31 agosto 2010

A Single Man ( Direito de Amar)


Filme lindo, reflexivo, até sufocante. Assisti em casa e parei várias vezes o dvd para me dedicar a outros afazeres. Por que de vez em quando a gente esbarra em um filme que de fato presta. E aí tem vontade que ele não acabe. Como um sonho talvez, ou um pacote de balas que a gente tentar não comer sem parar, para poder saborear.
O que tem de tão bom nesse filme? Talvez um senso de realidade raro nas tramas. Começa com a morte do companheiro de um outro homem. As lembranças do que ficou e sua sensação de vazio. Colin Firth( o noivo de Bridget Jones, para fazer uma referencia bem leve) é o protagonista. Bonito, sensual e tudo, tudo de bom como ator. Ele consegue ser alguém sem idade. Pouca maquiagem numa trajetória de 16 anos de narrativa. E muita expressividade. Você que assiste e sente por e com ele.

Talvez por isso mesmo, a homossexualidade masculina tenha aparecido para mim neste filme com um brilho mais intenso do que em outras histórias. Ele mostra uma escolha natural, de quem experimentou tudo e preferiu alguém do mesmo sexo. E deixando de lado a perspectiva narcísica do lance, ou qualquer teoria psicanalítica, que caberia perfeitamente incluir aqui, prefiro pensar no ser humano que nada sabe sobre isso. Fica mais gostoso, interessante e bonito.

A estética do mundo gay é bem enquadrada ali. Não a do estereótipo, mas a do bom gosto. O companheiro que morreu era arquiteto, a casa em que viviam era bonita, atemporal, elegantemente aconchegante. E os corpos perfeitos dos personagens, são bonitos de ver. De se ver um ao outro como em um espelho. Nada de celulites, cabelos ressecados, unhas por fazer. Ops, entrou a mulherzinha no texto. Ou ops, entrou, inevitável, a teoria?

Não. O filme é mais que isso. Mais do que o universo masculino gay e sua aparentemente e admirável imensa liberdade mesmo nos anos 60. É o universo humano. Alguém que perdeu alguém, tentando ver a partir daí, um sentido para a vida. E cheio de sutilezas mostradas pelo estilista- diretor estreante, Tom Ford: quando o protagonista consegue finalmente dar uma respirada, uma aliviada de suas angústias, ele abre a janela e o som da noite, dos passarinhos, o brilho da lua, pela primeira vez aparecem como foco. E o ator mostra com clareza, a perspectiva do personagem de voltar a amar todas as pequenas e grandes coisas que já lhe passavam desapercebidas.

O filme é tremendamente sensual. E existe um subtexto que vira texto no diálogo do protagonista com um garoto, seu aluno da universidade, bem lá para o final: "a gente só consegue ver uma pessoa pelo exterior. Eu pensei que você fosse outra coisa" E o protagonista responde:" eu sou exatamente o que você está vendo. ( Pausa) Se prestar atenção".

Um enredo que fala sobre como os sentimentos humanos vão construindo a própria realidade. E haja humanidade para assistir. Esse vale o ingresso.
(still encontrado em busca no Google)

30 agosto 2010

The Jone$es- este sim é um filme de vampiros


Acabei de assistir The Jone$es, com Demi Moore e David Duchovny( Arquivo X e Californication). Ter-ri-vel. Eles representam uma família fictícia ( tem um casal de filhos quase adultos) que se infiltra cada vez em uma cidade nova para com seu estilo de vida ultraconsumista despertar o desejo de consumo dos seus falsos amigos.
Tudo é falso: os pertences, os laços criados com a vizinhança, o amor que os une. "Verdadeiras" somente as griffes que exibem e assim ajudam a vender. A familia fake trabalha por pontuação. O homem deve levar seus amigos homens a consumir carros, roupas, acessórios. O mesmo para cada um dos membros dessa "unidade". Uma espécie de Amway extremada.
De tão perfeito, o casal além de invejado pela suposta relação, consegue fazer com que todos almejem ter as suas coisas e não apenas sua família sensacional. Eles se beijam e se amassam na frente dos outros, mostrando com isso que, quem se veste como Demi consegue a incondicional admiraçao do marido, quem dá mil presentes e tem o estilo milionário de Duchovny consegue ter uma vida sexual sempre espetacular com a mulher. Como se a felicidade, ou a imagem dela, pudesse ser comprada a preço fixo.

