Quem aqui já não leu mais de um livro de uma vez? Se não for um desses trash books, para ler e passar o tempo de uma viagem de avião, de uma noite de insõnia, pode contar que eu estou lendo alguns livros. Por isso mesmo que os Mil Dias na Toscana, se tornaram quase as 1001 noites, sem Sherazade, mas com a autora, seu marido e alguns personagens profundamente humanos, singelos, especiais, para tornar a Toscana um lugar ainda mais aprasivel, interessante, cheio de encanto por sua simplicidade. Fui adiando o final da leitura por muito tempo. Criei alguns subterfúgios para fugir da última página: passou a ser a "leitura do balé". Quando levo minha filha ao balé leio esse livro e só nessa hora. O balé são dois dias na semana, por uma hora. E assim foi.
Agora já estou com "Um Certo Verão na Sicilia" comprado. Esperando uma vaguinha na minha pilha de leituras e no meu coração. Não tenho idéia se vou gostar tanto quanto do primeiro( para mim). Mil Dias na Toscana tem uma série de temperos: a autora foi chef de cozinha por muitos anos. Chef talvez não seja a palavra mais adequada. Talvez cozinheira profissional, crítica de gastronomia, gastronoma e tal.
No livro anterior a esse, "Mil dias em Veneza", provavelmente ela conta com mais detalhes, como conheceu seu marido veneziano e como decidiram os dois viver em uma aldeia da Toscana. O que estou terminando de ler tem receitas bonitas, daquelas que não são o "macarrão da mamma", nada daquilo do que tem em uma "cantina do Bixiga". Nada para turistas e tudo muito regional, local e cheio de tradição. A autora Marlena de Blasi, já está ali com seu marido, procurando uma vida com o mínimo possivel, de pertences, de frescuras, de ambiguidades, de horarios, de obrigaçoes- de problemas!!!! Um lugar sem problemas parece o paraíso. E da primeira a quase última página é essa a sensação. Estar por inteiro e sem problemas.
Já estou de malas prontas!!! Brincadeirinha. Mas fiquei de fato tomada pela Toscana. E confesso que o livro de Marlena foi o grande empurrãozinho que faltava, mas toda vez que entra Toscana no meio, fico muito emocionada( ressalva para a ultima novela das nove, cujo ambiente era ...Toscana, e da qual não assisti nenhum capítulo- não sou muito chegada em novelas "italianas" com os mesmos de sempre fazendo sotaque esquisito, enfim.
Tem descrições de Marlena assim: só vejo roseiras, mato, ovelhas pastando, totalmente atemporal, poderia ser 50 ou 200 anos atrás. Mais ou menos essas palavras dizia a autora, para falar de um desses mil dias. Certamente ela arrumou um belo de um filão, o livro vende como água, todo mundo quer o paraíso, a calma que enfim vai nos redimir sem nem precisar passar dessa pra melhor no sentido "bater as botas". Mas Marlena além de vender livros de montão consegue passar de sua vida americana para uma muito melhor. A mulher tem um vidão. Quem tiver coragem, que experimente fazer em casa.
(foto de divulgação do livro encontrada no Google)





