29 setembro 2011

O Banco é do Brasil. Será que isso significa que o Banco é ruim?


Tenho conta no Banco do Brasil ha muitos anos. Primeiro quando fui morar em Curitiba e atendia a essa conta como Agencia de Publicidade. Assim também recebia meu salário de publicitária no BB. Naquela época o principal motivo de perder clientes a rodo, era a falta de bom atendimento. O problema foi detectado e trabalhado. Depois mudei de agencia de publicidade, mas continuei com a conta no BB. Soube que foi feito um treinamento com os funcionários por todo o país e tal.
Me mudei para São Paulo há 15 anos. Meu caminho natural, foi procurar o Banco do Brasil e transferir a conta de Curitiba. O mais prático. Também mais prático ter um banco só. "Todos os ovos na mesma cesta" como diria o povo. Mas tudo bem. Ali ficava meu dinheirinho de boa trabalhadora.
Durante um periodo até me encantei pelo BB. Soube que em uma parceria com o Deutche Bank estavam criando um banco de investimentos chamado Max Blue. Eu já estava em uma agencia de Marketing Direto e até fiz trabalhos para eles. Pareceu um grande lance. Que depois não foi adiante, que eu saiba.
Como um cachorro fiel, continuo no BB, por que sou comodista quando se trata de Banco, e isso é um defeito terrível justamente quando se trata de Banco, por que é o nosso dinheiro que está ali, a nossa sobrevivência.
Hoje tenho uma conta especial, em uma agência normal. O atendimento finge que é legal. Mas na verdade é péssimo. Chato dizer isso, por que gosto da minha gerente desde quando minha conta não tinha nada de muito bacana. Mas a culpa não é só dela.
Nessa agência nã0 tem minimamente vagas para 10% dos clientes estacionarem. Sempre rolam umas brigas e uns maus-humores. Por que as 6 vagas existentes, são daquelas que voce coloca um carro atrás do outro e assim, ou prende que está na frente, ou fica preso por quem está atras. Claro, nao tem manobrista, isso é luxo. E assim, depois de esperar o tempo que for, para falar com seu gerente, tem que interromper o atendimento para manobrar o carro e alguém sair.
Depois que entrou a nova gerente-geral, que coincidiu com a entrada da Dilma no governo, (Gerente Geral de Banco é cargo politico? Vai ver que é) piorou ainda mais. Ela criou as regras mais absurdas que não permitem a minima das mínimas comodidades para o cliente se sentir pelo menos querido. Ja que especial lembra privilégio, que lembra capitalismo, que lembra divisão de classes. Ah isso não pode no Banco do Brasil, "socializado" suponho.
Em que cara pálida?
Então tá. O país é capitalista e quero um atendimento capitalista. Assim vou finalmente cumprir o que prometi: procurar um Banco que me trate BEM. Seja isso em que modo de produção se quiser chamar. Fico com o modo de produção da gentileza, da cortesia, do mínimo de conforto, e claro, da confiança no novo Banco também.
Quem tiver um bom Banco privado para me indicar aqui em SP, sou toda ouvidos. Deixe por favor a sua sugestão de agência, e tb o endereço de seu blog para eu fazer o link novamente, depois do "bug." Agradeço, de verdade.

28 setembro 2011

Da mesma forma que um galho é uma árvore, para um gravetinho, tudo é muito relativo.


Hoje acordei pensando em musicas recém-gravadas de Burt Bacharat. Quem é ele? um grande compositor, conhecido por suas fabulosas e premiadas músicas para musicais e filmes comuns americanos. Menos comuns ao terem uma trilha sonora desse compositor que tudo enfeita com seu talento. O auge de sua carreira e notoriedade, coincide com a época em que se casou com Angie Dickson que fazia a "Police Woman", um seriado de grande sucesso nos anos 60 ou 70. As músicas que eu buscava, nao encontrei, em compensação achei essa aqui que foi tema de um filme - Horizonte Perdido (Shangri-la) . Muito bonito por sinal. Quero encontrar essas cópias em DVD. Essa letra, que procurei traduzir de forma que todos pudessem entender o sentido, diz muita coisa sobre alguém como Burt Bacharat. E também sobre qualquer pessoa. Ensina. Principalmente para aqueles que acham que estão sempre "por baixo" ou sempre "por cima". Burt Bacharat teve um filho autista, e isso mobilizou tanto sua vida pessoal como sua carreira. E mesmo que não tivesse tido um motivo concreto- a sensibilidade e a singularidade de uma criança autista em casa, para entender como tudo que vemos, sentimos, acreditamos é muito relativo, teria outros. Quem não tem momentos tristes e alegres? Ou de grande insegurança? Todos nós vamos envelhecer, enfraquecer, morrer algum dia. Nada que do que conhecemos é eterno. Por isso mesmo, botar a poeira debaixo do tapete, ou dar desculpas inúteis para continuarmos fingindo que somos a estranha invenção que habita aquele quadrado que nos aprisiona, é perda de tempo. A vida não é mesmo uma bolsa de valores, onde se sobe ou desce de acordo com o julgamento alheio. Mas certamente o mundo, como disse o Bacharat, é um círculo sem começo nem fim. E dá voltas, sempre. Aproveite.