Catalogado como comédia, O filme me lembrou um remake de um drama, vivido na nova versão por Nicole Kidman, que se chama, se nao me engano de "A Esposa Ideal". Um quase terror, onde os maridos matam suas mulheres e as sustituem por robôs idênticos, só que cordatas , escravas e sempre dispostas a um belo sorriso diante do que quer que se apresente.
Não tem a menor graça.
Só me fez pensar nas distorçoes excessivas que o mundo capitalista provoca e o quanto somos vítimas de tudo isso. Não acredito que nenhum sistema economico traga a felicidade, por que sabemos o quanto todos os "modos de produção" por assim dizer trouxeram com eles suas mazelas. Embora nada pareça ser tão selvagem, fútil e desnecessário quanto passar horas colecionando griffes e se preocupando com isso ao invés de almejar um belo oceano para navegar, uma montanha para escalar, uma boroboleta para observar, um sol para se aquecer. Uma vida de verdade para viver. Quem precisar de uma boa reflexão sobre a inutilidade do mundo capitalista, deve assistir. Mas vou prevenir: não vale a pena.
( foto de divulogaçao encontrada em busca no Google)

28 agosto 2010

CIA Le Plat Du Jour. Uma troupe com atitude.


Acabamos de chegar do Teatro. Eu, Anna e a prima Fê. Fomos ver "Alice no País das Maravilhas" com a CIA Le Plat Du Jour no Teatro União Cultural, Paraíso, em São Paulo. É uma sessão de diversão garantida para adultos e crianças, vale a pena assistir. Principalmente se voce, de fato, gosta do sabor ao vivo que o Teatro tem. Eu amo cinema. Mas fico totalmente tomada quando assisto um bom espetáculo. Nada como o "tempo real" que atores e platéia experimentam numa comunhão de sensações e sentimentos. Principalmente como eu disse, quando é bom. E o que é uma peça boa? Para mim é aquela que consegue reunir vários talentos: texto inteligente e ágil, direção cuidadosa, detalhista e capaz de aproveitar cada minuto para dizer alguma coisa, dar uma pontuada, extender um pouco mais aquilo que as palavras já estão dizendo. E claro, um grupo de atores que sabe o que está fazendo. Como esses. Que tem também uma expressão corporal muito bem trabalhada: balé, circo, ginástica olimpica passaram naquela formação profissional. São três atrizes que se revesam em uns 30 personagens muito engraçados todos eles, para contar a história de Alice. De repente, me lembrou uma coisa, que me parece uma boa comparação: você já ouviu Caetano Veloso cantando Help, dos Beatles? Com a interpretação dele, foi a primeira vez que parei para pensar em um sentido mais profundo para aquela letra e gostei muito. Da mesma forma, hoje gostei mais de Alice, pelos olhos, gestos e interpretação de um grupo tão bom, que já está dando "filhotes". Me lembro dos " Três Porquinhos" (" tem carrrne de marrtelo?" Vendiam também o CD )quando Anna Luiza tinha uns dois aninhos, com uma dupla de mulheres , a dupla que criou a CIA, acho eu. Com elas também, Peter Pan. Agora são outras atrizes, e existe mais de uma peça da troupe em cartaz em SP ao mesmo tempo.
Bom, eu poderia enumerar aqui montes de motivos para dizer por que esse grupo é tão especial: eles são criativos, cuidadosos coma produção, minimalistas com o cenário, é a interpretação que preenche o palco.
São a nova geração de atores brasileiros, que sabe que não basta mais um brilho nos olhos e um gestual como se fossem "crianças grandes" para convencer os pequenos. Isso foi bom ha 20 anos atrás. E agora, já era. As crianças são muito mais exigentes. E esses atores tem o que mostrar. Além do excelente trabalho corporal já citado e da interpretaçao engraçada, comunicativa , sutil e sensível, eles tem ATITUDE.. Parece que todo mundo fez análise ali. Todo mundo com auto-estima lá em cima, prontos para viver o aqui e o agora com tudo que tem direito. Saí do Teatro com a alma lavada. Amém. ( foto retirada de busca no Google, material de divulgação. Me parece que o elenco agora é outro, mas esse que eu vi é excelente)

25 agosto 2010

Tão tênue a vida, precisa ser vivida.


