30 março 2010

Empregada doméstica: ter ou não ter essa experiência?


Ja vivi muito bem obrigada sem ter uma pessoa para me "servir", como alguns alguéns se referem aos empregados- "serviçais". Parece coisa feudal não é? Mas enfim, com filhos pequenos, que atire a primeira pedra quem não quer ter uma pessoa de confiança para deixar os pimpolhos e ter um pouco de folga, no mímimo, para trabalhar em paz? Quando eu morava no Rio de Janeiro, vivi muito mais a experiência de minha mãe com as empregadas do que eu mesma como patroa. Eu e elas tinhamos uma ótíma relação sempre, claro, eu não era a megera da madame. Mais tarde, com meu filho pequeno comecei a ter pessoas trabalhando para mim e sempre foi uma relação mais ou menos tranquila. As moças sabiam cozinhar direitinho, a gente conversava, tudo se ajeitava. Eu era uma guria, as empregadas em geral eram mais velhas que eu, tinham uma certa maternalidade comigo eu achava, e estava tudo certo.

Quando vim para São Paulo, senti uma enorme diferença.Tinha passado mais um tempo no exterior, onde a gente faz tudo sozinha, ou no máximo tem uma faxineira de vez em quando, numa relação bem mais realista e igualitária do que a maneira que coisa funciona por aqui, com os tais 'serviçais" dos nossos "feudos." Então encarei essa cidade, SP, que não é moleza não. Nem para arrumar um emprego sem conhecer ninguém do mercado local, como era o meu caso. Nem para ter uma empregada doméstica, em uma terra onde onde o trabalho industrial predomina e a relação patrão e empregado está bastante voltada para direitosX deveres e ponto final. E eu ainda naquela carioquice de chamar os filhinhos da empregada para morar na minha casa. Nada disso.

Tive que me adaptar a falta de amizade e a relação puramente capitalista enquanto Anna Luiza era bem pequena.

Agora que ela cresceu, mas não o suficiente para ficar em casa sozinha, até por que não tem irmãozinhos para fazer companhia, eu vivo em um permamente estado de desconforto com esse assunto: ter ou não ter uma empregada. Os salários são cada vez mais altos, ok. Os direitos bem determinados, ok. As folgas estabelecidas na maior rigidez, ok. Tudo muito profissional. Só que aquela revolta constante de você é "rica" e eu sou pobre ainda existe. Aquela coisa feudal de - estou trabalhando na sua casa e sou como um pertence seu- voce tem que me dar comida, roupa lavada, instalações confortaveis, no minimo com televisão, aturar meu mau-humor, minhas reclamações, meu serviço feito de má vontade, meu ódio por fazer parte de uma sociedade tão contraditória, também.

Estou cansada de aguentar isso. E , optando por não ter mais empregada nenhuma na minha casa. Não fui eu quem fez essas contradições e tento minimizá-las, mas claro que não consigo. Por que elas existem de fato, são injustas e cruéis. Mas cansei de ter uma "big sister" que tudo sabe da minha vida. E que faz de mim o alvo principal de suas insatisfações.

Só nesse começo de ano L. já é a segunda que passa por aqui e hoje, corajosamente, espero conseguir dizer A-Deus, depois de suas duas semanas de trabalho, muita dor dente, dor de cabeça, gripe, febre, mãe morrendo, filho que caiu na escola lá no Ceará, todos os motivos para justificar uma imensa vontade da vida ser diferente da que ela tem, por falta de opção: ser empregada doméstica. E olha que foi ela, prima do porteiro, quem bateu a minha porta, vendendo um peixe como peixão saboroso e sem espinhas, para que eu desistisse de minha vida de "solteira de empregadas"e tentasse novamente embarcar numa "relação estável". Não é possivel. Portanto, daqui para frente, comidas congeladas. Estou com uma lista de endereços para começar a encomendar. E no mais, vou me virar direitinho, o melhor que eu puder. Por que qualquer coisa é mais produtiva do que ser tomada como o pivô das desgraças do mundo.