Ai vai o link dessa música no Youtube http://www.youtube.com/watch?v=qC1C1L5jOHE&noredirect=1


The world is a The Circle

O Mundo é um Círculo

Burt Bacharat
The world is a circle without a beginning,

O mundo é um circulo sem um começo
And nobody knows where it really ends.

E ninguém sabe onde ele realmente termina
Everything depends on where you

Tudo depende de onde você esta
Are in the cirle that never begins.

No circulo que nunca começa
Nobody knows where the circle ends.

E ninguém sabe onde ele termina
(chorus)
La la la,
La la la la la la.
(diana)
And just because you think you're small,

E só por que você pensa que é pequeno
That doesn't mean that you're small at all.

Não significa que seja de jeito nenhum
And just the way a tiny branch is like a tree to a twi

Assim como um pequeno galho é como uma arvore para um gravetinho
To someone else you are big.

Para alguém você é grande

The world is a circle without a beginning,

O mundo é um círculo
And nobody knows where it really ends.

E ninguém sabe onde ele realmente termina
Woooa! ( !!!!)
Everything depends on where you

Tudo depende de onde está você
Are in the cirle that's spinning around.

E o círculo dá voltas
Half of the time we are upside down.

A metade do tempo de cabeça para baixo...
(chorus)
La la, etc.
(chorus)
And just because they say you're weak,

E só por que dizem que você é fraco
That doesn't mean you've a weak physique.

Não significa que seja fisicamente fraco
And even if they're partly right,

Mas mesmo que tenham alguma razão
(bobby)
At least they're partially wrong.

Pelo menos parcialmente estão errados
(bobby & chorus)
To someone else you are strong.

Para alguém mais você é forte
(chorus)
And just because they say you're slow,

E só por que dizem que você é lento
That doesn't mean that you're slow, you know.

Não significa que você seja, você sabe
And even if you're never first,

E se você nunca é o primeiro
Compared to someone who's last,

Comparando com quem é o último
They're sure to think you are fast.

Com certeza você é rápido
The world is a circle without a beginning,

O mundo é um circulo, sem começo
And nobody knows where it really ends.

Nem fim
Woooa! (!!!!!!)
Everything depends on where you

Tudo depende de onde você está
Are in the cirle that never begins.

No circulo que não tem começo
Nobody knows where the circle ends.

E ninguém sabe onde é o fim.
La la, etc.
The world is a circle that never begins.

O mundo é um círculo que não tem começo

Nobody knows where the circle ends.

E ninguém sabe onde termina.

1-Olá para quem chega até aqui: deixe o endereço do seu blog, se quiser, para ser adicionado a minha lista. Tive que deletar todos , de novo, agora por causa do "bug".

2- Inveja de quem viu Shakira no Rock in Rio. Ui!

24 setembro 2011

"Eu lembro das coisas que eu amo e de novo eu me sinto bem"



Depois que A Noviça Rebelde( The Sound of Music) estreiou nos cinemas do mundo, nada mais foi do jeito que era antes. Imagino quantas meninas e meninos sonharam em fazer parte daquela família que era triste e que conseguiu ser alegre de novo. Daquela ex-freira com o carisma irresístivel de Julie Andrews. De todos cantando juntos, animados e harmoniosamente.

Amo cantar e conheço essas músicas muitíssimo bem. Essa letra "Coisas que eu Amo" é uma versão bem bonita de "My Favorite Things", cantada no original por Julie e na montagem brasileira ( um primor, não me lembro se comentei na época, vi com Anna Luiza há uns dois ou três anos aqui em SP). A protagonista Kiara Sasso tem uma carinha de Emma Thompson e um carisma todo especial dela mesma, suficiente para encher o palco de vida. E ainda mais com todo o elenco lindo, afinado e super bem escolhido. Aqui o link para ve-la cantando no YouTube( em um programa do Jô. Ainda assim vale a pena. Experimente e aprenda a letra. Veja o poder de levantar o astral que ela tem.

http://www.youtube.com/watch?v=xcThBWLj17s

Se você preferir, assista o filme sempre atual, como toda obra de arte, com Julie Andrews. E divirta-se. Essa letra fala de alguma coisa bem importante: quando perdemos o pé da estrada e caimos no abismo da falta de sentido, dos pensamentos deprimidos, um bom remédio é pensar em nossas coisas favoritas. Elas nos revelam quem somos outra vez e assim nos reencontramos.

http://www.youtube.com/watch?v=5eaGxLZrLuk (link para Julie Andrews)

Essa música faz parte das coisas que eu , Camille, amo. E ouvi-la me enche de alegria. Mesmo que eu já esteja alegre, fico mais ainda. Então ai está. Beijos e muitas alegrias para todos nós.