Quem já passou por uma situação de risco, seja em hospital, seja em acidente, sabe o quanto a vida nos escapa e como é dificil a luta para permanecer vivo. Mesmo que não tenhamos sabido da gravidade real de nossos problemas, lutamos com todas as nossas forças para permanecer aqui. Nos descobrimos nos apegando em pequenas palavras de conforto que já nos disseram um dia, nas rezas que prometeram fazer por nós, nos motivos familiares que temos para estar inteiros. As vezes toda essa reação é inconsciente. É instintiva e aparentemente imperceptível. Mas aos poucos esses conteúdos vão emergindo, e agradecemos a nós mesmos pela nossa capacidade de sermos fortes.
No ano passado passei por uma situaçao assim, e me lembro dos pensamentos que me impediram de sucumbir numa UTI de um pós-operatório complicado, onde tive que ser reanimada várias vezes. Lembro de uma luta feroz, do pensamento, do corpo, para permanecer presente e viver. E agradeço a todos que me deram força antes e depois, certamente jamais esquecerei das pessoas que estiveram por perto.
Hoje meu primo L. C. teve alta de um hospital, depois de passar quase dez dias em uma UTI.
O que ele teve, não me cabe relatar aqui . Mas ele conseguiu vencer. E passou a fazer parte de uma estatística bem reduzida das pessoas que escapam ilesas da situação de risco que passou. Parabéns meu primo, você venceu. Daqui a uns dias vai se lembrar dos seus pensamentos, do quanto você lutou pela sua vida, a que palavras, sentimentos e imagens se apegou para ter forças e reagir. Vai se lembrar do quanto você é forte. E essa lembrança vai fazer com que você passe a ver a sua vida de outra maneira. Buscando a serenidade, sempre. Por que provou não só da sua tenacidade, mas também do aspecto tênue que a vida tem. Pode ir tão fácil como uma brisa que passa. E é preciso ser um leão duro na queda para segura-la no ar, equilibrando-se como um malabarista por um fio. E afirmar para si: eu quero ficar.
(imagem Site Gurdieff-Brasil)

23 agosto 2010

Assisti finalmente ao filme "A Orfã". É preconceituoso quanto a adoçao sim..



Quando soube que essa produção chegaria ao Brasil, escrevi um post pedindo as pessoas para ignorarem esse filme, para nao assistirem, em protesto. Para meu espanto, durante meses, foi o meu post mais procurado por internautas vindos do Google, atrás da trama e não do meu protesto. Ou seja, o filme causou estardalhaço, curiosidade, até cessar. Por isso também escrevo hoje sobre o assunto, por que já caiu no esquecimento, já virou passado para quem gosta de assuntos sensacionalistas como esse filme um é. Assisti uma cópia dessas metrefe que vende na esquina, com pedaços que não da para entender, cheia de defeitos. Mas deu para perceber que no início ha uma espécie de campanha em prol da adoçao de crianças. Como se tivesse havido algum tipo de imposiçao- você tem que colocar isso no filme. Da mesma forma que se coloca em maço de cigarro que fumar faz mal a saúde. O filme é beeeem cretino. Por que o espectador passa quase duas horas em panico por causa de uma garotinha que foi adotada em um orfanato de meninas, capaz de matar, seduzir, mentir, manipular. Uma psicopata de alto calibre. E durante esse tempo em que se assiste a um filme, e vai-se envolvendo com aquela trama sórdida, vai-se formando um juizo de valor sobre a adoçao, sobre a adoçao de crianças mais velhas- por que finalmente a questão em foco está em: de onde veio essa criança? Quem a criou? Que estimulos recebeu? Por que ate hoje ela não foi adotada? Será que tem algum "defeito"? Vai-se sublinhando na cabeça qualquer dúvida, qualquer questionamento sobre o assunto que já é tão mal-tratado aqui no nosso país pelo menos. Para ao finalzinho mostrarem o mistério: não, aquela psicopata assassina não era uma criança. E sim uma adulta com nanismo ou algo no genero, capaz de qualquer coisa, se fazendo passar por criança para tem um caminho para cometer suas atrocidades. Ah esse era o terror?!!!!!! Então por que passou-se duas horas expondo que o terror era a adoção de uma "menina" mais velha ao invés de um bebe que poderá ser formado desde pequeninho a imagem e semelhança dos pais adotivos?
Enfim, só para voltar a velha polemica, gostaria de saber se esse filme influenciou e como, casais com intenção de adotar crianças mais velhas ou não. Curiosidade tambem de saber se o filme foi proibido em algum lugar por causa de seu conteúdo preconceituoso e formador de opiniao preoconceituosa. Alguem tem alguma notícia sobre isso?
( fotos retiradas de busca no Google)

