


Colin Firth de George VI convense muito mais do que eu imaginava. Por que jamais poderia supor que um filme sobre a realeza britanica teria a capacidade de me comover tanto. Mas esse ator, desde Bridget Jones faz aquilo que se espera de um bom ator: vive o personagem. E com uma naturalidade tão leve, que nem suspeitamos que aquele não é o verdadeiro rei. Que rei. Muito antes de se tornar rei, esse filme conta a história de uma pessoa, um duque inglês, irmão do futuro rei que abdica do trono para se casar com Wallis Simpsom uma mulher divorciada duas vezes e que por isso não poderia ser rainha.
Acontece que o tal duque é gago, e esse limitador impede que ele conte ate para si mesmo sua ambição, vontade ou vocação, de vir a estar no lugar de rei, que o irmão não quer ocupar. Assim, ele e a mulher procuram um terapeuta. A mulher( a futura "rainha mãe" da rainha Elisabeth) é representada pela grande atriz Helena Bonham Carter. Perfeita nesse papel contido, sem os exageros do diretor Tim Burton, seu marido, de quem ela é musa, mas não é sua invençao. Já tinha vida própria como atriz antes dele e continua tendo.
O terapeuta é o ator Geoffrey Rush, já vencedor de um Oscar com Shine. O que diz minimamente sobre seu maravilhoso trabalho. Sua atuação em "O Discurso do Rei" é esplendida. E o contracenar dos dois atores tão artezanais na sua criação de tipos, que dá o tom da "terapia": "fale como se estivesse falando com um amigo" diz o terapeuta ao rei , minutos antes dele falar na rádio em cadeia nacional. É o que os dois fazem, parecem todo o tempo que estão conversando em casa, ensaiando apenas, sem nenhuma platéia ou câmera. É um total assujeitamento a carreira que escolheram: atores. Sim, por que não são apenas naturais, sensíveis e tranquilos em suas atuações. Estão de fato vivendo outras pessoas, reais, com seus tiques, seus defeitos, suas qualidades, seus sonhos, medos, obstáculos e superação através da confiança um no outro. Um filme cheio de humanidade. Glorioso, por isso mesmo. Suntuoso por que o cenário é um palácio e simples ao sinalizar que todo mundo é gente como a gente. Da ate para ter peninha na rainha Elisabeth e da princesa Margareth, duas meninas tão fofinhas e simpáticas que se tornam essas pessoas que são hoje. Assistam logo o filme. Depois dos Oscares, a fila vai ser maior ainda.