De qualquer maneira, se você encontrar Mary Poppins por aí, me avise. Ela tão bonita, confiante e alegre, leve e solta com aquele guarda-chuva pelas nuvens, será que só em filme? Quem sabe se eu escrever mais uma cartinha....(foto: Julie Andrews no filme Mary Poppins, produção de 1964, pesquisa no Google)

29 março 2010

Segunda-feira? Melhor continuar meditando sobre o Big Brother.


Eu sabia que existe uma tal de "sindrome de segunda-feira", que não me lembro se trata com homeopatia ou com florais de Bach. Já li também que segunda-feira é o dia da semana estatisticamente com o maior número de enfartes: a pessoa acorda e vai trabalhar, tem aquele choque entre o pequeno relax do final de semana- e as vezes nenhum relax- e enfrenta mais um começo de luta que nunca acaba, o cumprir as obrigações de sempre, ou as novas.


Segunda-feira no final do mês é ainda mais angustiante por que tem a montanha de contas para pagar. Como diria Louise Hay, do "Você Pode Curar Sua Vida", "vamos agradecer as nossas contas, por que elas nos mostram que temos como pagá-las". De fato, principalmente quando escrevemos best-sellers e nos EUA. E está certíssima, cada um de nós PODE escrever um best- seller. Como no filme Ratatouille, "todos podem cozinhar", até um ratinho. Assista. ( Hoje eu assisti de novo com minha filha, e constatei que ele não faz um "ratatouille" mas uma galetti. Ou seria um ratatouille em forma de galetti? Não importa, assista que é ótimo)


E, voltando a... segunda-feira...? Você acompanhou o resultado do Big Brother de hoje? Adorei o comentário da Luma, ali no post abaixo, um chamado a realidade do reality "SHOW". Mas como a gente gosta de um auto-engano, -até ontem, minha mãe pensava que os atores que fazem Jorge e Miguel na novela das nove, eram "gemeos", por que " eles são incrivelmente parecidos, só podem ser irmãos e devem ser gêmeos, como seus personagens". Quer dizer, os gêmeos são o super bom ator Mateus Solano que faz os dois papéis. E tão bem que, até quem sabe que trata-se de uma pessoa só e assiste a novela assíduamente, o que não é o caso da minha mãe que já não é chegada, mas é o meu, as vezes acredito que Mateus são dois. Embarco na historinha e ainda acho que ele vai se casar de verdade com a Luciana e o Jorge talvez com a médica, por que a tal da melhor amiga não da para ser a melhor mulher. Mas claro, peguei a sindrome da Jan, que acredita que Edward Cullen, o vampiro, existe e até outro dia ela queria se casar com ele.


Então, no conto da carochinha Big Brother, com ou sem script: a Lia, parecia beeeem descompensada e se fazia parte do enredo a "tipo quase surtada" e podia muito bem fazer, ela tb acreditou na historinha e "embarcou". Mas ái caramba! Que chatura era aquilo, ve-la chorar, uivar, gritar, brigar, beijar, com tanta "intensidade". Realmente se o reality não fosse só show, a dançarina estaria com assistência psiquiátrica e já teria sido mandada para casa faz tempo.


O melhor de tudo é que Fernanda, minha candidata ( que não é Henriquieta Cardoso, graças aos céus), ganhou e ficou. E agora suponho que, todos os que votaram a favor de Dicesar, votarão nela. Será? Por que todos que votaram em Lia, votarão em Cadú e os que já votavam em Dourado continuarão com Dourado. Igual em eleição presidencial. Tem aqueles conchavos de última hora para garantir cadeiras... enfim, quase, quase igual.


A diferença é que não tem cadeiras, quer dizer, não existem cargos a serem ocupados depois dessas eleições bbbs. Mas no quesito "está tudo combinado", dizem as línguas, não sei se boas ou más que, nas eleições presidenciais pelo menos no Brasil, também se decide quem vai ganhar, muitos antes da ida as urnas. Os manda-chuva, os graúdo manipula e povo só comprova que quem pode, pode.