22 agosto 2010

Filme: a vida da pintora Georgia O'Keeffe



Há uns vinte anos, quando fui a primeira vez sozinha a Nova York, não era a primeira, mas uma vez muito especial: sozinha, podendo andar por todas aquelas ruas numeradas, entrar em todos os museus ou não entrar, olhar fotografias, ver os brechós. Descobrir a mim mesma e minha vontade de fazer coisas na vida.
De repente me vi horas e horas no subsolo do Metropolitan Museum, que naquela época abrigava uma loja discreta de posters e sei lá por que, pouca gente visitava. Depois de ver tudo que podia no museu, me meti por lá e olhando poster a poster, em um museu que não se sobressái exatamente por seus quadros, me chamou a atenção um poster de Georgia O'Keeffe de quem eu nunca tinha ouvido falar. Puramente ter achado bonito. Flores e um fundo azul, comprei.
Hoje a noite, finalmente comecei a assistir filmes que encontrei, bem antes de sair de férias com minha filha. E passei a mão em um com a vida da pintora. Comecei a ver sem fé, apesar dos atores Joan Allen, de versatilidade ímpar e Jeremy Irons de dramaticidade idem, estarem nos papéis principais. É que tenho visto muita porcaria de filme. Mas esse é bom.
Bom por que conta a vida de Georgia O'Keeffe. Uma mulher que se casa com o fotógrafo famoso e talentoso, Alfred Stieglitz. E fica conhecida primeiramente por ser a esposa fotografada nua e exibida em uma exposiçao de arte. Esse é o start da carreira de Georgia. Que segue em frente com seu desejo de se expressar, de ser amada e de ser mãe. Coisa que o marido, já separado de uma outra família lhe nega e ela aceita, por que ? Não sei. Talvez por que naquela epoca como aliás agora, as mulheres não tenham ainda alcançado total autonomia como almejariam, por sua incessante necessidade de serem amadas e aprovadas por seus companheiros. E eu , claro, conheço bem isso.
Seu marido fotógrafo,aparentemente indiferente ao seu amor e as suas necessidades, passa a se relacionar com outra mulher, uma ricaça sem mais o que fazer e que poderia lhe dar a sensaçao de poder total que alguns homens precisam para se sentirem seguros, mas não necessariamente felizes. Georgia então vai se consolar na casa de uma amiga no Novo México e acaba se apaixonando por esse lugar que se torna a sua moradia para sempre.( Também me apaixonei só de ver o filme)
A trama é focada nesses dois personagens. Mas o interessante é ver o caminho trilhado por Georgia O'Keeffe em busca de sua identidade como ser humano e como pintora. Alguma coisa ali que me lembrou Frida Kahlo. Keeffe é mais abstrata e Frida mais visceral. Mas existe um ponto de encontro entre as duas, muitos pontos: cores, sofrimento agudo por amor, busca de si mesma, frustrações com relação a maternidade. E um enorme talento.
Espero um dia ver uma retrospectiva de Georgia O´Keeffe. O filme termina definindo-a como "a maior pintora da história". Não sei se é, e pouco importa esse ranking. O que interessa é o ser humano tridimencional que está para além das telas e ao mesmo tempo, dentro delas. Valeu.

