31 julho 2011

Será que "Os Pinguins do Papai" podem redimir Jim Carrey?



Hoje foi a vez do filme com minha filha. "Os Pinguins do Papai" parecia uma boa opção apesar do Jim Carrey. Acho que já disse aqui várias vezes que não sou chegada ao gênero de interpretação de Jim Carrey, com raras exceções, fazendo o papel que deve ser dele mesmo: careteiro, zombeteiro ou sem expressão coerente com o personagem. Ele tem presença, 1.90m de altura suponho, mas não consigo dar um sorriso para o trabalho que mostra como ator.
Assistindo-o hoje, o "Máscara" me pareceu um pouco melhor. Filme para crianças ou deixa o ator mais enternecido ou deixa os pais de coração mole para engolir até o tal Jim. Ele estava mais simples, com menos caretas e menos afetação. Senão, quem aguentaria um pai como ele? A atriz que faz a mãe, meio sem graça. E as crianças ótimas. Os pinguins não sei se são truque de computador, ou uns bichinhos muito bem treinados, ou ambos.
O personagem de Jim é um homem separado,insensivel e completamente dedicado ao trabalho. Filho de um aventureiro que viveu longe dele por toda a vida, atrás de novas descobertas geográficas e tal. Um viajante dos polos. Pois esse pai morre, mas antes lhe envia um pinguim numa caixa, com um bilhete dizendo "que os pinguins sabem amar". Por uma série de confusões, outros pinguins aparecem. Ou seja, são todas situações improváveis, mas que dão graça ao gênero.
Jim que tem como função comprar prédios invendáveis, com seu poder de persuação, tem agora uma nova missão: comprar o "Tavern on the Green", restaurante tradicional de NY, única construção privada no Central Park, com vistas a derruba-lo e ali construir um prédio.
Toda a trama gira em torno desse assunto: o restaurante( que belo merchadising totalmente explícito) e os pinguins. E vemos um Jim-pai-de-familia -e -amigo- de- pinguins se tornando um bom moço, bem ao estilo do filme "Treinando o Papai" que na época minha pequena adorou e assistiu várias vezes inclusive com o próprio pai. Dessa vez ela apenas gostou e até agora não falou em ver novamente. Acho que ela daria "meia estrela" para o filme. Prova de que tem bom gosto. Mas eu, mais boazinha que estou hoje, digo que até vale a pena se você tem filhos pequenos e que gostam de pinguins. Boa semana!( Fotos de divulgação dos filmes "Os Pinguins do papai" e "Treinando o papai")

24 julho 2011

Pterodátilos com Marco Nanini, maravilhoso.

Para começar a semana falando em vida, conto um pouco da peça "Pterodátilos" que está no Teatro FAAP, com Marco Nanini e Mariana Lima em perfomances muito especiais. E tb os atores Álamo Facó e Felipe Abib, igualmente carismáticos, engraçados, dramáticos, completos. A direção é de Felipe Hirsch e o cenário e direção de arte de Daniela Thomas.

Uma família completamente disfuncional, e aí a graça da situação, se debruça a fundo nas suas questões. Tão fundo quando trazer a tona um esqueleto de um pterodatilos, das escavações emocionais de cada um. Uma comédia completamente diferente do gênero "A Grande Família" que o versátil e esplendoroso Nanini defende tão bem na televisão. Pterodátilos vai fundo. E Nanini brilha do começo ao fim, mostrando que o Teatro, o tempo real, é das trocas mais emocionantes em termos de artes, É você ali, no meio daquelas cenas. Enfim, para dizer pouco. Voltei agora e ainda quero pensar no assunto. Mas sei que vou dormir com Nanini na cabeça.

Quando meu filho era pequeno levei-o diversas vezes para ver o Mistério de Irma Vap que Nanini fazia com o também genial Ney Latorraca. Eu adorava assisti-lo. E dava para levar crianças. Essa nova peça, não dá para levar Anna, é bem mais pesada. Ainda assim, acho que vou assistir outra vez. Filme eu não consigo ficar repetindo, nem livro. Mas Teatro sim, é sempre uma nova apresentação, uma nova interação. Parabéns para todos dessa produção. Recomendo a quem está aqui em SP, não deixar passar. E boa semana para todos nós. ( Marco Nanini e Mariana Lima em cena, imagem de divulgação encontra no Google)

Recadinho para Luma (Luz de Luma) e Alexandre (Lost in Japan):
Não consigo abrir o quadro de comentarios de voces. O computador fica pensando, pensando, ate cansar. O que será?
Não é a primeira vez. O blog da Luma entao é campeão em acontecer isso comigo...Beijos para vocês dois. Donos dos blog mais profissa que eu conheço.