Sendo assim, vai ganhar o tal de Cadú, corpão sarado, bonzinho. E vocês viram não é? Gays ou não, já estavam na final dois homens. Fernanda bonita, mulher e dentista, já ganhou o premio de consolação, um apt no Rio, no valor de 200 mil e a bela paulista ainda pode posar nua nas revistas e sites masculinos. Como Grazi Massafera, pode até virar atriz. Que droga de combinação machista. Gostaria, repito, que o combinado fosse a Fernanda ganhar. Continuo acreditando nos gemeos Solanos, em papai Noel e na vida eterna de Edward Cullen: voto na Fernanda esperando que ela vença. E diferente dos meus amigos blogueiros que já disseram que não votaraõ em ninguém, votarei em Fernando Gabeira torcendo para que ele venha a ser o combinado da vez. E não é que já é segun....Boa semana para todos nós.

27 março 2010

Será que o Big Brother é de verdade ou é apenas um jogo de xadrez pela audiência?




Comecei a assistir esse Big Brother 10 do início. Acabo que faço isso toda vez. Vejo o primeiro "capítulo" e quando chega nos finalmentes volto a assisitir. E claro, sempre fico pensando se é tudo combinado ou não. Se é um jogo dos participantes simplesmente ou é um jogo do Boninho e equipe, para conquistar mais e mais audiência?

Não me lembro de ter contado aqui,mas quando existia o "Baú da Felicidade" do Silvio Santos, minha avó era assídua compradora de carnês, que era como a coisa funcionava. Até o dia em que funcionários do ´"Baú" bateram na porta dela dizendo que a cidade de Niterói, onde ela morava, precisava ganhar um carro por causa do marketing deficitário no local e que então iam premiá-la, bastava que ela pagasse umas prestaçõeszinhas a mais para ser contemplada. Minha avó ficou super magoada, botou os caras porta afora e desistiu dos carnês-roubalheira. Descobriu que era tudo faz de conta. E acreditar naquela historinha toda para ela era muito mais importante do que ganhar ou não um carro, por que aliás ela já tinha o dela.

Hoje a gente imagina que é tudo uma manipulação só, esses BBBs, e mesmo assim assiste e torce. A cabreirice vem do fato de que observando bem, dá para prever resultados. Os próprios BBBs dão a deixa. Outro dia mesmo, a loura Fernanda disse: "se eu ganhar a liderança indico você Dicesar( o rapaz drag queen), para que os três amiguinhos( os oponentes do momento) sejam obrigados a votar entre eles". Boa estratégia. E ela, claro, ganhou a liderança. Mas a fala dela já coincidia com aquilo que melhor se encaixaria para um ibope alto, uma disputa boa. Para quem não assiste estou falando grego. Mas o que importa é: somos enganados o tempo todo ou os reality shows são reais e não dirigidos, com script e tudo o mais para serem espetáculos mais interessantes?

Imaginando como uma Poliana, que aquilo tudo é verdade verdadeira, votaria em Fernanda para ganhar o prêmio dessa vez. Ela é mulher, bonita e dentista. Além do mais é boa atleta, jogou aparentemente limpo e todas as vezes que venceu uma competição foi para ajudar alguém. Até na primeira cena do programa, quando quem ganhasse uma prova de resistencia, faria um ex-BBB adentrar de novo no programa e ela foi a vencedora, estava lutando pela entrada de uma miss mega chata, a tal da Joseane que só ficou uma semana. Mas o que valeu foi o esforço da Fernanda, sempre boa colega. É o que passa pelo menos. Depois o fato ser mulher e hetero também causa algum tipo de problema: se o voto do publico tem valor, a preferencia dos votantes vai sempre para um homem, ou se for mulher, tem que ser feia e pobre. Por que as bonitas já "vão ganhar dinheiro posando na Playboy". Que mentalidade. Assim a vitória da Fernanda é a superação desse tipo de preconceito: mulher, hetero, bonita e bem sucedida não serve para ganhar, só para rebolar, enfeitar e trazer audiencia durante a temporada.

Entao é isso, só para relaxar quanto ao post abaixo, mudei de assunto e voto em Fernanda. Mas para presidente, voto mesmo é no Fernando, o Gabeira. Espero que ele entre na disputa presidencial e que dê um cheque-mate em toda essa vergonha que se passa na politicagem. (fotos encontradas em pesquisa no Google)

26 março 2010

Apague as luzes ( o último a sair) e feche a porta: como sobreviver à humanidade?