17 agosto 2010

As profissões, os serviços e o valor que damos a isso.


Ando pensando, a gente dá muito valor aos médicos, como se fossem os primeiros da piramide de profissões. Médicos salvam vidas, vemos uma diversidade de seriados americanos onde eles são tratados como heróis. É como se fosse a profissão mais importante de todas. Por um lado, concordo, tenho o maior respeito pelos médicos e a maior gratidão aos meus bons médicos, por que tambem já passei por medicos menos bons. Mas os que que trataram - no amplo sentido da palavra - bem, sou muito grata, muito mesmo. Ja salvaram a minha vida sim. Acontece que ha um outro lado, que me faz discordar do médico ser a profissão mais importante do mundo. Se pensarmos bem, todas as profissões tem o seu grande valor, principalmente quando os profissionais as exercem bem. Se voce é bem atendida na padaria e começa seu dia com um pão quentinho, gostoso, num ambiente sem estresse, isso é bom. Se você faz sua propria comida e é bem atendido pelo moço na feira que oferece os melhores legumes e frutas, ou se voce tem uma cozinheira contratada que faz a comida com capricho, melhorando assim a sua qualidade de vida. Esse profissional, esse prestador de serviços tem ou nao tem o mesmo valor de um médico na nossa vida? Ele esta tratando de que nao fiquemos doente. E assim vai, com professores de ginastica, com massagistas, com o ascensorista que nos da bom dia ou pelo menos, responde ao nosso bom dia, o motorista de taxi que nos leva direito sem dar voltas, tem o seu carro limpinho, para nosso conforto. O mundo é uma correlaçao de pessoas interagindo todo o tempo, e estamos nessa teia enorme de profissões, profissionais, pessoas, energias que sao trocadas todo o tempo. Assim, concluo mesmo que, dependo de uma porção de pessoas durante todo um dia. A minha qualidade de vida depende da capacidade de serviço de muitas pessoas. E vamos vivendo diariametne uma troca, que pode ser boa ou menos boa. Mas que queremos que seja cada vez melhor. E vamos conseguir, se prestarmos atençao nisso. Nessa parceiria que formamos, nessa equipe- mundo- pais- estado--cidade- nosso bairro- nossa rua- nossa casa - nós. Tratemo-nos mutuamente bem, e o resultado aparecerá. Medicos são importantes, muito. Todos são importantes, a partir do momento em que cruzam as nossas vidas. Muito devaneio? Pode ser. Mas acredito nisso. Bjos

15 agosto 2010

Qual a idade que você sente que tem?


Hoje meu padrasto ganhou uma festinha por que amanhã fará 80 anos. Nossa! Me lembro quando minha avó fez oitenta anos, que marco. Como se fosse uma idade muiiiiiiiiito dificil de chegar, um tempo muito distante, quase impensável de conquistar. O tempo passa e esse sentimento com relação a idade cronologica vai mudando. Vamos ficando mais velhos claro, mas nao é só isso. A maneira de encarar o tempo do ser humano também mudou. Até as crianças da família não olham com nenhum espanto os 80 anos do meu padrasto. E nem ele se parece com um velhinho centenário como se pareciam as pessoas de 80 anos antigamente. É um senhor jovem. Não um "senhorzinho" como alguns teimam em tratar pessoas de mais idade, no diminutivo. É um intelectual e não aquela caricatura de velhinho quase surdo e sem memória. Deve ter 1.80cm e poucos e não tem nada de curvadinho, é o "gatão" da minha mãe, que por sinal é bem mais jovem do que ele, mas não está nem aí para isso.
Fico feliz que as coisas sejam assim, ou que estejam ao menos melhorando. Isso significa que estamos amadurecendo como seres sociais que somos, e já não temos tanta cara de "terceiro mundo". Apesar de saber que diante do Brasil, São Paulo, o sul do país, ainda são um outro mundo. Mais linkado com a Europa do que com a pobreza, a seca e as rugas precoces do Norte e Nordeste. Onde o povo é de muita fibra, mas ainda existe tanta miséria, desnutriçao, tanta dificuldade no sentido do viver, que parece até que é por isso que tudo se encurta, principalmente o tempo de vida.
Mesmo falando em um lugar fora do mapa, como São Paulo, fico feliz de que aqui estejamos conseguindo nos livrar do preconceito que envolve a idade, associada a velhice e ao fim. A vida começa na hora em que a pessoa desperta para o viver, o sentido das coisas, seu papel no mundo. E cada um tem uma trajetória diferente, uma idade emocional X, uma idade corporal Y, que muitas vezes nada tem a ver com a idade da certidão de nascimento.

