28 janeiro 2007

Big Max, Feliz...

As vezes perdemos um enorme tempo tentando entender coisas, pessoas, fatos, que não tem a mínima importância. Em contrapartida, deixamos escapar tantas oportunidades de olhar para aquilo que verdadeiramente importa.
Estou casada há 10 anos, completos na semana passada e não bem comemorados por diversas razões. Lamento. Hoje há uma outra data, o aniversário de meu cunhado e não estaremos na Flórida para dizer-lhe parabéns pessoalmente. Sua esposa precisou fazer uma cirurgia na mesma época em que iríamos visitá-lo e a mim, que já estava no meio da viagem, pareceu uma intrusão muito grande estar lá, quando ela precisará de descanso e não de mais três hóspedes em sua casa, sem empregados- como é nos Estados Unidos- para se preocupar, mesmo que aparentemente não déssemos trabalho. Só a nossa presença- era a primeira vez que eu iria a sua casa- poderia constrangê-la e eu não queria que isso acontecesse de forma alguma.
Mas sinto pelas relações humanas, que seja tão difícil uma aproximação sem medo de ser feliz. Tendo como parâmetro esta família, acho complexo o fato de que, depois de 10 anos, ainda sejamos um pouco como estranhos. E nos estranhemos.
Gostaria de dizer ao meu cunhado o quanto o acho bacana, sempre achei. Simpático com todos, carente e sempre disposto a chamar todas as atenções para si, por uma enorme, gigantesca vontade de ser querido, amado.
Todos nós somos assim? Claro. O que o ser humano quer é amor. Mas meu cunhado se esforça mais para conseguir: canta, dança, sapateia, sorri, seduz a todos, provê, contagia.
Gostaria de chamá-lo de amigo, ao invés desse título de cunhado. Mas ainda não consegui esse feito. As implicações familiares como sobrinhas dele, ex-cunhadas dele e etc, talvez tenha feito seu olhar e seu coração um pouco mais impermeáveis a minha chegada a esse grupo. Mas, mesmo que ele nunca leia o que escrevo agora, peço de coração: lembre-se de quando me casei com seu irmão. Lembre de como eu era, de quem eu era. Por que naquela época talvez você pudesse me ver como um ser humano simplesmente, sem as tais implicações familiares. Eu continuo sendo a mesma pessoa. E portanto também precisando como todo mundo, das mesmas coisas: ser aceita, ser querida.

Enfim, feliz aniversário bro. Que o sol esteja radiante para você dar um mergulho num dia radiante. Com o coração pleno de alegria por estar vivo e radiante.
Camille

24 janeiro 2007

Muita neve e show da Broadway

Passamos um tempinho em Denver. Uma dos motivos para ir ao Colorado, talvez o mais especial deles, era para assistir uma peca de teatro em temporada itinerante, Spelling Bee, onde um dos atores tem uma estreita relacao com nossa familia. Foi muito emocionante ve-lo brilhar. Cantar, fazer as pessoas rirem, com total conhecimento de palco, de timing, de gente, de atuacao. Ele domina o publico e tenho certeza de que um dia sera um grande astro da Broadway, onde ja esta bem proximo, e de Hollywood. Bacana ver como nos EUA as pessoas se preparam para o que querem desde pequenas e assim conseguem suas chances: com estudo, talento , determinacao e com a certeza de que, de fato, existe um lugar ao sol para quem persiste. Ao Michael, muitos parabens. Aos seus pais, que sempre tiveram ao seu lado, tambem. Agora estamos em outras paragens. Ainda de ferias. Obrigada pelo carinho. Camille

09 janeiro 2007

Mulher multi-mídia em filme da locadora

Aluguei um DVD com artistas desconhecidos. Titulo algo como: "Tudo sobre nós", por ai. Agora que devolvi não lembro o titulo exatamente, mas depois pergunto e coloco aqui. O filme parecia canadense, europeu, menos americano, como é. Uma história bem contada de maneira informal, um flash na vida de algumas pessoas: um casal se separa. O homem é vendedor de uma loja de sapatos( tudo coisa simples, gente simples, comum, pelo menos no dia-a-dia), fica com os dois filhos. Paralelamente rola a vida de uma taxista de velhinhos. Ela só presta serviço para idosos e é video maker. No final das contas esses dois ficam juntos. Mas o interessante é que o filme mostra a utilização das difererentes midias interativas e meios de comunicação na vida das pessoas: telefone, televisão, videos de vhs e internet, internet, internet.
Gostei bastante, a diretora, atriz principal, produtora, etc, é a Miranda July que perguntei no post abaixo. Fui pesquisar, como fez a Tathy que comentou abaixo tb. E descobri que essa mulher é uma espécie de performática de internet. E a linguagem que ela utiliza nesse filme é muito, muito isso. Dá uma pista de como temos meios hoje nas mãos, para fazer coisas interessantes, versáteis, criativas, com enorme facilidade. Imagina como voce pode criar através da internet. Historias, filmes, novelas. Pode encontrar pessoas, pesquisar. Tudo que a gente já sabe, mas não realiza, no amplo sentido da palavra realizar. Ela , a Miranda, como nós, adora internet. E esse mundo fascinante está retratado nesse filme. Nao vou contar os detalhes, por que sao eles que dão toda a graça e o motivo de reflexão a respeito.
Por exemplo, outro dia vi um post no blog da Ingrid ( endereço no comentario do post abaixo) se perguntando se o Orkut afinal era bom ou não, se esse contato virtual foi um ganho ou uma perda na vida de todos nós. Muito interessante o post dela. Aliás, assim como a Tathy, a Ingrid é inteligentissima e escreve super bem. Enfim, o filme da Miranda July também passa por essa reflexão: das relações que só rolam de forma virtual na vida real. Vide por exemplo, a historinha paralela no filme, do pseudo pedófilo com as meninas adolescentes que estão descobrindo o sexo. A "transa" deles rola através de bilhetes colocados numa janela. E todos se satisfazem com isso.
Bom, o filme esta na BlockBuster e se de todo eu não lembrar o nome e voce tiver o interesse em alugar ( tenha por que voce que é blogueiro/a, vai gostar) é so falar que quer o filme da Miranda July, acho que nao tem outro e se tiver, pede o mais novo que o funcionario de lá acha no computador. Igualmente para qualquer outra video-locadora. Falei essa por quefoi lá que achei. E por isso tudo fiquei curiosa em saber se a Miranda July era uma pessoa conhecida nesse mundo de blogs, daí a pergunta.
Recado para Luma: não consigo comentar no seu blog. Ao clicar em comments ´da : "essa pagina não pode ser exibida". Por que será?
A PARTIR DE HOJE , DIA 12, ESTAREI VIAJANDO ATÉ 2 DE FEVEREIRO. UM BEIJO PARA VOCÊS E TUDO DE BOM.