Mais um: hoje tentei e nao consegui postar um comentário no Jubiart, cuja a dona curte suas lindas férias...Enfim, a janela para comentários não abre. Meu computador está estranho não é?

23 julho 2011

Morre Amy Winehouse. Perdemos uma grande cantora negra.


Ela era linda e tinha aquela voz espetacular que eu adorava. A única cantora de quem eu tinha um DVD era ela. Não tenho muito saco para shows. Mas ela era uma presença. Tantos artistas sobrevivem a droga, pensei que ela fosse viver mais. Aliás, nem pensei que fosse morrer cedo como estão dizendo- crônica de uma morte anunciada. Todos nós somos crônica de uma morte anunciada. Quem está vivo vai morrer, alguma hora, algum dia. Por enquanto, essa é a tal da unica certeza que temos.
Muito dificil sair do vício quando o meio convida. Quando tanta gente dá um tapinha aqui, uma carreirinha ali. Já pensou fazer dieta trabalhando na loja de doces? Tem que ter uma força de vontade enorme. Até por que, para ficar "limpo", o sujeito não pode botar nem um gole de cerveja na boca, que já dá aquela ansiedade. Então a Amy foi até corajosa, se atirava, com todo o seu talento e vozeirão que eu achava ser um privilégio das divas negras - e caia de boca no microfone e no que mais fosse.
Vai moça, vai brilhar no céu. Penso eu. Sempre sonhando que o além há. Questão minha aqui. Deixa eu. Pra quem permanece, um grande beijo, amigos dessa resistência. Digo, existência:)

O Clube do Biscoito- uma receita que contém muitas pitadas de amizade.


Quem gosta de culinária, gastronomia e saboreia a vida de uma maneira geral, vai gostar de ler, da editora Bertrand, "O Clube do Biscoito" de Ann Pearman, ,de quem eu não havia lido nenhum livro até então.
Conta a vida de um grupo de amigas que se reúnem uma vez por ano, antes do Natal para se presentearem, a cada uma com uma dúzia de biscoitos natalinos, daqueles enfeitados, super gostosos e com embrulhos caprichados. Mandar a receita antes e fazer um discursinho na hora de entregar faz parte das regras desse jogo cheio de carinho. O livro tem receitas originais e receitas tradicionais.
E assim a gente vai conhecendo a forma da autora escrever e ver o mundo. Ela mesma, participante de um clube do biscoito. E indo na boa corrente de autoras que mesclam gastronomia com histórias de vida.
Com toda certeza estou tentada a fazer um clube desses aqui em casa. Daqui a pouco conto mais sobre isso. Cozinhar, nutrir, acolher. Quer coisa mais gostosa do que isso?( foto encontrada em busca no google)

20 julho 2011

Miuccia Prada e Patrizio Bertelli: uma obra-prima feita a quatro mãos

















Dizem que casamento é feito de conveniência: "bom para os dois". Pode ser. Mas tem que ser mais do que isso. É preciso um pouco de passione para que a vida seja mais vívida e menos dolorosa do que os tributos que a convivência diária teima em impor não quase sempre. Sempre.



Miuccia e Patrizio parecem ser tudo isso e muito mais. Os dois construíram um império:a marca Prada do jeito que é percebida hoje- grandiosa, criativa, cheia de estilo, tradição e modernidade. Também constituiram de forma bem bonita, uma família italiana, claro: dois filhos, meninos que já são homens feitos. E uma porção de amigos de longa data, além da imensa galeria de admiradores. Não é para qualquer um. É para dois: formam um casal interessante, pelo menos para mim, sim.


Estou lendo sobre eles no livro "Vita PRADA. Personagens, histórias e bastidores de um fenômeno da moda". Escrito por Gian Luigi Paracchini , traduzido por Riccardo Tegagni, editora SEOMAN. Ok. Parecia uma leitura de avião. Pelo menos comprei no aeroporto. Mas não é só isso não. O autor é redator, portanto sabe conduzir o leitor para onde bem entender. Transformar aquilo que é marketing em uma bela história de amor? Ou o que for. O tradutor também tem uma boa pegada e dá para perceber através dele, o pensamento do escritor. E eu, sou boa leitora, de todo e qualquer texto. Treinei para isso. De uma ampla maneira- pela publicidade, pela psicanálise, pela direção de criação tanto na propaganda quanto no marketing direto. Adoorooo ler os textos bem escritos nas linhas e nas entrelinhas, as histórias interessantes e vibro quando encontro as duas coisas juntas na blogosfera, em livros. revistas, novelas. A palavra me fascina. E a vida, muito mais.