Amanhã o planeta estará mobilizado. Ou uma parte dele, a que pensa. Mesmo assim, olhe em volta, não parece a você que a humanidade se extinguirá de uma maneira ou de outra? Pode não morrer de sede ou morrer de fome, como diz a letra da música. Mas um jeito de sumir do mapa há de dar. Por que vem se esforçando nesse sentido. Ou, não se esforçando em sentido contrário, pela vida.
Hoje estou triste por relembrar o caso da menina Isabella. Não tenho nada para dizer sobre isso. Mas sinto nas entranhas uma espécie de nó. A justiça dos homens pode ser feita, mas nada vai reparar esse mal, o sofrimento da criança, a morte, a dor da mãe, essa sensação de que a humanidade é desumana. Não presta. É a mesma sensação diante de um Diário de Anne Frank. Estarrecedor o que o tal do Homem (hOMEM) consegue fazer a sua própria espécie. Sendo ela ainda por cima sua prole. Ou não. Aqui eu trato de generalizar, por que essa pequena(diante da população mundial é um microcosmo) história monstruosa me constrange muito mesmo. Sinto vergonha de pertencer a essa espécie.
Aliás, acho que já falei isso num blog: escutei uma vez na faculdade, que a morte daquele menino que foi arrastado por um automóvel durante um assalto, gerou grupos de discussão entre psicanalistas e advogados, nos "porões" de uma universidade pública e famosa nesse Estado. O debate consistia na hipótese de existir uma "nova espécie" menos humana. E olha que escutei isso da boca de uma psicanalista "lacaniana". Fala sério pessoal, que ingenuidade é essa? Que bobageira, francamente, é essa? Que falta de cultura geral. E que vontade adolescente de mudar o mundo. Bem intensionada a idéia, mas bem bobinha. A humanidade é isso aí. Também. Igual Coca-Cola. Efervecente e causadora de úlcera. Capaz de deixar um mármore branquinho de tão corrosiva que é.
Naquela época eu apenas disse: através de estudos antropológicos que observavam tribos primitivas e canibais, descobriu-se que determinadas tribos comiam seu semelhante por acreditar que, justamente que não era semelhante. Se fosse de fora da tribo, o homenzinho era considerado um bicho como outro qualquer. Uma caça, um jantar. E quem foi que disse que essas gangs não se consideram tribos fechadas, distantes, diferentes dos demais animais? É possível. E aí, dane-se o resto. A professora achou bem plausível a "minha" teoria. Bah.
E quando eu vejo essa tragédia de violência doméstica tão brutal, aí então é que não me lembro nem de algum estudo antropológico. E nem quero me lembrar. Só quero encontrar a porta de saída. Uma nave espacial que me leve. Um jeito de ser abduzida. Talvez doa menos do que a constatação de que a humanidade está na véspera do seu fim. Quem sabe por tédio, por que já viveu demais sempre do mesmo jeito. Virou vampira. E agora, ou muda para uma nova coisa, mas muito nova mesmo. Ou será mudada, voltará ao pó. Desculpe o desabafo. Mas amanhã eu apago a luz sim, mas não vou tapar o sol com a peneira. É também por vergonha de pertencer a nossa espécie.(imagem encontrada em pesquisa no Google, sobre o tema "escuridão")

21 março 2010

Ayuasca.Como o chá sagrado dos indios pode ser responsabilizado pelos atos do homem branco?


Sei que o assunto é extremamente polêmico. E longe de mim querer me meter nessa querela. Só estou mais uma vez vendo a mídia fazer confusão. Ainda mais em revistas semanais, editoriais, que deveriam fazer uma pesquisa mais relevante antes de se pronunciar sobre o que quer que seja.


Na capa da Veja, a manchete é a seguinte: "O PSICÓTICO E O SANTO DAIME. Até que ponto se justifica a tolerancia com uma droga alucinógena usada em rituais de uma seita?"


