19 dezembro 2011

Lá na Montanha.


Fim de semana bom demais, lá na montanha. Antigamente se você me perguntasse: praia ou montanha? Eu diria sem nem piscar- praia. Quem nasceu no Rio de Janeiro tem a praia grudada em si. Mas, como me mudei de lá várias vezes, e há mais de quinze anos moro em São Paulo, essa dependencia foi passando.
Embora eu continue amando uma praia bonita, de preferência agreste. Pouco ou nada frequentada. Como já foi Búzios "da Brigitte Bardot". Aquelas praias lendárias que eu já conheci como quase muvuca. Como já foi Trindade em Paraty, que lugar lindo, mágico, santuário e ... palco de tanta complicação. Não sei como está hoje, espero que esteja preservada. É, não vou dizer não a praia. Ainda amo. Mas confesso que estou totalmente apaixonada pela montanha. Uma paixão que já cultivo há alguns anos. Comecei com Visconde de Mauá uma descoberta independente dos meus pais. Quando eu era pequena ia para a Posse, cidadezinha ao lado de Petrópolis onde minha avó tinha um lindo sítio. Ou para Friburgo onde meus pais tinham uma bela casa de campo, com a criação de coelhos que eu adorava. Mas aquilo era férias ou fim de semana. Meu dia-a-dia era praia. O ar do mar fazia parte da minha respiração.

Esse final de semana me peguei pensando, ou melhor, sonhando, em morar na montanha, como tem feito alguns amigos meus. Abandonaram a cidade. Olhando assim, parece perfeito. Mas, tenho uma filha para criar. Mas- a tal palavra limitadora. Poderia suprimi-la e dar um jeito? Acho que sim. Inventar uma escola. Já pensou?
Vou pensar. Amadurecer essa idéia. Nem sei se a montanha vai ser nesse país aqui. Ih, já estou viajando, viajando. Mas é assim mesmo, minha natureza é meio nômade. Minhas raízes estão onde estiverem meus pés, minha curiosidade, minha vontade de seguir em frente.

Já vou começar a desejar boas festas: que vocês tenham um Natal bonito, em família, com amigos, com você. Chanucah já passou? Nossa, estou desligada. Que tenhamos uma passagem de ano alegre. E principalmente um ano novinho em folha, como a de um caderno, onde possamos escrever com a nossa letra mais caprichada uma história feliz em 2012. Sem sustos, nem finais de mundo. Mas com a consciência de que o planeta está mudando sim. 2012 vai ser um ano importante nesse sentido. Uma renovação. Como a águia que bate com o bico no tronco da árvore, para quebrá-lo e fazer nascer um novo. Mais forte, mais capaz de suportar a sua natureza. Então é isso. Nada como subir a montanha e olhar lá do alto para relativizar qualquer coisa. Para respirar fundo e sentir a calma da Terra. Que como nós tem tantos estados de espírito. Não vi fadas nem doendes nas florestas da Mata Atlântica. Mas vi novas perspetivas para todos nós. Beijão.

13 dezembro 2011

"Beleza é aquilo que te faz feliz "(parte II).


As vezes a gente escreve uma coisa no blog e se esquece que outras pessoas podem ler e fazer uma interpretação bastante errônea do que estamos dizendo. Quando escrevi o texto de 3/11/2011, "Beleza é Aquilo que te faz feliz", sobre um Amigo que casou pela terceira vez, e com convicção do que estava fazendo, eu coloquei apenas um retrato, um flash curto de uma situação. Mas não contei todo o back ground dessa pessoa para dizer o quanto ela se habilitou a essa felicidade.

Eu dizia
o quanto esse Amigo demonstrava maturidade em suas escolhas. E isso tem uma explicação: meu Amigo num determinado momento foi até bem radical - abandonou a vida na cidade e passou muitos anos em um sítio no meio da Mata Atlantica, sem luz elétrica e sem telefone, sozinho. Sozinho da silva. Sem nem pensar em ter uma namorada, ficante ou o que quer que fosse no gênero. Depois disso, ainda sozinho, começou uma atividade ligada a esse modus vivendi. Não, não foi ser surfista para ganhar dinheiro. Surfista e dos bons ele era desde garotinho. O Amigo tem um negócio muito próspero ligado ao lazer, é uma pessoa realmente rica também em posses. Justamente por que além de talentoso e preparado é perseverante e aprendeu a ser feliz sozinho. A se bastar.