Coisas que eu Amo

(Versão brasileira de My Favorite Things)

Gota de chuva, bigode de gato
Laço de fita, cordão de sapato
Flor na janela e botão no capim
Coisas que eu amo e são tudo pra mim

Doce na mesa e sol na cozinha
Bico de pato, chapéu de palhinha
Banda passando e soando o clarim
Coisas que eu amo e são tudo pra mim

Lona de circo, tapete de grama
Bola de neve e botão de pijama
Doces invernos chegando no fim
Coisas que eu amo e são tudo pra mim

Se a tristeza
Se a saudade
De repente vêm
Eu lembro das coisas que eu amo e então
De novo eu me sinto bem!

Gota de chuva, bigode de gato
Laço de fita, cordão de sapato
Flor na janela e botão no capim
Coisas que eu amo e são tudo pra mim

Língua de trapo e bochecha vermelha
Lua passando na fresta da telha
Brisa soprando e penteando o jardim
Coisas que eu amo e são tudo pra mim

Bola de gude, nariz de cachorro
Uma igrejinha no alto do morro
Carta contando tin-tin por tin-tin
Coisas que eu amo e são tudo pra mim

Se a tristeza
Se a saudade
De repente vêm
Eu lembro das coisas que eu amo e então
De novo eu me sinto...
Se a tristeza
Se a saudade
De repente vêm
Eu lembro das coisas que eu amo e então
De novo eu me sinto bem

( nao sei por que ao postar a letra, as as frases mudam de lugar, mas se voce acompanhar pela Kiara cantando, acha o caminho certo)

"Dr Juljan Chapski O Cavaleiro da Saúde". Um livro que você precisa ler para entender o Brasil.


Para quem se interessa por Saúde Pública, essa é A leitura. Dr Juljan Czapski foi um dos primeiros médicos a atuar no Hospital das Clínicas( SP) e também o criador da "Medicina em grupo" e dos "planos de saúde" no Brasil. Mas não parou por ai. Além de ter sido um excelente clínico, capaz de dar a palavra final em diagnósticos complicados com muita tranquilidade, Dr Czapski voltou sua vida para a luta pelos menos favorecidos ao estar sempre junto à Saúde Pública e em posições estratégicas, que visavam o crescimento da assistencia médica no Brasil e não o seu entrave, por qualquer política ou neurose. Na visão dele, as diversas assistencias eram "complementares" e não excludentes. Público e privado deveriam coexistir e bem, para garantir o bom atendimento a todos.

Discussão essa que vem de longe e em vários setores. Me lembra de repente o grande plebiscito que houve há mais de 30 anos na Inglaterra, quando se decidia se as escolas deveriam ser públicas, privadas ou públicas e privadas. Na época a grande maioria votou pelas públicas, sob o argumento de que a escola privada segregaria e diminuiria o valor, o mérito e a qualidade da escola pública.

Uma boa lembrança que talvez não seja uma boa comparação. Dr Juljan pelo que entendi , foi um defensor do ensino público. Seus filhos estudaram em escolas públicas, cujo ensino ele considerava o melhor. Já a Medicina, percebo que é uma outra questão, precisa de mais plasticidade para obter recursos e se desenvolver. Verba, pública e privada, para suas pesquisas e descobertas.
Enfim, esse assunto- entre o público e o privado, é uma grande questão de estudo para mim, há muitos anos . Não vou detalhar, por que esse é um blog onde eu não assino meu nome do RG. É para brincar, embora eu sempre fale sério.

A biografia do Dr Juljan, idealizada com tanto esmero por sua filha Silvia Czapski- que fez inclusive um extenso levantamento bibliografico, o que torna essa leitura uma riqueza em informações relevantes- é de narrativa romanceada e por isso fácil para pessoas que não são dessa área entenderem e gostarem muito. Não é apenas a história do profissional, mas do imigrante polonês que chegou garoto nesse país e se tornou um grande brasileiro.

