Está muito frio aqui em SP. A temperatura baixou muitos graus de repente. Parece até NY, só falta nevar. Que exagero. Mas para quem chegou agora, pouco agasalhada e pega de surpresa depois de um dia intenso, muita preocupação, saúde complicada, sofrimentos mal digeridos e uma supervisão sexta a noite com mais seis ou sete, dá até mesmo para dizer que está um frio de tilintar. É exaustão, fome, tudo reunido.
Vamos ao que interessa: estou com saudades de visitar os blogs, de escrever, trocar idéias, mas me falta tempo, realmente. Hoje me dei conta, mais uma vez e muito sinceramente, que o tempo e a saúde são as coisas mais preciosas que temos. E se pudesse, acho que compraríamos por um bom preço. Com muito mais alegria do que pagamos em um par de sapatos novos. Para não dizer, um carro novo. O meu está uma lata velha. Jamais me dei ao luxo de ter um carro novo bonito e só para mim. Enfim...Pagaria com mais satisfação uma ou duas horas a mais no meu dia, que me permitissem cuidar um pouco de mim, me dar alguma atenção. Me sinto sucumbindo. Ainda.
Assim voltei ao meu antigo "fenômeno": a tal da insônia tardia. Acordo de madrugada e começo a ler. Até pouco tempo eu assistia intermináveis reprises de Friends e de Gilmore Girls. Um dia me dei conta que até de madrugada estava perdendo meu tempo e voltei a dormir.
Mas segunda-feira, num momentinho, consegui entrar na Livraria Cultura. Acostumei com a grande, já não me aborrece que não sejam mais aquelas lojinhas separadas. E comprei... A SOMA DOS DIAS da Isabel Allende. Jamais tinha lido um livro da autora, por absoluta e total antipatia gratuita por ela. Achava-a oportunista por usar o nome de Allende talvez em vão. Pensava que fosse uma charlatã que as pessoas endeusam por que pensam na griffe ao invés de pensar no produto. E a "griffe" Allende, realmente, é do maior respeito.
Não tenho a minima idéia se mudei de idéia quanto a romancista Isabel Allende. Mas comecei a simpatizar com a pessoa dela ao ler sua biografia, essa, A SOMA DOS DIAS. É um livro suficientemente transparente para que possamos ver a mulher neurótica, baixinha e feiosa, latina que fez sucesso no mundo, cheia de vaidades e bota vaidades nisso, que aquilo deve ser uma cobra coral, uma naja, mesmo quando a santinha está querendo enfeitar o pavão.
E aí, acontece um fenômeno engraçado: mesmo não me agradando de todo dela- e quem nos é totalmente agradável a não ser uma obra ficção feita sob medida?-comecei a gostar da leitura. E a me interessar pela vida dela , pela familia dela, pelos amigos. Pelo sofrimento, pelo peso daquela alma, beeem pesada. Ela narra o livro inteirinho como se estivesse falando com Paula, sua filha morta e nome de uma outra biografia da escritora. de sucesso mais estrondoso do que todos os seus romances reunidos, como ela mesma admite, e que eu não tive coragem de ler. Ela que expurgasse o seu luto. Eu não tive a coragem e a solidariedade de compartilhar como leitora, dessa enorme perda.
A SOMA DOS DIAS é um livro que vale a pena. Mostra uma pessoa de verdade, nas linhas e nas entrelinhas. Eu já amo uma biografia, meu tipo de leitura preferido. Especialmente as autobiografias. É fascinante ler alguém falando de si mesmo.
A SOMA DOS DIAS fala da vida como ela é. A começar pelo título. A vida é o que, mais além do que a soma dos dias que passam? E bom ainda quando o vivente consegue perceber os dias que vão passando. E se fosse no atacado, os anos que passam, as décadas que passaram e quem passou nem notou?
Isabel, minha nova amiga, aproveita seus dias. E escreve de um jeito que dá vontade de ler. Quem sabe eu consiga me interessar por um de seus heavy- romances? Ou ver até o final a "Casa dos Espíritos", com aquele alter-ego mais do que perfeito para a Sra Allende, Merryll Streep. Que aliás personifica a avó da autora. Mas nem precisa ver o filme para entender que no fundo é ela. Enfim...Daqui a pouco, hoje quase amanhã, vou dar um rolé pelos blogs. Que saudades de vocês.