Ontem li um comentário interessante sobre facebook: uma pessoa reclamando que ali se deletam pessoas, excluem, bloqueiam, etc. Como se a "erva daninha" da vida fosse esse instrumento de comunicação. E pensei: o facebook, como diria Nelson Rodrigues, é a vida como ela é. Em se tratando do mundo adulto. Para crianças, sem a moderação dos pais, considero mesmo uma erva daninha.
Todo instrumento depende do usuário, isso já é lugar comum. A mesma faca que serve para operar e salvar uma vida, também serve para ferir e matar. E tudo o mais. Se o sujeito é compulsivo, vai ser no facebook e onde mais enfie o nariz. Se é sociopata, vai se esconder bem por um tempo, talvez por muito tempo até, num meio desses. E um belo dia mostrará o que de fato é ou não é. Até la pode ter feito vítimas? Sim, a vida como ela é...
De toda forma me parece que qualquer instrumento de comunicação e "relacionamentos" só é interessante se servir para ampliar o leque de relações, contatos profissionais e pessoais, etc. E não para substituir contatos presenciais, carne e osso. Claro que algumas coisas podem ser muito práticas: minha irmã por exemplo. Mora na França e faz análise com uma Psicanalista brasileira via internet. Nada melhor do que poder falar na lingua-pátria para exprimir o que se sente mais profundamente. Aí sim é motivo de substituição, de utilização exclusiva do meio de comunicação.
Agora, esperar que seu amiguinho virtual se torne seu melhor amigo, é complicado. Dificil. Até por que como já falei antes, relacionamentos se fazem... se relacionando. É o tempo, a troca de informação, a gentileza, a transparência e o respeito de todas as partes, que vão construindo uma relação, seja de que nível for. Temos amigos aqui? Sim, de muitos anos. Somos blogueiros ha quanto tempo? Muito, muito tempo. Então ja podemos ter um mínimo de confiança e carinho por algumas pessoas que muitas vezes acabamos conhecendo pessoalmente, outras vezes não. Já crianças e adolescentes, tem outro dicernimento. Caem no conto do mentiroso, do ardiloso, da canalhice, com muita facilidade. Por isso, todo cuidado com nossos filhotes, para que não fiquem presos na rede, como armadilha.
Mesmo com essa advertencia já tão batida, mas no fundo pouco refletida: vamos vivendo a pressão social e não dá para controlar tudo que a criançada faz. Fica ainda mais uma preocupação: a internet realmente não é a unica vilã para nossos futuros adolescentes. Há anos atrás, fazia eu um trabalho de faculdade sobre adolescencia e entrevistei uma moçadinha de 13 anos. Já havia: competição para quem beijava mais bocas na "balada", de com quantos "caras" se ficava numa noite. Uma divisão de tribos- as patricias, os emos, os darks(era outro o nome), em uma idade em que é importante se individualizar e aprender a respeitar as diferenças e não segregar ou se distanciar daquilo que "não é espelho". Mas teve mais conteúdo a entrevista: uma das amigas- que não estava presente- tinha ficado grávida, numa transa dentro de um banheiro de shopping. Quer dizer, barra pesada para a menina e para a toda a família numa situação dessas. Não sei qual foi o desfecho, mas deve ter sido doloroso e cheio de consequencias para arcar numa idade em que se está começandinho a viver.
E naquela tchurma de entrevistados, o velho e fantasioso romantismo de achar um príncipe encantado ainda persistia. A incumbência do menino de "escolher" a quem dar um "anel de compromisso" ( eta coisa mais fora de moda) também persistia e era e -ainda é- almejada por meninas. Então cadê a liberação feminina? É uma beijação de boca e uma espera por um "anel" para criar uma aliança? Enfim, não dá para ser muito conclusivo nesse espacinho de escrita, sem nos tornar longos e chatos. Por isso paro por aqui. E deixo essa repetida vontade de refletir sobre o que fazer para conduzir da melhor maneira a educação de nossos filhos.
Não estou para dar conselhos. Dona Camille, aqui, não tem profissão. É só uma mãe de filha de 10 anos pensando no futuro, no presente e nos caminhos onde as nossas escolhas nos levam e podem levar junto, os nossos filhos. Atenção para todos nós.
(foto de banco de imagens, busca no Google)