Cheguei de viagem hoje e cheguei atrazada a blogagem coletiva em defesa da criança. Li o post da Luma, para começar, amanhã lerei todos os outros sem exceção. O assunto mais que merece.
Temos muito a falar a respeito: a menina Isabela, como simbolo de violência doméstica, aquela que se faz em geral, sem testemunhos. Muitas vezes com algumas testemunhas, as mais omissas: os proprios parentes que nada fazem para impedir e ainda se calam, os vizinhos que não "escutam" e por ai vai. Vi uma foto no blog da Laura, de uma criança sendo "abraçada" eroticamente por um adulto. Outra doença social que para mim mereceria o "paredon". Sem perdão. O menino João Hélio , vitima de um horror, como uma seta apontando para um tipo de ser que hoje discute-se nas universidades se são humanos ou não. Se podem juridicamente serem vistos e julgados como humanos ou não. Penso que agora os humanos então estão sendo vistos em toda a sua integralidade. Ou seja, com o nivel de maldade que se pode ter.
Então temos muito a pensar a respeito, só para começar, pensar. Tentar entender aquilo que não é para entender. E agir. Descobrir formas de lutar.
Quando eu tinha 18 anos, descobri que para manter uma criança na FUNABEM, Fundação do Bem-Estar do Menor, custava 4 salários minimos. O suficiente para sustentar toda a familia da criança, sem tira-la do convivio de sua comunidade. Na epoca aquela me parecia ser a luta mais importante de todas. Das desigualdades sociais, principalmente no que tangia as crianças. Acabar com a institucionalização. Diminuir a diferença, a injusta distancia entre uma criança( a nascida em berço esplendido) e o "menor", a pobre, que nunca se tornaria "maior" como mostrava a propria historia da instituição e sua des-integração social.
Agora sei que existem outras lutas, lutas dentro das lutas, sutis, notórias, imensas. Para as quais não dá para fechar os olhos. Portanto, se ouvir barulho estranho, suspeito no vizinho, denuncie. Se perceber uma criança sendo mal-tratada por seus pais em lugar publico, interfira, chame policiais, aconselhe. Mesmo que achem que você tem uma certa "loucura". Não é loucura "se meter na vida alheia" . O mal-estar é de todos. A causa é de todos.
Aproveito o post, para agradecer de coração o imenso carinho com que Elô e Emilio trataram minha filhinha de sete anos, nessa semana em que viajamos juntas. Ela ficou encantada. E nós duas, muito gratas, por tanta amizade, calor humano e delicadezas.
Beijos para todos,
Cam
27 maio 2008
17 maio 2008
Senhora dona do baile
Tinha grande admiração pela pessoa de Zélia Gattai, como escritora, mulher e esposa de Jorge Amado. Ela foi muito moderna para seu tempo: quando casou-se com o escritor baiano ja era separada de um primeiro marido e tinha um filho grande. Mas claro que isso não é tudo que tenho a dizer, apenas um palavrinha para começar. Por que eu tb tenho um filho grande e uma pequena, mas são outros tempos, nada mais natural.
Gostava dos seus livros, como esse Senhora Dona do Baile, onde, como nos outros, além de contar coisas da sua infancia e adolescencia, também falava dos tempos de exilio com Jorge Amado. De como ela preparava um macarrão aos domingos e chamava a todos os exilados. E aqueles dias tristes ficavam alegres com a formadora de comunidade e de muita amizade, Zelia Gattai.
Tambem fiquei apaixonada por um mural da "Casa de Jorge Amado", uma especie de centro cultural que tem em Salvador, onde um texto de Zélia explicita toda alegria que sentia por ser tão amada por Jorge. Tirei fotografia do texto e coloquei num album. Tempos depois comprei uma almofada com esse mesmo texto e dei para uma pessoa que eu amava , que parece não entendeu bem o conteudo da coisa e nem o gesto. Não é a toa que hoje tanto a almofada como a fotografia não estao acessiveis a mim. Talvez por que essa pessoa não entendesse nada de amor. Coisa que Zélia Gattai parecia entender um bocado. Que Deus a tenha em boa conta no céu. E que todos os espiritos comunistas que lá habitam já estejam babando pela tal macarronada. Senhora dona do baile, a rainha da festa já está chegando ai.
Beijos para ti Zélia Gattai.
Gostava dos seus livros, como esse Senhora Dona do Baile, onde, como nos outros, além de contar coisas da sua infancia e adolescencia, também falava dos tempos de exilio com Jorge Amado. De como ela preparava um macarrão aos domingos e chamava a todos os exilados. E aqueles dias tristes ficavam alegres com a formadora de comunidade e de muita amizade, Zelia Gattai.
Tambem fiquei apaixonada por um mural da "Casa de Jorge Amado", uma especie de centro cultural que tem em Salvador, onde um texto de Zélia explicita toda alegria que sentia por ser tão amada por Jorge. Tirei fotografia do texto e coloquei num album. Tempos depois comprei uma almofada com esse mesmo texto e dei para uma pessoa que eu amava , que parece não entendeu bem o conteudo da coisa e nem o gesto. Não é a toa que hoje tanto a almofada como a fotografia não estao acessiveis a mim. Talvez por que essa pessoa não entendesse nada de amor. Coisa que Zélia Gattai parecia entender um bocado. Que Deus a tenha em boa conta no céu. E que todos os espiritos comunistas que lá habitam já estejam babando pela tal macarronada. Senhora dona do baile, a rainha da festa já está chegando ai.
Beijos para ti Zélia Gattai.
01 maio 2008
Liberdade a quem trabalha
Essa frase do titulo é uma "palavra de ordem", uma homenagem aos trabalhadores do mundo inteiro, com saudades dos tempos da faculdade ( da primeira, de Sociologia e Política). E lembrando o Manifesto Comunista- trabalhadores do mundo, uni-vos". E blogueiros da net, vamos mesmo nos unir para uma campanha contra violencia doméstica? ( A idéia esta no post abaixo) Deveria ser criada a Lei Isabella Nardoni, que punisse pais que maltratam seus filhos. Não apenas tirando-lhes a guarda da criança, mas botando na cadeia mesmo. É isso.
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