28 fevereiro 2009

O ultimo Chef Chines

O mundo anda tão embrutecido que fico feliz quando encontro coisas delicadas para apreciar. É o caso desse livro: O Ultimo Chef Chinês. Comprei pelo titulo, para mim convidativo. Não conhecia a autora, Nicole Mones. O enredo fala de uma jornalista, critica culinária que viaja para a China em busca de esclarecer uma investigação de paternidade contra seu marido já morto. A editora do jornal onde ela trabalha pede então que aproveite a viagem e entreviste um chef meio chinês, meio judeu-americano, que volta as suas origens chinesas para aprender a culinária imperial e está prestes a inaugurar seu restaurante.
Mas tudo isso é pano de fundo, para mostrar uma China que ressurge dos escombros da ditadura de Mao. Desvendando suas tradições mais antigas
, a relação delicada do chinês com as pessoas, a relação de grandes laços entre as famílias, o conceito de família bem diferente do ocidental, a importância da culinária como retrato de uma cultura.
A autora vive 12 anos na China antes de escrever seu primeiro livro. Ela chega ao país ao final da revolução e abre uma tecelagem. Ao todo permanece 18 anos vivendo na China. E é provavelmente com a delicadeza assimilada dessa cultura, mais a sua própria sensibilidade, que cria sua história e personagens e transforma o Ultimo Chef Chinês num livro delicioso, leve, que ensina coisas novas sem ser didático. E ainda faz você torcer pelo final feliz dos protagonistas. Valeu. Eu recomendo sim.

19 fevereiro 2009

O curioso caso de Benjamin Button. Assista sim.

Fui ver logo que lançou. Tão lindo esse filme. Os efeitos especiais são incríveis. A maquiagem, também, perfeita. Numa determinada cena é impressionante ver o Brad Pitt com 15 anos de idade. . E a Kate Blanchet que sempre foi bonita, está esplendorosa. Como se tivessem sido retocados na fotografia. E pode ser que seja exatamente isso.
Filme tem uma magia muito especial não é? Por que se faz um filme ruim, quando se pode fazer um filme tão maravilhoso quanto O Curioso caso de Benjamin Button.? Uma grande sacada pegar essa história de Scott Fitzgerald e colocar na tela. A idéia é belíssima: um bebê que nasce velho e vai rejuvenescendo durante a vida.
Aqui novamente encontramos um tema que para nós é vital: o tempo de vida de uma pessoa e sua evolução através desse tempo. Os livros dos vampiros posts abaixo, evocam esse assunto numa constância.
No filme de Benjamin, a qualidade da apreciação do assunto é outra. Mais delicada, talentosa, sutil, poética. Mas é o mesmo barco. A vida, a velhice, a juventude, a morte. E também as relações.
Kate é uma garotinha e Brad é um velhinho. Depois Brad vai remoçando com o passar do tempo e Kate amadurecendo rumo a velhice. Num momento, os dois estão na mesma idade. E é nesse ponto que finalmente se permitem ter uma vida em comum, uma filha, um casamento temporário Até saírem da sincronia do tempo, cada um fazendo o caminho inverso.
Também lotado de metáforas esse filme mostra que as relações humanas são um momento da estrada de dois indivíduos, que se interceptam. Por amor, por sorte, por acaso. Podem seguir juntos, ou cada um para seu lado.
O fato é vendo esse filme a gente percebe que não há mais tempo a perder. Que o cinema, a literatura, a literatura de jornaleiro , todo mundo precisa e quer discutir as questões mais básicas e também de extrema relevância, que envolvem a psique. Sem mais frescuras. Está na hora de ENCARAR antes que o mundo acabe e a gente continue fingindo que nada sabe sobre a nossa humanidade. Assista o filme.

5 estrelinhas! *****
Ao assisti-lo você tem a impressão de que o homem finalmente esta perdendo a vergonha de ser humano.

13 fevereiro 2009

Stephanie pode nem saber o que escreveu, mas Camille sabe o que leu.