Acompanhei com interesse sociológico, os anos de persistência da União do Vegetal nominalmente, uma religião bastante discreta e criteriosa, no sentido de legalizar a prática de suas sessões, utilizando o chá Ayuasca. E já comentei em outro post, o que eu li durante este tempo nos jornais sobre esse chá ser ou não ser droga ou necessariamente, um alucinógeno.


Critério e serenidade, são quesitos importantes para falar desse chá misterioso e de sua utilização. Assim como critério e serenidade são necessários, além de muito conhecimento sobre o chá e o ser humano, para dicernir quem pode e quem não pode fazer uso do Ayuasca. Psicose e outros problemas psiquiátricos não são compatíveis com uma bebida que abre o insconsciente de forma ampla e profunda. Abre e fecha em uma sessão xamânica, dirigida com rigor para ter começo, meio e fim. Ou seja, fechamento do que se abriu. O psicótico que já esteja-com ou sem chá- com seu inconsciente a céu aberto, não vai fechá-lo através da regencia de um mestre xamânico ao final de uma sessão, como os não psicóticos costumam fazer, e portanto deveria ser impedido de compartilhar dessas sessões. Assim, pelo que entendi, faz a União do Vegetal desde sua fundação. Seleciona, através de diversas entrevistas, quem pode beber o chá e quem não pode. Não se trata pelo que compreendo do assunto, de discriminação no sentido segregador, mas de cuidado com a própria pessoa que está querendo participar.


Como falei anteriormente, desconheço as práticas do Santo Daime e também, seus critérios. E assim, penso que não se deveria colocar como "farinha do mesmo saco" todas as seitas ou religiões- no sentido do re-ligare- que fazem uso do Ayuasca.


Nem dizer que o culpado de um assassinato foi o chá. Mas talvez, o mau uso que se pode fazer dele. Pela falta de criterio por exemplo, ao aceitar um psicótico -como esta se afirmando que o assassino de Glauco é- em uma reunião, como o Daime chama esses encontros. Vocês podem perguntar: mas como alguém vai adivinhar se a pessoa é psicótica ou não? Não adivinha. Por isso mesmo que não é abrir a porta e deixar entrar quem quiser, para beber o chá. É necessário analisar cada caso através de pessoas com experiência e mestria suficientes com relação ao Ayuasca e capacidade de perceber quem pode ou não participar.


Li sobre a vida de José Gabriel da Costa, Mestre Gabriel, o criador da União do Vegetal. Um seringueiro do Amazonas que em contato com os índios descobriu o Ayuasca e sua força transformadora. Capaz de iluminar com brandura a mente de quem bebe o chá e mudar o que precisa ser mudado. Propiciar evolução. Acredito nessa possibilidade.


E por ter um pouquinho de cultura a respeito do assunto, que me coloquei aqui, nesse espaço que criei, o Camélia de Pedra, em defesa do dicernimento das diferentes práticas dos grupos que bebem Ayuasca. Uma coisa é uma coisa, outra coisa pode ser outra coisa, completamente equivocada na sua maneira de proceder, daí o problema. Com-ciência, é um jeito mais interessante para evitar qualquer julgamento precipitado.


Portanto jornalistas, abram os olhos e estudem, pesquisem, para não crucificar mais uma vez alguma coisa, pessoa ou movimento bacana, em nome da generalização, tão comum ao ritmo frenético que a mídia costuma querer abraçar o mundo. ( imagem retirada de pesquisa no Google)

17 março 2010

Helena se separou e parece aliviada


Pelo que sei, o Conselho de Ética de Psicologia determina que os Psicólogos não utilizem mais dos casos reais de pacientes para ilustrar palestras e afins, mas exemplos de personagens e constextos de livros. E pelo que ouvi dizer, Machado de Assis é um campeão em citações, por seus personagens tao humanos.


As novelas me parecem também um ótimo recurso. Nem todo mundo vê novela. Mas também não é todo mundo que lê alguma coisa. Portanto, validos como exemplo tanto uma quanto o outro. Ainda mais as novelas de Manoel Carlos, de quem me tornei fã recentemente com "Viver a Vida". Seus personagens , suas dores e algrias são reais. Tão reais quanto nossas vidas, bem vividas ou não.