Sejamos menos crueis com a nossa própria humanidade. Um dia todo mundo, se der sorte chegará aos 80, aos 90 , aos 100 anos. Hoje mesmo, que idade voce tem? Eu ainda nem parei para pensar nisso. Pensemos então. E parabéns para meu padrasto, que viva muitos anos, feliz e acreditando no hoje, por que o amanhã também existirá.

12 agosto 2010

O Mosteiro Zen

"Estudar o Zen é estudar a si mesmo.
Estudar a si mesmo é esquecer de si mesmo.
Esquecer de si mesmo é estar uno com todas as coisas."
Mestre Dogen

Hoje acordei e logo lembrei do mosteiro Zen, para onde fui uma vez. Talvez tenha sonhado com isso, ou seja um desejo escondido, uma necessidade de voltar aquele lugar. Quando estive la, precisava muito de um descanso, de umas férias de tudo. E uma amiga me sugeriu o mosteiro. Ela é jornalista, uma pessoa altamente esportiva e ecológica. E tinha ido numa época diferente da que eu fui. Estive lá num verãozão, marcando 50 graus a temperatura. Mas a sensação termica parecia ainda mais quente. Dificil para meditar.
Passado tanto tempo, olho para as fotografias de um livro que trouxe de lá e a sensação de calor abrasador ja se apagou. Ficou na minha memória um lugar lindo, com muita alegria. Eu pensei que estaria em silêncio o dia inteiro. Mas entre as muitas horas de medição, havia muita conversa, muita garotada, muita risada e pessoas de idade variada, trocando ideias e tambem, se disciplinando.
As quatro horas da manhã, se ouvia o som de um instrumento metálico. Era a hora de chegar para meditar. Eu tinha que levantar correndo para não entrar atrazada no lugar de meditação. No primeiro almoço, uma surpresa: nenhum grão de comida podia ser deixado no prato. E niguém levantava da mesa sem que todos tivessem acabado. Assim, ficaram me observando ter a coragem de jogar uma aguinha quente que havia numa vasilha a disposiçao, no meu prato, dar uma mexida, e colocar para dentro o que restava até deixar o prato completamente vazio e branquinho. Me senti como naquele programa "Limite", em que as pessoas tinham que comer olho de cabra, ovo galado, entre outras esquisitices. Pura frescura da minha parte. Precisava apenas comer o resto da minha comida. Mas estava feito criança, me recusando. Durou pouco. Não aguentei todos os olhares sobre mim e obedeci. Na refeição seguinte, já estava avisada e logo me acostumei.
As tarefas eram divididas entre todos. E como era a minha primeia ida a esse mosteiro, fiquei com a parte da cozinha. Além do mais, por sorte, quando preenchi um questionario na chegada, em que me consultavam sobre o que eu sabia fazer, respondi cozinhar , dentre um tanto de outras coisas que não tinha a menor utilidade ali. Mas eu não sabia o motivo da pergunta e fiquei constrangida depois. Pura besteira. Através da filosofia Zen, começamos a perceber que nada daquilo que atribuimos um enorme valor de fato importa. Nada é tão relevante. Então a idéia é não fixar o pensamento em nada, durante as sessões de meditação Zazen. Não é facil de primeira. É preciso muito treino. Experimente sentar e observar seus pensamentos e tentar "mandá-los embora". É ai que percebemos o quanto nos fixamos em alguns assuntos que voltam, voltam e voltam outra vez.
O fato é que, mesmo com alguns momentos de descontração, o que estava em questão ali era muita disciplina. Educar o corpo, educar a alma. Dentro de um ambiente absolutamente lindo e ao mesmo tempo despojado. Com uma comida natural e deliciosa. Uma natureza selvagem, com jardins impecavelmente tratados. E toda a nossa propria natureza em bruto, passada em revista, para apreciarmos, aguentarmos e domarmos com firmeza.
Quero voltar a esse mosteiro. Quem sabe até fazer as minhas idas lá serem mais frequentes. Me falta disciplina, força de vontade, educação física e mental para ser Zen. Mas se eu for determinada posso chegar lá. Espero que sim.
Sou grata a aqueles momentos que passei ali.