O começo dessa biografia romanceada , conta a visita de uma estudante de Psicologia que procura o Dr Juljian não por ser um médico importante, mas por ser um "idoso de bem com a vida", para um trabalho de faculdade, que visava o estudo das perdas e ganhos da maturidade. A estudante em questão queria entrevistar alguém como o Niemeyer, mas que não fosse o próprio, ja que em termos de inclusão do "idoso", nosso arquiteto parece ser o único exemplo de projeção. Só parece. Por que temos outras pessoas de igual valor, que podem falar de si com sabedoria e fé em um futuro sempre presente, e não com a amarga nostalgia do que já passou.

A estudante do livro, sou eu. E participar de alguma forma da história do Dr Juljan, é desses presentes muito especiais que a vida pode oferecer. Agradeço a Silvia Czapski por ter destacado essa passagem. Seu pai já tinha dado centenas de entrevistas em sua vida. Mas como disse a filha, jamais por motivo tão peculiar.

Dr Czapski era um homem encantador com muitos anos de existência, capaz por isso mesmo, de olhar com olhos de menino todas as oportunidades de dialogação com o mundo, que a vida tem para dar. Até mesmo a singela entrevista solicitada por uma então estudante de Psicologia. Leia a biografia do Dr Juljan Chapzki. O Brasil precisa de você com conhecimento de causa.

( Dr Juljan Chapski- O Cavaleiro da Saúde- de Silvia Czapski e André Medici- Editora Novo Século.)

21 setembro 2011

Aprender mais rápido com os outros. Taí um bem-estar da cultura.


Bati os olhos em um post interessante, de alguém que falava sobre o aprender. Era de um professor universitário, que descrevia a experiência de um pesquisador que se baseia na observação de dois grupos a serem comparados: um de adultos e outro de crianças, numa espécie de competição com tempo determinado, para a montagem coletiva de uma escultura.
As crianças levam a melhor sempre, comenta o professor sobre o relato do pesquisador- que eu não ouvi. Por que elas "não tem medo de errar", dificuldade essa " que se aprende na escola". Ele diz também que "só se aprende com a emoção" e convida os leitores a lembrarem de seus professores e averiguarem se na tentativa de nos ensinar alguma coisa, não teriam nos despertado "prazer ou ódio". E ainda, que as crianças são focadas, ( ao contrário do adulto que é "disperso"), estão "inteiras" naquilo que fazem, como na poesia de Fernando Pessoa, "Para ser grande sê inteiro".... Perfeito, pelo menos como poesia.
Assim, considero o que eu li, sem dizer aqui a fonte, apenas como uma ponte para a minha reflexão sobre pessoas e seus niveis de cooperação. O que diz respeito a minha própria pesquisa.
Concordo que foco é fundamental para se chegar a algum lugar. Persisitir é tudo de bom. Taí a vida e seus resultados que não nos deixam enganar. Mas existe uma outra coisa que importa e não colide com a persistência, ao contrário. É a colaboração e a aprendizagem entre as pessoas, sem que qualquer tipo de paixão esteja necessariamente envolvida nisso.
Um dos autores que fez a diferença para mim, na observação e entendimento dos processos mentais de uma criança e logo, também de um adulto, foi Vigotsky. Esse pesquisador russo, multidisciplinar: Psicologia, Pedagogia, Literatura e Medicina, focando-se especialmente no estudo da inteligência e das deficiências fisicas e mentais, nasceu em 1886 e morreu aos 37 anos. Mesmo assim, deixou uma produção respeitável, como o livro "Pensamento e Linguagem" que bem poderia estar na cabeceira de todo mundo, inclusive das mamães que estão educando seus pimpolhos: é mais esclarecedor observá-los tendo como base, leitura tão especial.
Vigotsky teve influência de Karl Marx em suas teorias. E foi contemporâneo de Piaget a quem admirava mas divergia em algumas questões como a função da "fala egocêntrica". O ato da criança falar alto enquanto brinca sozinha. (Vigotsky defendia o desenvolvimento de fora para dentro, e o processo sócio-histórico de aprendizagem) Os dois poderiam ter tido um diálogo riquíssimo, se Vigotsky nao tivesse morrido tão cedo. Nasceram no mesmo ano, mas Piaget viveu ate os anos 80, e é sempre mais lembrado por quem trabalha com áreas do desenvolvimento mental como a Pedagogia e a Psicologia. Piaget só conheceu a obra de Vigotsky após a sua morte. Que pena.
Segundo Vigotsky o ser humano tem um potencial de aprendizagem e também algo que ele denominou "zona de desenvolvimento proximal" que faz com que tarefas e habilidades que ainda não estão prontas para serem externalizadas, ganhem um up com as relações que se estabelece, não necessariamente com um adulto ou professor. A criança tem a capacidade de aprender e muito com outra criança. Se ela está quase "pronta" para amarrar um tênis sem ajuda, pode adquirir essa prática ao observar outra criança que já sabe. E assim aprender naturalmente, sem maiores afetações.
O adulto pode fazer a mesma coisa. Se tiver um mínimo de humildade e menos neurose do que a maioria que não enxerga o outro senão como um opositor ao invés de um colaborador, pode aproveitar a oportunidade de assimilar conteúdos para seu crescimento interno.
Que seria do verde, se todos gostassem do amarelo? A mesma coisa acontece com nossas habilidades. Cada pessoa é diferente da outra. E melhor e pior em diversas áreas. Por isso tão importantes as relações que estabelecemos com o mundo.
Quando penso em tudo isso, minha cabeça se volta para a minha pesquisa, que no momento ganha continuidade: como a formaçao de "rede", a convivência com o grupo, a auto-estima levantada por pertencer e ser reconhecido por outras pessoas, ajuda a vida do paciente psiquiátrico. Constrói e reconstrói um contorno, um sentido diante do que poderia ser só caos. E propicia o aprendizado de vivências, uns com os outros. Enquanto um pode ensinar sobre ter namorado, sobre ser mãe, sobre pintar, bordar, costurar, sobre as estrelas, pode aprender o que tem potencial mas ainda não sabe, com seus pares.
A mesma coisa serve para todas as pessoas, enfermas ou não. A aprendizagem também é uma troca e uma colaboração mútua. Assim, caso você ainda não tenha aprendido a amarrar o sapato observe o seu vizinho de mundo. Certamente você receberá boas pistas, num amplo sentido, de como é que se faz um laço.
(foto encontrada busca Google)
Nota boa: hoje Anna Luiza tem prova de Português. Ela precisa de uma nota alta para recuperar o bimestre passado. Sabe tudo, e conseguimos juntas despertar o entusiasmo pela Lingua, nossa pátria. Anna Luiza só precisa ficar tranquila na prova para acertar. Sem medo de errar, como disse o tal professor. Torçam por ela hoje gente! Dia 22 de setembro de 2011.