Foi o tempo de reclusão total consigo mesmo, provavelmente, o equivalente a uma análise bem feita, que fez dele uma pessoa serena, firme e capaz de ir atrás do que quer, sabendo o que quer. Virar gente grande. Consciente de si, como diria Heidegger. Coisa fundamental para se viver junto com alguém, como um casal, e dar certo.


Quando a gente não se conhece o bastante, costuma ver no parceiro qualidades imaginárias, da mesma forma que ao olhar no espelho de nossa alma também não temos uma visão nítida de nós mesmos. E ai, a tendência de um ego fragilizado é copiar as outras pessoas, seguir um modelo, uma fórmula, como se ela fosse levar a um mesmo resultado. Isso não é nem "modelar" coisa que um dia desses propus com a "PNL". Isso é copiar. E a cópia tem menos valor que o original. Não se eterniza, por que não é genuína.

Então o que sugiro a quem quer se conhecer, que se trabalhe de verdade, o mais possível, profundamente. Para quando emergir do buraco em que se colocou, encontre de fato beira.

Empolgação não é entusiasmo. É um espectro, uma ilusão. Onde tem muita água pode ser só afogamento, em idéias, em fantasias, em mais uma busca vã no outro, daquilo que não se consegue ter em si. É fácil cair nessa, ainda mais quando se tem o hábito adquirido de estar sempre atrás uma novidade. Uma pessoa em cada porto. Frenéticamente, fingindo para si e para os outros que está de posse de sua serenidade. O travesseiro se engana algum tempo. Não para sempre. Assim como caranguejo não é peixe, jacaré não é surf. Fazer análise não é só buscar o consultório de um profissional. Encontrar um amor também não é só achar uma figurinha com pontos em comum. Como saber do seu desejo( não só o sexual) sem se conhecer?

O lance é fazer o trabalho primeiro e depois sim, sem pular etapas importantes, encontrar a recompensa, que virá.
Vou parar por aqui. Não tenho nenhuma pretenção a fazer um consultório sentimental. Mas alertar os mais afoitos que teimam em colocar viseira no lugar de óculos quando se trata de "relação afetiva", eu até posso tentar. É só um lembrete: não tente fazer em "casa" o que lê aqui. Prudência, mesmo que a paisagem seja nova. Senão "jacaré abraça"....( imagem encontrada no Google)

10 dezembro 2011

Missão Cumprida, ano letivo de 2011.


Hoje foi a apresentação de balé da minha filha. Ela estava linda e dançou muito bem. Tem talento para a coisa, por que faltou tantas aulas por conta de estudar para as provas que acabou fazendo um ensaio de ultima hora, quando pensávamos que nem dava mais tempo de ir. E disfarçou bem no palco, como se tivesse ensaiado o ano inteiro.

Passou de ano na escola e a festa foi ontem. Está tudo bem.

Então cumpri minha missão do ano letivo de 2011. Em 2012, começa tudo de novo, só que dessa vez com bem maior disciplina no estudo, eu espero.

De toda maneira ela está de parabéns. Entrou para uma escola nova, nos primeiros dias com aquele medão. E terminou o ano amiga de todos, super adaptada ao ensino e a turma.

É isso. Paro por aqui, machuquei o dedo indicador da mão esquerda e sou canhota.
Bom final de semana e boa semana para todos nós.

07 dezembro 2011

TDAH ( transtorno de déficit de atenção e hiperatividade ) ou todas as respostas abaixo?


"Desconhecido por muitos anos, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é considerado, hoje, um diagnóstico fácil para atitudes antes vistas como normais na infância."
Gente estou com pressa, e esse é um dos assuntos para se falar com todo o cuidadinho do mundo. Ainda assim, vou fazer aqui uma pequena reflexão.

No tempo da faculdade, tive um contato grande com crianças vindas de famílias de baxissima renda, com dificuldades escolares. Chegavam à clinica da universidade, na sua maioria com uma hipótese prévia em prontuário escolar, de TDAH( transtorno de déficit de atenção e hiperatividade).