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Esta é uma oportunidade para descobrirmos o que existe no Universo, além de nós:

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09 agosto 2010

É impressão minha ou faz tempo que a MPB vem sofrendo de uma falta cronica de criatividade?





Domingo fui ao super-mercado. De repente me senti tão feliz. Reparei entao que havia ao fundo das minhas compras uma trilha sonora de Ivan Lins, quer dizer, um desfile de repertório. E que musicas mais lindas.
Tom Jobim, Vinicios, Gonzaguinha, Cazuza ,ja foram. No dia que também partir Chico Buarque, Edu Lobo, Ivan Lins, Joao Gilberto, Caetano Veloso e não sei quem mais, a MPB vai viver de que? De saudade? De história?
Por que sinceramente nao sei quem vai estar no lugar deles, fazendo sucesso, lançando musicas lindas, letras poéticas, coerentes, inteligentes, musicaveis de verdade. Não vejo nenhuma obra consistente no horizonte. Deixei escapar alguns outros bons nomes como Alceu Valença ou Fagner, mas esses tambem sao da mesma faixa etaria e provavelmente morrerão perto. Nada sobra.
Não sei o que canta um Falcao. Gosto bastante do Arnaldo Antunes, mas tb é ja meio veião. Nao tanto quanto os outros. Detessssto sertanejo, apesar de gostar daquelas dancinhas country. As vezes a musica é ate bonita, mas o jeito de cantar é irritante, o visual idem.
Nossa, ia esquecendo do Paulinho da Viola,mas idem no quezito idade. Marina Lima? Idem.
Então me diga, quem sobra? Quem dá continuidade ao trabalho que fez da nossa musica popular uma senhora musica, respeitada no mundo inteiro pela beleza que tem, a alegria que traz, o talento que fascina? Não sei, não sei mesmo. Deixe aqui a sua opiniao, quero muito conhecer o que ha de novo e bom.

05 agosto 2010

O genio saiu da garrafa e disse: vou realizar todos os seus desejos, Amo.



Você pode imaginar o que seja a realização de todos os seus desejos? Pense e vai descobrir logo, logo, que não. Realizar todos, pressupõe uma finitude dos desejos, ou do desejo. E você, como eu, é um ser desejante. Por que? Por que sempre algo lhe faltará. Ainda bem. Em busca dessa falta e na ansia dessa completude, seguimos pela vida realizando, querendo, buscando, curiosos, interessados, descobridores. É a mola que nos impulsiona. Por que estamos vivos respiramos, e por que estamos vivos, capazes, saudáveis e a fim da vida, desejamos. Por isso, caso encontre uma garrafa estranha, com uma tampa diferentona, não abra. Pode sair um genio...

Estou participando da Blogagem Coletiva do Blog "Café com Bolo" proposta para todas as sextas feiras. Estou publicando hoje as 6.40h da manhã de sexta, mas não sei mudar a data e hora, estava no rascunho o texto)

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...