20 setembro 2011

O novo filme Planeta dos Macacos e o livro de Umberto Eco.


O filme novo ( eu vi o antigo, que já era antigo quando eu era pequena) tenta dar alguma explicação lógica para o mundo ter sido substituido por macacos, enfim símios, no lugar de gente. Toooodo o início vai por essa lógica. Uma empresa de remédios e um cientista estão correndo atrás da cura de Alzheimer e outras enfermidades degenerativas ( isso eu estou mastigando aqui, por que não é tão claro). Uma chipanzé gravida tenta fugir do cativeiro, se fere e morre. O cientista leva escondido o filhote para casa e tenta criá-lo junto com seu pai que tem uma dessas enfermidades, pensando assim que irá alegrá-lo. Acertou. Nada como um animalzinho para fazer bem a um doente. O macaco "Cezar", tomou altas doses dessa química através de sua gestação, dentro do corpo de sua mãe. Aos dois anos de idade já faz quebra-cabeças muito adiantados para um menino de 8 anos( com 8 meu sobrinho fazia quebra-cabeças de mais de mil peças, sera assim tb?), enfim, aos 10 anos ele tem uma inteligência muito superior a nossa pobre cabeça embotada. Hehehehe. Só que ainda não fala. Vai defender o "avô" pai do cientista que a essa altura já tinha tomado as injeçoes, ja estava de novo funcionando direitinho, mas a droga não foi tão eficaz no cerebro dele antes com a enfermidade avançada e o senhor estava de novo com dificudades para saber de si. Enfim, o "netinho" vai defende-lo em uma briga com o vizinho. Agride o vizinho e ai claro, vem o Jardim Zoologico e leva essa inteligencia suprema para viver com os macaquinhos, comer banana, subir em árvore. O final eu não sei. Tive a capacidade de comprar esse filme. E dormi. Foi um ótimo sonífero, apesar das cenas agitadas.
Estou mais propensa a ler "N'espérez pas vous débarrasser des livres", um debate/conversa entre Umberto Eco e Jean Claude Carriere, que a MIchelle me convenceu que é uma grande pedida. O livro está ha uns dois anos esperando na pilha. Época em que compramos com autógrafo das mãos do Umberto. A foto está por ai no blog, embora eu nunca tenha mencionado o assunto. Fala da possivel substituição dos livros pela internet. Não, os livros não vão sumir enquanto exercermos essa imensa paixão por eles. Já entre os homens e os macacos, não tenho a menor idéia de quem fica para contar a história. ( foto de divulgaçao do filme O Planeta dos Macacos encontrada no Google)

Nota boa: Hoje seria o aniversário de minha avó Paula. Adoro a data, cheia de otimismo da minha parte, como era a minha avó querida. Alegríssima. E muitas lembranças boas.