Hoje peguei o capitulo já começado e vi Helena a protagonista, já fora da masmorra que se tornou seu casamento com o marido mentiroso e cínico. Bom para ela, que agora tem condiçoes de amar e ser amada. Mas principalmente, de não baixar sua auto-estima gratuitamente por ter um marido a quem nada nem ninguém satisfaz.


Aliás, questão muito bem pontuada, na boca da personagem de Lilia Cabral, ex- mulher do neo -Wando- baixinho: ela diz a Marcos que ele sempre deixa a felicidade escapar. ´Quando está feliz nao percebe. E parece sempre insatisfeito. Assim vai sugando e anulando uma a uma. Nenhuma é boa o suficiente, problema dele.


Helena foi mais esperta e ao invés de hipotecar sua vida em troca de um coração que não sente mais do que uma coceira no pênis e portanto, sem capacidade de constancia no companheirismo, amor e tudo que a gente quer e almeja, saiu fora. Diferente do personagem de Lilia que parece não acreditar mais em suas chances no mercado das relações e continua a mendigar atenção do mesmo chato.


No mais, vai parando por ai. Por que nunca aparece alguém bem resolvido, capaz de viver em paz consigo mesmo, sem procurar freneticamente um par, como se a vida fosse a arca de Noé. Faltam analistas, nos livros, nas novelas. Por isso mesmo, os exemplos são ótimos para substituir os dos pacientes em dificuldades. ( foto retirada de busca no Google)

12 março 2010

Dry Martini is very wet for me.


Nossa, que banho. Estou assistindo mas uma vez o filme Julie e Julia, uma delícia. Júlia lê o livro de gastronomia de Julie Child e busca fazer as receitas exatamente como estão descritas. Uma viagem ao sabor da comida francesa, ao mesmo tempo em que é um despertar para os multiplos sabores que a vida nos traz, se vamos atrás de nossos desejos e persistimos em nossas realizações. Ela consegue realizar as receitas, escreve um blog contando sua trajetória, fica famosa.

Enfim, hoje estou mais para meias palavras. Não quero contar tudo de minha vida por aqui. Mas me limito a dizer que há pouco tempo assisti uma aula sobre bebidas. Onde, um barman e uma barwoman -deve ter esse termo, claro- ensinaram a fazer caipirinha, mojitos, cosmopolitan e dry martini. "Drinks"- acho tão brega essa palavra, mas deveria dizer o que ? Beberagem? Soa meio xamânico não é? Bebidas? Também não. Talvez, receita de bebidas. Famosas e clássicas.

Aprendi a diferença entre os fermentados e os destilados. Entre aquelas que vem das plantas, das que vem de outras regiões e por ai vai. Você sabia que embora no exterior cachaça e rum tenham a mesma denominação, cachaça, cachaça mesmo, só pode ser fabricada no Brasil? Ou melhor, mesmo que haja uma produção escondida sei lá em que canto do universo, a unica que poderá ser considerada cachaça é a nossa? Belo royalty, melhor que nada. O que ? Você preferia que um brasileiro tivesse criado a MicroSoft? Cada um é cada um.

Por isso mesmo, me encantei pelo universo das bebidas, embora eu seja péssima bebedora. E aqueles sabores do alcool sejam um tanto fortes para quem tem um paladar tão refinado e discriminador de substancias quanto eu.

Mas é genial saber que o cinema em 1830 tinha uma relação estreita com a bebida e as pessoas apareciam nas cenas com copos na mão, sempre saboreando alguma coisa. Que em 1930 veio a lei seca e que a Máfia tratou de dar continuidade a produção nos porões e a comercialização dos prazeres alcoolicos. Tudo tem sua história e pessoas dedicadas a fazer seus sonhos terem continuidade. Gostei do entusiasmo dos mestres dessa arte. O mesmo que eu tenho em outras artes. Mas valeu a aula.

