29 janeiro 2011

Apesar de ser uma industria o cinema ainda consegue produções gloriosas e artezanais: O Discurso do Rei.




Colin Firth de George VI convense muito mais do que eu imaginava. Por que jamais poderia supor que um filme sobre a realeza britanica teria a capacidade de me comover tanto. Mas esse ator, desde Bridget Jones faz aquilo que se espera de um bom ator: vive o personagem. E com uma naturalidade tão leve, que nem suspeitamos que aquele não é o verdadeiro rei. Que rei. Muito antes de se tornar rei, esse filme conta a história de uma pessoa, um duque inglês, irmão do futuro rei que abdica do trono para se casar com Wallis Simpsom uma mulher divorciada duas vezes e que por isso não poderia ser rainha.
Acontece que o tal duque é gago, e esse limitador impede que ele conte ate para si mesmo sua ambição, vontade ou vocação, de vir a estar no lugar de rei, que o irmão não quer ocupar. Assim, ele e a mulher procuram um terapeuta. A mulher( a futura "rainha mãe" da rainha Elisabeth) é representada pela grande atriz Helena Bonham Carter. Perfeita nesse papel contido, sem os exageros do diretor Tim Burton, seu marido, de quem ela é musa, mas não é sua invençao. Já tinha vida própria como atriz antes dele e continua tendo.
O terapeuta é o ator Geoffrey Rush, já vencedor de um Oscar com Shine. O que diz minimamente sobre seu maravilhoso trabalho. Sua atuação em "O Discurso do Rei" é esplendida. E o contracenar dos dois atores tão artezanais na sua criação de tipos, que dá o tom da "terapia": "fale como se estivesse falando com um amigo" diz o terapeuta ao rei , minutos antes dele falar na rádio em cadeia nacional. É o que os dois fazem, parecem todo o tempo que estão conversando em casa, ensaiando apenas, sem nenhuma platéia ou câmera. É um total assujeitamento a carreira que escolheram: atores. Sim, por que não são apenas naturais, sensíveis e tranquilos em suas atuações. Estão de fato vivendo outras pessoas, reais, com seus tiques, seus defeitos, suas qualidades, seus sonhos, medos, obstáculos e superação através da confiança um no outro. Um filme cheio de humanidade. Glorioso, por isso mesmo. Suntuoso por que o cenário é um palácio e simples ao sinalizar que todo mundo é gente como a gente. Da ate para ter peninha na rainha Elisabeth e da princesa Margareth, duas meninas tão fofinhas e simpáticas que se tornam essas pessoas que são hoje. Assistam logo o filme. Depois dos Oscares, a fila vai ser maior ainda.

26 janeiro 2011

Em Buenos Aires com uma filha de 10 anos.


Viajar com minha filha é um presente para mim. De vez em quando nos damos esse direito. Já nos acostumamos nos duas a estarmos juntas, nos organizar. Ela finalmente aprendeu a dobrar suas coisas, deixar o quarto do hotel arrumado. Mas isso é um minimo detalhe daquilo que posso dizer a respeito dessas viagens.
Minha filha costuma conversar com pessoas que estao nas mesas ao lado, no café da manha cheio de brasileiros, tenta aprender Espanhol e se comunica o mais possivel com as pessoas do idioma. Fora que ja faz uma leitura social das coisas. Esse ano ela me pediu para ir a praça de Maio para ver onde as "avos batiam as panelas de novo". Ela percebe que a Argentina está passando por uma crise. Se emociona com o show de Tango, Faz pose para tirar fotos "artisticas".
Chegamos no domingo e fomos a feirinha de artezanato. Com olhos de lince dentro de um taxi, A. avistou uns marionetes numa barraca. Fomos direto e compramos o marionete mais lindo que eu ja ao vivo que pudesse ser levado para casa.
Ela conta uma porcao de historias dos momentos que nao estamos juntas. Se enfeita toda antes de sair, com brincos, lacos, roupa bonita e ate um batonzinho. Eu olho assim e penso- nossa minha avo Paula ia adorar essa bisneta vaidosa. Tao diferente de mim nesse ponto que faco bem a linha nao tou nem ai. Ela aproveita tudo de bom que a vida tem para oferecer.
E assim eu aprendo com minha filha todo o tempo e ela comigo. Amo essa criança mais que tudo nesse mundo. E uma alegria. Agradeço a Deus pelos filhos que tenho. E que continuemos numa boa viagem e ainda tenhamos muitas boas viagens nessa vida e juntas. (foto minha, da artista que faz esses bonecos na feira)

22 janeiro 2011

Olhos Azuis de José Jofilly. Ele é O cara.