18 setembro 2011

Pronta para Amar. Ou Kate, Kate e Kate.




São 8.30h da manhã de um domingo ensolarado e friozinho. E eu aqui fingindo que ainda é noite, para não acordar. Preguiiiiça. Cansaço mental. Tenho dormido mal e pensado muito. Muita coisa para gerenciar.
Vamos ao filme: que droga de filme americano na sua formulinha mediocre. O de sempre. Kate Hudson tentando aprofundar, inclusive no "physique du role" gordinha como a outra Kate. A duquesa? Fala sério. Aquela precisa urgentemente se tratar. Sua magreza tão histérica (nada deve estar descendo goela abaixo, travada: muita informação para um recém-nobre coração) já já vira uma anorexia e mudar o relógio vai ser dureza. Culpa da obcessiva caça ao príncipe encantado. Foram anos de espera, para certamente após a hora H, o dia D, descobrir que coisa toda não é tão encantadora assim. Paralizada de susto, que dó. Nãaoooo, estou falando da Kate Winslet, a fabulosa atriz gorda, magra, linda ou feia. Sempre bela em talento e vivacidade no atuar. Kate Hudson tem muito o que viver para chegar lá. E mudar de país. Os EUA não estão dando muita chance.
Gael Garcia Bernal está deprimente. Quem assistiu "Che" por exemplo, não entende o que há com ele em "Pronta". Desaprendeu. A questão não é falar Inglês, é agarrar uma "vez" em Hollywood. E pegar um papelzinho de otário- um médico mexicano-judeu. Que especificação mais patética. Se fosse mexicano e judeu, para começar já pegaria na morte com as duas mãos e não com as pontas dos dedos, como ele parece atuar nessa peliculinha.
Enredo: uma publicitária frenética, usuária do sexo casual, tipo phodona como disse o Alê na homenagem as amigas- adorei- descobre que está com câncer no intestino grosso ( podia ser lugar melhor?) e então, se abre ao amor... Pelamordedeus né? É de sair do cinema e se jogar no MacDonalds.
Enfim, pule esse. Não gaste no ingresso. Principalmente, não gaste seu precioso tempinho. Faça como a Luma, pegue um punhado de livros e revistas e aprecie sem moderação.
Tive um sonho estranho essa noite. Também, que estímulo malfadado. Alguém foi assassinado. Outro, foi substituído. Alguém vai para a secretaria de cultura da cidade/Estado do Rio de Janeiro. Minha intuição é razoável. Bom dia São Paulo! Acordei finalmente. (fotos encontradas no Google)

15 setembro 2011

A ORDEM GERAL É O CAOS.


Por que o caos assusta tanto? As pessoas preferem as revoluções( "mudanças de sintoma") às "rebeliões"- muito mais transformadoras."Como é lindo o amor entre os pombos". Nao há amor, só reprodução dos corpos. A ordenzinha que arrumamos obriga a ler o jornal escondido, o desejo a estar embotado, tudo no seu lugarzinho. "Nem padre nem militar". Heheheh, adooroo minha aula de Psicanálise. É onde me sinto calma, compreendida por meus semelhantes. E lamento pela humanidade, por não haver um movimento maior em prol desse processo de atualização constante. AMO meu mestre-analista. Foi ele quem me ensinou que o "mundo sou eu". Um privilégio fazer parte dessas cabeças pensantes, sem ter que pedir licença ao mundo para ser quem eu sou. " O mundo é uma construção coletiva de toda a espécie". Portanto eu faço do meu , a minha parte. E um pouco mais, para deixar uma marca, quem sabe. Hoje a aula foi tão inspiradora. Que vontade de cantar. E respiro fundo. Obrigada R.M. (imagem encontrada no Google)

13 setembro 2011

O Rio de Janeiro e minha relação com o tempo.


