31 agosto 2006

Vozes do Holocausto

Dia 29 de agosto, anteotem, a CIP - Congregação Israelita Paulista apresentou um lindo espetáculo em comemoração aos seus 70 anos de existencia, com 140 vozes adultas e mais um coral de crianças. Todos vindos da Bahia. Mais 4 solistas que fazem parte do coral da sinagoga em SP e alguns instrumentistas maravilhosos que formaram uma pequena orquestra.
As músicas todas foram compostas durante o holocausto, dentro dos campos de concentração, onde os músicos compositores só tinham como instrumento o próprio cérebro e sua memória. Isso já é muito para se dizer. Além de conseguirem sobreviver a uma das maiores vergonhas que a humanidade já foi capaz de cometer, os judeus encarcerados- dentre eles célebres escritores, cientistas e definitivamente, pessoas de bem e não alienigenas selvagens e sanguinários, para terem o tratamento que tiveram, conseguiram criar coisas maravilhosas e eternas.
Então a segunda guerra mostrou o que o ser humano tem de pior( quem quiser saber mais, leia o livro "Os Carrascos Voluntários de Hitler" de Daniel Jonah Goldhagen- que como o titulo sugere, muitos dos colaboradores de Hitler foram por que quiseram e nao como imaginamos- foram obrigados pelas contingencias) e também o que o ser humano tem de melhor- a solidariedade e a capacidade incomensuravel de superar obstaculos e criar beleza e lirismo em qualquer lugar, por que o que é bom também faz parte de sua natureza. E não só a violência, a ignorancia, a bestialidade.
A direção geral deste espetaculo foi do maestro Cícero Alvez Filho que, tendo trabalhado nos Estados Unidos como professor, assistiu e trouxe as Vozes do Holocausto para o Brasil. Lindas as crianças - de uma escola católica- cantando músicas em Idiche e em Inglês. Lindos os solistas da CIP. Serenos os discursos que os participantes fizeram, incluindo os Rabinos Sobel e Michael. Pela pela Paz, pela união dos povos. Pelo talento de ser humano
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26 agosto 2006

Fernando Gabeira para Presidente

Quem dera eu pudesse estar agora dizendo : votem em Fernando Gabeira para presidente do Brasil. Ele é apenas candidato a deputado federal. Apenas não quer dizer que é pouco. Quer dizer "que pena" por que como presidente Gabeira teria muito a fazer pelo Brasil. Tem experiência política profunda: desde os tempos da ditadura militar quando praticou o ato "terrorista" de sequestrar o embaixador americano em troca da soltura e extradição de pessoas que estavam sendo presas e torturadas aqui no Brasil ( aqui para nós-quem eram mesmo os terroristas naquele período mais feio da nossa história?) até poder ter a envegadura moral para botar o dedo na cara do relator da CPI e chamá-lo de tudo que chamou, com toda razão. No meio tempo, dessas duas extremidades, escreveu livros como "O que é isso companheiro" que causou tanta polêmica por ter confessado ( poderia dizer declarado, mas no Brasil o "confessado" cái melhor, dada a nossa santa hipocrisia) que no periodo do cativeiro, antes de ser exilado, por carência afetiva e outras razões, transou com um homem. Durante décadas, apesar de ter tido um casamento lindo por mais de 15 anos com uma mulher que conheço bem, ter duas filhas maravilhosas e muito bem formadas, Gabeira por sua transparencia serena, foi chamado de "maconheiro gay". Uma grande besteirada de quem não sabe ler, ouvir, ver ou ler nas entrelinhas da vida das pessoas. E mesmo que fosse maconheiro e gay, isso não seria um motivo de xingamento e nem se reduziria as caracteristicas mais relevantes dessa pessoa tão especial, com tão bela biografia.

Então o Fernando Gabeira está aí, sereno, tranquilo, mostrando claramente em entrevistas que não quer mais mudar o mundo, como há anos atrás sonhava. E que se conseguir contribuir para dar um pouco de dignidade ao nosso país, já vai estar de bem com a política.