Nas linhas, Miuccia, uma bella -e talentosa- ragazza graduada em Ciências Políticas, herda uma marca de malas e bolsas de seus avós, a Prada. Anos mais tarde, numa feira de negócios, decide procurar por uma outra marca que aparentemente está copiando as suas bolsas. Ao encontrar o dono, dá de cara com aquele que virá a ser seu marido e parceiro de negócios por muitas décadas: Patrizio. Um garotão de trinta anos, ágil nos negócios, ex-estudande de Engenharia, curioso com cada detalhe que a vida tem para oferecer. Você sabe como despela os tomates que vem num molho enlatado? Ele sabe. Corre atrás de cada coisinha que lhe interessa.


Nas entrelinhas: uma dupla fascinada por esse mundo do haver. Criativos e produtivos, sem inibições neuróticas. São vencedores sim, vem sendo. Construiram um império que continua a crescer. Por que estão sempre inventando, inovando, abrindo novas frentes para alimentar sua curiosidade, sua vontade de saber mais. Criaram uma fundação. A Fondazione Prada. Onde são expostos trabalhos de artistas plásticos de vanguarda. Que segundo um crítico- quem já nem sei o nome- por que não tem toda essa competencia- são artistas tão efêmeros quanto a moda.


Só que a moda não é efêmera seu crítico. A moda é uma necessidade de pertença que faz parte da nossa espécie. A moda se reinventa todo o tempo, e logo, é mais permanente do que muita ciência que acredita que já descobriu toda a "verdade". Por que esta sempre será derrubada por uma nova verdade ou uma nova versão dessa verdade, mais atualizada. E da mesma forma que, Miuccia e Patrizio já estão de braços dados com a arte efêmera no dizer do crítico, por que aquela arte sem a consistencia do artista, sem o conjunto da obra, para dar respaldo a essa pessoa que cria- no dizer desse senhor-"so para chocar". Miuccia e Patrizio já já chegam, com a competência que lhes é peculiar, nos verdadeiros artistas de vanguarda, que assim como eles vieram para ficar e fazer história.

Taí. Quero ver o encontro da artista plástica Sonia von Brusky, 40 anos de carreira, esse fenômeno permanente de ebulição criativa, um cérebro que não pára de sonhar, de amar , de produzir emoção e técnica, com o casal obra-prima, Prada- Bertelli. Essa oportunidade tem tudo para gerar sucesso de público, mídia, crítica consistente e prosperidade. Quem tiver olhos há de enxergar.

Assim como as bolsas Prada são ícones vivos, os fósseis urbanos de Sonia, criados com canos de descarga de carros destruídos, também são ícones da nossa cultura. Apontam para um outro lado da natureza humana- a vontade de se exterminar. Nas mãos da artista o que era para ser apenas sucata, se transforma em fóssil, criativo e belissimo por sinal. No dizer do critico Francês Pierre Restany, "um alerta planetário". Bem no tom da Fondazzione.

Que Miuccia, Patrizio e Sonia vivam por pelo menos 120 anos e se encontrem. O mundo do futuro precisa de gente assim. Agora, já.

09 julho 2011

Sarturno em Oposição, Trust e outros filmes.











Acabo de chegar do cinema. Fui assistir "Saturno em Oposiçao", filme Italiano de 2007, não sei se estréia ou re-mostragem no SESC da Augusta. De toda forma foi a primeira vez que ouvi falar desse filme e tb do cinema SESC. Gostei bastante. Me lembrou, "O Primeiro que Disse", que assisti em Paris, também italiano e com foco na temática gay. Assunto bom de ver assim, sem tabús e fazendo parte do cotidiano das pessoas, naturalmente. Principalmente partindo de um país católico feito a Itália. O filme trata de um grupo de amigos muito intimos, mulheres e homens, e mostra como família é a gente que escolhe. Os "parentes" dos dois protagonistas são os amigos. Delicioso filme emocionante. Lembrei também, ao comentar com uma amiga que foi assistir ao mesmo filme, de "La Prima Cosa Bella", que desconstrói a figura sagrada da "mamma" e a mostra como uma mulher com dificuldades diversas para criar seus filhos, seus dramas e suas transgressões e não a santa que se tinha como imagem no passado. O cinema Italiano vem demonstrando mais e mais fôlego. São novos cineastas, indicando que no país de Fellini tantos novos talentos seguem a tradição do bom cinema. Assista "Saturno em Oposição", você vai gostar.