O Rio é uma cidade engraçada. Quando não faz sol, os cariocas quase que pedem desculpas aos turistas, como eu. Realmente desolador, voce levar biquine, tenis, short, tudo para dar a tão cobiçada caminhada do Leblon ao "Arpex" e estar friozinho e chuvoso feito aqui em SP...Rio com sol, faz parrrte.
Mas não era sobre a temperatura realmente que eu queria falar. E sim do tempo, tempo logico, cronológico, qualquer tempo.
Estive no Rio de domingo para segunda-feira. A questão é que tenho encontrado nessas redes sociais, amigos que não via há seculos. E que não deixaram de ser, mesmo eu tendo me afastado por muitos anos, ao contrário. Nosso reencontro virtual reforçou nossos laços, lembranças e um compartilhar de nosso futuro. Não tem coisa mais deliciosa do que encontrar pessoas que viveram as mesmas coisas que a gente viveu, tem as mesmas referencias, e poder pensar junto o que vai ser daqui para frente, trocar mil idéias, alimentar um ao outro como diria Nilton Bonder sobre o paraíso. Assim avisei a uma multidão, felicidade para meu coração, de que iria estar no Rio de domingo para segunda. Mas que só teria um tempinho no domingo. Segunda estaria dentro de uma clinica psi, conhecendo tudo para fazer um trabalho e voltando a noite para cá. Eta aeroporto Santos Dumont muito melhor que o nosso Congonhas hein? Depois daquele incendio que foi um estrago de fato, ficou excelente. Tudo funciona bem. Sem decepção. Dessa vez me coloquei a avaliar.
Fiquei muito emocionada de encontrar alguns amigos. Muito mesmo. Um carinho, uma alegria. E muito feliz em deixar mensagens para outros me encontrarem no lugar X. Ontem fiquei ilhada e sem telefone. 10.30H da noite, já de volta, descubro que tinha uma "tchurma" me "encontrando" num café que eu amo. Foi colocar meu celular na bateria( esquecida) que me dei conta do engano. Deixei recados e as pessoas simplesmente entenderam segunda depois da clinica e estavam lá. Como são amigas entre si, lá ficaram dando risada quando eu repondi aos recados... De toda maneira adorei o "desencontro", me senti tão amada, querida e esperada na minha cidade. Mesmo não me reconhecendo tão mais pertencente aquele lugar, existe alguma parte minha que sempre estará ali.
Esses dias alguma coisa me fez questionar se voltaria a viver no Rio. Até por que Anna Luiza adora a cidade. Mas acho que não. Minha alma peregrina está sempre querendo ir para frente. E não para lugares passados, situações passadas. A vida já é uma passagem, então é melhor aproveitarmos para seguirmos em frente. Eu sou meio assim.
No mais, a clínica que foi um achado e vai fazer ainda mais sentido na França, deu mais um UP no meu sempre renovado entusiasmo pela vida. Por que recentemente fui imprudente e precipitada. Fui muito além do que o meu termômetro emocional, a minha sensibilidade mais verdadeira, gostaria de se permitir. Meu coração está em suspensão, tb em suspeição e dando tempo ao tempo.

11 setembro 2011

Medianeras. Riqueza na tela e fora dela.



Hoje fui assistir Medianeras com uma amiga muito querida, que não via faz um tempão. Ela é uma paulista que morou muito tempo no Rio, e eu uma carioca com 15 anos de São Paulo. Temos em comum o fato de termos tido nossos primeiros filhos na mesma época e durante anos, eles foram os melhores amigos. O meu, aquele diplomata espetacular, capaz de levar todo mundo na conversa, o dela aquele meninão força bruta, da turma do "deixa que eu chuto". Os dois faziam uma dupla imbatível no jardim de infância.
Também temos em comum, o fato de virmos de famílias de intelectuais e assim, uma criação cheia de riqueza, a mesma que podemos hoje transmitir aos nossos filhos.
Ela mora em uma dessas vilas charmosissimas e raras em São Paulo, dessas que estão fazendo cosquinha na mão do Kassab para derrubar e construir mais arranha-céus entre o espaço que se chama de Vila Olimpia e Itaim. A devastidão já está grande. Vazios enormes esperam por esses espigões sem alma. Não estou entendendo onde Kassab quer chegar. Mas penso que é obrigação de um prefeito, nao apenas fazer crescer- e nesse caso , desordenadamente- uma cidade, como também preservar o que há de bom. Patrimonio, memória, história, como no caso dessas vilas tão lindinhas.
Assistimos ao Medianeras, gostamos muito e sentimos cada uma o filme de formas bem diferentes. Cada ser humano é único no seu universo e poder compartilhar sem ter que ser igual é muito bom. Coisas que a maturidade pode dar. Conversar sem julgar. Apenas compartilhar pontos de vista, histórias, trabalho, vida. Que riqueza de diálogos, tão ricos como em um bom filme.
E do Medianeras, o que posso dizer? Que a resenha está meio superficial. Não é apenas um filme na "era da internet". Aliás isso é o de menos. O que o filme mostra são vidas, encontros, diálogos, modos de viver, a arquitetura de Buenos Aires por um ponto de vista interessante. E um jeito de fazer filme a mil anos luz na frente dos nossos engatinhantes. Assista esse filme de Gustavo Taretto, com Pilar Lopes de Ayala, linda atriz e Javier Drolas. Otima pareja. E aproveite para conversar mais com seus amigos. Bom domingo para vocês!

10 setembro 2011

Olhar para dentro de nós. Até aonde somos capazes?