Continuando a saga dos vampiros. Vocês não imaginam a riqueza metafórica desses livrinhos. A autora pode até não saber o que escreveu. Mas eu sei muito bem a leitura que fiz de suas criaturas.
Quando a gente lê Machado de Assis, pode ter certeza de que o autor conhecia muitíssimo bem o que estava dizendo. Tem linhas e entrelinhas. Esses livros de Stephanie Meyer, tem linhas. Algumas vezes mal-traçadas. A história de vez em quando muda de saco para mala sem mais nem menos. A autorapõe milhares de ingredientes. Vocês já leram sobre como fazer um roteiro de cinema de bilheteria fácil? Tem que ter isso, aquilo, cenário em país exótico, trilha sonora com músicas que já fizeram sucesso, casalzinho que vai e volta, o de sempre, o garantido. E nesse sentido, se tem uma coisa que a Stephanie não peca, é pelo excesso: tem vampiro, lobisomem, suicida romântica, lendas ancestrais, high school dessa vez sem “musical”, cenários extravagantes na Itália, pais divorciados, família do além unida, gente rica entediada, classe média inteligente e corajosa, pessoas lindas , cultas ,imortais e cheias de dons. Enfim, o apanhado de assuntos, de temas que percorrem o nosso imaginário `burguês é tamanho, que eu poderia escrever um livro só falando dos livros dela.
Hoje li um post da Aninha Pontes falando sobre a DOR. Viver dói. As vezes literalmente, as vezes metaforicamente. De segunda-feira a ontem, eu passei num hospital, internada, por causa de miomas e morrendo de dor. Uma dor que me fez suar frio de pingar. Desconhecia isso assim. Me lembrou a explicação do Xamanismo sobre a doença: dizem que quando chega no seu corpo físico é por que já ultrapassou não sei quantas barreiras do seu campo astral. E aí se instala como dor literal. Mas já foi dor de amor, dor de rejeição, dor de incompreensão, dor de desconhecimento, dor da descoberta, dor de tudo que é jeito.
Os tais vampiros não sentem dor física como nós. Quando são torturados, o são mentalmente. Bastante interessante o lance. E parecem muito bonzinhos, muito cheios de idealismo, mas vampirizam tanto quanto os dos filmes de vampiros malvados. Só que a gente não percebe. E por que será que ao ler a saga de Stephanie Meyer, a gente não percebe que os bons vampiros não deixam nem por um minutinho de ser vampiros, no sentido de sugar- aquilo que o vampiro melhor sabe fazer- a energia de terceiros? Tchan-nan. Você acabou de ler cenas do próximo capitulo, no próximo post. Feche sua janela na hora de dormir e não convide qualquer um para entrar na sua casa. Leia-se, cabeça, universo, intimidade.

01 fevereiro 2009

Anjos da Guarda

Estou lendo com curiosidade, via internet, o novo livro dos vampiros "O Amanhecer" traduzido por uma moça, é so fazer o download. Incrivel como tem fãs tão alucinados por alguma coisa que são capazes dessas traduçoes- mais de 600 páginas- para que o maior numero de pessoas possa partilhar do mesmo prazer ou encantamento. Parecido com certas religiões evangelizadoras. Fenomeno que se deu com LOST, a série. Eu li que , no mesmo dia em que um capitulo era colocado no ar nos EUA, algum brasileiro fanático, colocava na internet, já legendado.
Ao mesmo tempo em que leio essa obra de Stephanie Meier( - essa tá milionária, já- e dizer que Letras era curso "espera marido, hein? Que grande virada), para apaziguar minha enorme angústia neste momento, penso que eu deveria estar focada em outras questões, como os anjos da guarda. Se eles existem, eu acho que sim, me pediram hoje para estar bem ligada nesses espíritos protetores. Preciso me comunicar etéreamente com alguém cujo meu alcance com palavras não faz nenhum avanço, para dizer- gosto muito de você, apesar de tudo. Acredito também que esse tipo de comunicação seja possível. Estou até parecendo a mocinha do livro. Mas eu sempre fui meio assim, ligada ao etéreo mesmo. E meio aérea também. Apesar de que, aparentemente contraditóriamente, com uma hiperatividade mental.
Nossa, que sono! Vou dormir. Alguém se lembra das "Brumas de Avalon"? Li três desses livros ha muitos anos, e no quarto já estava cheia. Li também tres Harry Potter e no quarto já estava cansada. Hoje a industria de livros te deixa menos brecha para se cansar. Com um marketing cada vez mais sofisticado, eles lançam os livros a conta gotas. Ah vou dormir sim. Deixa o marketing para lá.
Minha vida está tão estranha, como se de repente eu tivesse me desadaptado a tudo que tenho me esforçado arduamente para me adaptar. Acho que é o sono que nos desampara. Meu anjo da Guarda por favor, me ajude a me comunicar bem com quem eu preciso. Amém.
E voltando ao assunto das Brumas de Avalon. Alguém aqui leu? Alguém se lembra?

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...