Ontem assisti também "Trust", filme americano bem pesado, sobre adolescentes e internet. E ainda, "Os Amantes" filme sueco, onde as relações podem ser frias como a temperatura do inverno de lá. Ambos falam de jovens machucadas pela vida. De dar arrepios e taquicardia. Cuidemos dos nossos filhos, cada vez com mais atenção. O mundo está cheio de perigos, nossas crianças precisam de um equipamento bastante bom em termos de segurança interna, pessoal, para se saírem bem nessa crueza que vem sendo a nossa humanidade. É isso. Bom domingo, boa semana para todos nós. (imagens de divulgação de "Saturno em Oposição" e "Trust" encontradas no Google)

02 julho 2011

Midnight in Paris. Ousadias de Woody Allen fazendo bonito.

Ontem fui assistir ao novo filme de Woody Allen, "Midnight in Paris". Isso significa que, estava tomada pela mágica da telona sim. Poderia ter gostado menos se tivesse assistido em casa, cansada de noite? É provavel. Mas, o fato é que adorei.
Quem assistiu " A Rosa Púrpura do Cairo", do mesmo diretor, em que os personagens saltam da tela e aparecem dentro da sala de projeção, sabe que Woody Allen tem uma enorme capacidade criativa e ousadia em mostrar novas linguagens muito antes de qualquer publicitário aliás pensar nelas. Por que cito publicitários? Cabeças pensantes que tem que dar tratos a bola todos os dias para inventar o que não foi inventado, ou pelo menos reciclar idéias para terem cara de novidade.
Por que vou insistir em falar ainda mais nesses profissionais? Houve um boato, e que pode muito bem ser verdade, de que o filme "Vichy, Cristina, Barcelona" foi um comercial gigante, pago pela prefeitura da cidade espanhola, para fomentar o turismo. Não acho que Barcelona precise, mas se foi de fato assim, Woody Allen é um excelente publicitário.
Melhor ainda nesse filme de Paris. Quem conhece a cidade "luz" ( Curitiba tb atende por essa alcunha) há de reconhecer cantinhos e lugares célebres mostrados ali, por um olhar bem cativante.
E, voltando "A Rosa Púrpura do Cairo", da época em que Mia Farrow era a musa da vez, antes do divorcio conturbado em que o marido ficou com a enteada. ( Bom essa parte acho detestável). É o Woody em Paris como em "Todos Dizem Eu Te Amo", fazendo um esplendido comercial como em "Vichy Cristina Barcelona", e utilizando uma linguagem semelhante ao de "A Rosa Púrpura". Onde sua liberdade e talento em colocar seus personagens em cenários e interlocutores surreais ou improváveis, torna o cinema uma obra de arte muito especial.
Em "Midnight in Paris", o protagonista, roteirista de Hollywood e escritor estreante, está noivo de uma "patricinha" insuportável. E preterido pela moça a cada noite de uma viagem a Paris antes do casamento, vai procurar consolo nas ruazinhas lindas e sutilmente iluminadas da cidade. É quando encontra escritores ja falecidos e que viviam Paris como sua segunda casa, como Scott Fitzgerald e Hemingway ( o bar do hotel Ritz tem o nome do escritor) e com eles, começa uma grande amizade que vai torna-lo mais criativo e solto na sua escrita. O personagem também encontra artistas plásticos como Picasso e Dali. E mais um tanto de outros, sem necessariamente fazerem parte de uma mesma época.
Toda essa licença poética utilizada no filme, cria uma graça enorme e 1h e 50 minutos de puro charme e sedução do espectador. É divertido, alegre e leve. E ainda tem "moral da história" como diz a minha filha. Assim a gente volta a se lembrar que Woody Allen é genial. E mais ainda: que sua produção que não cessa, a cada ano com novas idéias ou antigos ideais ainda tem fôlego suficiente para arrebatar platéias exigentes como garotada culta que estava no cinema, dando risada numa sessão da tarde, a cada referência proposta. Assista, por todos os ângulos é um daqueles filmes imperdíveis.

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...