Tenho vivido experiências interessantes nas ultimas semanas. Diversificadas. Processos, pacientes, pessoas novas e antigas na minha vida. O tempo inteiro procuro ser coerente comigo mesma. Mas é claro que eu falho e as vezes bastante.
Hoje me ligou uma amiga da Bahia, que delícia de sotaque e que doçura de pessoa. Ela quer que eu lhe assegure continuidade em um processo terapêutico que vai passar nesse momento. E que seja por internet, não tem outro jeito. Ela em Salvador e eu cá. Fiquei de pensar. Por que tenho visto de fato, que a comunicação via internet é bastante eficaz no sentido de transmissão em tempo real das emoções e sentimentos das pessoas. Está valendo.
Conversei com uma outra amiga via "rede social", chateada que ela estava de estar em casa a noite "sem fazer nada". Me perguntava: o que duas mulheres lindas(obrigada amiga, ela sim uma beldade) e poderosas como nós duas faz em casa a uma hora dessas? Respondi: aprendemos a nos amar mais e mais. A nos conhecer melhor, a cuidar de nossa auto-estima. Sair por ai sem um bom motivo, não faz nenhum sentido.
E assim foram muitos contatos, muitas conversas, da tardinha para a noite. Nem vi o tempo passar. E nem percebi o quanto inteira, feliz e satisfeita cá estou. Eu que andava meio jururu e questionadora dos meus erros. Que bom que passou. A gente passa tanto tempo acertando. Viver já é um desafio espetacular. Com saúde, melhor ainda. Com saúde mental, equilibrio emocional, uma dádiva de nós para nós mesmos. Se eu pudesse transmitir tudo que eu sei da vida hoje, escrevia aqui. Mas com certeza, a transmissão não se faz dessa maneira. Um pouquinho pode até ser.
Então desejo a todos serenidade. Que possamos olhar um pouco para dentro de nós sem fingimento. Sem muita firula ou palavras difíceis e bem concatenadas com frases que tentam florear desertos precisando de muita água para não nos secar goela abaixo. É tão simples. Até por que não há mais nada a fazer, a não ser nos assujeitar a nossa condição humana. Da espécie sofredora, que no fundo sabe que quase tudo ao redor é ilusório, passageiro, rápido. Fiquemos calmos então.
Quem acompanha esse blog há anos, sabe das coisas que já vivemos por aqui. Lembram-se de quando eu e minha filha mudamos de novo para esse apartamento? Hoje eu estava lendo registros anteriores desses nossos diários de bordo e pensando: estamos caminhando. E nos vendo, cada vez mais. Menos imaginário, menos fantasia boba, mais disponibilidade para os outros seres humanos. Mais ouvidos atentos. E um sorriso calmo, por que não?
A. chegou da casa da minha mãe que foi buscá-la na escola. E eu pude desfrutar como há muito tempo não me dava a esse direito, do tempo, do meu tempo de olhar para mim.
Beijos e bom final de semana para todos nós.
( imagem encontrada no google. Esse blog não tem fins lucrativos, Caso voce seja o dono da imagem, colocarei aqui os créditos)

06 setembro 2011

Amar é bom que dói.




EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mario Quintana - A Cor do Invisível

Em determinadas situações da vida, estamos tão sensíveis quanto a pele do bebê que acaba de nascer. Até o ar arde. São momentos em que nos desnudamos, e vamos aos poucos reciclando nossa penugem e todas aquelas etapas de renovação para estarmos mais fortes na existencia.
Nessa embolaçao de processos, de procurar evoluir para alcançar um novo patamar afetivo, regredimos também ao caos mental do recém-nascido que ainda nem sabe pensar. Ao mesmo tempo em que, como estamos bem crescidinhos ja conhecemos um repertório vasto de defesas.
A pele do bebê arde com o ar. E ele é totalmente indefeso. Com algum tempo de convivência com a ardencia, irá se acostumar e a dor dessa fragilidade repentina, da saída do utero materno, irá se extinguindo.
Já o adulto regredido em um momento de início de relacionamento por exemplo, quando se vê obrigado a sair de seu casulo, de sua zona de conforto para aceitar, acolher um outro ser junto de si pode correr o risco de, para não sentir a dor do medo do desconhecido e e da dúvida em dar ou não um novo passo rumo a um outro tipo de renascimento( como encucamos com qualquer palavra atravessada não é?), aplica as defesas velhas conhecidas ao invés de acostumar com a "ardencia". Assim, a cada retorno ao ar de fora do casulo protetor, haverá nova ardencia e dor. Um ciclo vicioso. Por que? Isso cada um de nós terá que descobrir. Eu é que não vou contar. Por que embora conheça a matéria, se for comigo, também acho dificil arder até sarar.
(imagem encontrada em busca no google)

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...