Assisti "Olhos Azuis", um filme brasileiro atípico, daqueles que conseguem mesclar o ator estrangeiro com o ator brasileiro, o cenário (pelo menos em tese, o que é ainda mais interesssante) estrangeiro com o sertão brasileiro e contar uma história bem contada. Que não tem cara de novela da Globo e também não tem cara de "Cinema Novo" reeditado à exaustão. O que eu quero dizer com isso? Não é jogar pedrada no que já foi feito, mas me admirar do que pode ser feito e do que já está sendo feito. Já faz um bom tempo que o cinema brasileiro precisava sair dessa neurose de só contar a história da miséria e o que é pior, sempre da mesma maneira, como se isso fosse ser "crítico" e "desalienado" da nossa realidade. Esse filme - Olhos Azuis- corta esse nó com tesoura, ao invés de ficar tentando desatar cansando os dedos. No sentido de que, vamos deixar disso: não é pecado falar Inglês, contratar um gringo para contracenar, expandir os temas. Ser ainda mais crítico, só que de forma inovadora, interessante e envolvente. Sem lançar mão de talentos consagrados como Tony Ramos e Gloria Pires como vimos recentemente na boa comédia "Se eu fosse você" 1 e 2. Onde a linguagem das novelas , seus atores e seu estilo se transportam para a telona e suspiramos: finalmente uma comédia nacional, que não é uma chanchada. É uma história leve e contemporânea para a gente gostar de ir ao cinema ver os brasileiros darem um show de bola.
"Olhos Azuis" não precisou botar globais em campo para marcar um lindo gol. É uma atriz desconhecida -Cristina Lago, um ator de quem nunca ouvi falar- Irandhir Santos e o ator americano David Rasche- que lembra de longe a fisionomia do grande ator Burt Lancaster- com quem jamais tinha visto nenhum filme, que dão um show de cinema. Numa história triste, cheia de preconceito e arbitrariedade, passada no serviço de imigraçao nos Estados Unidos ( com a perspicácia de não mostrar nem em um segundo a cara de Nova York e você conseguir acreditar , pela boa direçao e boa atuação que está diante do departamento de imigraçao do aeroporto JFK) e entremeada pelo cenário de natureza tão nua e seca como a do sertão nordestino.
O filme vai mostrando pelo olhar do diretor e roteirista José Jofilly, a fragilidade humana, seus enganos, sua segregação idiota.No meio da avalanche de morte que a vida traz, somos sempre, todos iguais, independente do sotaque, da educação, da origem ou da cor dos olhos.
Só tinha visto um filme assim antes: "Urubus e Aspirinas", que conseguiu misturar com tanta naturalidade, ingredientes tão misturáveis como o Brasil e um país estrangeiro. O que antes parecia um tabú intransponível. Gostei muito mesmo. E não foi surpresa descobrir que a direção e o roteiro de "Urubus e Aspirinas" também são de José Jofilly. Ele pegou a mão, pegou o jeito de fazer a coisa. Não sei o que a crítica especializada anda ou andou dizendo sobre esse filme, mas estou curiosa. No meu entender, com trabalhos assim o Brasil sái da sua inferioridade com relaçao ao cinema argentino que vem caminhando a passos largos no sentido de criar tramas com carater universal. Não só recomendo esse filme como digo: você tem que ver com seus próprios olhos, sejam eles azuis ou não.
(fotos de divulgaçao encontradas no Google)

17 janeiro 2011

Através de um bendito site você pode contribuir com a região serrana do RJ de qualquer lugar do Brasil

www.benditaoferta.com.br
A doação mínima é de R$ 5,00. E o site de compras em grupo não ganha nenhum lucro com isso, ao contrário, deve estar pagando a taxa do cartão de crédito. Mas é uma questão de cidadania. Se cada um fizer uma parte, nem que seja pequenininha, todos os esforços juntos serão uma grande obra. E o país precisa, nossos irmãos brasileiros precisam, nossos semelhantes seres humanos que perderam tudo precisam. Quando você tiver contribuido com pelo menos R$5,00, sentirá um prazer imenso, pode ter certeza. Uma sensação de pertencer a uma fraternidade. Aquela que chamamos de... humanidade.
Parabéns ao site Bendita Oferta. Que a sua boa ação se multiplique em bons negócios para vocês jovens empresários, em um futuro próximo.