Se eu estivesse no Rio de Janeiro, votaria nele com toda certeza, para o cargo mais alto. Para deputado federal também. Está na hora de nossas leis serem mais decentes e ele pode ajudar.
Assim, fica aqui a minha sugestão: Fernando Gabeira na cabeça de vocês. E no voto também.
Ao invés de deixar o número do candidato, deixo aqui o endereço do blog onde se poderá conhecer um pouco mais dessa pessoa, que também é um bloggeiro, como nós.
http://www.gabeira.com.br/blog/

21 agosto 2006

Hora de verdade- 22 de agosto- postagem coletiva

Quantas vezes por dia você mente? Para você? Para os que você ama? Para os que acreditam em você? Está na hora de não nos corrompermos mais. Não como um religioso crente obstinado pela "verdade". Mas pela busca da transparência, do conhecimento de quem somos nós. Essa pode ser a força que precisamos para exigir dignidade dos nossos políticos, dos desgovernantes desse país. Essa pode ser a nossa força, por auto-conhecimento. Só podemos exigir o que também praticamos, com consciência. Vamos que vamos. A limpeza começa em casa. Na nossa alma, no nosso ser alguém. A gente consegue. Torço por nossa paz. Pelo Brasil. Por todos nós.

20 agosto 2006

Participe da Blogagem Coletiva- dia 22 -terça-feira

Laura, do Laura Vive convoca a todos os bloggeiros a fazer uma bloggagem coletiva- dia 22, terça-feira- contra a violencia, o descaso, a corrupção que assola o Brasil. Você pode participar escrevendo um texto, colocando uma foto, fazendo um desenho, colando uma reportagem, enfim, o que você achar mais interessante para o tema. O importante é poder utilizar este instrumento que você criou - seu blog- para romper o silêncio e manifestar aquilo que , como brasileiros sentimos com relação a deterioração de nosso país. Se você quer participar, deixe seu nome no blog da Laura, ela fará um link de todos os blogs que estiverem partipando. É isso aí. Boa semana.

18 agosto 2006

"Se tudo começou no Big Bang, só tinha que acabar no Big Mac" -GRUPO CORPO

Ontem fui assisir o novo espetáculo do Grupo Corpo. Grupo de dança moderna, de Minas Gerais. Quer dizer, já faz tempo que é do mundo. Foi lindo. Eu gosto muito de dança moderna. Mas não sou suspeita para falar. Quando não gosto, não digo é nada.
O primeiro ato vamos dizer assim, já que é tão teatral o trabalho, chama-se "Missa do Orfanato" com coreografia de Rodrigo Pederneiras, o diretor do grupo. Foi um momento minimalista, mas como o minimalismo europeu, descaracterizando um pouco o trabalho tão fincado em raízes brasileiras que o grupo vinha apresentando. Estava muito "Pina Bauch" ( ou Bauss?) , inclusive com relação ao cenário, aos figurinos, beeeem europeus. E mesmo ao gestual. A música de Mozart que não chegava a ser um requiem dava o tom "orfanato" da coisa, dramático. Parecia que o Grupo Corpo estava dizendo: nós temos expertise suficiente para fazer um balé tal e qual, com a mesma qualidade do balé europeu. Quanto a isso, não deixou a menor dúvida.
A segunda parte, ganhou meu coração definitivamente: diversas músicas de Caetano Veloso compostas para o espetáculo, em harmonia com a capacidade visceral do grupo de se entragar no palco às mais diversas tendencias que o balé moderno pode ter. Inclusive ao sotaque próprio. Ou seja, a originalidade do grupo. Me tocou especialmente duas cenas que acontecem lado a lado: uma relação sexual entre um homem e uma mulher e uma relação sexual entre uma mulher e outra mulher. É uma explicação poética, quase didática do que vem a ser o homossexualismo feminimo e a diferença de uma relação hetero. Se igualando em carinho, em afeto. Amei. Também fiquei fascinada com uma coreografia muito gingada para "fla-flu" música composta por Caetano e José Miguel Wisnik. E a dança vai continuar. Depois do Grupo Corpo , o Teatro Alfa apresentará outros espetáculos de dança , inclusive um da própria Pina Bauch, que tanto influenciou os mais diversos grupos no mundo inteiro. Vou ver. Até por que saí dali cheia de idéias, com novo entusiamo para meus próprios projetos, querendo acrescentar novos ritmos ao meu cotidiano. Se você está em São Paulo aproveite esta temporada rica em movimentos, tanto externos no palco, quanto internos. Com capacidade de fazer o seu interior sacolejar um pouco e com muita harmonia.

Outro assunto: Laura do Laura Vive ( link ai ao lado) está sugerindo que façamos uma blogagem coletiva para denunciar, escancarar, dizer o que sentimos com essa onda de violencia, corrupção, descaso que acontece no Brasil. Hoje especialmente no Rio e em São Paulo. Propõe que a blogagem seja feita no dia 22. Estou dentro. Está na hora da gente se unir e dizer alguma coisa. Fazemos parte de muitos grupos. Um deles é o grupo de bloggeiros. Se pudermos nos unir por uma causa, vamos aproveitar um veiculo importante que criamos, para mostrar o que temos a dizer. Certametne a maioria de nós abriu um blog para se comunicar . Já que temos essa VOZ, vamos mostrar o tom de nossa indignação e na maior dignidade. Conte comigo Laura e conto com vocês também.