Gostei de fazer com minhas próprias mãos o tal Cosmopolitan, bebida apreciada pelas personagens de Sexy in the City. Fica rosinha escuro, visual, bonito. E achei a maior graça do tal do Dry Martini, o "rei das bebidas". "a essencia" ser apenas gim quase puro. Com três- sim, três pequenas gotas de vermute-olha só que fetiche, muito gelo e copo estupidamente gelado, umas gotículas extraídas de um pedaço de casca de limão( será que faz alguma diferença?) e uma azeitona espetada num palito. Mais fetiche. Talvez eu aguentasse alegremente uma taça daquelas- eta copinho mais lindo! Mais fetiche...- numa piscina, num feriado de sol, sem prestar muita atenção ( aliás ao final de alguns goles, sem prestar atenção nenhuma). Mas assim, a seco, no final de um dia de trabalho e preocupações, em frente a uma mesa de trabalhos culinários, só um golinho bastou para lembrar que gim foi aquela tal bebida que junto com champagne "choca" esquecida por meus pais na geladeira antes de uma viagem- que aos 13 anos se tornaram o meu primeiro porre. Até hoje lembro de minha avó subindo e descendo escadas comigo para "gastar" e ver se a coisa passava. Recordações engraçadas. Dessa vez agora, o gim não desceu. Mas o dry martini mesmo assim, vai fazer parte da minha história de pessoa curiosa. Warning: não experimente a receita em casa.( foto encontrada em busca no google)

07 março 2010

Maluca Paixão? Socorrinho.


Realmente o filme é uma droga. Por trás de uma grande atuação há de ter um bom diretor e um bom enredo. Por isso quando são premiados e fazem discursos citando meio mundo, esses atores e atrizes não estão apenas fazendo média. Estão fazendo justiça e agradecendo de coração a chance que tiveram de valorizar seu trabalho, pelas vias do bom roteiro e da boa condução.

Veja só o caso de Sandra Bullock: está indicada para receber o Oscar e hoje é a favorita, com o filme "O Lado Cego", ao mesmo tempo em que recebeu o "Troféu Framboesa" como pior atriz no filme " Maluca Paixão", que só não da para jogar um tomate se você imaginar que a personagem é borderline( transtorno psiquiátrico que dentre outras coisas, leva a uma promiscuidade sexual. A pessoa tem tanta dúvida de sua existência que tenta garanti-la através do sexo frequentre. )Enfim é um jeito de considerar o "transtorno". Como também é um jeito de redimir o filme. Só que não dá para assistir até o final, de tãaaao chato que é. E acredito que não cáia para esse lado da doença, do transtorno, por que Hollywood adora essas coisas, e teria dado a Sandra duas indicações para o Oscar ao invés de uma só.

Mas então, está ai um exemplo bem interessante. A mesma atriz considerada a melhor e a pior. Só que muda o filme, muda de mãos, de produção, de batcanal. Por falar nisso a gente também percebe a mesma coisa na nossa televisão e antes percebia mais ainda: um ator na tv Globo vai muito bem. Muda para o SBT ou para a Record e fica ruim. É tudo uma questão de contexto, do meio, da direção. Agora essa diferença diminuiu por que as emissoras perceberam que não bastava contratar os atores bons. Precisava de toda uma equipe técnica para fazer sucesso. E a mão de um bom diretor. ( Claro que grandes atores como Pedro Paulo Rangel, Fernanda Montenegro e mais meia dúzia de talentos, não precisam de nada, eles levam a trama, o elenco, o que for. Mas que até para eles uma boa equipe ajuda, não há dúvidas)

É isso aí. Acho que já assisti a maior parte dos filmes que estão concorrendo ao Oscar de hoje. Minha aposta é na Sandra Bullock como melhor atriz. As outras categorias realmente não dá para arriscar. Achei essa leva de filmes muito chata. Bom, nem consegui ver o Invictus. O Morgan Freeman deve levar o Oscar se estiver concorrendo. Juntar o Mandela como personagem e o Morgan Freeman só pode dar boa coisa. A menos que o diretor seja o mesmo de Paixão Maluca. Não deve ser. E você, torce para quem?
(imagem do cartaz encontrada em busca no Google)

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...