14 janeiro 2011

GET LOW- por que preparar um funeral de verdade se todos os dias podemos morrer e renascer metafóricamente?




Por que trata-se de uma lenda. Get Low é um filme interessante, bem feito, humaníssimo, que conta a história de um homem barbudo e de cabelos compridos. Recluso em uma fazenda e sua pequena casinha. Paralisado ali. E no entanto, com fama de molestar, matar, ferir quem quer que se aproxime. Um homem-lenda. E uma história baseada de fato , em uma lenda. De um homem que, incapaz de transpor seus obstáculos interiores e mudar a imagem de si, através de um processo mental, intelectual, emocional- preso por 40 anos como ele diz- programa literalmente seu próprio funeral. Como uma festa enorme, para onde todos os habitantes da cidade e das cidades vizinhas são atraídos. Para que, vivo, o protagonista finalmente se autorize a dar a sua versão de si, e com tantas testemunhas,
Ele diz que jamais fez mal a ninguém, exceto a única mulher que amou na vida. Não, não sei se ele a matou. E se eu contar tudo você não vai ver o filme. E se não for, perderá a excelente atuação de Robert Duvall.
Duvall nunca foi bonito como Paul Newman por exemplo. Mas sempre foi bom, muito bom ator. Desses que mesmo que o filme seja mais ou menos, consegue dar dignidade a produção com sua caprichada performance.
Get Low é um desses. Se nao tivesse Duvall seria um filme mais para chato, triste, cansativo. Com Duvall torna-se uma história inesquecível. Ele dá vida realmente ao personagem. Defende aquele homem com toda a sua consistencia de ser humano-experiente e bom ator. E é um excelente advogado do seu papel. Torcemos pelo homem que não soube se reconstruir senão através de um simbolismo quase concreto, como um funeral. E aqui para nós, sabemos também que muita gente morre disso: da incapacidade de bem-dizer de si. Isso mata sim: cancer, depressão, queda de cabelo, obesidade. Quer mais? Quase todos os males. Tem gente que foge de si, foge do espelho, foge de uma terapia e acaba se transformando da forma mais drástica. Não precisa.
Que possamos aprender a enterrar velhos valores, esquemas, truques. E permanecer vivos para aproveitar as mudanças. E que Duvall, que por sinal faz 50 anos de carreira, arrebate todos os prêmios de todas as Academias. Ele merece não como presente de bodas de ouro com o cinema. Mas por seu talento que reluz por brilho próprio.

11 janeiro 2011

Congratulations India: the movie "We are Family" is so sensitive and good to see.


I just saw "We Are Family", a wonderfull Hindi movie. I reconized imediatly the first locations because my little daughter uses to see "Greasy" with Olivia Newton John every day. Exactly: everyday. Five minutes after the end, I started to look for information about the production, on-line, in order to stop to cry. I was very moved.
The story is very similar than a Hollywood script movie with Susan Saradon and Julia Roberts,'Stepmother", I agree. And I think that was the idea, to make an Hindi version of this movie. And I also found out that I was right about locations, the movie was produced in Australia. Then probably the beach( very beautiful landscape) from the beginning is the same then on "Greasy". Good choice! Good reference! Why not?
But what I really found out in a very emotive way was: the Indian directors, actors and producers know how to tell a story. Know how to take a famous movie from Hollywood and make another, completely new: the two protagonists women are the same age, and not this obcessive american point of view that the younger is better . The couple was already separated, and they came back , because of the illness, but also because of love and the children. In the hindi movie is much more clear that the three people and the children were in a very special relationship and creating strong bonds, in a very crucial moment. In the american version, the man was much more appart, he did not cope with his ex-wife, like in the Hindi one. Well, I have to sleep, is too late here. But I would like to talk much more about this movie. ( The songs and the lyrics are so beautifull also, I would like to buy the sound-track) . And if I even try to write in English is because I would like to share my feeelings and impressions with the India people, the Hindi people.
- Do not worry or give to much attention to Hollywood. You can be good, criative and enchanted, being yourselves. That is. I recomend "We are a family".
( image from research on Google)

09 janeiro 2011

A Águia e A Galinha de Leonardo Boff fala da condição que quero para mim, para nós.