10 agosto 2006

Sapatos de verniz e plataforma pink e a luta de Zuzu Angel

Fui a um cinema de shopping assistir ao filme sobre a vida de Zuzu Angel. A mãe de Stuart Angel morto por tortura pela ditatura militar, nos anos 70.
Antes de entrar, olhei várias vitrines e vi como a moda dessa década de 70, chegou novamente, colorida, muito colorida e vibrante. Como era a roupa de Zuzu Angel e o filme mostra bem este lado da estilista , que começou costurando para fora para sustentar os filhos.
Ao ver o filme, foi para mim como uma meditação. Pensei nos meus anos de escola e faculdade, tão idealistas. A Ciencia Política foi meu primeiro diploma, e as passeatas e movimentos estudantis, um dos meus primeiros sentimentos de indentidade adulta. Enfim, muito , mas muito depois mesmo desse tempo da luta de Zuzu. Mas não tão depois que não me dê hoje a consciencia de que quero me engajar novamente em alguma luta que seja por um Brasil melhor. Um dia a gente vai se conhecer mais e vou contar um pouco mais de mim e você verá meu querido diário ( como diria Anne Frank ao seu) que embora tenha muitas contradiçoes, tenho tambem muita coerencia nessa trajetória que é a minha até hoje. Po rque cada um de nos é sujeito de sua historia, cada historia vale uma biografia, enfim,somos especiais para nos mesmos e podemos ser para o mundo. Mas um dia falo mais de mim. Agora estou com muito soninho.
Queria só deixar um mensagem aqui. Veja o filme, é uma parte da historia do Brasil que nao pode ser esquecida. Da mesma forma que o povo judeu por exemplo se esforça para relembrar do Holocausto, para que não se repita. A época da luta de Zuzu Angel para encontrar o corpo de seu filho e poder enterra-lo, é um periodo de grandes trevas para o Brasil, o nosso holocausto. Que ao mesmo tempo conviveu com um Brasil que ganhou a copa de 70. E com muito colorido na moda.
Quando então voce for comprar sua nova sandalia de cor vibrante, plataforma, pink, amarela, laranja, roxa, bem anos 70. Lembre-se de pensar aonde você está pisando. Que Brasil é esse que lutou tanto e acabou com um presidente de partido tão corrompido? Ou melhor: quem é voce? Qual a sua identidade? De que forma voce pode fazer a sua parte para nosso país, que ja passou por tanto sofrimento, ser mais feliz, de forma ampla , geral e irrestrita? Eu vou pensar e buscar fazer a minha parte. Pelo menos, veja o filme. (Patricia Pillar está dando um show , vai ganhar todos os premios brasileiros de interpretação.) E pense, pense bem.
(Recado para Mani: não consigo acessar o seu blog clicando no seu nome como faço com as outras pessoas. Por isso nunca visitei você. por favor,deixe aqui o seu endereço, talvez assim eu consiga está bem? Muito obrigada por suas visitas e comentários.)

05 agosto 2006

Na linha filmes emocionantes: Mrs Henderson Presents.

Assisti ontem em DVD, com Judi Dench e Bob Hoskins fazendo uma dupla sensacional, "Sra Henderson Aprensenta". É uma comédia muito séria, baseada em fatos reais: durante a segunda guerra, uma milionária inglesa - Judi-fica viúva e não tendo o que fazer com sua fortuna, escolhe ao invés do tédio, comprar um teatro e começar grandes produções. Contrata um produtor judeu- Hoskins- muito talentoso e experiente e juntos decidem fazer uma espécie de Moulin Rouge, só que funcionando 24 h. É um sucesso total, a casa lota. Mas todos os teatros da cidade decidem copiar a idéia e com a concorrencia todo o plano começa a fracassar. Até que Judi decide que vai colocar mulheres nuas, como estátuas em um cenário, para fazer parte do elenco. Esse é o resumo da história. E já é interessante. Mas é um filme feito de pequenas cenas maravilhosas. Os detalhes da escolha de elenco, os testes, a vida das atrizes, a vida interior do personagem de Judi, uma atriz de um imenso carisma, tudo isso vai fazendo com que o filme se torne grandioso, comovente e especial. Para quem adora cinema e ainda tem paixão por teatro, certamente é imperdível. É só correr até a locadora mais próxima.

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...