquanto minha filha permanece ali é preciso uma tentativa de diálogo com esses pais e professores.

São os hormônios,  a dificuldade em amadurecer, a vontade de se mostrarem para as meninas? É uma atitude contra fóbica ao medo de estarem crescendo? Não importa. Um mínimo de respeito é necessário Uma boa cota de respeito, mais do que o mínimo, é necessária. Sei que ela passou para a turma da manhã, uma das mais difíceis da escola. E foi pelo horário. Mas olha o sacríficio: "nessa turma eu não posso ser quem eu sou e nunca tive esse problema antes".

Eu digo que pode ser sim, quem ela é . Mas entendo perfeitamente a pressão que está havendo ali. O que me lembra na faculdade de Psicologia, um super renomado professor desabafando: a turma de vocês é tão interessada. Nas outras tem aluno que chega para mim e diz: "não entendi, e você vai repetir quantas vezes eu quiser, por que estou pagando",

Quer dizer, o " estou pagando" justifica qualquer atitude. Como se escola, estudo,ensino fosse uma prestação de serviço como outro qualquer-em que o cliente tem sempre razão. Como lavar carros em posto de gasolina, comer em restaurante. . Ainda assim ha de haver  respeito com os profissionais dos estabelecimentos. Mas desrespeitar professores como vejo acontecer hoje, merece punição, precisa de continência. .E de muita reflexão. A que ponto chegamos. Vou ver como mãe como resolver este assunto tão prioritário. É quase um ano jogado fora. E logo depois de uma excursão tão bonita que fizeram as cidades históricas de Minas. Parece que nada contenta, nada basta. Para mim já bastou. Vou ver isso de perto.  E você, como vê o ensino público e privado na sua cidade?


6 comentários:

  1. O diálogo entre pais com a equipe escolar, assim como com estudantes, é fundamental.
    A escola é uma lugar para aprender, para educar... a adolescência é uma fase difícil, por isso a conversa é muito importante.
    Espero que isto melhore e não afete o estudo e comportamento de sua filha. Bjks

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    1. Concordo com você Ro. Espero que esse diálogo com os pais dê frutos. Tem um grupo bastante heterogeneo. Enquanto uns se preocupam com a aula de Filosofia, outros querem saber por que a Professora ainda não deu Shakespeare no original.....E olha que é uma escola bastante progressista. Mas nao pode virar Summer Hilll .... Grata pela força. Bjos

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    2. Sílvia Eleutério Li o que você escreveu. A responsabilidade é do professor, mas é também dos pais e, em última instância, de uma ideologia do prazer-lazer-sem freios-para não traumatizar. É o espírito da nossa época.
      48 min ·

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  2. A minha filha sofreu bullying por uns 4 anos na escola esnobe num ponto nobre da Gavea, a diretoria falava mansinho e nada fazia. Ela acabou perdendo o ano e na escola atual ficou muito bem em vários sentidos. Acho que os "traumas" a ajudaram a se fortalecer e crescer.

    Bjs

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  3. Sissym pelo que conheci de sua filha ela é uma menina muito sensível. Muito doce. Talvez em colégio chique e não chique fosse a mesma coisa. A questão é - achar -O - colégio como você achou. Por que não da para dizer que "todos os colegio são iguais" por que não são. Alguns não dão ao bollying o real significado da coisa, de rebaixar um colega e prejudica-lo no estudo, na auto-estima. Alguns colégios acham que o aluno tem que aprender a sobreviver, num tanque de tubarões. Não tem não. Se não está bom e a escola não colabora, é o caso de sair. A escola da minha filha não tolera o bulliyng. Eles cuidam muito bem desse relacionamento e tudo vai bem nesse sentido. A turma atual da minha filha tem mais menino que menina. Naquela fazer que se você falar caneca, lembra a mão que segura a caneca, o segura lembra segurar o pau,e enfim, tudo é associado a sexualidade. E todo esse extravasar é deixado muito livre. Nesse caso não afeta a minha filha diretamente. Nao é com ela , especificamente. Mas ela presta atenção as aulas? Alguem presta com uma guerra dessas?Ignorar isso, é sim uma forma de não perder aluno. Penso que ultrapassa o pedagogico, e fica mansinho como você diz para poder conservar. Quando poderiam conservar alunos do mesmo jeito dando um pouco mais de continencia a baderneira diária. A ponto de um narcisista maior ter filmado, e posto em rede social. Pensei que tinha sido minha filha quem filmou. Ela só comentou. Eu é que fiquei horrorizada. Acho que a escola nao esta dando conta e penso que os pais tem que colaborar. Bjao querida. E outro pra tua filhota. Que bom que ela esta feliz na nova escola.

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    1. quis dizer- naquela fase ( no lugar de fazer)

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