07 janeiro 2007

02 janeiro 2007

Travessuras da menina má

Adoro escrever sobre filmes, mas dessa vez vou abrir uma exceção- Travessuras da Menina Má de Mario Vargas Llosa, pela Alfaguara, me deixou intrigada. Ouvi falar desse livro no ano passado. Uma conhecida, estava lendo em Espanhol e por causa de suas peripécias amorosas um tanto ?ilícitas?estava se achando a própria menina-título. Ela me contou sua leitura do enredo.

Neste feriado, quem leu fui eu. São dois livros diferentes, o meu e o dela. Os dois escritos por Llosa. Será? Ainda bem que não sou critica literária e tenho o direito de dizer o que quiser de um livro sem ser execrada. Quem tem coragem de dizer que Llosa, o rei da prosa, nesse caso pode estar nu? Ainda mais agora que seu nome esta cogitado para um Nobel de Literatura?!

Se minha quase amiga estiver certa na sua versão de uma romântica e extravagante historia, esse livro mais se parece com aqueles que se compra em banca de jornal. Mas uma série de indícios, que não são comentados em nenhuma resenha que eu tenha visto até agora( sim, dessa vez procurei no histórico de críticas) fizerem sentido para o escritor, trata-se de um livro bem interessante e instigante ate.

A parte histórica/politica, retrato de diferentes épocas, é muito bem contada. Mas em linhas gerais do romance, um moço peruano cujo maior sonho e ambição na vida era morar em Paris, conhece e se apaixona aos 15 anos por uma menina bonita e pobre em sua terra natal. O tempo passa de uma página a outra, ele já está em Paris como tradutor e ela aparece por la, por conta de um amigo em comum que encaminha estudantes para treinamento em Cuba via Paris. Essa moça, que era conhecida no Peru como chilena esta nessa leva. Nosso protagonista tradutor de carater fragil e ainda apaixonado por ela, a encontra, mas a deixa escapar em detrimento dos planos de seu amigo guerrilheiro. A pretensa chilenita vai para Cuba, e ali transa com montes de autoridades. Volta casada com um importante figurão francês. Vai para a cama duas vezes com o protagonista fragilzinho tradutor que continua a te-la como fixação e agora pensa nela como uma amante. A musa do livro larga o marido e vai para os braços de um velho rico inglês, justamente numa época que o tradutorzinho esta na Inglaterra.

E assim sucessivamente, de um jeito surreal. Aonde ele está , por coincidência ela aparece. Se um amigo vai trabalhar no Japão, automaticamente essa moça tão ágil quanto The Flash ja esta escravisada por alguém lá e com nome japonês. Em todos esses cenários há um tanto de homossexualismo masculino, voyerismo, perversões variadas, típicas de alguém incapaz de fazer vínculos e apenas viver fantasias sórdidas ou não. Quer dizer, na minha cachola pouco afeita a romances e adoradora de roteiros de cinema, esse personagem ?menina má?, que em contrapartida o chama de ?menino bom?, só existe na cabecinha pervertida do tímido tradutor.

E ai a trama vira algo de interessante como literatura: as pessoas que conheceram a moça ou morrem todas, por coincidência, ou vão embora morar longe. Assim não há testemunhos de longo prazo quanto a veracidade da historia toda, da existência da menina má. Só do ponto de vista do narrador. Parece Bentinho na duvida sobre a traição de Capitu, como apontou um leitor, critico, sei la? Parece, mas é mais que isso. Capitu pelo menos existia. A menina má parece ser o próprio personagem do tradutor, em dificuldades ?de qualquer maneira- de viver plenamente sua sexualidade e sua vida emocional. Quase não tem amigos, nunca teve namorada. Fala de umas orgias.


Enfim, leia você e pense no caso. Livro bom dá o que pensar. E Vargas Llosa depois de suas vastíssima obra não cairia na tentação de escrever apenas um romancezinho besta de coincidências pueris para levantar uma grana boa para o leite das crianças, que só os best-sellers de botequim dão. Então, leia e me conte o que você achou de cada coisa. Preste muita atenção aos detalhes. Está cheio de ?pegadinhas? sutis e interessantes. Aguardo seu palpite. E, feliz começo de ano.

A eutanásia da cachorra. O quarto ao lado. A morte nas cores de Almodóvar.

          Se teve uma situação que me comoveu muitíssimo, me entristeceu e também me tranquilizou, foi quando durante a pandemia, minha fil...