Abri em uma página aleatória e comecei a ler "A Águia e a Galinha- Uma metáfora da condição humana" de Leonardo Boff. Não é preciso ser católico ou acreditar em Deus para gostar desse livro que fala da origem como o big bang. No começo estávamos todos unidos assim, como partículas. Por isso faz parte do caminho do ser humano essa busca de união, de volta, de transcendecia. É quase dizer que nossos instintos básicos vem da Física Quantica. Fala da possibilidade de sermos leves, transparentes e autenticos, Sem segundas intenções. Desarma nosso coração magoado para um olhar de esperança no humano. Por que nos coloca, não como bestas embaçadas, mas como Deus em nós. Um livro que desperta o entusiasmo. Um religar com muita traquilidade. Recomendo. ( imagens encontradas em busca no Google)

06 janeiro 2011

“Blog Retrô” da Elaine Gaspareto - BLOGAGEM COLETIVA.


Li no blog da Luma que ainda é tempo de participar da blogagem coletiva- Blog Retrô em que cada participante escolhe um post de cada mês do ano passado, pelo critério que achar melhor e publica novamente.
As vezes me pego lendo meus próprios textos, (quando alguém entra pelo Google em algum tema, fico curiosa e clico) e me surpreendo dependendo da época ou do assunto, como se aquela pessoa que escreveu não fosse eu, mas um outro. É e sempre será um outro mesmo: nosso inconsciente nos pregando peças e nos contando segredos de nós mesmos,
Mas ai encontrei um postezinho em que não só me reconheço, como o tema dele, foi a tonica do meu ano inteiro: muito trabalho e a solidariedade desde o início do ano, dos meus tios Luis e Eliana. Assim os homenageio com esse post, agradecendo mais uma vez a ajuda, que chegou na hora precisa.
Beijos para todos e que tenhamos um 2011 maravilhoso, muito melhor em tudo, que o ano que passou.



14 Janeiro 2010

A primeira novela de Manoel Carlos a gente nunca esquece

Ando sem tempo de olhar no espelho, que dira, assistir minha novela preferida, alias a unica que eu assisto mesmo, a Viver a Vida. No entanto, hoje ao ver um clipe da Luciana com o Miguel no blog da Lulu, comecei a chorar. Será que estou ficando doida? Será que o Manoel Carlos é tudo isso? Não sei, mas estou apostando na sensibilidade que Aline Morais dedica ao seu personagem e nesse excelente ator Matheus Solano, que dá tanta veracidade ao personagem, que a gente pensa que é de verdade. E claro, preciso de uma válvula de escape. Quer melhor que uma novelinha? Melhor do que bebedeira ou calmante. Mas se eu pudesse ir a ginastica ou a yoga seria mais produtivo. Irei. Talvez as 9.00h da noite quem sabe, para pegar o horario da novela na academia.
Aproveito para agradecer a enorme solidariedade que meu tio, marido de minha tia tem tido comigo. Eu sei que eles gostam muito de mim, mesmo assim fiquei admirada e muito comovida e grata.
Beijos para voces, tios,
Cam

(imagem bailarina de Degas e óleo de Sonia von Brusky, foto minha)

O Turista- com Angelina Jolie e Johnny Depp. Dos chatos, o melhor.



Assisti ontem mais um filme de ação com Angelina Jolie. Parece que as esposas de Brad Pitt tem uma certa maldição de estilo: Jennifer Aniston so faz o mesmo tipo de comédia onde aparentemente interpreta ela mesma. Angelina Jolie varia um pouco mais, mas se destaca mesmo nos velhos chavões de filmes de ação.
O Turista dá um up grade na situação por que tem Johnny Depp no elenco, o que torna tudo mais filme, mais interpretaçao e menos só aquela carinha e bocona. Ela é linda sim, tem uma historia de vida interessante, mas será que é boa atriz? Talvez sim, talvez seja muito marketing.
Enfim, o Turista dá para assistir: se passa em Veneza- ah, a bela Italia tambem salva tudo. Distrái.
Também vi O Cisne Negro com Natalie Portman de bailarina clássica com transtornos de personalidade graves, como diria um psiquiatra. Com delírios e brancos de memória. Digamos que a moça está perturbada no filme. Mas ela é muito bonita e Natalie trabalha bem. Você faz questão de acompanhar cada expressão da moça, cada franzir de testa, cada virada de rosto. Uma atriz é uma atriz. Também criada no cinema. Mas com um desenvolvimento mais aparente de talento do que Angelina, a linda. Um bom filme para quem gosta desse tipo de suspense psicológico. De Lago dos Cisnes mesmo tem muito pouco. Não é um filme sobre balé, mas tem balé. É sobre a competição e o estresse que acarreta. De toda forma, recomendo os dois.

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...