Hoje lendo uma reportagem do UOL, sobre mais uma polêmica que envolve esse assunto, dessa vez no programa da Ana Maria Braga, em que alguém disse que "isso não existe" e a ABP enviou uma carta de repúdio dizendo que o problema existe desde o seculo XVIII. E que se não existisse e "se o TDAH fosse apenas “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos?"(sic).

Assim, quero ressaltar uma coisa interessante: a matéria não toma partido , apenas descreve as partes do conflito. Mas, se a gente pegar uma simples frase e destacá-la aleatóriamente do conteúdo total do texto, como a frase que coloquei em vermelho lá em cima, o que você vai entender? Que hoje TDAH é um "diagnóstico fácil". Por que estamos tirando uma única frase de um contexto enorme de informação. Que erro grave se eu tivesse puxado a frase sem dizer que ela tem todo um resto de texto que a explica.

Então agora vamos pegar as crianças que vinham "carimbadas" com "TDAH", muitas delas moradoras em favelas, filhas de pais sem nenhuma instrução escolar- e vamos retirá-la também do contexto: é simplesmente uma criança que não presta atenção na aula, ou está "voando", "sonhando" ou "zoando" com alguém. Ela não entende o conteúdo dado em sala de aula, não aprende, não passa de ano. E por fim abandona a escola.

Ora, ora, ora, será que o Brasil tem TDAH? Por que nos idos dos anos 60, as crianças filhas da população carente do país( a que habita a maior parte do nosso território, ou seja a maioria) já apresentavam os mesmos sintomas. E foi daí que Paulo Freire teve uma luz, no dia em que seu filho pequeno e não alfabetizado leu a palavra "Nescau" em um cartaz.

Nossa , meu filho reconheceu a palavra Nescau, por que ele bebe Nescau todo dia. Isso faz parte do contexto dele. E assim entendeu que, para uma criança aprender e fixar a aprendizagem, ou minimamente se interessar pelo que está sendo ensinado é preciso contextualizar o ensino.

E nós ainda não temos essa realidade no Brasil.

Imagina esse "confronto" com o ensino na sua pele: você adulto é obrigado a aprender grego, sem ter familia grega, sem jamais ter pisado na Grécia, sem nem saber onde fica, sem que isso vá fazer a diferença no seu cotidiano e sem que nenhuma palavra seja minimamente traduzida para você desde o ínicio. Vai dar para ouvir e se interessar pela palestra sobre mitologia, no idioma grego, na semana que vem? Claro que não. Por mais vontade que você tenha de aprender mesmo que jamais possa ir a Grécia, por mais curiosidade de conhecer e por mais esforço que faça, vai chegar uma hora em que você vai querer voar pela janela e sair correndo dali.

Então "sinto muito" mas se você é uma pessoa tão dispersiva assim, provavelmente você tem um transtorno que se chama TDAH.

É mais ou menos assim que funciona para a criança que é submetida a uma sala de aula, com um ensino que por mais que tente melhorar aqui e ali, é uniformizado como condição. É a "rede de ensino". Não é "customizado" para falar marketelês capitalista. Não há uma genuína consciência e uma ação direcionada, como gostaria Paulo Freire, de que o ensino e aí a aprendizagem, fale ao coração e ao pensamento, de acordo com a realidade de cada grupo.

E por aqui ficamos, por que este é um blog e não uma revista científica. Esse ano como em todos os outros, centenas de crianças vão deixar as escolas. Não por que exista uma desigualdade social sem limites e por que o ensino esteja desconectado da realidade da maioria da população, que nada. Mas por que muitas, mas incrivelmente, muiiiiiiiiiiiitas crianças tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Estou carregando nas tintas para chamar a atenção do "quadro negro". O Brasil não precisa mudar. O ensino não carece de questionamento. Está tudo certo. Os "errados" vão tomar um remedinho e ai depois a gente vê o que faz. Os "portadores" se não desistirem serão colocados em classes para "especiais" e ponto final. Percebe a ironia?

Se esse assunto mobilizou você procure saber mais. É um assunto de Saúde, que envolve o nosso Ensino e as nossas Crianças. Também os nossos Adultos. Inclusive, como diz a resportagem, aqueles que se tornam marginais. A moça ali na esquina sofreu um assalto? Ah pois é, vai ver é culpa do TDAH...

03 dezembro 2011

Proximidade.

"Estar o mais próximo não é tocar: a maior proximidade é assumir a distância do outro".(JO.)



A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...